Reconhecimento internacional da independência de Abecásia e Ossétia do Sul

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Localização da Abcázia e da Ossétia do Sul (ambas hachuradas, entre a Rússia e a Geórgia)

A declaração russa de reconhecimento das independências da Abcázia (ou Abcásia) e da Ossétia do Sul se deu em 26 de agosto de 2008, quando o então presidente da Rússia, Dmitri Medvedev (hoje, primeiro-ministro do país), reconheceu oficialmente a independência das duas autoproclamadas repúblicas. Tanto a Abcázia (também chamada Abcásia; em inglês, Abkhazia) quanto a Ossétia do Sul são internacionalmente reconhecidas como partes da República da Geórgia, que não reconheceu nem aceita o movimento separatista dos abcázios e sul-ossetas. À época, a declaração agravou a crise entre Rússia e Geórgia, que no momento se encontravam em guerra.[1]

Embora outros países, como Cuba, Tadjiquistão e a Belarus (antiga Bielorrússia) também tenham afirmado, em 2008, apoiar o reconhecimento por Moscou das duas regiões separatistas,[2] atualmente (em 2015), apenas 4 (quatro) países-membros da ONU reconhecem a independência da Abcázia e da Ossétia do Sul: a própria Rússia, a Venezuela, a Nicarágua e Nauru.

O Brasil, Portugal e os demais países lusófonos não reconhecem a Abcázia nem a Ossétia do Sul como países independentes, considerando-os, em vez disso, partes integrantes do território da Geórgia.

O reconhecimento por país[editar | editar código-fonte]

Estados sem posição oficial até o momento.

Países que reconheceram[editar | editar código-fonte]

  • Nicarágua: Seguindo o polêmico exemplo da Rússia, a Nicarágua reconheceu a independência das regiões separatistas georgianas, e na noite de 2 de setembro o presidente Daniel Ortega acusou Tbilisi de agir de forma "nazista" ao tentar reassumir o controle desses territórios com apoio dos EUA.[3]
  •  Rússia: O país já reconheceu as províncias, causando forte desgaste diplomático, principalmente com o Ocidente.[4]
  •  Venezuela: Após dar apoio à atitude russa e acusar os EUA de promover a guerra do Cáucaso,[5] a Venezuela reconheceu a independência das regiões.[6]
  • Nauru - Em 16 de dezembro de 2009, Nauru reconheceu a independência da região.[7]
  •  Tuvalu - Em 19 de setembro de 2011, Tuvalu reconheceu a independência da região, mas em 2013 retirou seu reconhecimento.[8]

Países que manifestaram apoio ao reconhecimento russo, mas não chegaram a reconhecer a Abcázia e a Ossétia do Sul[editar | editar código-fonte]

Países neutros[editar | editar código-fonte]

  •  Brasil: O ministro das relações exteriores, Celso Amorim, declarou a neutralidade brasileira e disse que o país está analisando tudo cuidadosamente.[13]
  •  China: A China declarou grande preocupação com a situação. Analistas acreditam que o país vá apoiar a Rússia na independência.[14]
  •  México: O governo mexicano expressou grande preocupação com a situação e pediu que ela seja resolvida de maneira pacífica, de acordo com as regras da ONU.[15]
  •  Vietnã: O país disse que o melhor modo para se resolver isso é "com uma política consistente para promover uma resolução pacífica de acordo com os princípios básicos da ONU".[16]

Países que se opuseram expressamente ao reconhecimento da Abcázia e da Ossétia do Sul[editar | editar código-fonte]

  •  Alemanha: A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou "absolutamente inaceitável" e "contrário ao direito internacional" o reconhecimento russo.[17]
  •  Canadá: O ministro das relações exteriores, David Emerson, declarou que o Canadá demonstra preocupação em relação ao reconhecimento da independência das repúblicas, e que apoia a integridade territorial da Geórgia.[18]
  • Costa Rica: Numa reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas a respeito da situação na Geórgia, o embaixador costa-riquenho se referiu às ações russas como o desmembramento de um Estado-membro da ONU pela força.[19]
  •  Dinamarca: O país declarou incondicional apoio à integridade territorial da Geórgia.[20]
  •  Estados Unidos: A chefe da diplomacia norte-americana, Condoleezza Rice, por seu lado, considerou "extremamente infeliz" o reconhecimento, afirmou também que os Estados Unidos continuam a considerar a Abecásia e a Ossétia do Sul como "parte (integrante) das fronteiras da Geórgia internacionalmente reconhecidas" e que usarão o seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para bloquear qualquer tentativa russa de alterar esse estatuto.[17]
  •  Estónia: A Estónia condenou firmemente a Rússia, dizendo que o país atrapalhou "a estabilidade regional da Europa e que a Estónia, como toda a OTAN e a União Europeia apoiam firmemente a integridade territorial georgiana".[21]
  •  França: A França, que ocupava no segundo semestre de 2008 a presidência da UE, havia classificado anteriormente de "decisão lamentável" o reconhecimento pela Rússia desta independência e lembrou seu "respeito à integridade territorial" da Geórgia.[22]
  •  Israel: O país informou que "reconhece a integridade territorial da Geórgia." [23]
  •  Geórgia: A Geórgia condenou a Rússia firmemente pelo feito e rompeu as relações diplomáticas com o país, fechando suas embaixadas e chamando os embaixadores de volta.[24]
  •  Japão: O então primeiro-ministro do pais, Taro Aso, disse que o Japão está preocupado e afirmou que a Rússia deve se responsabilizar pelos ocorridos.[25]
  •  Moldávia: Por conta de seus interesses na região da Transnístria o governo do país afirmou que não reconhecerá as regiões.[26]
  •  Portugal: O país declarou o seu "total apoio à integridade territorial da Geórgia", rejeitando de forma alguma o reconhecimento das regiões. [27]
  • Flag of Spain.svg Espanha: A Espanha, que também tem problemas separatistas, rejeita firmemente o reconhecimento das regiões e dá "total apoio à integridade territorial da Geórgia."
  •  Reino Unido: O primeiro-ministro britânico disse: "Nós estamos pedindo um cessar-fogo imediato para o confronto na Ossétia do Sul e pedindo uma retomada direta do diálogo entre as partes." [28]
  •  República Checa: O país, que presidiu à UE no primeiro semestre de 2009, apoia a integridade territorial da Geórgia e a reconstrução de todo o país durante a reunião de cúpula comunitária extraordinária que será realizada.[29]
  •  Sérvia: O presidente Boris Tadić disse: "A Sérvia não vai reconhecer os denominados novos países."[30]

Organizações internacionais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Rússia considera independência da Ossétia e Abecásia
  2. Belarus se prepara para reconhecer a Abkházia e a Ossétia do Sul
  3. Nicarágua reconhece independência de Ossétia do Sul e Abkházia
  4. Rússia reconhece a independência da Ossétia do Sul e Abkhazia
  5. Venezuela acusa EUA de promover guerra do Cáucaso enaltecendo actuação da Rússia
  6. «Chávez anuncia reconhecimento da Abecásia e da Ossétia do Sul» (em português europeu). Euronews. 10 de setembro de 2009. Consultado em 12 de setembro de 2009 
  7. Республика Науру признала независимость Южной Осетии (A República de Nauru reconheceram a independência da Ossétia do Sul)
  8. Lenta.ru: б.СССР: Острова Тувалу признали Южную Осетию (As ilhas de Tuvalu reconheceu a Ossétia do Sul)
  9. Líder bielo-russo justifica reconhecimento pela Rússia de regiões georgianas
  10. Cuba diz que já reconhece regiões desde o fim da URSS
  11. Ossétia do Sul e Abecásia pedem formalmente a independência
  12. Tajikistan urges Russia, Georgia to solve conflict through political, diplomatic means
  13. Brasil vê com preocupação conflito na Ossétia
  14. China e Ocidente expressam preocupação
  15. México demonstra preocupação com o ocorrido
  16. Vietnã defende solução pacífica para o conflito
  17. a b c NATO rejeita reconhecimento da Ossétia e Abkházia
  18. Declaração do ministro Emerson sobre a situação na Geórgia
  19. Costa Rica condena firmemente a Rússia
  20. Líderes europeus condenam a Rússia
  21. Reação da Estônia
  22. França consulta UE para condenar reconhecimento russo de Abkházia e Ossétia
  23. Reação de Israel
  24. Geórgia rompe relações diplomáticas com a Rússia
  25. Japan voices "grave concern" over Russia's recognition of rebel regions
  26. Moldova rejects recognition of Georgian regions
  27. Governo português acompanha "com preocupação" crise no Cáucaso
  28. Grã-Bretanha
  29. Praga apoiará integridade territorial e reconstrução da Geórgia
  30. Serbia Won’t Recognise Georgia Regions

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]