Hugo Fortes

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Hugo Fortes
Hugo Fortes
Residência Brasil
Cidadania Brasil
Alma mater
Ocupação professor(a) universitário(a)
Empregador Universidade de São Paulo, Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo
Página oficial
https://www.hugofortes.com/

Hugo Fernando Salinas Fortes Júnior, conhecido pelo nome artístico Hugo Fortes (Araraquara, 27 novembro de 1968),[1][2] é um artista visual brasileiro, curador, designer gráfico e professor universitário. Em sua produção aborda as relações entre arte e natureza.[3]

Formação[editar | editar código-fonte]

Formou-se em Publicidade e propaganda pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) em 1989. Na mesma universidade, sob orientação de Ivan Santo Barbosa concluiu, em 2000, o mestrado em Ciências da Comunicação com a dissertação Peças gráficas publicitárias não convencionais: conquistas estéticas da contemporaneidade, em que investigou as relações entre arte e design, analisando peças gráficas não-convencionais e traçando paralelo entre estas e certas obras de arte contemporânea, como as de Lygia Clark e Hélio Oiticica.[4][5]

Em 2006, concluiu doutorado em Artes visuais na ECA-USP, com intercâmbio na Universität der Künste Berlin, Alemanha, orientado por Donato Ferrari e co-orientado por Andreas Haus (Alemanha), defendendo a tese Poéticas líquidas: a água na arte contemporânea, considerada pela CAPES a melhor tese, em nível nacional, do ano de 2007 na categoria Artes.[6][7]

Em 2010, pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e sob supervisão de Agnaldo Farias, realizou pesquisa de pós-doutorado em torno das interações entre natureza e ciência na arte contemporânea.[4][8]

Defendeu em 2016, na ECA-USP, sua tese de livre-docência intitulada Sobrevoos entre homens, animais, espaços e tempos: pensamentos sobre arte e natureza.[9]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Professor nas áreas de Artes e Propaganda desde 1996, lecionou no Colégio Radial, na Universidade Anhembi Morumbi e no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Atua desde 2008 como docente no Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP) da ECA-USP e desde 2009 é orientador no Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da ECA-USP. Na graduação ministra disciplinas nos cursos de Design da FAU-USP e de Relações Públicas da ECA-USP.[5][10][11][12]

Como artista participa de exposições individuais e coletivas desde 1994, sendo que seu trabalho já foi apresentado em mais de 15 países, em instituições como George Kolbe Museum (Berlim), Paço das Artes (São Paulo), Centro Cultural Recoleta (Argentina) e Assam State Museum (Índia), dentre outras.

Sua participação na III Bienal del Fin del Mundo, realizada no ano de 2011 em Ushuaia, Argentina, mobilizou o artista para outras incursões em torno das relações entre arte e natureza. No seu trajeto em meio a Patagônia o artista observou que:

[...] as belezas naturais, como o final da Cordilheira dos Andes, que se vê ao redor da cidade, o mar e a paisagem de cores incríveis, a vegetação diferente e bela e a possibilidade de ver animais tão especiais em seu ambiente natural, se revelaram muito mais emocionantes do que qualquer exposição artística.[13]

Hugo Fortes também participou da exposição coletiva From Cosmology to Neurology and Back Again, realizada em 2012 na Whitespace Gallery, EUA[14], com o vídeo Evolutions in Three Lessons, no qual alude ao percurso migratório de Charles Darwin e suas consequências para povos indígenas de territórios colonizados. A partir da pergunta "Quem são os selvagens?", em meio a imagens de alguns animais presos numa ilha, o artista aborda a superlotação de territórios, as perdas de habitat e a subsequente necessidade de migrar[15]. Pouso para pensamentos e pássaros, exposição individual realizada no Centro Cultural São Paulo, em 2016[16][17], foi inspirada na obra Pássaros, de Vilém Flusser. Nela, Fortes trouxe fotografias, instalações e vídeos em torno do tema voo para provocar discussões acerca das relações entre cultura e natureza e das percepções sobre o desejo humano de voar.[18]

Em 1999, junto a outros artistas criou o grupo Todos cuja proposta era discutir questões ligadas à arte contemporânea, tendo realizado algumas exposições em conjunto. O grupo durou cerca de três anos.[19][4]

Como curador organizou, em 2009, a Mostravídeo Itaú Cultural [20], em 2010 a exposição Urbi et Orbi, no Paço das Artes [21] e também a mostra Poéticas Líquidas, no ECOCINE SABESP[22]. Já em 2011 foi curador da exposição Arte e Natureza, no Instituto Goethe[23], dentre outras. É também organizador do Seminário Internacional Arte e Natureza em São Paulo, considerado um evento de referência nas discussões sobre arte e natureza no Brasil.[24]

Com Marcos Martins, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UfES), coordena o grupo de pesquisa Imaginatur: Imagens da Natureza integrado por artistas professores, pesquisadores e estudantes de diversas universidades brasileiras interessados no estudo das relações entre arte e natureza[25].

Hugo Fortes também atua como designer gráfico desde 1989. Trabalhou no escritório Acquamundi Comunicações & Design, de sua propriedade, que funcionou até 2004.[4][2]

É casado com a artista Síssi Fonseca, companheira na criação artística e com quem Hugo Fortes apresenta o seu trabalho no Brasil e no exterior.[4]

Relações entre Arte e Natureza[editar | editar código-fonte]

Sua produção artística, centrada em temas relativos à arte contemporânea, transita por mídias e suportes variados, compreendendo instalações, videos, performances e fotografias.[26] Abordando sobretudo as temáticas natureza e ciência, seu trabalho traz questões em torno da paisagem; da relação do ser humano com o espaço em contextos geográficos, históricos, socio-políticos e ecológicos; da relação do ser humano com os demais animais, tratando todos como espécies companheiras e dotadas de subjetividade. Hugo Fortes se apropria da Arte como dispositivo poético de comunicação e promoção de reflexões sobre os impactos causados pelos seres humanos no meio-ambiente, capaz de contribuir ao aprofundamento da consciência humana em torno do respeito ao meio ambiente.[9]

O contato com a floresta Amazônica em 2018, por meio do Programa de Imersão Artística na Amazônia Labverd, está presente em obras como o vídeo Amazonia Insomnia, que busca transmitir a sensação de maravilhamento que o artista experimentou em meio à multiplicidade e grandiosidade da floresta.[25]

O artista desenvolveu um pensamento poético sobre imagens de biomas, com o qual busca contribuir à sensibilização e conscientização das populações em torno da importância da preservação do meio ambiente.[25][27] Para ele:

A arte pode conscientizar através da sensibilização e do envolvimento afetivo, e não só a partir de dados racionais, frios e distantes[25].  

Obras[editar | editar código-fonte]

A seguir, informações sobre algumas obras do artista:

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Obra descrição criador Data de criação Assuntos Técnica Imagem item
Amazonia Insomnia videoarte de Hugo Fortes Hugo Fortes 2018 Amazônia
água
natureza
Fortes Hugo Amazonia Insomnia.jpg
Q107425375
Chattahoochee instalação artística de Hugo Fortes Hugo Fortes 2014 Rio Chattahoochee
site-specific art
Instalação (arte)
Fortes Hugo Chattahoochee (instalação artística).jpg
Q107424513
Florestas do isolamento série de pinturas de Hugo Fortes Hugo Fortes 2020 floresta
Amazônia
pintura
Fortes Hugo Florestas do isolamento.jpg
Q107345100
Manuais de Voo série de livros de artista de Hugo Fortes Hugo Fortes 2016 ave
Fortes Hugo Manual de Voo.jpg
Q107425558

∑ 4 items.

Fim da lista gerada automaticamente.

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Hugo Fortes - Guia das Artes». www.guiadasartes.com.br. Consultado em 7 de junho de 2021 
  2. a b c «Entrevista com o artista plástico Hugo Fortes». PianoClass. Dezembro de 1999. Consultado em 8 de junho de 2021 
  3. «HUGO FORTES (Brazil) - Bienal Douro». Bienal do Douro. Consultado em 22 de junho de 2021 
  4. a b c d e Fortes Júnior, Hugo Fernando Salinas (2016). Memorial, portfólio, curriculum. São Paulo: [s.n.] p. 88 
  5. a b «Currículo Lattes - Hugo Fernando Salinas Fortes Júnior». CNPq. CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. 1 de junho de 2021. Consultado em 7 de junho de 2021 
  6. Fortes Junior, Hugo Fernando Salinas (2006). «Poéticas líquidas: a água na arte contemporânea» (PDF). USP-SP. Consultado em 7 de junho de 2021 
  7. a b «Teses premiadas em 2007». CAPES. Ministério da Educação. 31 de março de 2021. Consultado em 7 de junho de 2021 
  8. «Hugo Fortes». Fórum Permanente. Fórum Permanente. Consultado em 8 de junho de 2021 
  9. a b Fortes Júnior, Hugo Fernando (2016). «Sobrevoos entre Homens, Animais, Espaços e Tempos: Pensamentos sobre Arte e Natureza» (PDF). USP-SP. Consultado em 7 de junho de 2021 
  10. «HUGO FORTES (Brazil)». Global Print4. Global Print4. Consultado em 22 de junho de 2021 
  11. «Hugo Fernando Salinas Fortes Junior | ECA - Escola de Comunicações e Artes». www3.eca.usp.br. Consultado em 9 de junho de 2021 
  12. «Hugo Fernando Salinas Fortes Junior». CRP - Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo. Consultado em 9 de junho de 2021 
  13. Fortes, Hugo (2018). «Evolução em 3 lições» (PDF). UFSCAR. III Jornada internacional GEMINIS. Consultado em 22 julho 2021 
  14. Instituto Itaú Cultural (23 de fevereiro de 2017). «From Cosmology to Neurology and Back Again (2012 : Georgia, Estados Unidos)». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 9 de junho de 2021 
  15. Levy, Evan (19 de julho de 2012). «Review: In Whitespace's "From Cosmology to Neurology," images converse amid an ocean of ideas». ARTS ATL (em inglês). Consultado em 22 de julho de 2021 
  16. Fabri, Gabriel (22 de janeiro de 2016). «Exposição "Pouso Para Pensamentos e Pássaros" aproxima público da experiência de voar | Secretaria Municipal de Cultura | Prefeitura da Cidade de São Paulo». www.prefeitura.sp.gov.br. Secretaria Municipal de Cultura. Consultado em 9 de junho de 2021 
  17. «Exposição 'Pouso para pensamentos e pássaros' é destaque no Centro Cultural | Blog O que fazer em São Paulo da Rede Globo». G1. Globo.com. 1 de fevereiro de 2016. Consultado em 9 de junho de 2021 
  18. «Exposição "Pouso Para Pensamentos e Pássaros" aproxima público da experiência de voar : artista Hugo Fortes exibe material inédito a partir de 30 de janeiro, no Centro Cultural São Paulo». www.prefeitura.sp.gov.br. 22 janeiro 2016. Consultado em 22 de julho de 2021 
  19. «Folha Online - Ilustrada - Exposição no interior de SP protesta contra agressões ambientais - 19/07/2001». www1.folha.uol.com.br. 19 de julho de 2001. Consultado em 23 de junho de 2021 
  20. «Mostravídeo - programação julho 2009» (PDF). Itaú Cultural. Consultado em 9 de junho de 2021 
  21. «Esculturas, vídeos e pinturas tomam galerias do Butantã». Guia Folha. UOL. 10 de fevereiro de 2010. Consultado em 9 de junho de 2021 
  22. Do Portal do Governo (7 de dezembro de 2010). «Cine Sabesp mostra de cinema ambiental no dia 9 de dezembro». Governo do Estado de São Paulo. Consultado em 28 de julho de 2021 
  23. «Exposição - I Seminário Internacional Arte e Natureza». sites.google.com. Consultado em 28 de julho de 2021 
  24. Canetti, Patricia (27 de agosto de 2017). «Canal Contemporâneo | Cursos e Seminários | III Seminário Internacional Arte e Natureza na Biblioteca Brasiliana USP, São Paulo». Canal Contemporâneo. Consultado em 9 de junho de 2021 
  25. a b c d Kiyomura, Leila (25 de junho de 2021). «As vozes da floresta amazônica vibram na arte de Hugo Fortes: o cineasta, artista e professor da ECA-USP leva os sons das noites e manhãs no meio das matas e rios para o mundo afora». Jornal da USP. Consultado em 22 de julho de 2021 
  26. Fortes, Hugo. «INTERAÇÕES ENTRE NATUREZA E CIÊNCIA NA ARTE CONTEMPORÂNEA». Art&Sensorium – Revista Interdisciplinar Internacional de Artes Visuais da Unespar/Embap. Vol.01 (n.02): p.79. Consultado em 23 de junho de 2021 
  27. Coord. Nivalda Assunção de Araújo; Curadoria Grace de Freitas (2018). Contágios & Desdobramentos: catálogo da exposição. Brasília: Universidade de Brasília. GEPPA. p. 21. 46 páginas 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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