Lourdes Castro

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Lourdes Castro
Lourdes Castro, 08-07-2015
Nascimento 9 de dezembro de 1930
Funchal
Nacionalidade Portugal portuguesa
Área Artes Plásticas
Formação Escola de Belas Artes de Lisboa

Lourdes Castro (Funchal, 9 de Dezembro de 1930 — ) é uma artista plástica portuguesa.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Sombra Projectada de René Bertholo, 1965, Tinta sobre plexiglas.

Frequenta a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, curso que não viria a terminar por via da sua "expulsão" em 1956, "pela não conformidade com o cânon académico que dominava o sistema de ensino de então".[2]

Expõe individualmente pela primeira vez em 1955, no Clube Funchalense, Funchal, participando também em algumas exposições coletivas em Lisboa.

Parte para Munique em 1957 e, pouco depois, instala-se em Paris com o marido, René Bertholo. No ano seguinte funda, juntamente com René Bertholo, Costa Pinheiro, João Vieira, José Escada, Gonçalo Duarte, Jan Voss e Christo, o grupo KWY, participando nas diversas iniciativas do grupo.

Em 1960 integra a mostra do KWY na SNBA, exposição que, segundo Rui Mário Gonçalves, marca o início dos anos 60 no panorama artístico português. Em 1972 e 1979 foi artista residente na DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst), em Berlim. Depois de residir 25 anos em Paris, em 1983 regressou ao Funchal, onde vive atualmente. [3] [4]

Foi galardoada com os seguintes prémios: Medalha do Concelho Regional Salon de Montrouge, Paris, 1995; Prémio CELPA/Vieira da Silva, 2004; Grande Prémio EDP Lisboa, 2000. Está representada em diversas coleções, públicas e privadas, entre as quais: Victoria e Albert Museum, Londres; Museu de Arte Moderna, Havana; Museu de Arte Moderna, Belgrado; Museus Nacionais de Varsóvia, Vroclaw e Lódz; Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto.[5]

Últimas grandes exposições individuais de Lourdes Castro: Sombras à volta de um Centro, Fundação Serralves, Porto, 2003; O Grande Herbário de Sombras, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2002. Em 2000, representou Portugal na XVIII Bienal de S. Paulo, juntamente com Francisco Tropa.[6]

Obra[editar | editar código-fonte]

Sombras projetadas (de Lourdes Castro e René Bertholo), Rue de Saints Pères, Paris, 1964

A sua obra dos primeiros anos parisienses caracteriza-se por uma forma de abstração "de raiz informalista" [7] . Esse registo "alterou-se completamente a partir de 1961. Nessa data abandonou, aliás, os suportes tradicionais da pintura. Sensível à coeva afirmação do Nouveau réalisme, apostou, num primeiro momento, na criação de objetos construídos, a partir da assemblage de bens de consumo de uso corrente" [8] , que aglomera em caixas, cobrindo-os depois com "uma camada uniforme de cor (prateados, dourados, azuis…) como se pudessem ser esculturas de matéria nobre e de uma só peça"; em cada trabalho ela "confronta o empobrecimento da forma e dos valores das coisas na sociedade contemporânea com a hipótese de uma alternativa poética. São estas obras tridimensionais que preparam a desmaterialização concretizada nas suas «sombras projetadas» "[9] . O conceito de sombra irá tornar-se central em praticamente toda a sua produção posterior; "sombras recortadas ou projetadas, teatros de sombras, sombras bordadas sobre lençóis fugazes, vários foram os modos e registos de que a artista se socorreu para relacionar essa perceção do imaterial com a necessária materialidade do espaço plástico"[10] .

Partindo de experiências ao nível da impressão serigráfica, começa a fixar silhuetas de amigos projetadas em tela. A partir de 1964 utiliza o plexiglas recortado, transparente ou colorido, em placas sobrepostas, de modo a dotar as sombras evocadas de sombras próprias, como acontece, por exemplo, em Sombra Projectada de René Bertholo, 1965.[11]

Em 1965 realiza um filme experimental com sombras e a partir do ano seguinte as silhuetas em movimento tornam-se no cerne dos seus "projetos de encenação, mais propriamente no teatro de sombras […]. Estas ações, inspiradas na tradição chinesa e nos happenings, tornaram-se mais frequentes após uma estada em Berlim, entre 1972 e 1973 […]. A colaboração de Manuel Zimbro efetivou-se nos anos imediatos, sendo os espetáculos As cinco Estações (1976) e Linha do Horizonte (1981) concebidas a duas mãos".[12]

"Depois de ter tirado as sombras da sombra, de lhes ter dado cor e transparência, uma vida independente" [13] , a artista inscreve-as em lençóis, através de bordado manual: "A surpresa do desenho de gente deitada, sombras projetadas na horizontal e não na vertical, […] tornou-se cada vez mais importante" [14] ; os contornos de silhuetas "presentificam corpos ausentes registados, afinal, como memória. A investigação [de Lourdes Castro] sobre a sombra sempre se cruzou, de resto, com a reflexão sobre o tempo e a memória. Veja-se o seu Álbum de Família (onde vem compilando imagens, pensamentos, excertos, relativos à sombra), a acumulação de pétalas de gerânio da sua Montanha de Flores, iniciada em 1988, ou ainda a Peça, que concebeu com Francisco Tropa para a Bienal de S. Paulo de 2000" [15] , onde um imenso pano branco "pousava sobre uma longa mesa fortemente iluminada de modo a sublinhar os vincos das dobras dessa cobertura"[16] .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Lourdes Castro - Infopedia
  2. OLIVEIRA, Filipa – Lourdes de Castro: a procura da sombra, in Margens e Confluências: um olhar contemporâneo sobre as artes, no11, 12, Dezembro 2006. ESAP/Guimarães, p.159.
  3. Gonçalves, Rui MárioRealismos e Abstracionismos. In: A.A.V.V. (coordenação Fernando Pernes) – Panorama Arte Portuguesa no Século XX. Porto: Fundação de Serralves; Campo de Letras, 1999, p. 207.
  4. «Lourdes Castro». Galeria 111. Consultado em 11-03-2014. 
  5. «Lourdes Castro». Galeria 111. Consultado em 11-03-2014. 
  6. «Lourdes Castro». Galeria 111. Consultado em 11-03-2014. 
  7. Melo, Alexandre – Arte e artistas em Portugal. Lisboa: Bertrand Editora; Instituto Camões, p. 142. ISBN 978-972-25-1601-3
  8. Leal, Joana Cunha – Lourdes Castro. In: A.A.V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004. ISBN 972-635-155-3
  9. Pinharanda, João – Pinturas com luz: alguns pintores portugueses contemporâneos. Lisboa: EDP – Eletricidade de Portugal, S.A., 1997.
  10. Almeida, Bernardo Pinto de – Os anos sessenta, ou o princípio do fim do processo da modernidade. In: A.A.V.V. (coordenação Fernando Pernes) – Panorama Arte Portuguesa no Século XX. Porto: Fundação de Serralves; Campo de Letras, 1999, p. 217.
  11. Leal, Joana Cunha – Lourdes Castro. In: A.A.V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 132. ISBN 972-635-155-3
  12. Leal, Joana Cunha – Lourdes Castro. In: A.A.V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 132.
  13. Castro, Lourdes – Lourdes Castro. Lisboa: Galeria 111, 1969.
  14. Castro, Lourdes – Lourdes Castro. Lisboa: Galeria 111, 1969.
  15. Leal, Joana Cunha – Lourdes Castro. In: A.A.V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 133.
  16. Melo, Alexandre – Arte e artistas em Portugal. Lisboa: Bertrand Editora; Instituto Camões, p. 142.