Poção (Pernambuco)

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Município de Poção
""Capital da Renda Renascença", "Acaí""
Praça Monsenhor Estanislau Ferreira de Carvalho

Praça Monsenhor Estanislau Ferreira de Carvalho
Bandeira de Poção
Brasão de Poção
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 29 de dezembro de 1952
Fundação 7 de setembro de 1871
Gentílico poçãoense
Prefeito(a) José Waldeilson Galindo Bezerra (PSB)
Localização
Localização de Poção
Localização de Poção em Pernambuco
Poção está localizado em: Brasil
Poção
Localização de Poção no Brasil
08° 11' 09" S 36° 42' 18" O08° 11' 09" S 36° 42' 18" O
Unidade federativa  Pernambuco
Mesorregião Agreste Pernambucano IBGE/2008[1]
Microrregião Vale do Ipojuca IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Pesqueira ao sul e oeste, São João do Tigre (PB) ao norte, Jataúba ao nordeste e Belo Jardim ao leste
Distância até a capital 244 km
Características geográficas
Área 199,742 km² [2]
População 11 265 hab. estatísticas IBGE/2015[3]
Densidade 56,4 hab./km²
Altitude 1.000 m
Clima Temperado[4] Cs'a
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,528 baixo PNUD/2010[5]
PIB R$ 59 353 mil IBGE/2012[6]
PIB per capita R$ 5 381 50 IBGE/2012[6]
Página oficial

Poção é um município brasileiro do estado de Pernambuco. Administrativamente, o município é composto pelo distrito sede e pelos povoados de Pão-de-Açúcar de Poção e Gravatá dos Gomes.

História[editar | editar código-fonte]

As terras de Poção figuravam, em 1832, no espólio do capitão-mor Francisco Xavier Pais de Melo Barreto, que residiu na fazenda Poço dos Patos, no antigo termo de Cimbres, localizada à margem da atual estrada que liga Pesqueira a Poção. A fundação de Poção deu-se em 1871, pelo padre Monsenhor Estanislau Ferreira de Carvalho, ao erigir a capela de Nossa Senhora das Dores em terreno do patrimônio doado por Francisco José Bezerra, a quem coube a iniciativa de construir a primeira casa nas imediações de um grande poço, de onde adveio o nome da localidade – Poção. Pela Lei Provincial nº 1.230, de 24 de abril de 1876, foi classificado como distrito de paz, da comarca de Cimbres (hoje Pesqueira).

Em 4 de março de 1893, através de lei municipal, obteve as prerrogativas de distrito, entendido como unidade jurídica e administrativa do município autônomo de Cimbres, sediado em Pesqueira. A categoria de vila foi conferida a Poção, como às demais sedes de distritos da época, através da Lei Estadual nº 991, de 1º de julho de 1909. Em 1924, a atual cidade de Poção teve seu nome mudado para Sérgio Loreto, em homenagem ao então governador, que construiu a rodovia ligando a vila "acaiense" à sede municipal da época. Essa denominação permaneceu por seis anos, até que o governo instaurado com a revolução de 30 decidiu fazer retornar o nome anterior. Algumas tentativas houve no sentido de o nome Acaí substituir Poção, sem êxito, embora contasse com a simpatia da população local. O município de Poção foi criado em 29 de dezembro de 1953, desmembrado do de Pesqueira, tendo como sede a vila do mesmo nome, através da Lei Estadual nº 1.818, a mesma que criou a comarca. A instalação ocorreu em 22 de maio de 1954. O Decreto-Lei Estadual nº 61, de 5 de agosto de 1969, extinguiu a comarca de Poção, que passou a termo da comarca de Pesqueira.

Aspectos culturais e turísticos[editar | editar código-fonte]

Renda Renascença[editar | editar código-fonte]

O principal atrativo de Poção é a produção da Renascença, renda de origem europeia, tecida em almofada e cujas aplicações se prestam ao adorno das mais diversas peças. Trazida ao Brasil pelos portugueses e ensinada no Recife em colégios internos e conventos, a Renascença chegou a Poção na década de 30, pelas mãos de uma senhora famosa na cidade, Maria Pastora. Essa atividade artesanal, assumida pela grande maioria da população como meio de vida, pode ser facilmente encontrada na Cooperativa Arte Rendas e na feira popular, realizada aos sábados. Poção é o maior produtor de renda renascença do Brasil.[7] A renda é exportada para diversos estados brasileiros e exportadas para sete países da América, Europa e Ásia. No dia 22 de agosto de 2011, o governador do estado Eduardo Campos através da lei Nº 14.365 de mesma data, conferiu ao município de Poção o título de Capital da Renascença. Seguindo-se dia 7 de setembro, em meio ao aniversário de fundação da cidade e da independência do Brasil, na Câmara de Vereadores houve o lançamento do selo postal comemorativo do título de Capital da Renascença com a presença de Raimundo Malheiros, gerente regional de vendas dos Correios de Caruaru, representando a Diretoria Regional dos Correios.

Cruzeiro de Poção[editar | editar código-fonte]

O turismo religioso está presente em Poção, sobretudo durante a Semana Santa, quando milhares de romeiros visitam o seu Centro de Instrução Bíblica, Cruzeiro de Poção (Pernambuco). Situado em uma área de três hectares, o Centro une a paisagem natural, privilegiada em mirantes e arborização, aos mais variados símbolos e elementos religiosos, a exemplo do Cruzeiro e dos nichos alusivos às estações da Via Sacra - compondo um espaço essencialmente místico.

O terreno do Cruzeiro foi comprado a Manuel Félix de Sousa, no dia 13 de maio de 1932, cujo valor foi de cem mil reis. No dia 31 de outubro do mesmo ano, uma sexta-feira por volta das 3 horas da tarde, a comunidade religiosa de Poção em procissão; e da cidade até o monte se conduzia uma cruz de madeira que fora colocada no Alto das Bem-Aventuranças. O vigário da freguesia era o franciscano Frei Estêvão e o bispo da diocese era Dom José de Oliveira Lopes, que ordenou a bênção da cruz pelos missionários Frei Bernardo e Frei Egídio. Em 1936 neste local é celebrada a primeira missa pelo Frei Eudorico. No ano de 1964, o primeiro delegado e subtenente de Poção, João Cordeiro, foi ao leste da cidade conduzindo o povo católico e pediu que se fizesse a limpeza em torno da cruz, logo após construíram uma estrada de acesso ao monte.

Pátio da Crucificação de Cristo, Cruzeiro de Poção (Pernambuco).

Em 1960, vindo da cidade de Mossoró - Rio Grande do Norte, tomou posse da paróquia de Nossa Senhora das Dores o frade alemão Frei Henrique Bröoker, que a 13 de junho de 1961 mandou murar de pedra e tijolos os três hectares onde se localiza o santuário, assim dando início a obras sociais e culturais (Centro de Instrução Bíblico Visual - PRESÉPIO - CRUZ - TABERNÁCULO) conhecido por Cruzeiro de Poção. Passaram-se dez anos e a obra estava praticamente concluída com recursos oriundos da Alemanha, mas precisamente da família, dos parentes e amigos bem feitores de seu idealizador, que quando em Poção (Pernambuco) chegou, olhou para o monte e disse: "Aqui realizarei os meus sonhos". Em 1962 o precursor da obra passou suas ideias ao pintor Frugel, também alemão, e este elaborou estampas retratando cenas bíblicas. Elas foram enviadas a São Paulo ao escultor Edgar Martins Bender, que as transformou em estátuas e painéis de tamanho natural que enobrece uma obra ímpar no Mundo.

O Centro Bíblico Visual atrai turistas religiosos e reúne mais de 50 mil pessoas no Domingo de Ramos todos os anos no Cruzeiro de Poção. Embora o Frade fosse avesso ao turismo e tenha espalhado alguns avisos nesse sentido dentro do centro, não há como não se encantar com a beleza do lugar. De propriedade da Igreja Católica, o lugar sobrevive com a taxa simbólica de manutenção cobrada aos visitantes. Repleta de imagens que retratam passagens bíblicas, a área tem mais de 2.500 metros quadrados e muita vegetação reservada, conferindo uma beleza especial e um convite à contemplação e meditação. No ano de 2007, o Cruzeiro de Poção chegou a ser finalista para o título de uma das 7 maravilhas de Pernambuco, numa consulta realizada pelo sistema Jornal do Commercio aos pernambucanos [8].

Museu Frei Henrique Bröoker[editar | editar código-fonte]

Imagem do Frei Otto Henrique Bröoker, construtor do Cruzeiro de Poção (Pernambuco).

A paróquia de Nossa Senhora das Dores, de Poção (Pernambuco), mantém nas proximidades do Cruzeiro de Poção uma residência paroquial que funciona como museu do Frei Henrique Bröoker, construtor do Cruzeiro de Poção. O museu possui móveis, roupas, discoteca, fotografias, cartas de correspondência, objetos sacros, jornais com registros da construção do Cruzeiro de Poção além de outros objetos pessoais do Frade. O museu não possui horários fixos de funcionamento e a permissão da entrada fica sujeita a aceitação da paróquia. O local é um marco importante para o resgate da história do município, visto que o Frei Henrique Bröoker foi uma personalidade marcante para religiosos e populares da região, deixando grandes legados, como o próprio Cruzeiro de Poção, as bases que fundamentaram o "Domingo de Ramos de Poção", tida como um dos maiores eventos religiosos do estado de Pernambuco atraindo milhares de romeiros e turistas todos os anos. O frei Henrique concebeu ainda em Poção a manifestação cultural do "Bailado", que é composto por crianças que dançam e cantam numa espécie de "ciranda" todos os anos na noite de Natal, esse tipo expressão contém vestes e acessórios específicos para essa manifestação, além da própria influencia alemã do Frei Henrique nas canções e gestos, que na época se utilizava de violoncelo e violão nessas apresentações. Além disso, a influencia do Frei Henrique se estende aos trabalhos humanitários e sociais realizados na evangelização, como doações de camas, colchões, cestas básicas e até casas para as famigerados da seca e da pobreza. Por possuir graduação em engenharia civil, coordenou a construção de várias residências e da Vila do Cruzeiro, com recursos advindos de doações de amigos e parentes, do Brasil e da Alemanha, sua terra natal.

Personalidades[editar | editar código-fonte]

O cantor e compositor Paulo Debétio, presenteando o então Ministro da Cultura, Juca Ferreira, com seus CDs "Pelas ruas da Lapa" e "Pelas ruas do Brasil".

O compositor e cantor brasileiro Paulo Debétio é natural desta cidade, a canção "Olinda (Recife)" faz referência ao percurso da capital pernambucana até Poção. O cantor pesqueirense Paulo Diniz também fez referência a Poção na canção "Capim da Lagoa". Outra personalidade natural de Poção é o Poeta, jornalista e advogado Audálio Alves, patrono fundador da 51ª cadeira da Academia de Letras e Artes do Nordeste.

Nascente do Rio Capibaribe[editar | editar código-fonte]

O rio que dá vida ao Recife nasce nesta cidade, no sítio Araçá, e inicia seu longo percurso em busca do mar. O entorno do atrativo é composto por vegetação rasteira, fruteiras, cultura de milho, feijão, hortaliça; arbórea densa formando uma mata com árvores de pequeno e médio porte de troncos finos e médios. Compõe também seu entorno, hidrófilas, que dão um toque singelo a nascente do Rio Capibaribe. Da sua nascente, o Rio Capibaribe inicia seu percurso passando pelos municípios de Jataúba, Santa Cruz do Capibaribe, Toritama, Cumaru, Salgadinho, Passira, Limoeiro, Feira Nova, Carpina, Paudalho, Chã de Alegria, São Lourenço da Mata e Camaragibe, desembocando em Recife no oceano.

Outros aspectos[editar | editar código-fonte]

Outros locais de visitação interessante são o Sítio Araçá, com casa de farinha em funcionamento, encontra-se original, construída em taipa com paredes e portas. Diferenciada das existentes na zona da mata, onde as construções são abertas, possui prensa, rodo, urupema, e tudo o que é preciso para o fabrico da massa de mandioca, goma, puba, beiju e farinha. Na cidade se encontra ainda a nascente do rio Capibaribe (que corta o Recife); Pedra da Venca, Cachoeira do Inverno e a Cachoeira do Cafundó, propícia aos banhos. Poção é também conhecido por suas fazendas de gado, pela realização de vaquejadas e pelo clima frio e agradável.

Nascente do Rio Capibaribe, sítio Araçá em Poção.

O seu centro urbano, típico das cidades do interior pernambucano, apresenta como destaque a igreja dedicada à padroeira, Nossa Senhora das Dores, construção imponente de alvenaria, de tijolo em calçada alta com planta retangular toda rebocada, durou setenta e dois anos para ser concluída. Possui uma escada de acesso com dez degraus. Seu frontispício é quadrangular com frontão triangular, encimado por uma pequena cruz em madeira. Tem duas torres sineiras, um pouco mais recuada da fachada. Cada torre tem um óculo e acima deste fica um belo campanário. A fachada principal tem três portas em madeira almofadada e três portas à altura do coro, que possuem guarda-corpos em ferro trabalhado. Seu interior é de nave única, possui coro todo em cimento com guarda-corpos feitos em pequenas colunas em madeira. Logo na entrada, à esquerda fica a pia batismal, com a imagem de São João, protegida por porta de madeira. Mais à frente duas pequenas capelas laterais, possuindo belos altares com imagens. O altar-mor é em madeira bem trabalhada, tendo no centro a imagem de Nossa Senhora das Dores, ladeada por dois nichos com a imagem do Sagrado Coração de Jesus e São João. Encontra-se em meio ao núcleo urbano, em frente à Praça Estanislau Ferreira de Carvalho, com seu coreto e canteiros floridos. Nela, a indicação do local onde existia o poço que deu origem ao povoamento e ao nome do município.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 08º11'11" sul e a uma longitude 36º42'18" oeste, estando a uma altitude de 1000 metros. Sua população estimada em 2007 era de 11 135 habitantes. Possui uma área de 212 km².

Limites[editar | editar código-fonte]

  • Sul/Oeste: Pesqueira
  • Norte: São João do Tigre (Estado da Paraíba)
  • Leste: Belo Jardim
  • Nordeste: Jataúba

Relevo[editar | editar código-fonte]

O município encontra-se localizado no Planalto da Borborema. A cidade tem uma altitude média de 1.000m, e é considerada a segunda cidade mais alta de Pernambuco.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O município de Poção está nos domínios das Bacias Hidrográficas dos rios Ipojuca e Capibaribe. Os principais tributários são o rio Ipojuca e o Riacho Poção. Todos os cursos d'água no município são intermitentes. A barragem Duas Serras é a maior acumulação de água do município, com capacidade de 2.200.000 m³. O rio Capibaribe nasce neste município.

Clima[editar | editar código-fonte]

Dados climatológicos para Poção
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 26,2 25,8 24,8 24,1 21,9 20,6 20,5 21,7 23,8 26,1 26,4 26,4 24,0
Temperatura média (°C) 21,1 20,9 20,6 20,0 18,8 17,5 16,8 17,2 18,3 20,2 21,1 21,3 19,5
Temperatura mínima média (°C) 17,7 18,1 18,2 18,3 17,3 15,9 14,8 14,1 14,7 15,7 16,4 16,9 16,5
Precipitação (mm) 60,2 77,2 152,4 129,8 67,6 85,4 81,1 31,0 20,8 9,5 16,2 22,5 762,8
Fonte: Departamento de Ciências Atmosféricas da UFCG (temperaturas e umidade relativa; 1911-1990).[9][10][11][12]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação nativa é formada por florestas subcaducifólica e caducifólica, próprias do Agreste.

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010. 
  3. «Estimativa Populacional 2015» (PDF). Estimativa Populacional 2015. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). agosto de 2015. Consultado em 28 de agosto de 2015. 
  4. «Diagnóstico do Município de Poção» (PDF). 
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 01 de outubro de 2013. 
  6. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2012». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. de 2014. 
  7. «Poção, a cidade e suas rendas. Diário de Pernambuco, 31 de julho de 2008.». 
  8. «As 7 Maravilhas de Pernambuco. Sistema Jornal do Commercio.». 
  9. «TEMPERATURA MÁXIMA MENSAL E ANUAL DE PERNAMBUCO». Universidade Federal de Campina Grande. Arquivado desde o original em 6 de março de 2015. Consultado em 5 de março de 2015. 
  10. «TEMPERATURA COMPENSADA MENSAL E ANUAL DE PERNAMBUCO». Universidade Federal de Campina Grande. Arquivado desde o original em 5 de março de 2015. Consultado em 5 de março de 2015. 
  11. «TEMPERATURA MÍNIMA MENSAL E ANUAL DE PERNAMBUCO». Universidade Federal de Campina Grande. Arquivado desde o original em 5 de março de 2015. Consultado em 5 de março de 2015. 
  12. «Estado: Pernambuco - Umidade Relativa do Ar». Universidade Federal de Campina Grande. Arquivado desde o original em 5 de março de 2015. Consultado em 27 de outubro de 2014. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Fontes[editar | editar código-fonte]

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