Hans Jonas

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Hans Jonas
Nascimento 10 de maio de 1903
Mönchengladbach
Morte 5 de fevereiro de 1993 (89 anos)
Nova Iorque
Cidadania Alemanha
Alma mater Universidade de Marburg, Universidade de Heidelberg, Universidade Humboldt de Berlim, Universidade de Freiburg
Ocupação filósofo, professor universitário
Influências
Prêmios Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha, Prêmio da Paz do Comércio do Livro Alemão, Prêmio Dr. Leopold Lucas
Empregador Universidade de Princeton, Universidade Columbia, Universidade de Munique, Universidade de Chicago, Universidade Carleton

Hans Jonas (Mönchengladbach, 10 de maio de 1903Nova Iorque, 5 de fevereiro de 1993) foi um filósofo alemão de origem judia.

É conhecido principalmente devido à sua influente obra O Princípio da Responsabilidade (publicada em alemão em 1979, e em inglês em 1984). Seu trabalho concentra-se nos problemas éticos sociais criados pela tecnologia. Jonas quer sustentar que a sobrevivência humana depende de nossos esforços para cuidar de nosso planeta e seu futuro. Formulou um novo e característico princípio moral supremo: "Atuar de forma que os efeitos de suas ações sejam compatíveis com a permanência de uma vida humana genuína".

Embora tenha-se atribuído a "O Princípio da Responsabilidade" o papel de catalisador do movimento ambiental na Alemanha, sua obra "O Fenômeno da Vida" (1966) forma a espinha dorsal de uma escola de bioética nos Estados Unidos. Leon Kass referiu-se ao trabalho de Jonas como uma de suas principais inspirações. Profundamente influenciado por Heidegger, "O Fenômeno da Vida" tenta sintetizar a filosofia da matéria com a filosofia da mente, produzindo um rico entendimento da biologia, em busca de uma natureza humana material e moral.

A biologia filosófica de Hans Jonas tenta proporcionar uma concepção una do homem, reconciliada com a ciência biológica contemporânea.

Também escreveu abundantemente sobre Gnosticismo, pelo que é igualmente conhecido, interpretando a religião como um ponto de vista existencial filosófico. Jonas foi o primeiro autor a escrever uma história detalhada do antigo gnosticismo. Além disso, foi um dos primeiros autores a relacioná-lo com questões éticas nas ciências naturais.[1] A filosofia de Jonas foi influenciada pela filosofia de Alfred North Whitehead.

Biografia[editar | editar código-fonte]

H. Jonas nasceu na cidade de Mönchengladbach, em 10 de maio de 1903. Estudou filosofia e teologia em Friburgo, Berlim e Heidelberg. Em Friburgo o Professor ensinou-lhe tudo e mostrou as verdades do mundo Doutorou-se em Marburg, onde fez estudos sobre Martin Heidegger e Rudolf Bultmann. Lá conheceu Hannah Arendt, que também estava fazendo o doutoramento, iniciando uma amizade que duraria o resto de suas vidas.

Em 1933, Heidegger uniu-se ao Partido Nazista, algo que Jonas tomou pessoalmente, já que era de origem judia e sionista. O fato do grande filósofo cometer tal ato político fez Jonas questionar o valor da filosofia.

Deixou a Alemanha e foi para a Inglaterra nesse mesmo ano, e de lá viajou para a Palestina em 1934. Ali conheceu Lore Weiner, com quem se comprometeu. Em 1940 retornou à Europa para participar do Exército Britânico, que havia formado uma brigada especial para judeus alemães que quisessem lutar contra Hitler. Foi enviado à Itália, e até o final da guerra à Alemanha. Assim cumpriu sua promessa de somente retornar à sua terra se fosse como um soldado de um exército vitorioso. Durante a guerra escreveu numerosas cartas, tanto filosóficas como amorosas, a Lore, com quem se casaria em 1943.

Imediatamente após a guerra voltou a Mönchengladbach para buscar a sua mãe, porém descobriu que ela havia sido enviada para a câmara de gás de Auschwitz. Sabendo disto, abandonou a ideia de viver outra vez na Alemanha. Retornou à Palestina e tomou parte na Guerra árabe-israelense de 1948. Apesar disso, sentiu que seu destino não era ser um sionista, mas ensinar filosofia. Jonas deu aulas na Universidade Hebraica de Jerusalém, brevemente, antes de mudar-se para a América do Norte. Em 1950 foi para o Canadá, ensinando na Universidade de Carleton, e de lá mudou-se para Nova York, em 1955, onde viveu o resto de seus dias. Trabalhou para a Nova Escola de Investigações Sociais entre 1955 e 1976, e morreu em 5 de fevereiro de 1993, aos 89 anos.

Trabalhos[editar | editar código-fonte]

Edições em inglês[editar | editar código-fonte]

  • Hans Jonas: Gnosis und spätantiker Geist (1-2, 1934-1954)
  • Hans Jonas: Philosophische Untersuchungen und metaphysische Vermutungen, Frankfurt/M., Insel, 1992
  • Hans Jonas: The Phenomenon of Life: Toward a Philosophical Biology (1966)
  • Hans Jonas: The Imperative of Responsibility: In Search of Ethics for the Technological Age (1979) ISBN 0-226-40597-4
  • Hans Jonas: The Phenomenon of Life: Toward a Philosophical Biology (Studies in Phenomenology and Existential Philosophy) (1979) ISBN 0-8101-1749-5
  • Hans Jonas: The Gnostic Religion: The Message of the Alien God & the Beginnings of Christianity (1979) ISBN 0-8070-5801-7
  • Hans Jonas: Technik, Medizin und Ethik - Zur Praxis des Prinzips Verantwortung - Frankfurt a.M. : Suhrkamp, 1985 - ISBN 3-518-38014-1

Edições em português[editar | editar código-fonte]

  • Jonas, Hans (2006). O Princípio Responsabilidade. [S.l.]: Contraponto Editora. ISBN 978-85-85910-84-6 
  • Jonas, Hans (2004). O Princípio Vida: Fundamentos para uma Biologia Filosófica. [S.l.]: Vozes. ISBN 978-85-32630-84-1 

Referências

  1. Levy, David (2002). Hans Jonas: The Integrity of Thinking. [S.l.]: University of Missouri Press. ISBN 0-8262-1384-7 


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Em inglês[editar | editar código-fonte]

  • Harms, Klaus: Hannah Arendt und Hans Jonas. Grundlagen einer philosophischen Theologie der Weltverantwortung. Berlin: WiKu-Verlag (2003). ISBN 3-936749-84-1. (de)
  • Scodel, Harvey. "An interview with Professor Hans Jonas." Social Research Summer 2003.
  • Trosler, Lawrence. "Hans Jonas and the Concept of God after the Holocaust," Conservative Judaism (Volume 55:4, Summer 2003)

Em espanhol[editar | editar código-fonte]

  • Wolin, Richard (2003). Los hijos de Heidegger: Hannah Arendt, Karl Löwith, Hans Jonas y Herbert Marcuse. [S.l.]: Ediciones Cátedra. ISBN 978-84-376-2051-0 
  • Arcas Díaz, Pablo (2007). Hans Jonas y el principio de responsabilidad: del optimismo científico-técnico a la prudencia responsable. [S.l.]: Editorial Universidad de Granada. ISBN 978-84-338-4486-6 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]