Humberto Amaral da Cruz

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Humberto Amaral da Cruz
Dados pessoais
Nascimento 13 de julho de 1900 (117 anos) Coimbra, Portugal
Morte 1981 (81 anos)
Vida militar
Força Artilharia
Força Aérea Portuguesa
Hierarquia Major
Honrarias Ordem da Torre e Espada
Troféu Harmon

Humberto Amaral da Cruz (Coimbra, 13 de julho de 1900 — 1981) foi um aviador militar português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Humberto Amaral da Cruz nasceu na cidade de Coimbra, em 13 de julho de 1900.[1]

Iniciou a sua carreira militar na área da artilharia, mas foi habilitado como piloto militar em 1927.[1]

Em 1930 acompanhou Carlos Bleck numa viagem área Lisboa - Guiné - Angola - Lisboa, percorrendo uma distância superior a 20 000 km em cerca de 167 horas.[1] A viagem correu mal desde o princípio, com condições climatéricas adversas.[2] Quando estavam a atravessar a Região do Rio do Ouro, no Deserto do Saara, foram atingidos a tiro por membros da tribo Aït Oussa.[2] Continuaram viagem, por vezes enfrentando temperaturas muito elevadas, e pararam em Abijou.[2] Durante a noite, o leme de profundidade do avião foi danificado por um tornado, tendo a reparação demorado cinco dias.[2] Continuaram até Luanda, e depois no regresso demoraram quatro dias até Abidjan.[2] Em Ferkessédougou, foram forçados a aterrar por falta de gasolina, tendo suspeitado que a fuga se devia a um tubo mal apertado.[2] Continuaram na direcção de Bamako, mas depois de passar a cidade deb Sikasso, voltou a suceder uma fuga de combustível, pelo que regressaram a Sikasso, onde aterraram.[2] Voltaram a apertar o tubo, mas não conseguiram prosseguir logo a viagem devido ao sobreaquecimento do motor.[2] Continuaram no dia seguinte, tendo chegado a Bamako, onde o carburador foi desmontado.[2] Logo no dia seguinte prosseguiram a viagem até Kayes, onde se voltou a verificar uma fuga de gasolina, e seguiram na direcção de Bolama, embora tenham sido novamente forçados a aterrar em Tambacounda.[2] Voltaram a desmontar o carburador, e depois prosseguiram até Bolama, onde chegaram após duas horas de viagem, tendo perdido cerca de 80 litros de combustível pelo caminho.[2] Em Bolama descobriram que a fuga tinha sido provocada por uma fenda no depósito suplementar da frente.[2] Continuaram viagem até Dakar e depois prosseguiram na direcção de Saint-Louis, mas foram obrigados a regressar a Dakar devido a uma fuga de óleo.[2] Depois das reparações, continuaram até Saint-Louis e Port Étienne, onde tiveram de subir a uma altitude de 2500 m para evitar uma tempestade de areia.[2] Quando passaram pelo Cabo Juby, lutaram contra ventos de frente cuja velocidade oscilava entre os 50 e 70 km/h.[2] Por este feito, os dois aviadores receberam o Troféu Harmon, em 1932.[2]

Em 25 de Outubro de 1934, Humberto da Cruz e o sargento mecânico António Lobato iniciaram uma viagem de ida e volta de Lisboa até Timor.[1] O avião partiu da Amadora, passou pela Argélia, Tunísia, Tripoli, Gaza, Basra, Allahabad, Banguecoque, Prachuap Khiri Khan, Singapura, e atingiu Dili em 7 de Novembro.[1] O aeródromo onde o avião aterrou foi baptizado de Aeródromo Humberto da Cruz.[1] Na Partiu de Timor em 13 de Novembro para a viagem de regresso, passou por Macau e Goa, e chegou a Lisboa em 21 de Dezembro.[1]

Em 1935, participou no Cruzeiro Aéreo às Colónias.[1]

Foi promovido a Capitão em 1937.[1] Em 16 de Fevereiro de 1942, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que Humberto da Cruz já tinha regressado a Lisboa após uma viagem área em missão especial até Marrocos, e que no dia 8 tinha partido para os Açores, ao comando de um destacamento de tropas da aviação.[3]

Em 1943, foi promovido a Major.[1] Devido a conflitos com a hierarquia militar, permaneceu neste posto até à sua passagem à reserva.[1]

Também colaborou na Gazeta dos Caminhos de Ferro.[4]

Morreu em 1981.[1]

Prémios e homenagens[editar | editar código-fonte]

Humberto da Cruz foi homenageado com o grau de Comendador na Ordem Militar de Cristo em 4 de junho de 1931, na Ordem Militar de Avis em 20 de janeiro de 1934, na Ordem da Torre e Espada em 2 de fevereiro de 1935, e na Ordem do Império em 11 de junho de 1964.[5]

Também foi galardoado duas vezes com o prémio Troféu Harmon, que condecorava os pilotos mais importantes a nível mundial.[1][2]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m Correia, Mário Mota; Tavares, Jacinto de Jesus. «A Aviação Portuguesa: Viagens Aéreas dos Portugueses: Lisboa - Timor - Lisboa» (PDF). Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa. p. 5. 6 páginas. Consultado em 12 de janeiro de 2018 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q «Aviação» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 45 (1064). 16 de abril de 1932. p. 191. Consultado em 12 de janeiro de 2018 
  3. «Capitão Humberto da Cruz» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 54 (1300). 16 de Fevereiro de 1942. p. 127. Consultado em 12 de Janeiro de 2018 
  4. Cruz, Humberto (1 de julho de 1941). «Os transportes do Ar» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 53 (1285). p. 362. Consultado em 12 de janeiro de 2018 
  5. «Cidadãos Nacionais agraciados com Ordens Portuguesas». Presidência da República Portuguesa. Consultado em 12 de janeiro de 2018 
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