Disputa por pênaltis

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Neymar realiza uma cobrança em uma disputa por pênaltis nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2014

No futebol a disputa por pênaltis, grandes penalidades ou simplesmente pênaltis (em Portugal: pénaltis), constitui um método contemplado na seção denominada “Procedimentos para determinar o ganhador de uma partida ou eliminatória” nas regras estabelecidas pela FIFA [1] , com o objetivo de definir a classificação de uma equipe para a próxima fase de um torneio ou qualquer outra instância eliminatória quando é necessário um desempate, tal como também o campeão de uma competição.

Uso[editar | editar código-fonte]

Em um caso de empate, o procedimento é usado em confrontos de eliminação direta para determinar qual equipe se classifica a fase seguinte ou para definir o campeão. Dependendo das regras de cada torneio, um tempo complementar pode anteceder a disputa por pênaltis assim que o tempo regulamentar se esgotar.

As competições da Conmebol são um exemplo onde as disputas por pênaltis são utilizadas imediatamente após a finalização da partida, sem qualquer prorrogação. Conjuntamente, a Copa América também utiliza os pênaltis como um método de desempate na fase de grupos, na situação em que as equipes sigam empatadas em pontuação na última partida dessa fase.[2]

Uma definição por pênaltis em caso de empate também pode ser combinada antes de uma partida caso não esteja contemplada no regulamento de uma competição, tal como ocorreu no Torneio Sul Americano Pré-olímpico sub-23 de 2000, entre as seleções da Argentina e do Chile.[3]

No final da década de 1980, algumas ligas europeias, como a Hungria, Iugoslávia e Noruega, implementaram nas regras disputas por pênaltis em qualquer partida empatada, conferindo um ponta extra para o vencedor. O mesmo ocorreu na Major League Soccer nos Estados Unidos, no Campeonato Peruano (Torneio Plácido Galindo) , no Campeonato Colombiano temporada 1998 e no Campeonato Argentino temporada 1988-1989. Com o tempo a prática deixou de ser utilizada.

Procedimento[editar | editar código-fonte]

As execuções ocorrem de maneira similar as cobranças de pênaltis durante as partidas, segundo o que é especificado na regra 14, mas com algumas particularidades.

O procedimento não faz parte do jogo, logo os gols convertidos não são incluídos no resultado final e nem nas estatísticas dos jogadores. De maneira mais específica, a disputa por pênaltis não define o vencedor de uma partida, já que a mesma continua empatada, para efeitos de estatística, e sim seleciona a equipe que passará de fase ou ganhará uma competição. Para tanto, é comum dizer que uma equipe “ganhou nos pênaltis”.

Resumo do procedimento[editar | editar código-fonte]

  • Somente os jogadores que terminaram a partida no campo de jogo podem realizar a disputa de pênaltis. A única exceção é se o goleiro sofrer uma lesão ou for expulso durante a definição e a equipe tenha esgotado o número máximo de substituições. Pelo contrário, algum dos jogadores deverá ocupar a posição no gol.
  • No caso de alguma equipe ter menos do que onze jogadores por causa de lesões graves ou expulsões, a outra equipe precisará retirar um determinado número de jogadores para igualar a quantidade de cobradores.
  • A lista de cobradores é determinada pelo técnico de cada time, e este deverá entregar a listagem para os árbitros com a ordem exata em relação a quem irá participar na primeira e segunda fase das cobranças, caso a definição se estenda.
  • A primeira equipe a bater o pênalti é definida por um sorteio de cara ou coroa realizado pelos capitães. O arbitro decide em qual gol realizará as cobranças.
  • Os jogadores que não participam dos pênaltis devem ficar dentro do círculo central, com exceção do goleiro que deve esperar perto da grande área a sua vez de tentar defender.
  • Cada cobrança é realizada da mesma maneira que qualquer pênalti, sempre efetuada na marca de tiro penal, com o gol sendo somente defendido pelo goleiro oponente. Este deve se manter na linha divisória entre as traves até que a bola seja colocada em movimento, para então ser permitido o goleiro saltar em qualquer direção. Entretanto, é permitido mexer os braços e se movimentar em qualquer direção na linha para distrair o cobrador.
  • Cada jogador deve apenas tocar uma vez na bola por tentativa. Uma vez tocada, o cobrador não pode voltar a encostar na bola para uma nova investida. Tampouco pode aproveitar rebote do goleiro, ao contrário do que ocorre no tempo normal de jogo.
  • As equipes se alternam para tentar converter os gols até que cada uma tenha lançado cinco cobranças, a chamada primeira fase. No entanto, a disputa estará encerrada, a partir do momento que uma das equipes tiver marcado um número de gols que não possa ser igualado pela outra equipe.
  • Se depois de dez tentativas (cinco para cada lado) as equipes sigam empatadas, os times irão cobrar uma tentativa cada, de maneira alternada, até que uma das equipes tenha marcado um gol a mais, e ambas tenham realizado o mesmo número de tentativas.
  • O árbitro poderá advertir ou expulsar qualquer membro do corpo técnico ou jogador que continuou participando ou não das cobranças, quando achar que alguém tenha cometido infrações nas regras.
  • Os gols que os jogadores marcaram nas definições não contam para o resultado final e nem para as estatísticas dos goleadores.

História[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

Antes da introdução da disputa por pênaltis, partidas eliminatórias encerradas e empatadas após a prorrogação eram decididas por um jogo extra ou por cara ou coroa. Entretanto, variações da atual disputa por pênaltis chegaram a ser usadas em competições menores antes da implementação definitiva. Alguns exemplos incluem a Copa da Iugoslávia temporada 1952,[4] a Coppa Itália temporada 1958-59 [5] e inter-regionais na Suíça em 1959-1960. [6] Nos torneios internacionais temos a final do Troféu Ramón de Carranza de 1962,[7] o Uhrencup também disputado em 1962 [8] e finalmente a disputa pela medalha de prata entre Bolívia e Venezuela nos Jogos Bolivarianos de 1965.[9]

Se tratando de competições de maior importância, temos o caso da vitória da Itália sobre a URSS na semifinal do Campeonato Europeu de Futebol de 1968.[10]

Karl Wald, um dos possíveis inventores do sistema

O israelense Yosef Dagan é reconhecido por propor o sistema de disputa de pênaltis moderno, depois de assistir a derrota da seleção nacional do seu país por cara ou coroa nos Jogos olímpicos de Verão de 1968. Michael Almog, que posteriormente viria a ser o presidente da Federação Israelense de Futebol, se interessou pela ideia de Dagan e mandou uma proposta para a FIFA em Agosto de 1969.[11] Koe Ewe Teik, membro da Comissão de árbitros da Malásia, liderou a aceitação do sistema dentro da FIFA.[12] A entidade máxima do futebol discutiu a proposta em 20 de Fevereiro de 1970 e acatou o pedido, embora alguns membros tenham tido suas ressalvas. O anúncio geral do novo sistema se deu em 27 de junho de 1970. Em 2006, a agência de notícias alemã Deutsche Presse-Agentur alegou que o árbitro Karl Wald teria sido o inventor do sistema em 1970, na Copa da Bavária.[13]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Na Inglaterra, a primeira disputa de pênaltis em uma partida profissional ocorreu em 1970 no Boothferry Park, em Hull, entre Hull City e Manchester United durante a semifinal da Watney Cup, com a vitória do time de Manchester. O primeiro a cobrar foi George Best, e o primeiro a desperdiçar foi Denis Law. Ian McKechnie, que defendeu o chute de Law, também foi o primeiro goleiro a efetuar uma cobrança; sua finalização bateu no travessão e estufou as redes, deixando o Hull City fora da final.

A disputa por pênaltis foi usada para decidir jogos da Liga dos Campeões da Europa temporada 1970-71. Em 30 de Setembro de 1970, depois que empataram em número de pontos na rodada final da primeira fase da Liga dos Campeões, o Honvéd bateu por 5-4 o Aberdeen nos pênaltis após um empate em 4-4.[14] Cinco semanas depois, o Everton venceu o Borussia Mönchengladbach por 4-3 nas grandes penalidades no mesmo torneio.[15]

Na primeira rodada da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1972–73, o juiz encerrou prematuramente os pênaltis entre CSKA e Panathinaikos, com o placar final de 3-2 para o CSKA, entretanto o clube grego tinha apenas cobrado 4 chutes. O Panathinaikos fez uma reclamação formal na UEFA e a partida foi anulada e jogada novamente no mês seguinte, com o CSKA ganhando sem precisar jogar a disputa por pênaltis.[16]

Na final do Campeonato Paulista de Futebol de 1973 ocorreu algo semelhante. O Santos estava liderando as cobranças por 2-0 contra a Portuguesa, com cada time tendo ainda até três cobranças por vir, quando o juiz Armando Marques errou ao terminar a série (se os acontecimentos fossem favoráveis, a Portuguesa poderia ter ganhado por 3-2) e declarou o Santos campeão paulista. O time da Portuguesa rapidamente reclamou, mas o arbitro alegou que, uma vez encerrado o jogo, o erro não teria como ser corrigido. Foi proposta uma nova partida, todavia com a recusa do Santos em participar, o presidente da Federação Paulista de Futebol, Osvaldo Teixeira Duarte, declarou ambos os times campeões.[17]

A primeira decisão de um grande torneio internacional a ser decidido nos pênaltis foi o Campeonato Europeu de 1976, entre a Tchecoslováquia e a Alemanha Ocidental. A UEFA tinha programado um jogo extra para dois dias depois, mas ambas as seleções concordaram com a disputa por pênaltis. A Tchecoslováquia ganhou por 5-3.

Em Copas do Mundo FIFA[editar | editar código-fonte]

As finais de quatro mundiais, entre torneios masculinos ou femininos, se decidirem por disputas por pênaltis. As duas primeiras foram realizadas no mesmo estádio: o Rose Bowl, em Pasadena.

Copa do Mundo masculina[editar | editar código-fonte]

A primeira ocorrência do sistema nas eliminatórias para a Copa do Mundo foi em 9 de Janeiro de 1979, na primeira rodada das eliminatórias africanas, quando a Tunísia venceu o Marrocos.[18] Já a primeira disputa por pênaltis na Copa do Mundo em si aconteceu em 1982, com a vitória alemã sobre a França.

  • A final da Copa de 1994, entre Brasil e Itália, foi a primeira a se decidir desta forma após uma partida sem gols. A seleção brasileira ganhou a disputa por 3-2. Roberto Baggio é lembrado por desperdiçar a última cobrança.
  • A final da Copa do mundo de 2006 também se decidiu nos pênaltis, e foi ganhada pela Itália por 5-3 contra a França, em Berlim. A partida havia terminado em 1-1, sem nenhum gol marcado na prorrogação.

Em 16 de novembro de 2005, uma repescagem da Copa do Mundo terminou na disputa por pênaltis pela primeira vez, entre o Uruguai e a Austrália. Depois de um empate em 1-1, a Austrália ganhou nos pênaltis por 4-2.

Copa do Mundo feminina[editar | editar código-fonte]

  • Tal como na final de 1994, a prorrogação da Copa do Mundo feminina de 1999 se encerrou sem gols, partida realizada também no Rose Bowl. Nos pênaltis, o Estados Unidos derrotou a China por 5-4.
  • A final da Copa do Mundo feminina de 2011 entre Japão e Estados Unidos acabou em 2-2. Logo, foi necessário o método da disputa por pênaltis para definir o vencedor da partida e da competição, e o resultado foi a vitória da seleção japonesa por 3-1;

Alternativas[editar | editar código-fonte]

Gol de ouro e de prata[editar | editar código-fonte]

Os métodos do gol de ouro e de prata buscavam diminuir a quantidade de prorrogações que terminavam em disputas por pênaltis. No primeiro método, a partida era terminada quando uma equipe marcava um gol no tempo complementar, e esteve vigente nos mundiais de 1998 e 2002. O primeiro gol de ouro nos mundiais de futebol ocorreu entre a França e Paraguai no Mundial de 1998. Na edição de 2002 a Itália foi eliminada pela Coréia do Sul pelo gol de ouro.

O gol de prata determinava que primeiramente teríamos uma prorrogação de 15 minutos, e o segundo tempo da prorrogação só seria jogado caso nenhuma equipe tivesse marcado. O método foi deixado de lado em 2004 pois as equipes priorizavam excessivamente o jogo defensivo.

O shootout nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Na North American Soccer League e depois na Major League Soccer foi experimentado uma variação do procedimento da definição.

No lugar da disputa por pênaltis normal, o denominado shootout começava a 35 jardas (32 metros) do gol, com o executor tendo 5 segundos para tentar converter, isto é, fazendo todos os movimentos necessários para se aproximar e buscar um bom ângulo para a finalização.[19] Este procedimento é similar ao pênalti no hóquei de gelo.

A MLS abandonou o experimento em 2000, a fim de seguir a tendência mundial da disputa por pênaltis.

Atacante Defensor Goleiro (ADG)[editar | editar código-fonte]

ADG é uma alternativa proposta à clássica disputa de penaltis. Neste caso, um atacante tem 30 segundos para marcar um gol, disputando contra um defensor e o goleiro. [20]

Alternativas usadas atualmente[editar | editar código-fonte]

Uma alternativa do atual método de disputa por pênaltis são as repetições das partidas empatadas (replays), como ocorre na FA Cup, na Inglaterra. Neste torneio, a localização da primeira partida é definida por sorteio, e em caso de empate é jogado um replay com a localização em casa do time que jogou fora. Não existem repetições nas semifinais e na final, o qual é jogado no estádio de Wembley como campo neutro.

Propostas alternativas a disputa por pênaltis não vem sendo aprovadas pela IFAB. Entretanto, em junho de 2007, o ex presidente da FIFA, Joseph Blatter, declarou que não queria mais definições por pênaltis em uma final de Copa do Mundo.[21]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. https://web.archive.org/web/20140901125632/http://www.fifa.com/mm/document/footballdevelopment/refereeing/02/36/01/11/27_06_2014_new--lawsofthegameweben_neutral.pdf
  2. http://web.archive.org/web/20100331115111/http://img.conmebol.com/csf/pub/articulo/2007/regl_copaamerica07.pdf
  3. http://www.lanacion.com.ar/4275-la-argentina-ira-por-el-exito-y-el-pasaporte-para-sydney
  4. http://www.rsssf.com/tablesj/joegcupdetail.html#52
  5. http://www.rsssf.com/tablesi/italcup59.html
  6. http://www.rsssf.com/tablesz/zwit-jugendcup.html#60
  7. http://www.rsssf.com/tablesc/carranza.html#62
  8. http://www.rsssf.com/tablesu/uhren.html#62
  9. http://www.rsssf.com/tablesb/bolivarianos.html
  10. http://www.rsssf.com/tables/68e.html
  11. Miller, Clark (1996). He Always Puts It To The Right: A History Of The Penalty Kick. Orion. ISBN 0-7528-2728-6.
  12. Miller, Clark (1996). He Always Puts It To The Right: A History Of The Penalty Kick. Orion. ISBN 0-7528-2728-6.
  13. http://www.stern.de/sport/wm2006/news/karl-wald-der-vater-des-elfmeterschiessens-564500.html
  14. http://www.linguasport.com/futbol/internacional/clubes/c2/C2_71.htm
  15. http://www.linguasport.com/futbol/internacional/clubes/c1/C1_71.htm
  16. Reuters (9 de Outubro de 1972). "UEFA annul Cup result
  17. Pelé; Orlando Duarte; Alex Bellos; Daniel Hahn (2006). Pelé: a autobiografia. ISBN 0-7432-7583-7.
  18. http://www.fifa.com/mm/document/fifafacts/mcwc/fifaworldcuppreliminaryhistory_byyear__13876.pdf
  19. Crisfield, Deborah; Jeff Agoos (1998). The Complete Idiot's Guide to Soccer. Alpha Books. p. 48. ISBN 0-02-862725-3.
  20. «Atacante Defensor Goleiro - Uma Nova Alternativa para as Disputa de Pênaltis». www.theadgalternative.com. Consultado em 2016-06-28. 
  21. http://web.archive.org/web/20091013171945/http://news.softpedia.com/news/Sepp-Blatter-Wants-NO-More-Penalty-Shootout-in-World-Cup-Final-36692.shtml