Atmosfera de Urano

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Urano, fotografado pela sonda espacial Voyager 2

A atmosfera de Urano, como aquelas dos gigantes gasosos maiores Júpiter e Saturno, é composta primariamente de hidrogênio e hélio. O seu interior é significativamente rico em voláteis (apeliados "gelos") tais como água, amônia e metano. O oposto é verdadeiro para a atmosfera superior, que contém poucos gases além do hidrogênio e hélio devido a baixa temperatura. A atmosfera é a mais fria de todos os planetas, alcançando a temperatura de 49 K.

A atmosfera uraniana pode ser dividida em três camadas: a troposfera entre as altitudes de −300 e 50 km com pressão de 100 a 0.1 bar; a estratosfera, atravessando altitudes entre 50 e 4000 km e pressões entre 0.1 and 10−10 bar; e a quente termosfera (ou exosfera) estendendo-se de uma altitude de 4,000 km a vários raios a partir da superfície nominal de 1 bar de pressão.[1] Ao contrário da atmosfera terrestre, a uraniana não possui mesosfera.

A troposfera abriga quatro camadas de nuvens: nuvens de metano a aproximadamente 1.2 bar, sulfeto de hidrogênio/amônia a 3–10 bar e hidrosulfeto de amônia a 20–40  bar, e finalmente nuvens de água abaixo de 50 bar. Apenas as duas camadas superiores foram observadas diretamente enquanto as inferiores são especulativas. Acima das nuvens existes várias tênues neblinas fotoquímicas. Nuvens troposféricas brilhantes e distintas são raras em Urano, provavelmente devido a lenta convecção no interior do planeta. Todavia a observação de tais nuvens foram usadas para medir as zonas de ventos no planeta, que são consideravelmente rápidas com velocidade de 240 m/s.

Pouco se conhece da atmosfera uraniana até a presente data e apenas uma sonda espacial, a Voyager 2 que passou pelo planeta em 1986, a estudou em detalhes. Nenhuma outra missão ao planeta está agendada até o momento.

Clima[editar | editar código-fonte]

Hemisfério Sul de Urano na cor aproximada do natural (esquerda) e comprimentos de onda maiores (direita), mostrando as faixas de nuvens fracas e a "tampa" atmosférica conforme vista pela Voyager 2.

O clima de Urano é intensamente influenciado tanto pela falta de calor interno, que limita a atividade atmosfera, quanto pela inclinação extrema de seu eixo axial, que induz intensas variações sazonais. A atmosfera é notavelmente branda em comparação com outros gigantes gasosos que de outros modos se assemelham.[2] Quando a sonda espacial Voyager 2 sobrevoou Urano em 1986, observou um total de dez nuvens características ao redor de todo o planeta.[3][4] Observações posteriores do solo ou do Telescópio Espacial Hubble feitas nas décadas de 1990 e 2000 revelaram nuvens brilhantes no hemisfério norte (inverno) do planeta. Em 2006, um ponto negro similar ao Grande Mancha Escura de Netuno foi detectado.[5]

Mancha negra[editar | editar código-fonte]

A primeira mancha negra observada em Urano. A imagem foi obtida pela ACS no HST em 2006.

A mancha negra observada em Netuno nunca tinha sido observada em Urano antes de 2006, quando a primeira com tal característica foi fotografada.[6] Neste ano tanto imagens do Hubble quanto do Telescópio Keck revelaram uma pequena mancha escura no hemisfério norte (inverno) do planeta. Foi localizada a uma latitude de aproximadamente 28 ± 1° e media aproximadamente 2° (1300 km) em latitude e 5° (2700 km) em longitude.[5] A característica nomeada Mancha Negra Uraniana moveu-se em uma direção progressiva relativa ao planeta com uma velocidad média de 43.1 ± 0.1 m/s, que é quase 20 m/s mais rápida que as nuvens na mesma altitude. A latitude da mancha é aproximadamente constante e variável em tamanho e aparência, sendo algumas vezes acompanhada por nuvens brancas brilhantes que se moviam quase na mesma velocidade da mancha.[5]

Referências

  1. Lunine, Jonathan. I. (1993). «The Atmospheres of Uranus and Neptune». Annual Review of Astronomy and Astrophysics. 31: 217–263. Bibcode:1993ARA&A..31..217L. doi:10.1146/annurev.aa.31.090193.001245 
  2. Sromovsky, L. A.; P. M. (15 de dezembro de 2005). «Dynamics of cloud features on Uranus». Icarus. 179 (2): 459-484. doi:10.1016/j.icarus.2005.07.022 
  3. Smith, B. A.; L. A. (4 de julho de 1986). «Voyager 2 in the Uranian System: Imaging Science Results». Science (em inglês). 233 (4759): 43-64. ISSN 0036-8075. PMID 17812889. doi:10.1126/science.233.4759.43 
  4. Emily Lakdawalla (2004). «No Longer Boring: 'Fireworks' and Other Surprises at Uranus Spotted Through Adaptive Optics». The Planetary Society. Consultado em 13 de junho de 2007 
  5. a b c Hammel, H. B.; L. A. (1 de maio de 2009). «The Dark Spot in the atmosphere of Uranus in 2006: Discovery, description, and dynamical simulations». Icarus. 201 (1): 257-271. doi:10.1016/j.icarus.2008.08.019 
  6. Sromovsky, L.; Fry, P.;Hammel, H.;Rages, K. «Hubble Discovers a Dark Cloud in the Atmosphere of Uranus» (PDF). physorg.com. Consultado em 22 de agosto de 2007 
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