Museu Nacional dos Coches

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Museu Nacional dos Coches
Novo edifício do museu
Tipo Museu Nacional
Inauguração 23 de maio de 1904
Visitantes 346.000 (em 2015)[1]
Administração
Diretor(a) Silvana Bessone
[museudoscoches.pt/pt/ Website oficial]
Geografia
Coordenadas 38° 41' 52" N 9° 11' 59" O
Localidade Avenida da Índia n.º 136
Logradouro Afonso de Albuquerque Square
Cidade Lisboa
País  Portugal

O Museu Nacional dos Coches foi criado, em 1905, no antigo Picadeiro do Palácio Real de Belém, em Lisboa e é hoje constituído por dois edifícios: o antigo Picadeiro do Palácio de Belém (Praça Afonso de Albuquerque) e o novo edifício, em frente (Av. da Índia), inaugurado em 2015.

Reúne uma coleção única no mundo, de cerca de 9 000 objetos, que inclui maioritariamente viaturas de gala ou de aparato, algumas de viagem e de passeio, dos séculos XVI a XIX, e acessórios de cavalaria.

Tem sido o museu nacional mais visitado de Portugal, com 382.596 visitantes em 2016

O novo edifício, que guarda a maior parte das coleções, é um projeto de Paulo Mendes da Rocha (prémio Pritzker 2006) em consórcio com o atelier Ricardo Bak Gordon e Engenheiro Rui Furtado

A Coleção do Museu[editar | editar código-fonte]

História da Coleção[editar | editar código-fonte]

O Museu Nacional dos Coches reúne uma coleção única no mundo de viaturas de gala ou aparato, algumas de viagem e de passeio, dos séculos XVI a XIX, na sua maioria provenientes da Casa Real Portuguesa, à qual foram acrescentados veículos oriundos dos bens da Igreja e de coleções particulares, após a implantação da República em 1910. Este excelente conjunto de viaturas permite ao visitante a compreensão da evolução técnica e artística dos meios de transporte de tração animal, utilizados pelas cortes europeias até ao aparecimento do automóvel. O acervo inclui coches, berlindas, carruagens, seges, carrinhos de passeio, carrinhos de criança, liteiras e cadeirinhas. Completam a coleção, arreios de tiro e cavalaria, acessórios de viatura, fardamentos, instrumentos musicais, um núcleo de armaria e retratos a óleo dos monarcas da Casa de Bragança.

Quando em 1905 o Museu dos Coches Reais abriu as suas portas, o acervo era constituído unicamente por peças pertencentes aos Bens da Coroa, recolhidas em diversos depósitos, cocheiras e cavalariças dos Palácios reais de Belém, Ajuda e Necessidades. Mais tarde, os membros da Família Real enriqueceram a coleção com objetos relacionados com a temática do Museu, onde ficaram depositados por tempo indeterminado. Assim integram a coleção alguns arreios exóticos como um arreio de caça mexicano (em prata), dois arreios argelinos – oferecidos à rainha D. Amélia pelo Coronel Ben-Daoud –, uma sela gaúcha (brasileira), um arreio com aplicações de prata, oferecido a D. Carlos pelo presidente do Estado de Rio Grande do Sul, um arreio indiano (1) (Goa) oferecido em 1872 pelo Chefe Hindu da família Sinai Dempó ao Infante D. Augusto filho de D. Maria II, e ainda peças de arreios marroquinos oferecidas pelo Sultão de Marrocos Muley Hassam ao rei D. Luís, juntamente com cavalos árabes, em 1878.

Em 1911, ao abrigo da lei de Separação do Estado e da Igreja, começam a dar entrada no Museu peças procedentes dos antigos conventos e casas religiosas. Mais tarde e graças à política de aquisição e de ofertas pessoais, na direção de Luciano Freire o Museu passou a dispor de uma significativa coleção de desenhos, gravuras e material gráfico em que predominam os estudos e projetos para viaturas. Simultaneamente, em 1912, foram incorporados no acervo do MNC os primeiros retratos a óleo da família real portuguesa – D. Catarina de Bragança que casou com o rei Carlos II de Inglaterra, D. João V, D. Maria Ana de Áustria, Príncipe D. José e D. Maria I - provenientes do Paço Patriarcal de S. Vicente de Fora, juntamente com oito coches e berlindas dos antigos Patriarcas. Em apenas dois anos a série régia conheceu um enorme incremento dando origem à atual galeria de retratos da dinastia de Bragança, proprietários de algumas das luxuosas viaturas da coleção.

Um importante núcleo é constituído por fardamentos e acessórios de vestuário de altos funcionários da Corte, da Guarda Real e dos criados da Casa Real que integravam os cortejos e cerimónias régias, vindo na sua quase totalidade do Palácio das Necessidades em 1913, e que inclui seis tabardos dos Reis-de-Armas e respetivos colares com as armas de D. José, seis maças - em prata maciça - dos Porteiros da Maça, vinte e duas trombetas da Charamela Real, algumas das quais com os pendões correspondentes, dezasseis alabardas dos reinados de D. José, D. Maria I e D. João VI, uma vara em marfim (símbolo do poder real), designada por Negrinha, quatro saias para timbales, um pavilhão real e uma cobertura com estrelas douradas, para além de telizes, xairéis e outros acessórios destinados a heraldizar as cavalgaduras.

Muitas outras peças foram sendo acrescentadas ao longo dos anos aos núcleos do acervo, fruto de doações, aquisições ou permutas levadas a cabo pelos vários diretores. Por outro lado, as políticas de incorporações das instituições museológicas visando a uniformidade e coerência das coleções próprias, levou a que fossem depositadas no MNC, viaturas que vieram completar a coleção com diversas tipologias ou veículos com historial de carácter extraordinário, como o Landau do Regicídio do Palácio Nacional da Ajuda, carros de campo ou caça do Museu de Évora ou o Charabã do Paço Ducal de Vila Viçosa, a Mala-Posta da Fundação Portuguesa das Comunicações, entre outros.

Coleções por Tipologia[editar | editar código-fonte]

Viaturas[editar | editar código-fonte]

A coleção de Viaturas engloba coches, berlindas, seges, carruagens, carrinhos de passeio, liteiras, cadeirinhas, faeton, milord, vitórias, carrinhos de criança, charabã e carros de caça, landaus e viaturas urbanas como clarence, brougham (ou coupé), dormeuse (berlinda da cama), breaks, caleças e ainda mala-postas.

Outras coleções:

Arreios equestres[editar | editar código-fonte]

Diferenciados em Acessórios de Cavalaria, Atavios Equestres (gualdrapas, telizes, maioritariamente têxteis), Jogos Equestres que inclui o Estafermo, lanças, dardos, argolas e escudos para torneios.

Acessórios de Viatura[editar | editar código-fonte]

Lanças, lampiões, cama de campanha, acessório para mudança de rodas (macaco), botas de sota

Fardamentos[editar | editar código-fonte]

Uniformes das equipagens da corte que transitaram para o MNC com a extinção da Casa Real e que são compostos por: casacas, jaquetas, coletes, calções, talins, espadins e cabeleiras, e todos os acessórios de fardamento. Charameleiro da Casa Real.

Armaria[editar | editar código-fonte]

Espadas, espadins, sabres, alfanges, adagas, alabardas, cartucheiras de caça, espingardas, pistolas, clavinas e caixas de armas

Instrumentos Musicais da Charamela Real (século XVIII)[editar | editar código-fonte]

Coleção de trombetas de prata com as armas reais de D. José, de D. Maria I e D. Pedro III, saias para tímbales com as armas de D. Pedro III, livros de música do para Rimpiano, Timpano e Clarim.

Espólio Documental[editar | editar código-fonte]

Com desenhos de arquitetura, desenhos de projetos de decoração para coches, gravuras e estampas, fotografias, postais. Calcografia em cobre 1ºCoche da Embaixada de Melo e Castro.

Espólio Histórico Documental[editar | editar código-fonte]

Constituído por objectos pertencentes à Casa Real doados ou fazendo parte do Fundo Antigo como, os retratos a óleo dos monarcas da Casa de Bragança e Família real; pintura de paisagem com iconografia de viaturas em cortejos; o Manto da Rainha D. Amélia de Bragança classificado com Bem de Interesse Nacional); Tapeçarias da Oficina Manufactura Real de Aubusson; mobiliário antigo do Museu. 

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Arquitetura do Museu[editar | editar código-fonte]

Picadeiro Real[editar | editar código-fonte]

Em 1726, o rei D. João V comprou a “Quinta de Baixo”, situada junto ao rio Tejo no aprazível termo de Belém, na zona ocidental de Lisboa, onde existiam várias casas nobres, entre as quais o Palácio de Belém e um Picadeiro. Sessenta anos mais tarde, o primitivo Picadeiro foi destruído e no ano seguinte erigiu-se o atual, por iniciativa do infante D. João, futuro rei D. João VI, grande entusiasta da arte equestre. Deste projeto, em estilo neoclássico, atribuído ao arquiteto italiano Giacomo Azzolini, evidencia-se o salão principal (51m x17m), com dois pisos, que apresenta nos topos do andar superior duas estreitas galerias com colunatas rematadas por duas tribunas, onde outrora a Família Real e a Corte assistiam aos jogos equestres . Entre 1792 e 1799 participaram na decoração do interior do Antigo Picadeiro, entre outros, os pintores Francisco de Setúbal, Francisco José de Oliveira, Joaquim Lopes dito “o Bugre” e o francês Nicolau Delerive. Nos motivos ornamentais utilizados na decoração do teto e painéis dos topos do salão, predominam elementos ligados à arte equestre. Destacam-se no teto em tela pintada, três grandes medalhões ovais com cenas alegóricas. No ano de 1904, a quando da adaptação do Picadeiro a Museu realizaram-se obras sob a orientação de Rosendo Carvalheira, arquiteto dos Palácios Reais, tendo as pinturas sido restauradas pelos pintores José Malhoa e António Conceição e Silva. A 23 de maio de 1905, foi aberto ao público, em Lisboa, o «Museu dos Coches Reaes», por iniciativa da rainha D. Amélia d’Orleães e Bragança. Anos mais tarde, em 1940, teve lugar uma nova campanha orientada pelo arquiteto Raul Lino, que permitiu a ampliação da área de exposição com a construção de um novo Salão lateral , embora a falta de espaço ainda se fizesse sentir. Para colmatar esse problema, a Secretaria de Estado da Cultura adquiriu em 1994 as antigas Oficinas Gerais do Exército em Belém com vista à construção de um novo edifício para o Museu Nacional dos Coches. Permanece atualmente no espaço do Antigo Picadeiro, um núcleo visitável com coches e berlindas, a galeria de pintura da família real, assim como um conjunto de acessórios de cavalaria.

Museu Nacional dos Coches[editar | editar código-fonte]

O Projeto para o Novo Edifício do Museu Nacional dos Coches foi lançado em 2008 , de forma a fazer coincidir a inauguração com as comemorações do Centenário da República, em 2010. Com a primeira pedra lançada a 1 de fevereiro de 2010 e inaugurado a 23 de maio de 2015, o Projeto teve a assinatura do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha (Prémio Pritzker 2006) num consórcio com o arquiteto português Ricardo Bak Gordon e o Engenheiro Rui Furtado (1 - Inv. 55317 DIG). Apesar da beleza e encanto do Picadeiro Real de Belém, a necessidade de aumentar a área expositiva do Museu e de criar novas infraestruturas técnicas e serviços de apoio, foi sempre premente. Deste modo, após 110 anos a funcionar no Antigo Picadeiro, o Museu passou a ocupar uma área onde antes se situavam as antigas Oficinas Gerais do Exército. O recente edifício do Museu dos Coches surgiu em Belém como um equipamento cultural mas também como um lugar público (Back Gordon) . Nas palavras de Paulo Mendes da Rocha “o museu não tem porta e relaciona-se para todos os lados” (2 - Inv. 55323.02); o verdadeiro projeto não é o edifício do museu, mas o facto de este, através do “anexo”, coser a malha da cidade e destacar o “pavilhão” como um grande tesouro (um paralelepípedo de 132m x 48m x 12 m, elevado do chão por 14 pilares circulares). Com uma área bruta de 15.177m2, a nova construção alberga dois edifícios interligados por um passadiço aéreo: o “Pavilhão Expositivo” e o “Edifício Anexo”. O “Pavilhão Expositivo”, situado no primeiro piso, é constituído por duas grandes galerias laterais que albergam a exposição permanente (3 - 55388 DIG) (125m x 17,25m cada) e por uma nave central destinada a várias funcionalidades; desprovido de qualquer decoração apresenta um amplo pé-direito, um pavimento contínuo em betão afagado e as paredes brancas pontualmente interrompidas por vãos ou vitrinas. O “Edifício anexo” inclui uma zona administrativa, uma zona de restauração e um auditório. Para o Novo Edifício foram assim concebidos espaços destinados a Exposições, uma Oficina de Conservação e Reservas, uma Biblioteca, uma área para o Serviço Educativo, um Auditório, uma Loja, uma zona de Restauração e ainda a Praça do Museu: um espaço de acesso livre que constitui também um lugar de passeio e lazer público. Destaca-se também a passagem pedonal e cicloviável, que acompanha a fachada virada para o Jardim Afonso de Albuquerque, desde a Rua da Junqueira até estação fluvial de Belém.

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Referências

  1. Alexandra Carita e Nuno Botelho (30 de janeiro de 2016). «Este é o museu que bate recordes». Público. Consultado em 6 de abril de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]