Fernando de Portugal, Duque da Guarda

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Armas do Infante Fernando, Duque da Guarda e Senhor de Trancoso.

Fernando, Infante de Portugal, 1º Duque da Guarda e 1º Senhor de Trancoso (Abrantes, 5 de Junho de 1507 - Abrantes, 7 de Novembro de 1534), foi um Infante de Portugal, filho do Rei Manuel I e da sua segunda esposa, a Rainha Maria de Aragão e Castela.[1]

Foi feito Duque da Guarda e Senhor de Trancoso ainda bastante jovem, e recebeu as rendas de diversas outras vilas portuguesas, como Alfaiates, Sabugal, Abrantes, Lamego e Marialva.

Casou em 1530 com Guiomar Coutinho, 5ª Condessa de Marialva e 3ª Condessa de Loulé, tendo do enlace nascido dois filhos, um morto à nascença, e outra, de nome Luísa.

Fernando faleceu em Abrantes em 1534, sendo sepultado na Igreja de São Domingos daquela cidade. Filipe I de Portugal fez trasladar os restos mortais do Infante para os Mosteiro dos Jerónimos.

Manuel de Faria e Sousa na sua Europa Portuguesa afirma que D. João III o criou Duque de Trancoso aquando do seu casamento com D. Guiomar Coutinho, em 1530, sem referir a criação do título de Conde da Guarda.[2] D. António Caetano de Sousa na sua História Genealógica da Casa Real Portuguesa afirma que não se encontra registo dessa mercê, considerando a afirmação de Faria e Sousa equivocada, por troca com o Ducado da Guarda efectivamente criado nessa ocasião pelo mesmo soberano, e do qual existe registo.[3]

Vida[editar | editar código-fonte]

O Infante D. Fernando manifestou um grande interesse pelas letras e por História. Procurou recolher informações para fazer uma enorme árvore genealógica, desde Noé, conforme é documentado por Damião de Góis:

«Este Infante D. Fernando, assim na mocidade, como depois de ser homem feito, foi homem de bom parecer e bem disposto, muito inclinado a letras, e dado ao estudo das Historias verdadeiras e inimigo das fabulosas, e por haver as verdadeiras trabalhava muito, do que eu sou testemunha, porque estando em Flandres, em serviço del Rei D. João terceiro, seu irmão, me mandou pedir todas as crónicas que se pudessem achar escritas de mão, ou imprimidas, em qualquer linguagem que fosse, as quais lhe mandei todas. E por tirar a limpo as crónicas dos Reis de Espanha desde o tempo de Noé, até o seu, despendeu muito com homens doutos, a que dava ordenados e tenças, e fazia outras mercês; e me mandou um desenho da árvore e tronco de toda esta progénie, desde o tempo de Noé, até o del Rei dom Manuel seu pai, para lhe mandar fazer de iluminura, pelo maior homem daquela arte que havia em toda Europa, por nome Simão, morador em Bruges, no condado de Flandres. Na qual árvore e outras coisas de iluminura, despendi per sua conta uma grande soma de dinheiro[4]

Uma parte desta grande iluminura atribuída a António de Holanda e a Simão Bening pode ser vista no Museu Britânico.[4] [5]

Referências

  1. Serrão, Joel (1965). "Fernando (1507-1534)". Dicionário de História de Portugal II. Ed. não referenciado. Lisboa: Iniciativas Editoriais. p. 213. ISBN 9726611601 
  2. Manuel de Faria e Sousa, Europa Portuguesa, 2ª edição, 1679, Tomo II, p. 622
  3. António Caetano de Sousa, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, 1737, Tomo III, p. 492
  4. a b Silvestre Ribeiro, José (1871). Historia dos estabelecimentos scientificos litterarios e artisticos de Portugal [S.l.: s.n.] p. 79. 
  5. «Web Gallery of Art. BENING, Simon (b. 1483, Ghent, d. 1561, Bruges). Genealogy of the Infante Dom Fernando of Portugal. 1530-34.Manuscript (Additional Ms. 12531), [559 x 394 mm] British Library, London». Consultado em 28 de Agosto de 2015. 
Realeza Portuguesa
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