Mamãe Passou Açúcar em Mim

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
"Mamãe Passou Açucar em Mim"
Single de Wilson Simonal
do álbum Vou Deixar Cair...
Lado A Mamãe Passou Açúcar em Mim
Lado B Tá por Fora
Lançamento maio de 1966[1]
Formato(s) 33 e 1/3 RPM
Gravação abril de 1966[1]
Gênero(s) Iê-iê-iê, samba
Duração 1:35
Gravadora(s) Odeon
Composição Carlos Imperial
Produção Carlos Imperial
Cronologia de singles de Wilson Simonal
Se Você Gostou / Mangangá
Carango / Enxugue os Olhos

Mamãe Passou Açúcar em Mim é uma canção composta pelo compositor brasileiro Carlos Imperial e lançada pelo cantor brasileiro Wilson Simonal no seu segundo single daquele ano, em maio de 1966[1]. Esta música, juntamente com "Carango" e "Meu Limão, meu Limoeiro", fez de 1966 o ano da virada em direção ao sucesso na carreira do cantor carioca.[1] A partir do lançamento deste single Simonal entraria numa espiral de sucesso, alavancada pela estréia do programa do cantor na TV Record, Show em Si... Monal, e pela formação da banda que acompanharia Simonal pelos próximos cinco anos, o Som Três.[1]

A música foi regravada pelo ator e cantor Tiago Abravanel para ser o tema de abertura da série de televisão da Rede Globo, Louco por Elas.[2]

Antecedentes e Gravação[editar | editar código-fonte]

Simonal havia começado na música sob a tutela de Carlos Imperial, que promovia diversos artistas e conjuntos musicais, no início dos anos 60, tendo, inclusive, morado na casa de um desses artistas jovens que Imperial promovia chamado Eduardo Araújo.[1] Simonal acabou ficando amigo de Araújo e, como Imperial e ele eram muito próximos, o cantor carioca foi chamado para dar sugestões quando o mineiro estava gravando o que viria a ser o seu grande sucesso, a canção "O Bom".[1] Simonal sugeriu que fosse gravado um pot-pourri de músicas tradicionais no lado B, mas utilizando-se de metais latinizados - no estilo de Herb Alpert - juntamente com guitarras de iê-iê-iê, contrastando com apenas as guitarras do The Fevers, que acompanharam Araújo no lado A.[1]

O cantor carioca gostou tanto do resultado que resolveu chamar a banda de rock para acompanhá-lo em uma sessão de gravação. A música escolhida foi uma composição de Carlos Imperial em parceria não creditada com Eduardo Araújo[1] e os arranjos ficaram por conta do maestro Edmundo Peruzzi. Edmundo era um maestro com quem Imperial havia se associado em meados da década de 60 para criar arranjos e reger uma orquestra de 13 músicos chamada de Banda Jovem, dando mais corpo ao som das bandas de iê-iê-iê da época. Ele havia criado o arranjo do single "O Bom" de Araújo e, por isso, foi trazido também para as sessões de gravação.[1]

Nas mesmas sessões, Simonal e Chico Feitosa aproveitaram para compor um pequeno número que foi utilizado no Lado B do single, "Tá por Fora".[1]

Formato e Faixas[editar | editar código-fonte]

Disco de Vinil de 33 e 1/3 RPM
N.º Título Compositor(es) Duração
1. "Mamãe Passou Açúcar em Mim"   Carlos Imperial 1:35
2. "Tá por Fora"   Wilson Simonal - Chico Feitosa 1:58

Impacto[editar | editar código-fonte]

O single teve uma boa execução nas rádios e recepção pelo público, marcando uma mudança no som de Simonal que, até então, cantava músicas mais próximas à Bossa Nova e à então nascente MPB, sendo o primeiro single de Simonal a aparecer entre os mais vendidos segundo o IBOPE, entrando em quarto lugar na parada, logo acima de Day Tripper dos Beatles.[1] No final do ano, a música foi incluída na trilha sonora do primeiro filme dos Trapalhões, na época ainda formado apenas por Dedé e Didi, Na Onda do Iê-iê-iê, contando o filme, inclusive, com uma pequena performance de Simonal cantando a música.[1]

Este acabaria sendo o último lançamento de Simonal antes da formação daquela banda que o acompanharia pelos próximos cinco anos, o Som Três. O trio foi formado para acompanhar Simonal no seu programa televisivo na TV Record, o Show em Si... Monal, e era composto por César Camargo Mariano no piano, que passaria a ser o arranjador de todos os discos e músicas de Simonal, Sabá no baixo e Toninho na bateria. Assim, marca também o início da trajetória de sucesso do cantor, já que a proposta do grupo seria de, utilizando-se dos sons existentes na época (Bossa Nova, MPB, Canção de protesto, iê-iê-iê e o soul americano) fundi-los em um som novo e único que fosse mais comunicativo (como o iê-iê-iê), dançante (como o soul americano) e, ainda assim, mantivesse qualidade sonora (como a bossa nova) sem dispensar eventuais mensagens políticas (como a canção de protesto), o que seria chamado de pilantragem.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n ALEXANDRE, Ricardo. Nem vem que não tem: a vida e o veneno de Wilson Simonal. São Paulo: Globo, 2009. ISBN 978-85-750-4728-1.
  2. Folha de S.Paulo, 07 de março de 2009. Caderno Ilustrada. Após Tim Maia, ator Tiago Abravanel quer gravar CD, por Marcus Preto.