João Vaz

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disambig grey.svg Nota: Se procura João Vaz, veja João Vaz (organista).
João Vaz
Nome completo João José Vaz
Nascimento 9 de março de 1859
São Julião, Setúbal, Reino de Portugal Portugal
Morte 15 de fevereiro de 1931 (71 anos)
São Jorge de Arroios, Lisboa, Portugal Portugal
Nacionalidade Portugal portuguesa
Ocupação Pintor e professor
A Praia (c.1900)

João José Vaz (Setúbal, 9 de março de 1859Lisboa, 15 de fevereiro de 1931) foi um pintor e professor português.[1][2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

João Vaz nasceu em Setúbal, na freguesia de São Julião, numa família da média burguesia comercial da cidade, filho de José Dias Ferreira Vaz e de Basilisa Carlota Anastácia Vaz, naturais da mesma freguesia.[3][4]

Foi aluno dos pintores Silva Porto e Tomás da Anunciação no círculo do Grupo do Leão, formando-se na Academia Real de Belas-Artes de Lisboa (1872-1878).

Fez a decoração de algumas igrejas, teatros (Teatro Garcia de Resende em Évora e Teatro Luísa Todi em Setúbal) e palácios (Palácio-Hotel do Buçaco, Palácio de São Bento e Palácio de Belém), algumas vezes em colaboração com António Ramalho, mas a sua obra principal é a pintura de cenas marinhas (sobretudo dos rios Sado e Tejo). Apesar de esta ter sido a sua tendência natural, também se dedicou à pintura de interiores de igrejas (Igreja de Jesus de Setúbal e Mosteiro de Jesus de Setúbal) e paisagens (Torre das Cabaças de Santarém, Manhã no Algarve e Povoação à beira do rio). A sua primeira exposição teve lugar na Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1881, além de expôr em outras exposições realizadas fora do país, como em Paris (1900) e Rio de Janeiro (1908).

A 1 de agosto de 1885, na freguesia de Marvila, em Santarém, contraiu matrimónio com Maria da Graça Stockler Salema Garção de Morais (1861-1906), de quem cedo enviuvou, tendo tido seis filhos: Paulo (1887); Maria Margarida (1888); Mário (1889); Rui (1891); Vasco (1893) e Graça de Morais Vaz (1899).[5]

Ganhou o primeiro prémio e o prémio de honra da Sociedade Nacional de Belas-Artes, respetivamente em 1915 e 1916, e fez parte do Grupo do Leão desde a sua génese. Expôs no Grémio Artístico e na Sociedade Promotora das Belas Artes, com óleos e aguarelas, e foi professor de Desenho e diretor da Escola Industrial Afonso Domingues, desde 1884.

Foi membro da comissão encarregada pelo Governo de formular a reorganização do ensino industrial e comercial nos graus elementar e médio (1912), e instalou o curso comercial na Escola de Desenho Industrial de Setúbal (1914).[1][2][6]

Numa carta deixada aos seus filhos expressa o seu último desejo: "(...) Desejo que, se acordarem expôr os trabalhos que deixar elles sejam seleccionados com critério, só escolhendo aquelles que não desmereçam do meu nome de artista, embora modesto (...)".[7]

João Vaz faleceu aos 71 anos, vítima de arterioesclerose, na sua residência em Lisboa, freguesia de São Jorge de Arroios, no 1.º andar do número 53 da Rua dos Açores, encontrando-se sepultado no Cemitério do Alto de São João, na mesma cidade.[8]

Pelos seus trabalhos foi nomeado Académico de Mérito e foi agraciado com a Ordem de Sant'Iago da Espada. Em homenagem ao pintor, na Escola Industrial Afonso Domingues, foi levantado um busto em bronze, esculpido por José Pereira; encontra-se uma reprodução em mármore num monumento inaugurado a 18 de setembro de 1949, na sua terra natal.[9]

Algumas obras de João Vaz[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Lista de pinturas de João Vaz

Como pintor decorador[editar | editar código-fonte]

Como pintor[editar | editar código-fonte]

  • Mosteiro manuelino (representando o Convento de Jesus em Setúbal);
  • O Coro da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa
  • Piteiras, Setúbal;
  • Barcos no Tejo;
  • A praia;
  • Praia da Rocha;
  • Povoação à beira do rio.
  • Marinha[1][2]

Outras[editar | editar código-fonte]

  • Dois dos selos da emissão filatélica comemorativa do 4.º centenário do descobrimento do caminho marítimo para a Índia (1898):
Selo de 25 réis verde amarelo: Uma janela manuelina, a figura da História e, ao fundo, a frota;
Selo de 75 réis castanho: O escudo de armas manuelino e a figura de S. Gabriel sobre o casco de um navio.[10]

Colaboração em revistas[editar | editar código-fonte]

Encontra-se colaboração da sua autoria nas publicações periódicas Branco e Negro [11] (1896-1898), Atlantida[12] (1915-1920) e Contemporânea[13] [1915]-1926.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CLARO, Rogério Peres. Um Século de Ensino Técnico Profissional em Setúbal. Setúbal, Câmara Municipal de Setúbal, 2000. ISBN 972-9016-34-8.
  • ENVIA, João Francisco. Setubalenses de Mérito. Setúbal, edição a., 2003, pp. 215-217. ISBN 972-97298-4-0
  • FALCÃO, Isabel; BORGES, José Pedro de Aboim (fot.). João Vaz (1859-1931): um pintor do naturalismo. Lisboa, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, 2005. ISBN 972-776-273-5.
  • KULLBERG, Carlos. Selos de Portugal: Álbum I (1853-1910).
  • MACEDO, Diogo de. António Ramalho, João Vaz: um retratista, um marinhista. Lisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea, 1954.
  • PAXECO, Óscar. Roteiro do Tríptico de Luciano. 3.ª edição, Setúbal, Câmara Municipal de Setúbal, 1999. ISBN 972-9016-33-X.
  • Portugal, Instituto Português do Património Cultural. Arte portuguesa do século XIX.[14] Lisboa, Instituto Português do Património Cultural, 1988.
  • VAZ, João Barreto de Morais. O pintor João Vaz: contributo para o conhecimento da sua vida e obra. Texto policopiado, 2 vols., Lisboa, 1998. Tese de mestrado em História da Arte defendida na Universidade Lusíada de Lisboa.

Notas

  1. Ao Teatro Rainha D. Amélia sucedeu o Teatro Luísa Todi, ainda hoje existente.
  2. Antigo edifício da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, situado no Campo dos Mártires da Pátria, em Lisboa.

Referências

  1. a b c d ENVIA, João Francisco. Setubalenses de Mérito. Setúbal, edição a., 2003, pp. 215-217. ISBN 972-97298-4-0
  2. a b c d FALCÃO, Isabel; BORGES, José Pedro de Aboim (fot.). João Vaz (1859-1931): um pintor do naturalismo. Lisboa : Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, 2005. ISBN 972-776-273-5
  3. «Livro de registo de baptismos da Paróquia de São Julião (1850-02-09 a 1860-08-12)». digitarq.adstb.arquivos.pt. Arquivo Distrital de Setúbal. Consultado em 22 de fevereiro de 2021 
  4. Salema, Isabel. «A influência da fotografia na pintura do naturalista João Vaz». PÚBLICO. Consultado em 22 de fevereiro de 2021 
  5. «Livro de registo de casamentos da Paróquia de Santa Maria de Marvila (1883-01-22 a 1887-11-22)». digitarq.adstr.arquivos.pt. Arquivo Distrital de Santarém. Consultado em 22 de fevereiro de 2021 
  6. Infopédia. «João José Vaz - Infopédia». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 22 de fevereiro de 2021 
  7. «"Cais das Colunas" João Vaz». Casa-Museu Medeiros e Almeida. Consultado em 22 de fevereiro de 2021 
  8. «Livro de registo de óbitos da 2.ª Conservatória do registo civil de Lisboa (1930-10-18 a 1931-03-05)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Consultado em 22 de fevereiro de 2021 
  9. «João José Vaz | e-cultura». www.e-cultura.pt. Consultado em 22 de fevereiro de 2021 
  10. KULLBERG, Carlos. Selos de Portugal: Álbum I (1853-1910).
  11. Rita Correia (1 de Fevereiro de 2012). «Ficha histórica: Branco e Negro : semanario illustrado (1896-1898)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 21 de Janeiro de 2015 
  12. Rita Correia (19 de Fevereiro de 2008). «Ficha histórica: Atlantida: mensário artístico, literário e social para Portugal e Brasil» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 17 de Junho de 2014 
  13. Contemporânea [1915]-1926 [cópia digital, Hemeroteca Digital]
  14. Exposição realizada no Palácio da Ajuda de Março a Maio de 1988.
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre João Vaz