Combate de Perecué

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Combate de Perecué
Guerra do Paraguai
Brazilian troops in Tayi.jpg
Acampamento brasileiro na zona da Ilha Tayí, próximo onde se desenvolveu o combate
Data 3 de outubro de 1867
Local Tayi, próximo a Fortaleza de Humaitá, Paraguai.
Desfecho Vitória pírrica dos paraguaios
Beligerantes
ParaguaiParaguai Flag of Brazil (1870–1889).svg Império do Brasil
Comandantes
ParaguaiGeneral Bernardino Caballero Flag of Brazil (1870–1889).svgDuque de Caxias
Forças
800 homens 1 500 homens
Baixas
300 entre mortos e feridos 500 entre mortos e feridos

O Combate de Perecué, também conhecida como Batalha da Ilha Tayí, foi um conflito armado ocorrido durante a Guerra do Paraguai. As tropas do general paraguaio Bernardino Caballero lançaram incursões ao estilo de guerrilha sobre o acampamento aliado que se achava na zona de Tayí, perto da Fortaleza de Humaitá. O Duque de Caxias, Luís Alves de Lima e Silva, que substituiu Bartolomé Mitre no comando supremo das tropas aliadas, inteirou-se da presença paraguaia na zona e preparou um contra-ataque sobre seus inimigos, falhando nesta ação que resultou em uma vitória pírrica dos paraguaios.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Depois da Batalha de Curupaiti, com resultado quase catastrófico para as forças aliadas, geraram-se rebeliões nas províncias da Argentina, contrárias à guerra. Ademais, muitos pediam a substituição do general Bartolomé Mitre, a quem culpava-se pela péssima condução aliada da campanha. O mesmo Duque de Caxias disse certa vez: "Eu não sei como eu sigo as ordens deste homem (Mitre) que pode ser qualquer coisa, exceto um soldado".[1] Caxias assumiu o comando dos Exércitos Aliado após a partida de Mitre e continuou a sangrenta Campanha de Humaitá.

Os paraguaios, com suas forças enfraquecidas, eram incapazes de apresentar grandes batalhas. O Marechal Francisco Solano López, presidente do Paraguai, então iniciou uma resistência baseada em guerrilhas e incursões rápidas, as quais proporcionaram vitórias ao Exército Paraguaio. Destacou-se nestas ações o general Bernardino Caballero, quem obteve significantes triunfos junto a seus homens na Batalha de Tuyú Cué e no Combate de Ombú (1867).

A batalha[editar | editar código-fonte]

Em 3 de outubro de 1867, Bernardino Caballero saiu de Humaitá com uns 800 ginetes rumo a San Solano, para lançar-se de surpresa sobre as forças brasileiras, debilitando o flanco direito dos aliados. O Duque de Caxias compreendeu o plano paraguaio e estava preparando uma lição aos insolentes ginetes guaranis.

Nas proximidades de Ilha Tayí, encontrava-se uma grupo avançado paraguaio protegidos por um destacamento comandado pelos capitães José González e Pascual Urdapilleta. A infantaria brasileira lançou-se sobre eles, começando assim a batalha. Os guaranis resistiram, recebendo reforços do Major Saturnino Viveros, que tinha-se destacado na Batalha de Pehuajó, também conhecida como Corrales. A cavalaria de Bernardino Caballero, junto a seus oficiais Valois Rivarola e Antonio Olavarrieta, chegou ao resgate do destacamento paraguaio, esmagando os atacantes. Neste intervalo de tempo, Caxias já tinha organizado uma força para atacar a cavalaria paraguaia.[2] Caballero, ao ver os soldados brasileiros, uns três regimentos de cavalaria e dois de infantaria, aproximando-se perigosamente de sua posição, ordenou ao Major Viveros que se mantivesse no destacamento, enquanto ele iria com seus ginetes ao encontro dos inimigos.[3]

Os aliados lançaram o primeiro ataque, mas foram repelidos com uma carga impetuosa de cavalaria com sabres. Eles tentaram um segundo ataque, lá os paraguaios esperaram por eles e foram recebidos com fogo dos mosquetes. Caballero viu a oportunidade de contra-atacar e se lançou na vanguarda brasileira, que fugiu de sua artilharia. Caxias, irritado, enviou três regimentos de infantaria para reforçar seus homens, severamente açoitados. Os paraguaios se desorganizaram, mas Bernardino Caballero, com a ajuda de Rivarola e Olavarrieta, conseguiu recompor suas linhas e lançou um novo contra-ataque. As tropas de Caxias desta vez fugiram em definitivo.[4]

Apesar da vitória, os paraguaios abandonaram a posição, deixando apenas os destacamentos de González e Urdapilleta com alguns reforços. Caxias, embora aborrecido, sabia que era apenas um pequeno contratempo. Ele teria a oportunidade, no entanto, de se vingar na Batalha de Tatayibá, derrotando de forma definitiva a cavalaria de Bernardino Caballero.[5]

Referências

  1. Castagnino, Leonardo (2011). Guerra del Paraguay : la triple alianza contra los paises del Plata. Buenos Aires: Ediciones Fabro. ISBN 9789871677177. OCLC 745900704 
  2. Centurión, Juan Crisóstomo (2010). Memorias o reminiscencias históricas sobre la Guerra del Paraguay. Assunción: El Lector. ISBN 9789995310967. OCLC 780286228 
  3. Thompson, George (1869). The War in Paraguay: With a Historical Sketch of the Country and Its People and Notes Upon the Military Engineering of the War. Londres: Longman's, Green and Co 
  4. "Battle of Ilha Tayí", artigo do Buenos Aires Standard, Argentina. 9 de novembro de 1867
  5. Whigham, Thomas (2011). La Guerra de la Triple Alianza. III. Asunción,: Taurus Historia. ISBN 9789995390730. OCLC 774691557 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]