Avante!

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Avante clandestino: dezembro de 1961

O Avante! é o jornal oficial do Partido Comunista Português, e iniciou clandestinamente a sua publicação em 1931. O seu lema é «Proletários de todos os países, UNI-VOS!»

História[editar | editar código-fonte]

O Avante! iniciou a sua publicação, clandestina, em 15 de fevereiro de 1931, com periodicidade irregular.[1]

Só o primeiro número foi impresso numa tipografia legal, próxima do Largo de São Paulo, em Lisboa, graças a um estudante do liceu Gil Vicente que convenceu o tipógrafo a imprimir, além de um boletim estudantil, mais umas quantas folhas - o «Avante!».[2] A partir daí e até ao 25 de Abril, o jornal foi sempre impresso em tipografias clandestinas.[2] Por altura da apanha da azeitona chegaram a cair jornais «Avante!» das oliveiras em terras alentejanas, uma das muitas formas encontradas para distribuir clandestinamente o órgão central do PCP.[2]

O trabalho era todo feito manualmente, por funcionários que pareciam ter uma vida normal.[2] Algumas vezes a perseguição da PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado) resultou na morte dos tipógrafos.[2] No dia 24 de janeiro de 1950, o corpo do funcionário José Moreira deu entrada na morgue com a indicação de que caíra de uma janela, no entanto, o operário vidreiro e responsável pelas tipografias do Jornal «Avante!»,[3] foi capturado durante assalto a uma casa clandestina do PCP em Vila do Paço e torturado pela PIDE, que o interrogou e espancou até à morte, acabando por o atirar da janela.[3][2] Joaquim Barradas de Carvalho afirma que o operário "foi torturado pela PIDE e foi morto na tortura sem ter dito uma palavra acerca daquilo que era conveniente guardar acerca do trabalho do Partido Comunista Português na clandestinidade".[3] Maria Machado, professora primária e funcionária clandestina entre 1942 e 1945, trabalhava numa tipografia na povoação de Barqueiro, em Alvaiázere, quando a PIDE a assaltou.[4] Tendo ficado para trás para permitir a fuga aos restantes tipógrafos, foi presa e torturada, e não prestou nenhuma declaração.[4] Enquanto era arrastada pelos agentes da PIDE, gritou: «Se a liberdade de imprensa não fosse uma farsa, esta tipografia não precisava de ser clandestina. Isto aqui é a tipografia do jornal clandestino «Avante!». O «Avante!» defende os interesses do povo trabalhador de Portugal.».[4] Joaquim Rafael teve uma vida de inteira abnegação dedicada à imprensa clandestina do Partido.[4] Entre 1943 e 1945, Joaquim Rafael esteve ligado à distribuição do «Avante!», passando depois para as tipografias.[4] Nos vinte e cinco anos que se seguiram, tornou-se num dos melhores tipógrafos clandestino e um mestre para novos camaradas que entravam para as tipografias.[4] Referência maior na história da imprensa clandestina, morreu em 1974.[4] José Dias Coelho, escultor e funcionário do PCP, foi assassinado a tiro pela PIDE em 1961, quando se dirigia para um encontro clandestino.[4][5] Pondo os seus dotes de artista plástico ao serviço da sua causa e do seu Partido, deu um contributo decisivo para a melhoria do aspeto gráfico de vários órgãos de imprensa clandestina, nomeadamente do «Avante!».[4] Das suas mãos saíram muitas das famosas gravuras – de linóleo ou de madeira – que se podem encontrar em numerosos exemplares do «Avante!» clandestino.[4][6] Em 1972, o cantor Zeca Afonso homenageia-o com a música A Morte Saiu à Rua.[7]

Segundo o jornal Público, as regras para quem trabalhava na clandestinidade eram rigorosas ao ponto de ter que se fazer as malas à mínima suspeita de se ter dado nas vistas.[2]

Em 17 de maio de 1974 foi publicado o primeiro número fora da clandestinidade, tendo passado a semanário desde essa data.[8]

Coleção do jornal[editar | editar código-fonte]

A coleção do jornal no período da publicação clandestina encontra-se disponível na Internet.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Citações

  1. Cf. Início da publicação do jornal Avante!.
  2. a b c d e f g «"Avante!", jornal do PCP, chega aos 70 anos...». Jornal Público. 12 de fevereiro de 2001. Consultado em 12 de dezembro de 2020. Cópia arquivada em 14 de novembro de 2020 
  3. a b c «José Moreira e o pensamento moderno português». RTP. 1 de outubro de 1975. Consultado em 12 de dezembro de 2020 
  4. a b c d e f g h i j «Avante! faz 75 anos - Páginas de uma história heróica». PCP. Consultado em 12 de dezembro de 2020. Cópia arquivada em 16 de junho de 2020 
  5. Santos, Luísa (janeiro de 2008). «José Dias Coelho - 'Desatando um a um os nós do silêncio'». Academia. 1 páginas. Consultado em 12 de dezembro de 2020. Cópia arquivada em 12 de dezembro de 2020 
  6. Santos, Luísa, 2008. pp. 7-8
  7. Santa-Bárbara, Filipe (5 de julho de 2016). «A morte saiu à rua». RTP. Consultado em 13 de dezembro de 2020. Cópia arquivada em 6 de julho de 2016 
  8. a b Cf.Avante! clandestino.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes académicas[editar | editar código-fonte]

Correia, Ana (2017). «Como o Avante! tratou os seus entre 1941 e 1974 - A construção de uma identidade comunista» (PDF). Universidade Nova de Lisboa. Cópia arquivada (PDF) em 1 de fevereiro de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]