João Paulo Burnier

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João Paulo Burnier
Nascimento 18 de outubro de 1919
Rio de Janeiro
Morte 13 de junho de 2000 (80 anos)
Rio de Janeiro
Cidadania Brasil
Ocupação militar, brigadeiro

João Paulo Moreira Burnier (Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1919 — Rio de Janeiro, 13 de junho de 2000) foi um militar brasileiro, brigadeiro da Força Aérea Brasileira (FAB).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Otávio Penido Burnier e de Margarida Moreira Penido Burnier.[1] Pai de seis filhos, entre eles o também brigadeiro Gilberto Antonio Saboya Burnier, importante assessor do comandante da Força Aérea Brasileira Juniti Saito, agora na reserva e investigado por suas relações na compra dos caças Gripen e na AEL, onde era membro do conselho diretor consultivo quando ainda na ativa.[2]

Ingressou na Escola Militar do Realengo (Rio de Janeiro) em 1939. Em janeiro de 1941, transferiu-se para a Escola de Aeronáutica, pela qual saiu Aspirante a oficial-aviador, em setembro de 1942. Promovido a segundo-tenente em maio de 1943, passou sucessivamente a primeiro-tenente em novembro de 1944 e a capitão-aviador em maio de 1946. Em outubro de 1950 foi promovido a major-aviador e, em janeiro de 1957, a tenente-coronel-aviador.[1]

Em dezembro de 1959, chefiou, ao lado do tenente-coronel Haroldo Veloso e outros oficiais da FAB, uma fracassada tentativa de golpe militar contra o governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) - a Revolta de Aragarças.[3] Entre os planos de Burnier, estava incluído o bombardeio dos palácios do Catete e das Laranjeiras.[4] Desfeito o movimento, Burnier exilou-se na Bolívia e só retornou ao Brasil no primeiro semestre de 1961, já no governo de Jânio Quadros.[1][5]

Já promovido a coronel, esteve em 1963 no Panamá, onde fez cursos na Escola das Américas, mantida pelo Exército dos Estados Unidos, fazendo cursos com vistas à instalação do Serviço de Informações da Aeronáutica, que depois viria a chefiar. Em 1964, foi partidário do golpe que depôs o presidente João Goulart.

Depois de receber a patente de brigadeiro-do-ar, no governo do marechal Artur da Costa e Silva foi designado, em 1968, para servir na chefia do Serviço de Informações da Aeronáutica, ligado ao gabinete do ministro da Aeronáutica, brigadeiro Márcio de Souza Melo. No primeiro semestre desse mesmo ano, foi protagonista do chamado Caso Para-Sar, posteriormente denunciado pelo capitão-aviador Sérgio Miranda de Carvalho. Segundo o capitão Sérgio, Burnier pretendia usar o Para-Sar - os paraquedistas da FAB - em uma série de atentados, um dos quais seria a explosão do gasômetro do Rio de Janeiro. A intenção era a de posteriormente acusar os opositores do regime pelos crimes.[6] Em 12 de junho Burnier convocou Sérgio Miranda para participar do atentado. Dois dias depois, em 14 de junho, Burnier comunicou a 41 membros da Para-Sar (cabos, sargentos e oficiais) o plano da explosão. Sérgio denunciou o plano, confirmado por 37 dos 41 militares da Para-Sar.[7]

Burnier também é apontado como responsável pela prisão e desaparecimento forçado do ex-deputado federal Rubens Paiva (pai do escritor e jornalista Marcelo Rubens Paiva), em 20 de janeiro de 1971.[8]

Foi igualmente acusado de ser o responsável pela morte de Stuart Angel Jones, militante do grupo guerrilheiro MR-8, de extrema esquerda. Segundo testemunhos, Stuart morreu em junho de 1971, durante sessões de tortura no Quartel General da 3ª Zona Aérea (Rio de Janeiro), comandada por Burnier.[1][9][6]

Há também indícios de que tenha sido responsável pela morte do educador Anísio Teixeira, em 1971. Em depoimento à Comissão da Verdade, realizado na Universidade de Brasília, em 10 de agosto de 2012, o professor João Augusto de Lima Rocha declarou:

"Em dezembro de 1988, Luiz Viana Filho me confessou que Anísio Teixeira foi preso no dia que desapareceu [11 de março de 1971] e levado para o quartel da Aeronáutica, em uma operação que teve como mentor o brigadeiro João Paulo Burnier, figura conhecida do regime militar e que tinha o plano de matar todos os intelectuais mais importantes do Brasil na época".[10]

Em carta dirigida ao Presidente Ernesto Geisel, o Brigadeiro Eduardo Gomes referiu-se ao Brigadeiro Burnier nos seguintes termos: "um insano mental inspirado por instintos perversos e sanguinários, sob o pretexto de proteger o Brasil do perigo comunista."

Reforma compulsória[editar | editar código-fonte]

Foi reformado (situação equivalente a aposentado, no caso de militares) compulsoriamente em março de 1972, por decisão do presidente Emílio Garrastazu Médici, junto com outros três brigadeiros (Márcio César Leal Coqueiro, Carlos Afonso Dellamora e Roberto Hyppolito da Costa), em atendimento às regras que determinam que 25% dos quadros de oficiais mais graduados das três armas (Exército, Marinha e Aeronáutica) sejam liberados anualmente para ascenso dos oficiais mais jovens. Apesar de ter protestado duramente contra o ato, sua reforma (e a dos demais) não foi revertida.[11]

Em 1999, um jantar em sua homenagem no Clube Militar do Rio de Janeiro virou um evento de contestação ao governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso.[12]

Morte[editar | editar código-fonte]

O brigadeiro Burnier morreu em junho de 2000, aos 80 anos, em decorrência de um câncer.[12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d CPDOC. O Governo de Juscelino Kubitschek. João Paulo Burnier
  2. Sequeira, Claudio Dantas (1 de novembro de 2012). «Sob as asas dos pais». Istoé Brasil. Consultado em 22 de fevereiro de 2016. Arquivado do original em 14 de março de 2016 
  3. CPDOC. O Brasil de JK - Revolta de Aragarças. Por Célia Maria Leite Costa.
  4. Projeto Memória. Aragarças repete Jacareacanga
  5. Brigadeiro Burnier - Obituário. Oficial da linha dura. Originalmente publicado no Jornal do Brasil, 21 de Junho de 2000.
  6. a b Correio da Manhã foi decisivo no caso Para-Sar. Por Mauro Malin. Observatório da Imprensa, ed. 699, 19 de junho de 2012.
  7. VENTURA, Zuenir (1988). 1968: o Ano Que não Terminou. [S.l.]: Nova Fronteira. p. 209-219. ISBN 85209011182 Verifique |isbn= (ajuda) 
  8. Rubens Paiva foi torturado por se recusar a entregar perseguido. Por Miriam Leitão e Cláudio Renato. O Globo, 1° de março de 2012.
  9. Ministério do silêncio. Lucas Figueiredo. Editora Record. ISBN 9788501069207 (2005)
  10. UnB instala Comissão da Verdade com depoimento inédito. Professor baiano surpreendeu os presentes na cerimônia ao narrar depoimentos que reforçam a suspeita de que Anísio Teixeira, fundador da Universidade, foi assassinado pelo regime militar Arquivado em 26 de março de 2014, no Wayback Machine.. Por Débora Cronemberger. UnB Agência, 10 de agosto de 2012.
  11. Militares: O último recurso. Acervo VEJA, ed. 185, 22 de março de 1972, p.24
  12. a b "Brigadeiro João Burnier, 80, acusado de envolvimento no caso Para-Sar, morre no Rio". Folha Online, 20 de junho de 2000
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