Bruno de Querfurt

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja São Bruno (desambiguação).
São Bruno de Querfurt
Afresco de São Bruno no Mosteiro da Santa Cruz, na Voivodia de Santa Cruz, Polônia
Mártir; "Segundo Apóstolo dos Prussianos"
Nascimento c. 974 em Querfurt, Saxônia-Anhalt
Morte 14 de fevereiro de 1009 (35 anos)
Veneração por Igreja Católica
Igreja Ortodoxa
Festa litúrgica 15 de outubro
Gloriole.svg Portal dos Santos

Bruno de Querfurt (em latim: Bruno Magdeburgensis; em alemão: Brun), conhecido também como Bonifácio[1], um bispo missionário e mártir cristão que foi decapitado perto da fronteira entre a Rússia Kievana e a Lituânia enquanto pregava o cristianismo. É venerado como santo e conhecido como "Segundo Apóstolo dos Prussianos".

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Bruno era de uma família nobre de Querfurt, na região moderna da Saxônia-Anhalt, na Alemanha, e acredita-se que tenha sido parente de Otão III. Aos seis anos, foi enviado para ser educado em Magdeburgo, a de Adalberto de Magdeburgo, o professor e homônimo de Santo Adalberto. Ainda jovem, tornou-se cônego da Catedral de Magdeburgo e Otão, então com quinze anos, fê-lo membro de sua corte. Quando Bruno estava em Roma para a coroação imperial de Otão, encontrou-se com Santo Adalberto, o "Primeiro Apóstolo dos Prussianos", que morreria mártir um ano depois, um encontro que inspirou Bruno a escrever uma biografia de Santo Adalberto quando chegou ao então recém-cristianizado e consolidado Reino da Hungria. Bruno passou um longo tempo no mosteiro onde Adalberto havia se tornado monge e provavelmente onde o abade João Canapário escreveu também uma "Vida" de Santo Adalberto. Depois, Bruno mudou-se para um mosteiro perto de Ravena, fundado por Otão, e passou por um duro treinamento ascético ministrado por São Romualdo.

Vida missionária[editar | editar código-fonte]

Otão III queria fundar um mosteiro entre o Elba e o Oder (em algum lugar nas terras pagãs que tornar-se-iam Brandenburgo ou a Pomerânia ocidental) para ajudar a converter a população local ao cristianismo. Em 1003, o papa Silvestre II nomeou Bruno, aos 33, o responsável pela missão entre os pagãos da Europa Oriental. Por causa de um conflito entre o imperador Henrique II e o duque Boleslau I da Polônia, os planos de Bruno foram frustrados e ele seguiu para a Hungria, onde se estabeleceu. Lá, visitou os lugares que Santo Adalberto havia passado. Bruno tentou ainda conseguir Ahtum, o duque de Banat, que estava na jurisdição do patriarca de Constantinopla para a do bispo de Roma, mas a tentativa acabou provocando uma grande controvérsia e levou à oposição organizada dos monges locais contra ele. Bruno decidiu então deixar a região assim que terminou seu primeiro livro, a famosa "Vida de Santo Adalberto", um dos mais importantes relatos da conversão (na época, recente) dos húngaros.

Depois deste fracasso diplomático, Bruno seguiu para Kiev, onde o grão-duque Vladimir I deu-lhe autorização para tentar converter os pechenegues, povos túrquicos semi-nômades que viviam entre o Danúbio e o Don. Passou cinco meses lá e batizou cerca de 30 adultos, ajudando a firmar um tratado de paz entre pechenegues e russos.

Antes de partir para a Polônia, Bruno consagrou um bispo para os pechenegues. Lá, consagrou o primeiro bispo da Suécia e, acredita-se, enviou emissários para batizar o rei da Suécia[2], cuja mãe era polonesa. Foi nesta época que Bruno coletou relatos de testemunhas e escreveu uma história de seu amigo Bento e seus quatro companheiros, os "Cinco Irmãos Mártires".

Missão à Prússia e morte[editar | editar código-fonte]

No final de 1088, Bruno e dezoito companheiros partiram para fundar uma missão entre os prussianos. Conseguiram converter Netimer, um "rei dos lituanos", e viajaram para o oriente, provavelmente na direção de Yotvingia, uma região prussiana subordinada na época ao Principado de Kiev perto da fronteira da Prússia, Kiev e do Ducado da Lituânia[3].

Bruno foi decapitado em 14 de fevereiro de 1009 e a maior parte de seus companheiros foram enforcados por Zebeden, irmão do recém-convertido Netimer. O duque Boleslau, o Bravo, levou os corpos de volta para Polônia[nota 1]. Os "Anais de Magdeburgo", a "Crônica" de Dietmar de Merseburgo, várias obras de bispos de Magdeburgo, os "Anais de Quedlinburgo" e muitas outras obras escritas entre os séculos XI e XV relatam esta mesma história.

Logo depois de morrer, Bruno e seus companheiros passaram a ser venerados como mártires e Bruno foi logo canonização.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Alguns afirmam que todos foram sepultados em Przemyśl, que seria a diocese de Bruno segundo alguns historiadores. Porém, esta localização é pouco provável por que Przemyśl era, na época, subordinada ao patriarca de Constantinopla neste período.

Referências

  1. Wikisource-logo.svg "St. Bruno of Querfurt" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês)., uma publicação agora em domínio público
  2. Bruno of Querfurt, baptism of king of Sweden
  3. De acordo com os "Anais de Magdeburgo" (c. 1170) e outras fontes.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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