Droga dissociativa

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As drogas dissociativas ou simplesmente dissociativos são uma classe de alucinógenos que distorcem as percepções da visão e audição e produzem sentimentos de dissociação do ambiente e de si mesmo. Isso é feito através da redução ou bloqueio de sinais para a mente consciente de outras partes do cérebro.[1] Embora muitos tipos de drogas sejam capazes de tal ação, os dissociativos são únicos, pois o fazem de tal maneira que produzem efeitos alucinógenos, que podem incluir privação sensorial, dissociação, alucinações e estados ou transes oníricos.[2] Alguns dissociativos, que não são seletivos em ação e afetam os sistemas de dopamina[3] e/ou opióides,[4] podem ser capazes de induzir euforia. Muitos dissociativos têm efeitos depressivos gerais e podem produzir sedação, depressão respiratória, analgesia, anestesia e ataxia, além de comprometimento cognitivo e de memória e amnésia .

Efeitos[editar | editar código-fonte]

Os efeitos dos dissociativos podem incluir dissociação sensorial, alucinações, mania, catalepsia, analgesia e amnésia.[5][6][7] As características da anestesia dissociativa são descritas como catalepsia, amnésia e analgesia. Segundo Pender 1972), "o estado foi designado como anestesia dissociativa, uma vez que o paciente realmente parece desassociado de seu ambiente".[8] Pender (1970) e Johnstone et al. (1959) relataram que pacientes sob anestesia, devido à cetamina ou fenciclidina, tornaram-se mais propensos a movimentos sem propósito e tinham alucinações (ou "sonhos")[9] durante e após a anestesia. Alguns pacientes acharam as alucinações eufóricas, enquanto outros as acharam perturbadoras.

Em doses sub-anestésicas, os dissociativos alteram muitos dos mesmos processos cognitivos e perceptivos afetados por outros fármacos alucinógenos, como mescalina, LSD e psilocibina; portanto, eles também são considerados alucinógenos e psicodélicos.[10][11][12][13] Talvez as diferenças subjetivas mais significativas entre os dissociativos e os alucinógenos clássicos (como LSD e mescalina ) sejam os efeitos dissociativos, que incluem: despersonalização, o sentimento de ser irreal, desconexão de si mesmo ou incapacidade de controlar suas ações; e desrealização/derspersonalização, estado em que há uma sensação de que o mundo exterior é irreal ou que está em um sonho.[14]

Em ensaios clínicos de 5 dias de minociclina 150mg/dia para voluntários saudáveis, 50% apresentaram desassociação e 13,3% apresentaram euforia.[15]

Uso recreativo[editar | editar código-fonte]

Alguns compostos dissociativos são usados recreativamente, como a cetamina e o óxido nitroso. A fenciclidina (PCP) está disponível nas ruas como droga ilegal. Para atingir os efeitos dissociativos, alguns usuários usam xaropes para tosse com dextrometorfano (DXM) em doses muito mais altas do que as recomendadas clinicamente.[16] Historicamente, o clorofórmio e o éter dietílico têm sido usados recreativamente.[17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «PCP-induced alterations in cerebral glucose utilization in rat brain: Blockade by metaphit, a PCP-receptor-acylating agent». Synapse. 1: 497–504. 1987. PMID 2850626. doi:10.1002/syn.890010514 
  2. «Phencyclidine». Nature. 285: 355–6. 1980. Bibcode:1980Natur.285..355S. PMID 7189825. doi:10.1038/285355a0 
  3. «Comparison of haloperidol and chlorpromazine in the treatment of phencyclidine psychosis». Journal of Clinical Pharmacology. 24: 202–4. 1984. PMID 6725621. doi:10.1002/j.1552-4604.1984.tb01831.x 
  4. «Comparison of Chlorpromazine, Haloperidol and Pimozide in the Treatment of Phencyclidine Psychosis: Da-2 Receptor Specificity». Clinical Toxicology. 22: 573–9. 1984. PMID 6535849. doi:10.3109/15563658408992586 
  5. «Dissociative Anesthesia». California Medicine. 113. 73 páginas. 1970. PMC 1501800Acessível livremente. PMID 18730444 
  6. «Sernyl (C1-395) in Clinical Anaesthesia». British Journal of Anaesthesia. 31: 433–9. 1959. PMID 14407580. doi:10.1093/bja/31.10.433 
  7. «Clinical trial of ketamine (ci-581): A preliminary report». Canadian Anaesthetists' Society Journal. 17: 411–6. 1970. PMID 5429682 
  8. «Dissociative Anesthesia». California Medicine. 117: 46–7. PMC 1518731Acessível livremente. PMID 18730832 
  9. «An anaesthetic agent: 2-orthochlorophenyl, 2-methylamino cyclohexanone HCl (CI-581).». Anesthesiology. 28: 823–33. 1967. PMID 6035012. doi:10.1097/00000542-196709000-00008 
  10. «The Psychotomimetic States Inventory (PSI): Measuring psychotic-type experiences from ketamine and cannabis». Schizophrenia Research. 103: 138–42. 2008. PMID 18387788. doi:10.1016/j.schres.2008.02.020 
  11. «Ketamine associated psychedelic effects and dependence.» (PDF). Singapore Medical Journal. 44: 31–4. 2003. PMID 12762561 
  12. «Psychological Effects of (S)-Ketamine and N,N-Dimethyltryptamine (DMT): A Double-Blind, Cross-Over Study in Healthy Volunteers». Pharmacopsychiatry. 38: 301–11. 2005. PMID 16342002. doi:10.1055/s-2005-916185 
  13. «Ketamine psychedelic therapy (KPT): a review of the results of ten years of research.». Journal of Psychoactive Drugs. 29: 165–83. 1997. PMID 9250944. doi:10.1080/02791072.1997.10400185 
  14. «A systems model of altered consciousness: integrating natural and drug-induced psychoses». Brain Research Bulletin. 56: 495–507. 2001. PMID 11750795. doi:10.1016/S0361-9230(01)00646-3 
  15. Gump DW, Ashikaga T, Fink TJ, Radin AM (1977). «Side effects of minocycline: different dosage regimens». Antimicrob. Agents Chemother. 12: 642–6. PMC 429991Acessível livremente. PMID 303498. doi:10.1128/AAC.12.5.642 
  16. Chyka, Peter A.; Erdman, Andrew R.; Manoguerra, Anthony S.; Christianson, Gwenn; Booze, Lisa L.; Nelson, Lewis S.; Woolf, Alan D.; Cobaugh, Daniel J.; Caravati, E. Martin (1 de setembro de 2007). «Dextromethorphan poisoning: an evidence-based consensus guideline for out-of-hospital management». Clinical Toxicology (Philadelphia, Pa.). 45 (6): 662–677. ISSN 1556-3650. PMID 17849242. doi:10.1080/15563650701606443 
  17. «5 métodos e substâncias surpreendentes usados no passado para aliviar a dor». BBC News Brasil. 31 de dezembro de 2017 


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