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Organização das Cidades Património Mundial

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Organização das Cidades do Património Mundial
(OCPM)
Logótipo
Logótipo da OCPM
TipoOrganização internacional sem fins lucrativos
Fundação1993
SedeQuebec, Canadá
PresidenteBruno Marchand
Secretário-GeralMikhaël De Thyse
Websitewww.ovpm.org

A Organização das Cidades Património Mundial (OCPM) é uma organização internacional não governamental, sem fins lucrativos, que reúne cidades que possuem no seu território um sítio inscrito na Lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).[1] Fundada a 8 de setembro de 1993, na cidade de Fez, em Marrocos, durante o II Colóquio Internacional das Cidades Património Mundial,[2] a OCPM pretende facilitar a cooperação e o intercâmbio de conhecimentos entre as administrações municipais para a preservação e gestão sustentável dos centros históricos das suas cidades-membros. Mais de 200 cidades já integraram a OCPM,[3] que é auxiliada por uma Assembleia Geral (cujas reuniões decorrem em cidades-membros da organização)[4] e por um Secretariado Geral, sediado na cidade do Quebec, no Canadá.[5]

História

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A Organização das Cidades Património Mundial (OCPM), conhecida internacionalmente como Organization of World Heritage Cities (OWHC), foi fundada a 8 de setembro de 1993, em Fez, Marrocos.[6] A sua criação resulta da adoção, pela Conferência Geral da UNESCO, a 16 de novembro de 1972, da Convenção sobre a Proteção do Património Mundial Cultural e Natural, que define os critérios para a inscrição de sítios de valor universal excecional na Lista do Património Mundial.[2]

Em 1991, realizou-se, no Canadá, o Primeiro Colóquio Internacional das Cidades Património Mundial, reunindo representantes de mais de quarenta cidades inscritas na Lista do Património Mundial da UNESCO. Deste encontro resultou a Declaração do Quebec, que expressa o desejo de construir uma rede internacional de cooperação entre estas cidades. Dois anos mais tarde, em 1993, os delegados de cinquenta e seis cidades reuniram-se novamente em Fez e fundaram oficialmente a OCPM. Nesta Assembleia Geral Fundadora foram definidos a missão, os objetivos e os poderes da organização, tendo sido eleito o primeiro Conselho de Administração e o Secretário Geral da organização.[6]

Mapa
Localização da sede da OCPM, no Quebec, Canadá.

Desde a sua fundação, a OCPM tem registado um crescimento contínuo. Mais de 200 cidades já integraram a OCPM, encontrando-se distribuídas por dezenas de países e englobando mais de 130 milhões de habitantes.[7] Ao longo das suas três décadas de existência, a organização tem promovido Assembleias Gerais e Congressos Mundiais em diversas cidades do mundo. Entre os eventos realizados em Portugal, destacam-se as Assembleias Gerais de Évora (1997 e 2010) e Sintra (2011 e 2012).[8]

A organização tem vindo a reforçar a sua ação face aos desafios contemporâneos. Após o 16.º Congresso Mundial, realizado no Quebec, em 2022, foi lançado o “Roteiro do Quebec”, uma iniciativa de cooperação participativa destinada a fortalecer a dimensão política e operacional da OCPM. No 17.º Congresso Mundial, em Córdova (que decorreu em setembro de 2024), as cidades membros adotaram o “Novo Projeto Urbano”, que visa promover uma nova geração de políticas de desenvolvimento urbano sustentável, inspiradas numa abordagem patrimonial que concilia os aspetos urbano, humano e ambiental.[1]

Em 2026, a sede da Organização das Cidades Património Mundial é na cidade do Quebec, no Canadá, onde continua a desenvolver a sua atividade em colaboração com a UNESCO e outras instituições internacionais dedicadas à salvaguarda do património cultural.[6]

Objetivos

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A OCPM tem como objetivo promover a cooperação entre as cidades que possuem lugares classificados como Património Mundial, incentivando a troca de conhecimentos, experiências e boas práticas no domínio da conservação, gestão e valorização do património urbano.[9] A organização procura igualmente reforçar a participação das comunidades locais e das administrações municipais nos processos de governação patrimonial, contribuindo para o desenvolvimento de abordagens sustentáveis e participativas na gestão dos centros históricos, bem como para a identificação de soluções comuns para os desafios enfrentados pelas Cidades Património Mundial a nível internacional.[10]

Cidades-Membros

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Listagem das cidades-membros da OCPM em situação regular em 2026, de acordo com o continente onde se inserem e com indicação do país a que pertencem, por ordem alfabética:[3]

África América Ásia Europa Oceânia
Agadèz,  Níger. Cidade do México,  México. Andong,  Coreia do Sul. Amesterdão,  Países Baixos. N/A.
Cidade Velha,

 Cabo Verde.

Cuenca,  Equador. Boeun,  Coreia do Sul. Augsburgo,  Alemanha.
Jené,  Mali. Havana,  Cuba. Erevan,  Arménia. Baeza,  Espanha.
Morelia,  México. George Town,  Malásia. Banská Štiavnica,  Eslováquia.
Puebla de Zaragoza,  México. Gochang,  Coreia do Sul. Berna,   Suíça.
Quebec,  Canadá. Gongju,  Coreia do Sul. Bruges,  Bélgica.
San Antonio,  Estados Unidos. Gyeongju,  Coreia do Sul. Budapeste,  Hungria.
Santiago de Querétaro,  México. Hapcheon,  Coreia do Sul. Cuenca,  Espanha.
Huế,  Vietname. Dubrovnik,  Croácia.
Saframbolu,  Turquia. Guimarães,  Portugal.
Sawahlunto,  Indonésia. Kiev,  Ucrânia.
Malaca,  Malásia. Kotor,  Montenegro.
Vigan,  Filipinas. Kutná Hora,  Chéquia.
Yeongju,  Coreia do Sul. Le Havre,  França.
Lviv,  Ucrânia.
Neringa,  Lituânia.
Nessebar,  Bulgária.
Ocrida,  Macedónia do Norte.
Porto,  Portugal.
Quedlimburgo,  Alemanha.
Ratisbona,  Alemanha.
Rauma,  Finlândia.
Riga,  Letónia.
Salzburgo,  Áustria.
Split,  Croácia.
Tchernivtsi,  Ucrânia.
Toruń,  Polónia.
Varsóvia,  Polónia.
Vilnius,  Lituânia.
Zamość,  Polónia.

Estruturação e Funcionamento

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Critérios de Admissão à OCPM

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Para que uma cidade se torne membro da OCPM, é necessário aderir aos valores que constam na Carta da OCPM e possuir, no seu território, pelo menos um local ou uma propriedade em contexto urbano que esteja incluída na Lista de Património Mundial da UNESCO. Para um sítio ser reconhecido como Património Mundial, o seu Valor Universal Excecional (OUV) deve ser reconhecido pelo Comité do Património Mundial da UNESCO e cumprir pelo menos um dos critérios da Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural.[11]

Para que uma cidade se torne membro-observador da OCPM, deve, igualmente, possuir um local ou uma propriedade que conste na Lista de Património Mundial da UNESCO. Após a verificação da sua elegibilidade e a aprovação pelo Secretário-Geral da OCPM, a cidade passa a ser um membro-observador. As cidades com o estatuto de membro-observador não têm o direito de votar na Assembleia Geral, mas estão sujeitas aos estatutos e regras da OCPM e podem beneficiar dos privilégios, programas e atividades da organização.[12]

Hierarquia dos Organismos Integrantes da Organização

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Assembleia Geral

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A Assembleia Geral é composta pelos presidentes da câmara municipal (português europeu) (prefeitos (português brasileiro)) de todas as cidades-membros em situação regular.[13] É o órgão supremo de governação da OCPM, reunindo-se bianualmente, nos congressos mundiais da OCPM, e anualmente, para executar as suas funções principais, que incluem:[4]

  • Debater questões relacionadas com a missão e os objetivos da organização.
  • Apresentar recomendações ao Conselho de Administração.
  • Orientar atividades da organização.
  • Analisar e aprovar programas de trabalho e relatórios especiais.
  • Determinar e supervisionar a política financeira da organização.
  • Examinar e aprovar orçamentos.
  • Eleger o Secretário-Geral e os oito membros que compõem o Conselho de Administração.[14]

Segue-se uma listagem das Assembleias Gerais da OCPM ocorridas desde 1999:[15]

  1. Santiago de Compostela ( Espanha) - outubro de 1999.
  2. Puebla ( México) - outubro de 2001.
  3. Rodes (| Grécia) - setembro de 2003.
  4. Puebla ( México) - dezembro de 2004.
  5. Cusco ( Peru) - setembro de 2005.
  6. Puebla ( México) - abril de 2006.
  7. Cazã ( Rússia) - junho de 2007.
  8. Évora ( Portugal) - setembro de 2009.
  9. Lyon ( França) - março de 2010.
  10. Sintra ( Portugal) - novembro de 2011.
  11. Ejmiastin ( Arménia) - outubro de 2012.
  12. Oaxaca ( México) - novembro de 2013.
  13. Kutná Hora ( Chéquia) - abril de 2014.
  14. Arequipa ( Peru) - novembro de 2015.
  15. Lyon ( França) - setembro de 2016.
  16. Gyeongju ( Coreia do Sul) - novembro de 2017.
  17. Kotor ( Montenegro) - abril de 2018.
  18. Cracóvia ( Polónia) - junho de 2019.
  19. Online - novembro de 2021.
  20. Quebec ( Canadá) - setembro de 2022.
  21. Online - dezembro de 2023.
  22. Córdova ( Espanha) - setembro de 2024.
  23. Online - dezembro de 2025.

Conselho de Administração

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O Conselho de Administração é o órgão executivo da OCPM, sendo composto pelos presidentes da câmara de oito cidades-membros em situação regular.[1] O Conselho reúne-se, pelo menos, uma vez por ano para executar as suas funções.[13]

Para o triénio 2024-2026, o Conselho de Administração é composto por Bruno Marchand (Québec), presidente da OCPM; José Maria Bellido Roche (Córdova), vice-presidente; Dirk De Fauw (Bruges), tesoureiro; Fátima Amorim (Angra do Heroísmo); Aleksander Miszalski (Cracóvia); Cristian Zamora Matute (Cuenca); Mato Frankovic (Dubrovnik) e Gina Ortiz Jones (San Antonio). As suas principais funções incluem:

  • Assegurar e executar a aplicação das decisões tomadas pela Assembleia Geral.
  • Adotar as medidas necessárias para garantir a correta administração da OCPM e a concretização dos seus objetivos.[16]

Presidente da OCPM

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O Presidente da OCPM é o representante político da instituição, sendo eleito de entre os oito membros do Conselho de Administração.[16] O primeiro presidente e fundador da OCPM foi Jean-Paul L’Allier (Quebec), que a liderou até 1999.[2] Em 2026, este cargo é ocupado por Bruno Marchand, o presidente da câmara do Quebec, que foi reeleito para um segundo mandato em 2024, no 17.º Congresso Mundial da OCPM.[17]

As principais funções do Presidente incluem:

  • Presidir à Assembleia Geral, informando os seus membros, no início da reunião, sobre a nomeação dos responsáveis pelo apuramento dos votos do Conselho de Administração.
  • Supervisionar o processo de votações secretas.
  • Anunciar os resultados das votações.
  • Exercer voto de qualidade em caso de empate, no qual é obrigado a votar.[11]

Secretariado Geral

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O Secretariado Geral é o órgão administrativo da OCPM. É composto pelo Secretário-Geral (eleito pela Assembleia Geral)[13] e o pessoal administrativo e técnico necessário ao bom funcionamento da organização. Em 2026, o Secretário-Geral é o canadiano Mikhaël De Thyse, que se destaca pelos seus projetos de caráter patrimonial em 47 estados europeus.[18] O Secretário-Geral é o responsável pela eleição do pessoal necessário para o funcionamento do Secretariado Geral. As suas principais funções incluem:[14]

  • Executar os mandatos aprovados pelos membros da OCPM.
  • Implementar as decisões do Conselho de Administração.
  • Dinamizar as atividades da OCPM.

O Secretariado Geral conta também com o apoio dos cinco Secretariados Regionais. [19]

Secretariados Regionais

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Os Secretariados Regionais são agrupamentos de cidades-membros formados com base em afinidades culturais, linguísticas ou geográficas e que partilham interesses e preocupações comuns. Para fazer parte de um Secretariado Regional, uma cidade-membro precisa de estar em situação regular e ter em conta que só se pode juntar a um dos cinco Secretariados Regionais (pode participar das atividades de outro Secretariado Regional caso tenha sido convidada a fazê-lo). Os Secretariados Regionais são eleitos pela sua rede regional a cada quatro anos, durante as Reuniões Regionais, que são realizadas nos Congressos Mundiais da OCPM. As principais funções dos Secretariados Regionais incluem:

  • Apoiar a implementação das atividades da OCPM.
  • Dar a conhecer os objetivos e os valores da organização, valorizando simultaneamente a contribuição da região segundo as suas particularidades culturais e sociais.
  • Promover a organização e o seu desenvolvimento através da atração de novos membros.[19]

Em 2026, os Secretariados Regionais estão sediados nas seguintes cidades-membro:[19]

Secretariado Regional Sede País
Ásia-Pacífico Gyeongju  Coreia do Sul
Europa de Leste e Central Varsóvia  Polónia
América Latina Morelia  México
Noroeste Europeu e América do Norte Ratisbona  Alemanha
Europa Meridional e Mediterrâneo Córdova  Espanha

Línguas oficiais

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A OCPM tem cinco línguas oficiais: árabe, espanhol, francês, inglês e português. As suas línguas de trabalho são o espanhol, o francês e o inglês.[20]

As cidades com sítios classificados como Património Mundial da UNESCO enfrentam desafios comuns que a OCPM procura resolver no âmbito da sua missão, entre os quais se destacam:

  • Questões financeiras: A manutenção de um elevado número de edifícios históricos pode implicar significativas despesas a nível financeiro.[21] Para além disso, para uma cidade-membro da OCPM ter a sua situação na organização regularizada tem que pagar uma quota anual.[13]
  • Conservação e proteção: As Cidades Património Mundial devem ter em conta as necessidades da sua população ao considerar ações de conservação e restauração, mesmo que tal implique intervenções significativas no seu edificado.[22]
  • Novos edifícios e reconstrução: A introdução de arquitetura contemporânea em Cidades Património Mundial, sobretudo na Europa, é marcada pela controvérsia. Porém, o restauro do seu edificado deve conjugar a introdução de aspetos contemporâneos e o respeito pelas suas características de maior antiguidade.[23]
  • Turismo: Apesar da importância do turismo para o desenvolvimento económico das Cidades Património Mundial, esta atividade pode afetar negativamente os seus habitantes, nomeadamente no que diz respeito à abertura de um elevado número de restaurantes e lojas de souvenires, em detrimento de estabelecimentos comerciais necessários à satisfação das necessidades da população local.[24]
  • Sociedade civil e qualidade de vida: O público deve estar familiarizado com o conceito de Cidades Património Mundial, de forma a que as iniciativas que decorram no seu âmbito sejam compreendidas e valorizadas.[25]
  • Identidade e identificação da cidade: A subsistência da identidade das Cidades Património Mundial deve ser planeada tendo em conta os patrimónios partilhados; o contributo dos cidadãos de origem estrangeira a nível cultural deve ser apropriadamente reconhecido.[26]
  • Demografia e participação: O crescimento demográfico pode acarretar diversas dificuldades à gestão de Cidades Património Mundial, tais como alterações no uso do edificado e a inutilização de edifícios.[27]
  • Alterações climáticas: As Cidades Património Mundial devem desenvolver diretrizes que permitam a proteção do seu edificado face aos desafios causados pelas alterações climáticas. Deve ser conferida uma particular atenção aos edifícios que se encontrem em zonas vulneráveis à ocorrência de desastres naturais, tais como cheias. Porém, os custos associadas a estas medidas são muitas vezes consideravelmente elevados.[28]

Programas e Iniciativas

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Youth on the Trail of World Heritage

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O programa Youth on the Trail of World Heritage, iniciado em 2019, é uma iniciativa de parcerias entre escolas, focada em jovens dos 15 aos 18 anos, que residam em cidades com sítios inscritos na Lista de Património Mundial da UNESCO. O seu principal propósito é familiarizar as gerações mais jovens com o conceito de Património Mundial e os seus valores, recorrendo, para tal, a parcerias, através das quais estudantes de diferentes cidades têm a possibilidade de realizar “intercâmbios virtuais” de ideias, conhecimentos e trabalhos sobre o património local. Para além da vertente digital, a OCPM também oferece uma bolsa de 10.000 dólares canadianos às escolas em parceria, para que os estudantes visitem e descubram presencialmente o património cultural da sua “cidade gémea”.[29][30]

City2City

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O programa City2City (ou C2C), iniciado em 2006[31], é uma iniciativa de cooperação técnica, tendo como principal objetivo o fomento da colaboração entre as cidades-membros da organização no que diz respeito à resolução de problemas relacionados com a gestão de sítios patrimoniais ou o planeamento urbano. O programa baseia-se na organização de missões de curta-duração (entre 1 a 3 dias) por especialistas de uma cidade-membro em benefício de outra. As missões têm um caráter variado, dependendo das necessidades de cada cidade, podendo incluir cursos de formação, reuniões bilaterais e visitas de estudo, entre outras ações. Para além da partilha de conhecimento, o programa visa também melhorar a qualidade de vida nos centros históricos, através de uma abordagem colaborativa, e conta com o apoio financeiro e técnico do Secretariado Geral da OCPM. Para a realização destas atividades, o programa divide-se em dois agentes principais:

  • Cidades candidatas: As cidades que solicitam assistência para a resolução de problemas na gestão do seu património local.
  • Cidades de apoio: As cidades que disponibilizam especialistas para ajudar na resolução desses problemas.[32]

The Jean-Paul-L’Allier Prize for Heritage

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O Jean-Paul-L’Allier Prize for Heritage (em português, Prémio Jean-Paul-L'Allier para o Património) é uma distinção internacional criada em 2009 e nomeada em honra do fundador da OCPM.[33] O prémio, atribuído bianualmente nos Congressos Mundiais da OCPM, visa destacar projetos, políticas ou programas de excelência implementados por cidades-membros e foca-se maioritariamente em iniciativas que sucedam na conservação, valorização ou gestão de bens inscritos na Lista de Património Mundial da UNESCO.[34] Com este prémio, a OCPM pretende:

  • Reforçar a resiliência das cidades-membros.
  • Dar a conhecer o envolvimento das comunidades locais.
  • Reconhecer experiências de melhoria da qualidade de vida em cidades patrimoniais que possam servir de modelo internacionalmente.

O presidente da câmara de uma cidade-membro vencedora é convidado de honra para um Congresso Mundial da OCPM e recebe um apoio de até 3.000 dólares canadianos.[35]

Em abril de 2026, as seguintes cidades haviam sido premiadas:[33]

Ano Cidade País Continente
2009 Varsóvia  Polónia Europa
2011 Tunes  Tunísia África
2013 Cuenca  Equador América
2015 Córdova  Espanha Europa
2017 Quito  Equador América
2019 São Petersburgo  Rússia Europa
2021 George Town  Malásia Ásia
2024 Icherisheher (Bacu)  Azerbaijão Ásia

O OWHC Day (em português, Dia da OCPM), anteriormente designado como World Heritage Cities Solidarity Day (Dia da Solidariedade das Cidades Património Mundial), é uma celebração anual que ocorre a 8 de setembro em todas as cidades-membro da organização. A data foi escolhida em comemoração da fundação da OCPM, que ocorreu a 8 de setembro de 1993. O principal propósito da celebração é convidar as cidades-membros a promover os valores da organização e a fortalecer o sentimento de pertença a uma comunidade global. Para cumprir estes objetivos, o Secretariado Geral incentiva cada cidade-membro a realizar atividades para os seus cidadãos, tais como:

  • Hastear a bandeira oficial da OCPM em edifícios municipais ou emblemáticos.
  • Organizar exibições, conferências, workshops e visitas guiadas gratuitas que mostrem o valor do património local e mundial.
  • Partilhar as atividades realizadas em redes sociais para promover uma maior divulgação da organização.[36]

Mission4City

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O programa Mission4City, ou M4C, é uma iniciativa de assistência técnica ad hoc que tem como objetivo principal o auxílio a cidades-membros que estejam a enfrentar situações complexas no que diz respeito à gestão de sítios patrimoniais ou ao planeamento urbano. O programa visa desobstruir situações técnicas de difícil resolução ou que sejam alvo de debate público, através da ajuda de peritos internacionais de outras cidades-membros ou de organizações internacionais relevantes, dependendo das necessidades das cidades em questão. Tal como no programa City2City, as missões de assistência são de curta duração (entre 1 a 3 dias).[37]

OWHC Young Travelling Scholarship

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O programa OWHC Young Travelling Scholarship (em português, Bolsa de Viagem para Jovens da OCPM) é uma iniciativa de mobilidade internacional, lançada em 2018 pelo Secretariado Regional para o Noroeste Europeu e América do Norte, que oferece apoio financeiro e liberdade criativa a jovens dos 18 aos 28 anos para explorarem cidades inscritas na lista de Património Mundial da UNESCO.[38] O principal objetivo da iniciativa é tornar o Património Mundial uma experiência tangível para as gerações mais jovens, incentivando-as a compreender a importância da preservação destes sítios e a dar vida aos mesmos através de um "olhar renovado" e de novas perspetivas.[39] Os vencedores selecionados recebem uma bolsa de 1.500 euros e, ao longo da viagem, devem documentar a sua experiência através das suas redes sociais para posteriormente criarem um projeto final criativo sobre todas as cidades que visitaram.[40]

Network of Jean-Paul-L’Allier Libraries

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O programa Network of Jean-Paul-L’Allier Libraries (em portuguès, Rede de Bibliotecas Jean-Paul-L'Allier) é uma iniciativa internacional que visa transmitir o legado de Jean-Paul-L'Allier, fundador da OCPM, a gerações futuras, através da criação de espaços de consulta de documentação em cidades que possuam sítios inscritos na Lista de Património Mundial da UNESCO. O projeto teve origem na cidade de Oaxaca, no México, durante o ano letivo de 2015-2016, por um grupo de alunos participantes no programa Youth on the Trail of World Heritage. Estes demonstraram um significativo interesse pela vida e obra de Jean-Paul-L'Allier após o seu falecimento, querendo homenageá-lo através da criação do primeiro centro de informação sobre a OCPM e a sua missão. Apesar da rede ter nascido de um projeto independente, a OCPM incentiva a que seja reproduzida noutras cidades para:

  • Aumentar a visibilidade da organização nas comunidades locais.
  • Envolver as gerações mais jovens com o património.
  • Disponibilizar informação mais detalhada sobre a própria cidade onde está instalada a biblioteca e também sobre outras cidades-membros da organização.[41]

Case Studies

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Os Case Studies (em português, Casos de Estudo) da OCPM são materiais de cooperação técnica e intercâmbio de conhecimento, destinados a serem usados como ferramentas de gestão entre as cidades-membros, ao mesmo tempo que partilham "boas práticas" a seguir. Esta iniciativa visa analisar projetos de conservação urbana e identificar metodologias aplicadas por gestores e responsáveis políticos em contextos históricos.[42] Os estudos de caso são frequentemente organizados pelos diferentes Secretariados Regionais e, até 2026, as principais publicações temáticas incluem:

  • Património e Arqueologia (2010): Escrito pelo Secretariado Regional da Europa Meridional e Mediterrâneo, este estudo de caso resultou de projetos de cooperação sobre a gestão de vestígios arqueológicos em contexto urbano.[43]
  • Património e Acessibilidade (2012): Redigido pelo Secretariado Regional da Europa Meridional e Mediterrâneo, explora formas de integrar a acessibilidade para todos os cidadãos respeitando os bens patrimoniais.[44]
  • Reabilitação do Património (2012): Da autoria da Secretariado Regional da Europa Meridional e Mediterrâneo, foca-se na restauração de edifícios e na atribuição de novos usos funcionais para garantir a sua permanência e vitalidade.[44]
  • Desenvolvimento de Cidades Históricas (2014): Elaborado de forma colaborativa pela OCPM, a cidade de Lyon, o Getty Conservation Institute, a UNESCO, o Conselho da Europa e o ICOMOS, este estudo de caso visa fornecer ferramentas de gestão a presidentes da câmara e gestores de sítios patrimoniais através do destaque de práticas de campo que promovem a cooperação entre cidades.[45]
  • Património e Mobilidade (2019): Escrito pelo Secretariado Regional da Europa Meridional e Mediterrâneo, analisa soluções de transporte e circulação em centros históricos.[46]

Divulgação

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Congressos Mundiais

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Os Congressos Mundiais da OCPM são realizados bianualmente.[47]

  • 1991: Quebec,  Canadá - Salvaguardar conjuntos históricos urbanos num tempo de mudança; Primeiro Simpósio Internacional de Cidades Património Mundial.[48]
  • 1993: Fez,  Marrocos - Financiar iniciativas de apresentação em Cidades Património Mundial: porquê, por quem e como?; fundação da Organização das Cidades Património Mundial.[49]
  • 1995: Bergen,  Noruega - Comunicação - Como Comunicar e Trocar Conhecimento, Tendo em Conta Diversidade Cultural e Linguística e Particularidades Regionais.[50]
  • 1997: Évora,  Portugal - Turismo e Cidades Património Mundial - Desafios e Oportunidades.[51]
  • 1999: Santiago de Compostela,  Espanha - Inovação na Gestão de Cidades Património Mundial.[52]
  • 2001: Puebla,  México - Medidas de prevenção e proteção para as Cidades Património Mundial em caso de desastres.[53]
  • 2003: Rodes,  Grécia - Manter o Património Vivo - Educação e treino para a preservação e gestão do património cultural.[54]
  • 2005: Cusco,  Peru - Património do Homem, um Património com Humanidade.[55]
  • 2007: Cazã,  Rússia - Património e Economia.[56]
  • 2009: Quito,  Equador - Revitalização de Centros Históricos: Como envolver todos os atores sociais?[57]
  • 2011: Sintra,  Portugal - Cidades Património Mundial e Alterações Climáticas.[58]
  • 2013: Oaxaca,  México - Cidades Património, Cidades Sustentáveis.[59]
  • 2015: Arequipa,  Peru - Cidades Património Mundial, Cidades Resilientes.[60]
  • 2017: Gyeongju,  Coreia do Sul - Património e Comunidades - Ferramentas para envolver comunidades locais.[61]
  • 2019: Cracóvia,  Polónia - Património e Turismo: Comunidades Locais e Visitantes - partilhar responsabilidades.[62]
  • 2022: Quebec,  Canadá - Exponenciar a vivência em Cidades Património Mundial.[63]
  • 2024: Córdova,  Espanha - Habitabilidade de Centros Históricos.[64]

Afiliações

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A relação com a UNESCO

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A OCPM detém uma relação de cooperação de cariz institucional e técnico com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), especialmente através do Centro do Património Mundial. Embora a OCPM seja de caráter não governamental e independente, está fortemente vinculada à Convenção sobre o Património Mundial da Cultural e Natural de 1972, podendo ser apenas membro pleno na organização as cidades que possuem bens inscritos na Lista de Património Mundial da UNESCO.[7]

Cooperação

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A relação (formal) é consolidada por acordos de cooperação com o objetivo de implementar as diretrizes da UNESCO a nível local. A UNESCO reconhece a OCPM como um parceiro estratégico para mobilizar as autoridades locais a fim de facilitar o diálogo entre as políticas gerais de conservação e gestão do meio urbana executada pelo presidente da câmara.[65]

Esta cooperação verifica-se em diversos aspetos:

  • A OCPM é uma mais-valia para a aplicação da Recomendação sobre a Paisagem Urbana Histórica da UNESCO, auxiliando as cidades a promover a conservação do património através do desenvolvimento urbano sustentável.[66]
  • Através da organização, as cidades-membros dialogam com as instituições consultivas da UNESCO, como com o ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios), abordado temáticas como o turismo de massas e o consequente impacto nas alterações dos centros históricos.[67]
  • De igual modo, as duas organizações colaboram com bastante frequência em projetos e conferências comuns com o objetivo de desenvolver estudos e manuais de boas práticas que são uma referência para a comunidade internacional.[68]

Presença de Portugal e da CPLP na OCPM

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Em Portugal

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Portugal, tendo em conta a sua dimensão territorial, conta com um número considerável de cidades que já integraram a OCPM, refletindo, deste modo, a importância histórica, cultural e arquitetónica que o património urbano português detém no contexto internacional. Além da relevância do seu valor histórico e cultural, estas cidades representam também o compromisso contínuo com a preservação do património urbano através da promoção de intercâmbios, de políticas de salvaguarda e iniciativas conjuntas com outras cidades-membros da OCPM. A sua integração reforça, de igual modo, uma maior visibilidade no contexto internacional, contribuindo para a valorização da identidade portuguesa a nível global.[69]

Angra do Heroísmo

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Centro Histórico de Angra do Heroísmo

Angra do Heroísmo é uma cidade localizada na ilha Terceira, no arquipélago dos Açores, que foi cidade-membro da OCPM em situação regular até 2025.[3] Foi classificada como Património Mundial pela UNESCO no ano de 1983, reconhecendo‑se assim o seu valor universal e a importância do seu papel histórico no contexto das navegações e trocas marítimas portuguesas.[70] A candidatura da cidade foi considerada exemplar pela UNESCO por ter ocorrido em pleno processo de reconstrução após o violento terramoto de 1 de janeiro de 1980.[71]

Elevada a cidade em 1534, Angra do Heroísmo desempenhou um papel central e estrutural na administração religiosa do arquipélago, sendo sede de arcebispado e centro político e comercial da região.[72] A sua posição geográfica, no centro do oceano Atlântico, tornou-a num ponto de passagem obrigatório das embarcações portuguesas que, entre os séculos XV e XIX, partiam em direção às rotas do comércio com a África, Ásia e as Américas, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento urbanístico e económico da cidade.[73] O seu centro histórico apresenta um traçado renascentista com ruas ortogonais, praças e um conjunto significativo de monumentos que justificam a sua importância histórica, onde se inclui a Sé Catedral, palácios, igrejas e casas senhoriais, bem como fortificações como os fortes de São Sebastião e São João Batista, que reforçam a sua importância ao longo dos séculos.[74]

Templo romano de Évora

Évora é uma cidade que se localiza na região no Alentejo e que foi cidade-membro em situação regular da OCPM até 2025.[3] Remonta à época romana, conhecendo-se uma longa cronologia de ocupação humana do local, que conta com mais de dois mil anos. O seu centro histórico foi classificado como Património Mundial pela UNESCO em 1986.[75]

Ao longo do tempo, Évora foi testemunha de diversos contextos históricos e civilizações. Nos séculos XV e XVI, a cidade tornou-se residência regular dos reis de Portugal, o que fomentou a construção de inúmeros palácios, conventos e igrejas que ainda hoje representam uma importante parte do seu património arquitetónico.[76] Destacam-se o Templo Romano, a Capela dos Ossos, a Sé Catedral, casas senhoriais, o casario tipicamente alentejano, a Praça do Giraldo e conventos medievais e renascentistas.[77]

Capela dos Ossos, Évora

Évora é, portanto, um exemplo notável de uma paisagem urbana significativa no contexto patrimonial e que contém vestígios de inúmeros períodos relevantes da história europeia.[78]

Guimarães

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Castelo de Guimarães

A cidade de Guimarães, membro da OCPM em situação regular em 2026,[3] foi relevante na formação da identidade nacional de Portugal. Apresenta um centro histórico notavelmente bem preservado, que foi inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO em 2001. Em 2023, o seu centro histórico foi ampliado de modo a incluir a zona de Couros (uma área ligada à manufatura de curtumes ao longo do rio de Couros).[79][80]

A cidade preserva um conjunto arquitetónico diversificado, destacando-se as estruturas medievais, ruas em granito, praças e edifícios religiosos que remontam à arquitetura portuguesa dos séculos XV e XIX.[81] Guimarães é um exemplo de conservação patrimonial, fruto de um trabalho de reabilitação que se iniciou vinte anos antes do seu reconhecimento pela UNESCO.[82]

O Porto, que se situa no norte de Portugal, integra a lista de Património Mundial da UNESCO desde o ano de 1996, devido à classificação do seu centro histórico, cuja autenticidade e preservação foi reconhecida. A cidade desempenha, historicamente, um relevante papel a nível económico, cultural e social.[83] Em 2026, o Porto integra a OCPM como cidade-membro em situação regular.[3]

Localizado na margem norte do rio Douro, o Porto desenvolve-se a partir da Idade Média como um núcleo urbano caracterizado por ruas estreitas, praças, igrejas e edifícios residenciais que espelham a evolução da arquitetura portuguesa entre os séculos XII e XIX.[84]

Ribeira do Porto

A cidade é historicamente um centro de comércio marítimo e de exportação, destacando-se, neste âmbito, o vinho do Porto, que influenciou o desenvolvimento urbano e económico de toda a região, reconhecida pela UNESCO como Património Mundial desde 2001.[85]

Serra de Sintra
Castelo dos Mouros, Sintra

Sintra foi uma cidade-membro da OCPM em situação regular até 2025.[3] O seu centro histórico e as suas paisagens culturais, localizadas na região de Lisboa, são reconhecidos como Património Mundial da UNESCO desde 1995.[86] Esta inscrição foi pioneira, tendo sido a primeira na categoria de “Paisagem Cultural”.[87] Incorpora palácios e palacetes, castelos, jardins e quintas, que datam desde a Idade Média. Destacam-se o Palácio Nacional da Pena, o Castelo dos Mouros e a Quinta da Regaleira, exemplos dos estilos Manuelino, Romântico e Neoclássico. [88]

Em novembro de 2013, durante o XII Congresso Mundial da OCPM, realizado na Cidade do México, o então presidente da câmara municipal de Sintra, Basílio Horta, foi eleito presidente da OCPM para o período compreendido entre 2013 e 2015, tendo vencido numa votação na qual participaram autarcas de cidades como Bruxelas, Lyon, Puebla, Quebec e Varsóvia. Esta eleição resultou numa significativa projeção internacional para a cidade de Sintra.[89]

Sintra é um exemplo notável da conjugação do património arquitetónico com o patrimonial ambiental.[90]

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) conta com cidades cujos centros históricos ou sítios urbanos se encontram inscritos na Lista do Património Mundial da UNESCO e que integram a OCPM. Estas cidades apresentam uma herança comum, que inclui a língua portuguesa e a história colonial. Foram importantes cidades no contexto das trocas culturais e comerciais no espaço do antigo Império Português, (que abrangeu a Europa, a África e as Américas) o que enriqueceu o seu património urbano, com exceção da contemporânea e recente cidade de Brasília.[91]

Além do seu excecional valor histórico e cultural, estas cidades comprometem-se continuadamente a preservar o seu património urbano através da promoção de políticas de salvaguarda, de intercâmbios e de iniciativas conjuntas no âmbito da OCPM e da comissão do património cultural da CPLP. A integração destas cidades na OCPM contribui para reforçar a visibilidade internacional do património lusófono e, deste modo, a valorização da identidade comum da CPLP a nível mundial.[92]

Cidade Velha

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Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Cidade Velha

A Cidade Velha (designação habitualmente atribuída a Ribeira Grande de Santiago) está localizada na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, tendo sido o primeiro aglomerado populacional estabelecido por europeus nas regiões tropicais. O dinamismo causado pelo fluxo de escravos que foi consolidado na região em meados do século XVI contribuiu para o desenvolvimento de diversas infraestruturas, relacionadas com os foros militar, religioso e civil. Estes edificados constituem o mais relevante testemunho histórico propiciado pela Cidade Velha.[93]

A Cidade Velha foi inscrita como Património Mundial da UNESCO em 2009.[94] Em 2026, integra a OCPM como cidade-membro em situação regular.[3]

Ilha de Moçambique

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A Ilha de Moçambique, localizada na província de Nampula, em Moçambique, foi uma cidade-membro da OCPM em situação regular (não detendo essa posição em 2026).[3] Foi classificada como Património Mundial da UNESCO em 1991, reconhecendo desta forma o seu valor universal como um antigo entreposto comercial português na rota para a Índia e como testemunho da junção de diversas influências, tais como a árabe, indiana, africana e europeia. A ilha foi a capital portuguesa da África Oriental até 1898.[95]

Ilha de Moçambique

A sua posição estratégica no Oceano Índico tornou-a num importante ponto de passagem para as embarcações portuguesas a partir do final do século XV, após a chegada de Vasco da Gama em 1498. Desenvolveu-se o seu tecido urbano, que inclui arquiteturas de fortificação (tais como o Forte de São Sebastião) e edifícios religiosos e residenciais, com técnicas de construção locais e influências swahili.[96]

Brasília

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Palácio do Planalto, Brasília

Brasília é a capital do Brasil, localizando-se no Planalto Central. Foi uma cidade-membro da OCPM em situação regular, não detendo esse estatuo em 2026.[3] Foi inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1987 por representar um exemplo excecional do urbanismo modernista do século XX. A cidade foi projetada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, tendo sido construída entre 1956 e 1960 e representando uma realização artística singular no que toca ao planeamento urbano.[97]

Foi concebida de raiz para simbolizar o desenvolvimento do interior do Brasil. A cidade é composta por uma planta em forma de avião ou cruz, com setores residenciais, monumentais e administrativos rigorosamente organizados. Os edifícios mais conhecidos e icónicos, como o Palácio do Planalto, a Catedral e o Congresso Nacional, constituem notáveis exemplos da arquitetura modernista brasileira adaptada ao contexto tropical.[98]

Diamantina

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Diamantina

Diamantina localiza-se no estado de Minas Gerais, no Brasil, e foi uma cidade-membro da OCPM em situação regular, não usufruindo desse estatuto em 2026.[3] O seu centro histórico está inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO desde 1999. A cidade surge no século XVIII, durante o ciclo do diamante, e preserva um conjunto urbano e arquitetónico num vale rochoso e árido, com ruas sinuosas que seguem a topografia natural do terreno. A sua fundação está ligada à exploração de diamantes por Portugal, tendo sido um importante centro administrativo. O centro histórico engloba a arquitetura colonial barroca e elementos adaptados ao ambiente montanhoso, incluindo igrejas, casas habitacionais e outras estruturas. A inscrição como Património Mundial da UNESCO reconhece a sua adaptação e integração harmoniosa na paisagem selvagem.[99]

Catedral de Olinda

Olinda, pertencente ao estado de Pernambuco, no nordeste do Brasil, foi uma cidade-membro da OCPM em situação regular, não beneficiando dessa posição em 2026.[3] Tem o seu centro histórico classificado como Património Mundial pela UNESCO desde 1982. Foi fundada, por colonizadores portugueses, em 1535, em encostas com vista para o oceano Atlântico, perto do Recife. A cidade prosperou através do negócio do açúcar e preserva um conjunto urbanístico e paisagístico excecional. Foi reconstruída depois de ser saqueada por holandeses, no século XVII. Olinda destaca-se pelas suas igrejas barrocas (mais de vinte), edifícios religiosos e residências coloridas integradas em colinas. O centro histórico reflete a prosperidade da economia do açúcar e a influência portuguesa na construção urbana, encontrando-se uma arquitetura similar à dos centros históricos portugueses.[100]

Ouro Preto

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Ruas de Ouro Preto

Ouro Preto, no estado de Minas Gerais, no Brasil, foi uma cidade-membro da OCPM em situação regular, não detendo esse estatuto em 2026.[3] Foi também a primeira cidade brasileira inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO, em 1980, tendo sido destacada como um “tesouro do génio humano”. Fundada no final do século XVII, durante o ciclo do ouro, a cidade foi um importante epicentro da busca por este mineral no século XVIII. Preserva bastantes exemplares da arquitetura barroca colonial devido ao isolamento económico que sofreu durante os séculos XIX e XX, após o esgotamento das minas de ouro. A cidade desenvolveu-se nas encostas da Serra do Espinhaço. É composta por igrejas, casas e monumentos que testemunham a riqueza do ouro e as capacidades de artistas, tais como o escultor Aleijadinho. O seu centro histórico é um exemplo do urbanismo adaptado a terreno irregular.[101]

Salvador, também designada por Salvador da Bahia, é a capital do estado da Bahia, no Brasil, e integrou OCPM em 1993 , não usufruindo do estatuto de "situação regular" em 2026.[3] Integra também a rede de Cidades Criativas da Música da UNESCO.[102]

Foi fundada em 1549, por colonizadores portugueses, tendo sido a primeira capital do Brasil. Foi um importante centro cultural, comercial e administrativo durante o período de colonização portuguesa. O seu centro histórico, com especial importância do Largo do Pelourinho (que compreende um conjunto de edifícios de arquitetura renascentista e igrejas barrocas, tal como o Convento de São Francisco) foi inscrito na Lista de Património Mundial da UNESCO em 1985.[103]

Largo do Pelourinho, Salvador

São Luís

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São Luís é a capital do estado do Maranhão e localiza-se na Ilha de São Luís, no Brasil, tendo sido uma cidade-membro da OCPM em situação regular (estatuto do qual não beneficia em 2026).[3] Foi fundada por franceses, em 1612, e denominada Saint-Louis (em homenagem a Luís XIII). Posteriormente, esteve sob domínio holandês e acabou por ser integrada nos territórios portugueses. O seu centro histórico está inscrito na lista de Património Mundial da UNESCO desde 1997.[104]

Catedral de São Luís do Maranhão

O seu edificado denota uma forte presença da arquitetura típica portuguesa, adaptada às condições equatoriais, com destaque para a predominância do uso do azulejo. O centro histórico apresenta um traçado regular projetado no século XVII pelo engenheiro português Francisco Frias de Mesquita.[105]

Ver também

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Referências

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Ligações externas

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