Jesus Movement

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Jesus Movement, 'Movimento de Jesus' ou ainda Jesus People, foi um movimento cristão estabelecido em oposição ao Movimento Hippie, pois o mesmo tinha uma filosofia de que uma pessoa vivem em paz e amor a partir de drogas e sexo praticados de modo livre.

O Jesus Movement dá início ao Rock Cristão e à Música Cristã Contemporânea (CCM), que contava com bandas como Petra, Barry McGuire, Love Song, Second Chapter of Acts, All Saved Freak Band, Servant, Stryper, Resurrection Band, Phil Keaggy, Dion DiMucci, Paul Stookey of Peter, Paul, and Mary; Randy Stonehill, Randy Matthews, Andraé Crouch (and the Disciples), Keith Green, The Joyful Noise and Larry Norman.

História[editar | editar código-fonte]

O Movimento de Jesus foi fruto de uma estratégia de Evangelismo realizada nas ruas no final dos anos 1960 nos EUA, com vistas a atingir a Juventude (Geração Baby Boom, Geração X e Geração Y). A partir de algumas experiências, comunidades e movimentos de jovens cristãos começaram a surgir em diferentes cidades, bem como iniciativas até então inovadoras como um nightclub e um café aberto 24 horas para a juventude, de nome "His Place" [O Lugar D’Ele], no Sunset Strip. Um dos resultados desta iniciativa foi o alcance do Movimento Hippie. Muitos se converteram e foram batizados mas não queriam deixar de lado algumas das bases de seu Estilo de Vida, que consideravam compatíveis com a fé cristã: a busca de paz, amor, realidade e vida, a rejeição ao consumismo capitalista, da hipocrisia religiosa e da cultura norte-americana. A dimensão contracultural passou a ser um componente do movimento religioso que se delineava.[1]

A ampla adesão de jovens, grande parte oriundos desse movimento, ao Cristianismo Protestante nos EUA no final dos anos 1960 provocou algumas conseqüências para aquele campo religioso (segundo CUNHA):

  • Igrejas tradicionais adotaram estilos mais informais nos cultos para incluir os novos convertidos e passaram a admitir até mesmo no seu staff pessoas provenientes do Movimento Hippie;[2]
  • Novas igrejas e denominações cristãs surgiram, adequadas ao estilo hippie mais descontraído na aparência e na forma de cultuar;
  • O uso de diferentes formas de comunicação pelos hippies cristãos, como os jornais alternativos (meio comum daquele movimento) e as artes (teatro, pintura, desenho, caricatura), com fins conversionistas;
  • O surgimento da Jesus Music (Música de Jesus), uma combinação de Rock e Música Cristã que se tornou a base do movimento de Avivamento da juventude, cuja teologia assumia bases pietistas com ênfase conversionista. Respondendo às reações negativas dos grupos tradicionalistas, cantores e compositores da Jesus Music diziam estar usando a música para combater os efeitos negativos do Rock secular. E repetiam uma frase do reformador Martinho Lutero para fundamentar sua causa: "Por que o demônio deve ficar com os melhores tons?"[3] . Um dos efeitos desse processo foi a realização em larga escala de festivais de "Jesus Rock", com apoio de gravadoras que viram no movimento um filão para a indústria fonográfica, e o surgimento de cafés para jovens do movimento.[4]
  • Outro desdobramento foi o aparecimento de teologias apocalípticas que apontavam o movimento de reavivamento da juventude como um prelúdio para o Juízo Final, e a necessidade de uma preparação para o Arrebatamento dos santos, que seriam liberados do Dia do Julgamento.

O livro The Late Great Planet Earth (O Último Grande Planeta Terra), de Hal Lindsey, que tratava do tema, tornou-se Best-seller e alimentou a formação de grupos como Children of God (Meninos de Deus) ou The Alamo Foundation (Fundação Álamo). Estes levaram o movimento ao extremo ao criarem comunidades alternativas, inicialmente qualificadas como comunidades de compromisso, mas depois denunciadas como heréticas, por terem desenvolvido "desvios doutrinários" por meio de suas práticas.[5]

Vários líderes formados pelos grupos estadunidenses ligados ao Movimento de Jesus transformaram-se em missionários e espalharam-se por diferentes países para proclamar a fé cristã e o novo jeito de se estabelecer em unidades. Muitos vieram para o Brasil e implementaram essa nova forma de evangelizar nas ruas, praças e praias, por meio da informalidade e facilidade de adaptação inspiradas no Movimento Hippie. Faziam uso de apresentações teatrais, musicais, abordagens pessoais, versões das músicas originais no inglês eram preparadas em português e a guitarra e a bateria – instrumentos base para os gêneros musicais que esses grupos privilegiavam (o rock e a balada romântica) – passaram a ser utilizadas. Esse modo jovem de cultuar, cantar e pregar passou a influenciar fortemente a juventude protestante brasileira e ampliou a presença dos movimentos paraeclesiásticos já existentes no País, reforçando-os e abrindo espaço para outros.[5]

Música Cristã Contemporânea[editar | editar código-fonte]

O efeito do Jesus Movement para o ocidente é a principalmente a ruptura com a Música Cristã Tradicional, na sua face Música Sacra ou Música Erudita, trazendo ritmos e elementos da Música Popular e da Música Pop para os domínios do Cristianismo. Com isso, a Música Religiosa ocidental foi transformada, além do referêncial de Culto Cristão e Adoração.

Martinho Lutero: "Por que o demônio deve ficar com os melhores tons?"[editar | editar código-fonte]

Já no século XVI Martinho Lutero contextava porque a Música Cristã, na sua dimensão de Música Sacra ou Música Erudita, tinha que sempre deixar de tocar alguns tons porque eles eram tidos pela Musicologia incompatíveis com o Culto Cristão.

Geoff Moore: Por que o diabo deve ficar com toda a boa música?[editar | editar código-fonte]

Nos anos 1970, o cantor cristão Geoff Moore escreveu a canção Porque deveria o diabo ficar com toda a boa música?, uma forte crítica ao Puritanismo cristão vigente. Geoff Moore fazia parte do Jesus Movement e entendia que se Jesus venceu na cruz, retomando tudo o que o Diabo roubou de Adão e Eva, então toda música seria de e deveria prestar culto a ele. É neste sentido que a Música Cristã (CCM) surge a absorve a cultura do Rock nos EUA, em plena efervescência do Movimento Hippie e dos movimentos de Contracultura no ocidente.

Influência no Brasil[editar | editar código-fonte]

A influência do Jesus Movement está no fato de alguns adeptos do movimento nos EUA e na Alemanha virem para o Brasil como missionários e ajudaram na instituição de uma nova concepção de Música Cristã. O movimento não teve força no Brasil, a não ser no aspecto musical (Vencedores por Cristo), mas teve efeitos ainda que tardios. Vale lembrar que o referencial de Música Cristã Contemporânea (CCM) chegou ao país tardiamente, sendo que esta denominação nem é utilizada no dia-a-dia pelas pessoas. Fora que é um referencial mais próximo da Igreja Evangélica, não correspondendo muito à realidade da Igreja Católica no Brasil. Alguns rumores e bandas de Rock Cristão, desde os anos 1970, já esboçavam mudanças musicais e comportamentais dentro do Protestantismo brasileiro, mas só tornaram mais força depois do fim do Regime Militar, em 1988, e com a instituição de um mercado de consumo de música gospel no país (lembrando que o termo "gospel" no Brasil define o que "Música Cristã Contemporânea" denomina nos EUA).

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • A música Jesus Freaks, do DC Talk, fala do apelido pejorativo aos adeptos do Jesus Movement nos anos 1970. Diz o refrão: "o que as pessoas vão pensar quando ouvirem que eu sou um maluco por Jesus? O que as pessoas vão fazer quando verem que isso é verdade? Eu não me importo se eles me rotulam de Maluco por Jesus. Pois não há como esconder a verdade".[6] O disco, de mesmo nome, chegou ao 3º lugar da tabela em Billboard's Top 200, nos EUA, em 1995, tendo vendido mais de 2 milhões de discos, alcançando a dupla platina. O videoclipe da canção também era muito veiculado na MTV americana e na MTV Brasil durante os anos 1990.
  • Larry Norman, criador do Rock Cristão, gravou a famosa música de Geoff Moore Why Should The Devil Have All The Good Music?, fazendo alusão a uma frase famosa de Martinho Lutero que se queixava dos cristãos deixarem as melhores notas e estéticas musicais para o Diabo, relegando a Deus e ao Cristianismo somente o pior da música. O refrão canta o seguinte: "Jesus me mostrou a verdade e Jesus me mostrou o caminho, não há nada mais que eu queira dizer, eles o pregaram numa cruz, eles o enterraram, deveriam saber que não poderiam mantê-lo morto, eu me sinto bem todos os dias, eu não quero perder isso, tudo que eu quero agora é isso.... então porque o diabo deveria ficar com a boa music para ele?".[7]

Referências

  1. CUNHA, Magali do N.. Vinho Novo em Odres Velhos. Um olhar comunicacional sobre a explosão Gospel no cenário religioso evangélico no Brasil. (Tese, Doutorado em Comunicação). Universidade de São Paulo. 01/06/2004. Página 126-128.
  2. Uma das referências de igreja que se adaptou ao estilo hippie é a Calvary Chapel (Capela do Calvário), em Santa Ana (Califórnia), de origem luterana, liderada na época pelo pastor Chuck Smith. Esta igreja tornou-se referência do Movimento de Jesus, (CUNHA, 2004).
  3. Levou algum tempo para a mídia estadunidense atentar para o movimento de contracultura religiosa que extrapolava o campo religioso e penetrava outros campos sociais daquele país. Em fevereiro de 1971, a revista Look publicou uma matéria de capa intitulada "71's Beach Scene" [Cena de Praia de 1971] que trazia a foto de um jovem hippie sendo batizado em uma praia. A partir daí uma seqüência de artigos nas revistas Life, Newsweek, Time e outras de grande alcance nos Estados Unidos deram ênfase ao Movimento de Jesus e mostraram imagens de cultos de batismo em praias, grandes encontros de oração, evangelistas de cabelos compridos e músicos do "Jesus Rock". Falava-se então em "movimento", o "Jesus Freak" [Alternativo de Jesus], que alguns autores qualificavam como um dos fenômenos sociais mais curiosos do início dos anos 1970, ao lado de outros surgidos na época como os Black Panthers, os hippies, e ativistas estudantis e feministas. Cf. JESUS MOVEMENT. Disponível em: <http://one-way.org/jesusmovement>. Acesso em: 23 nov. 2002. (CUNHA, 2004).
  4. Um dos festivais mais marcantes do movimento foi o Explo’72, uma cruzada evangelística realizada em 1972, no Cotton Bowl, na cidade de Dallas. Denominado por Billy Graham, um dos pregadores convidados, um "Woodsdock religioso", o festival reuniu por uma semana cerca de 80 mil jovens dos Estados Unidos e de outros 75 países para culto e ensino. O encerramento deu-se em espaço aberto que reuniu cerca de 150 mil pessoas para nove horas de rock, lideradas pelo cantor de música country Johnny Cash, que pregava: "Eu já experimentei drogas e um pouco de tudo o mais, e não há nada que satisfaça mais a alma do que ter o Reino de Deus sendo construído e crescendo dentro de você". O festival foi capa da revista Life, de 30 de junho de 1972. Cf. Id. ibidem. (CUNHA, 2004).
  5. a b (CUNHA, 2004, Página 126-128).
  6. Letras Terra: DC Talk, Jesus Freak.
  7. Letras Terra: Geoff Moore, Why Should The Devil Have All The God Music?.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • THEISSEN, G. Sociologia do Movimento de Jesus. São Leopoldo: Sinodal/Vozes, 1989, 187 páginas. ISBN 8-5233019-68-1..[1]
  • THEISSEN, G. O Movimento de Jesus: História social de uma revolução de valores. São Paulo: Loyola, 2008, 480 páginas. ISBN 8-788515035-50-2.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Cristianismo
Evangelização
Movimento Político
Movimento Estudantil
Contracultura
Movimento Hippie
Jesus Freaks
Pós-Modernidade
Cultura Pop
Música Popular
Música Pop
Cultura de massa
Indústria Cultural
Música Cristã Contemporânea
Rock Cristão
Geração Baby Boom
Geração X
Geração Y
Gospel no Brasil: anos 1960
Gospel no Brasil: anos 1970

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  1. (original alemão: 1977)