Bradypus torquatus

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Bradypus torquatus fotografada no Espírito Santo.

Bradypus torquatus fotografada no Espírito Santo.
Estado de conservação
Status iucn3.1 VU pt.svg
Vulnerável
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Infraclasse: Placentalia
Superordem: Xenarthra
Ordem: Pilosa
Família: Bradypodidae
Género: Bradypus
Espécie: B. torquatus
Nome binomial
Bradypus torquatus
Illiger, 1811
Distribuição geográfica
Distribuição da preguiça-de-coleira.
Distribuição da preguiça-de-coleira.
Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Bradypus torquatus

Bradypus torquatus Ill., popularmente chamado preguiça-de-coleira, aipixuna[1], aí-igapó, aí-pixuna e preguiça-preta, é uma preguiça-de-três-dedos, endêmica na Mata Atlântica, no Brasil, principalmente nos estados da Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Tais animais, ameaçados de extinção, medem cerca de 50 cm de comprimento. Têm pelagem castanha e nuca com longos pelos negros, formando uma espécie de crina.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Preguiça-de-coleira" e "preguiça-preta" são referências à mancha escura em sua nuca, que se assemelha a uma coleira. "Aipixuna" e "aí-pixuna" vêm da junção dos termos tupis a'i, "bicho-preguiça"[2] e pi'xuna, "preto"[3].

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

É uma espécie endêmica do Brasil e o único bioma em que é encontrada é a Mata Atlântica, incluindo os estados da Bahia, Espirito Santo, Rio de Janeiro, Sergipe e provavelmente, no extremo nordeste de Minas Gerais. Possuem uma área de vida de 0.5 a 6 hectares, com densidades populacionais estimadas de 0.1 a 1.25 por hectare.

Descrição[editar | editar código-fonte]

A preguiça-de-coleira mede de 45 a 75 cm de comprimento, com a cauda medindo em torno de 5 cm; seu peso costuma variar de 4 a 10kg. A pelagem do corpo dos adultos é marrom-acinzentada e apresenta uma mancha de pelos negros ao redor da região do pescoço, sendo esta a origem de seu nome popular. Os filhotes e juvenis apresentam pelagens que variam do branco ao marrom-claro, sendo ausente a mancha característica da espécie. Nos machos adultos, a pelagem preta que contorna o pescoço é mais densa no meio do dorso e mais longa que a das fêmeas. A coloração deste e das demais espécies de preguiça podem ficar esverdeadas devido à presença de algas simbiontes que vivem em suas pelagens.[4]

O crânio possui um longo bico mandibular prédental, os flanges pterigóides são alongados, e os seios pterigóideos são inflados, a nasofaringe anterodorsal tem mais de um par de forames; os dentes são comprimidos anteroposteriormente. Possuem cinco molares superiores, quatro molares inferiores, além da ausência de incisivos, caninos e pré-molares.[5] Como todas as outras preguiças, a Bradypus torquatus tem muito pouca massa muscular em comparação com outros mamíferos seu tamanho. É essa massa muscular reduzida que permite que ela se pendure em galhos mais finos. As preguiças-de-coleira não apresentam grande dimorfismo sexual, fazendo com que nem sempre seja possível diferenciar os sexos apenas através de morfologia externa.[6]

Ecologia e comportamento[editar | editar código-fonte]

A espécie possui hábitos arborícolas, e estilo de vida solitário, com exceção do período de reprodução e da mãe com seu filhote. Os indivíduos dessa espécie apresentam grandes áreas de vida, podendo alcançar até 6 hectares.[4] A existência de sobreposição entre as áreas de vida de diferentes preguiças indica que são animais não territoriais. Sua atividade pode ser noturna ou diurna, havendo grande variação individual quanto ao período de maior atividade.

A Bradypus torquatus raramente desce das árvores porque quando em uma superfície nivelada são incapazes de ficarem de pé e andar, somente podendo arrastar-se junto com suas patas e garras dianteiras. Elas descem para o nível do solo apenas para defecar ou para mover-se entre as árvores quando não podem fazê-lo através dos ramos. As defesas principais da preguiça são permanecer imóveis e atacar com suas garras. Possuem grande capacidade de natação.

Hábitos alimentares[editar | editar código-fonte]

Assim como a maioria das preguiças a Bradypus torquatus gasta de 60-80% de seu dia dormindo, com o restante dividido mais ou menos igualmente entre forrageio e movimentação.[7] Alimentam-se principalmente de folhas, com preferência para os mais jovens, sendo que flores e frutos raramente são consumidos.[4] Assim como as demais espécies de preguiça a preguiça de coleira não bebe água, e precisa absorver a água necessária para a sua sobrevivência das folhagens que come.

Reprodução e ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

O período de gestação é desconhecido, mas ao que tudo indica deve ser semelhante às demais espécies do gênero, ou seja, em torno de seis meses. O período de cópula é entre setembro e novembro, com as fêmeas parindo apenas um filhote por gestação. O período de amamentação dura de dois a quatro meses. Com duas semanas de vida, o filhote já é capaz de consumir folhas. Os jovens deixam a mãe entre nove e onze meses de idade e atingem a maturidade sexual com cerca de 3 anos.[6] Embora seu tempo de vida não tenha sido estudado em detalhes, sabe-se que eles podem viver pelo menos doze anos.[6]

Conservação[editar | editar código-fonte]

É considerada uma espécie vulnerável pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. A ocorrência desta espécie de preguiça somente em alguns remanescentes de Mata Atlântica no Brasil, aliada à fragmentação e a destruição deste habitat pela ação antrópica, vem aumentando seu risco de extinção. Conforme a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN (2010), a espécie está classificada na categoria “em perigo”. As principais ameaças para a conservação da espécie são o desmatamento para a produção de carvão vegetal, plantações e pastagens de gado, a caça ilegal, a fragmentação de habitats leva a uma variabilidade genética reduzida, e devido ás grandes dimensões de áreas de vida fragmentos comumente não apresentam indivíduos suficientes para manter populações viáveis.

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 383
  2. NAVARRO, E. A. Método Moderno de Tupi Antigo. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo: Global, 2005. p.20
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.71
  4. a b c Hayssen, V. (2009). «Bradypus torquatus (Pilosa: Bradypodidae)». Espécies de Mamíferos. 829: 1–5. doi:10.1644/829.1 
  5. Azarias, Rose E. G. R. (2005). Morfologia dental da preguiça-de-coleira (Tese de Doutorado). Universidade de São Paulo 
  6. a b c Lara-Ruiz, P. & Chiarello, A.G. (2005). «Traços de história de vida e dimorfismo sexual da preguiça-de-coleira da Mata Atlântica Bradypus torquatus (Xenarthra: Bradypodidae)». Jornal de Zoologia. 267 (1): 63–73. doi:10.1017/S0952836905007259 
  7. Chiarello, A.G. (1998). «Activity budgets and ranging patterns of the Atlantic forest maned sloth». Journal of Zoology. 246 (1): 1–10. doi:10.1111/j.1469-7998.1998.tb00126.x 
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