Joanna Baillie

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Joanna Baillie
Retrato de Joanna Baillie por Mary Ann Knight
Nascimento 11 de setembro de 1762
Bothwell, Lanarkshire
Morte 23 de fevereiro de 1851 (88 anos)
Hampstead
Nacionalidade Reino Unido Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda
Ocupação Dramaturga, poetisa

Joanna Baillie (Bothwell, Lanarkshire, 11 de setembro de 1762 — Hampstead, 23 de fevereiro de 1851) foi uma dramaturga e poetisa britânica nascida na Escócia.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Joanna nasceu em 1762. Seu pai, James Baillie (c. 1722–1778), era pastor presbiteriano em Bothwell, Lanarkshire. Sua mãe Dorothea Hunter (ca. 1721–1806) era irmã dos médicos e anatomistas, William e John Hunter. Os Baillies eram uma antiga família escocesa, que afirmavam ter entre seus antepassados, o patriota escocês William Wallace.[1][2]

Joanna passou a sua infância em Bothwell em meio a cenas que impressionaram profundamente a imaginação da futura dramaturga. Em 1769, seu pai foi nomeado para a igreja colegiada de Hamilton, South Lanarkshire. Antes mesmo de completar dez anos de idade, Joanna Baillie já dava impressionantes provas de determinação; mas estava um pouco atrasada em relação aos estudos, apesar de ter o intelecto invulgarmente aguçado.[1] Na idade de dez anos foi enviada para uma escola em Glasgow, e nessa instituição suas faculdades foram rapidamente desenvolvidas. Ela se destacou em música vocal e instrumental, e demonstrou talento para o desenho. Tinha também grande interesse por matemática; sua capacidade argumentativa era também extraordinariamente forte. Logo se destacou por sua habilidade para a dramaturgia e a composição artística, tendo especialmente facilidade na improvisação dos diálogos dos personagens.[1]

Em 1776 seu pai foi nomeado professor de Teologia na Universidade de Glasgow, e foi morar com a família em uma casa fornecida para eles na universidade. Porém, dois anos mais tarde, o reverendo Baillie morreu, e sua viúva e filhas tiveram que se mudar para Long Calderwood, em South Lanarkshire; Matthew Baillie (1761–1823), o único filho, foi enviado para estudar no Balliol College, Oxford. Em 1783, seu tio William Hunter morreu em Londres, deixando para Matthew Baillie a sua casa, seu excelente museu e coleções. No ano seguinte, a senhora Baillie e suas filhas se juntaram a ele em Londres, permanecendo com ele, até o dia de seu casamento, em 1791.[1]

Obras literárias e dramáticas[editar | editar código-fonte]

Foi em Londres que o gênio de Joanna Baillie se manifestou pela primeira vez. Ela publicou anonimamente, em 1790, um pequeno volume de poemas diversos, intitulado Fugitive Verses, que foi muito elogiado. Mas seu gênio ainda não tinha encontrado a sua verdadeira direção. A primeira peça teatral que ela compôs, Arnold, não sobreviveu; mas em 1798, ela publicou o primeiro volume de seu Plays on the Passions, intitulado A Series of Plays; no qual ele tenta delinear as paixões mais fortes da mente, cada paixão sendo o objeto de uma tragédia e uma comédia. O volume continha: "Basílio", uma tragédia sobre o amor; o "Julgamento", uma comédia sobre o mesmo assunto; e "De Monfort", uma tragédia sobre o ódio. O trabalho foi publicado anonimamente, mas imediatamente quiseram saber quem era o seu autor. O poeta inglês Samuel Rogers o avaliou como sendo o trabalho de um homem, e Walter Scott foi o primeiro suspeito de ter sido o autor. Por um ou dois críticos o volume foi severamente atacado; mas ele proporcionou o contato da autora com o próprio Scott, que amadureceu para uma amizade calorosa, com duração ininterrupta por mais de meio século.[1][2]

Plays on the Passions atraiu a atenção do ator inglês John Kemble, que decidiu produzir "De Monfort" no Teatro Drury Lane, com ele próprio e Sarah Siddons nos papéis principais. A peça estreou em abril de 1800, esplendidamente encenada, foi apresentada em oito noites, mas não foi um sucesso teatral.[1][2]

Sem se deixar abater por críticas negativas, Baillie, em 1802, publicou um segundo volume de Plays on the Passions. Ele continha: uma comédia sobre o "Ódio", uma tragédia (em duas partes) sobre a "Ambição", e uma comédia sobre a mesma paixão. A comédia sobre o "Ódio", musicada, foi encenada no English Opera House; mas a tragédia sobre o "Ódio", não obstante as suas passagens reconhecidamente excelentes, era demasiada complicada para a produção no teatro.[1]

Pouco tempo após o lançamento deste volume a viúva Baillie e suas filhas foram morar em Hampstead; mas em 1806 a senhora Baillie morreu. As irmãs, então alugaram uma nova casa, e viveram nela até morrerem. Elas eram visitadas por muitos amigos escritores, cientistas, artistas, por admiradores da sociedade britânica, e tinham muita amizade com sua vizinha, a editora e crítica literária Anna Laetitia Barbauld. Walter Scott era um correspondente regular com quem Joanna Baillie se encontrava quando viajava para a Escócia e que a visitava sempre que ele estava em Londres.[1]

Em 1804 Joanna publicou um volume de Miscellaneous Plays, que contém duas tragédias: Kayner e Constantino Paleólogo. Em 1810 produziu sua peça teatral Family Legend baseada na história escocesa de disputas de poder entre o Duque de Argyll e o chefe do clã Maclean. A tragédia, com prólogo de Walter Scott, foi encenada no teatro de Edimburgo. Henry Mackenzie, autor de Man of Feeling, escreveu um epílogo. A peça foi um verdadeiro sucesso. A tragédia foi apresentada inicialmente em quatorze noites, e em várias ocasiões posteriores. Seu sucesso levou os gerentes do teatro de Edimburgo a reviver a tragédia da autora de De Monfort.[1]

Em 1812 foi lançada uma terceira série de Plays on the Passions, que consiste de duas tragédias e uma comédia sobre o tema "Medo", e um drama musical sobre "Esperança". Com a publicação deste volume Joanna mostrou que tinha abandonado suas antigas ideias. A primeira destas novas peças tinha como personagem principal uma mulher sob o domínio do medo supersticioso. No segundo drama, o medo da morte era o principal sentimento do herói da tragédia. O herói da terceira peça, uma comédia sobre o "Medo", é apresentado como uma pessoa tímida, que se esforça para esconder o seu temor através da prática de atrevida galanteria. Metrical Legends, o próximo trabalho de Joanna Baillie, surgiu em 1821. Os poemas foram sugeridos por ocasião de sua visita à Escócia no ano anterior. O patriota escocês William Wallace é o principal personagem de um poema, e Grizel Baillie, a de outro. Foram também incluídas algumas baladas dramáticas. Poetic Miscellanies, publicado em 1823, continha poemas de Walter Scott, Catherine Maria Fanshawe, Felicia Hemans, e outros.[1]

Uma profunda dor atingiu as irmãs Baillie em 1823 com a morte de seu irmão, Matthew Baillie. O drama do "Mártir", por Joanna Baillie, foi publicado em 1826, apesar de ter sido escrito algum tempo antes. A peça refere-se ao martírio de Cornélio Maro, um oficial da guarda imperial de Nero, que tinha sido convertido à fé cristã. Baillie aceitou a visão unitária de Cristo; e ao completar setenta anos de idade apresentou uma publicação sobre esta questão, intitulada A View of the general Tenor of the New Testament regarding the Nature and Dignity of Jesus Christ, na qual ela analisou as doutrinas da Ordem da Santíssima Trindade, arianismo e socinianismo.[1]

Em 1836 Baillie publicou três volumes de Miscellaneous Plays, que, no momento da sua composição, ela os tinha destinado à publicação póstuma. Três destes dramas eram a continuação de Plays on the Passions, e completavam a série. Eles consistiam de uma tragédia e uma comédia que ilustra a paixão do ciúme, e uma tragédia sobre o tema do remorso. Uma circunstância interessante está ligada a dois dos dramas. Alexander Johnston (1775–1849), chefe de justiça do Ceilão, estava desejoso de elevar as mentes dos habitantes daquela ilha, e de erradicar seus vícios utilizando-se de escritos direcionados para esse fim, considerou o drama especialmente adaptado para esse fim. O "Mártir" de Baillie, ele já tinha lido e escolhido como uma leitura complementar, e, em resposta ao seu desejo por um segundo drama da mesma natureza, a autora escreveu a "Noiva". Os dois dramas foram traduzidos para o cingalês. Na segunda peça a escritora se esforçou para demonstrar o princípio cristão do perdão das ofensas. Dos diversos dramas, dois foram representados simultaneamente no Covent Garden e no Teatro Drury Lane, respectivamente. Os espetáculos tiveram um sucesso parcial.[1]

Joanna Baillie continuou a escrever depois de ter atingido uma idade muito avançada, alguns dos poemas em sua nova coleção de Fugitive Verses foram produzidos quando ela tinha mais de oitenta anos. Morreu em 1851 em Hampstead, com quase noventa anos de idade. Sua irmã, Agnes, viveu até os 100 anos. As irmãs foram enterradas ao lado de sua mãe no cemitério da igreja paroquial de Hampstead, e em 1899 um memorial foi erigido em memória de Joanna Baillie no adro da igreja de sua cidade natal, em Bothwell.[1]

Notas

  1. a b c d e f g h i j k l m George Barnett Smith. «Baillie, Joanna». The Dictionary of National Biography (em inglês). 2 1885-1900 ed. Londres: Smith, Elder & Co. pp. p. 414–417 
  2. a b c Chisholm, Hugh;. «Baillie, Joanna». Encyclopædia Britannica (em inglês). 3 1911 ed. Cambridge: Cambridge University Press. pp. p. 219–220 

Referências

  • Baillie, Joanna. Letter, 5 Feb 1824, Wellcome Library for the History and Understanding of Medicine, Londres.
  • -- Further Letters of Joanna Baillie. ed. Thomas McLean. Madison: Fairleigh Dickinson University Press, 2010.
  • -- “Memoirs written to please my nephew, William Baillie.” The Scotswoman at Home and Abroad: Non-Fictional Writing 1700-1900, ed. Dorothy McMillan. Glasgow: The Association for Scottish Literary Studies, 1999.
  • Carswell, Donald. Sir Walter: A Four-Part Study in Biography (Scott, Hogg, Lockhart, Joanna Baillie). John Murray: Londres, 1930.
  • Carhart, Margaret S. The Life and Work of Joanna Baillie. New Haven: Yale University Press, 1923.
  • Clarke, Norma. ‘Baillie, Joanna (1762–1851)’, Oxford Dictionary of National Biography. Oxford: Oxford University Press, setembro de 2004; online, janeiro de 2006 [1]
  • Fraser's Magazine, 13 (1836), 236.
  • Hare, Augustus J.C. The Life and Letters of Maria Edgeworth. 2 vols. Londres: Edward Arnold, 1894.
  • Martineau, Harriet. Autobiography (1877), vol. 1. Londres: Virago, 1983.
  • Price, Fiona. ‘Baillie, Joanna, 1762–1851’, Literature Online Biography. Durham University. Cambridge: Chadwyck-Healey, 2000 [2]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]