Regência verbal

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A regência verbal é a relação sintática de dependência que se estabelece entre o verbo — termo regente — e o seu complemento — termo regido. A regência determina se uma preposição é necessária para ligar o verbo a seu complemento.

Os termos, quando exigem a presença de outro chamam-se regentes ou subordinantes; os que completam a significação dos anteriores chamam-se regidos ou subordinados.

Quando o termo regente é um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), ocorre a regência nominal. Quando o termo regente é um verbo, ocorre a regência verbal.

Na regência verbal, o termo regido pode ser ou não preposicionado. Na regência nominal, ele é obrigatoriamente preposicionado.

Definição[editar | editar código-fonte]

Regência - Relação entre as palavras de uma oração ou entre as orações de um período

Reger - 1 Administrar, dirigir, governar 2 Conduzir, guiar 3 Lecionar, ensinar 4 Subordinar - Na gramática

Exemplos[editar | editar código-fonte]

Agradar[editar | editar código-fonte]

a) Com sentido de acariciar: transitivo direto

Ele sempre agradava a namorada quando se encontravam.

b) Com sentido de satisfazer, ser agradável: transitivo indireto.

As mudanças que fizemos na loja agradou aos consumidores.

Aspirar[editar | editar código-fonte]

a) Quando tem o sentido de sorver, tragar, inspirar: transitivo direto

Ele aspirou toda a poeira.

b) Quando tem o sentido de pretender, desejar, almejar: transitivo indireto ( necessita do uso da preposição a)

O jogador aspirava a uma falta.

Obs.: Quando o verbo aspirar for transitivo indireto, não se admite a substituição da preposição (a) pelas formas oblíquas átonas lhe ou lhes. Deve-se-á usar em seu lugar as formas oblíquas tônicas (a ele, a ela, a eles ou a elas).

Obs.: Quando o verbo aspirar vier acompanhado por (àquele ou àquela), o à craseado terá função de preposição, transformando assim o verbo em transitivo indireto.

Assistir[editar | editar código-fonte]

a) Quando tem sentido de ver: transitivo indireto

Eu assisti ao jogo.

Obs: Não se admite a substituição da preposição (a) por lhe ou lhes. Deve-se-á usar em seu lugar (a ele, a eles, a ela ou a elas).

b) Quando tem sentido de morar, residir: transitivo indireto (exige-se a preposição em).

Eu assisto em São Paulo

c) Quando tem sentido de ajudar: verbo transitivo direto ou indireto (indiferentemente).

O médico assistiu o doente/ ao doente.

d) Quanto tem sentido de pertencer, caber (direito a alguém), dizer respeito a: transitivo indireto

Não lhe assiste o direito de escolher agora.

Atender[editar | editar código-fonte]

a) Se o complemento for pessoa: transitivo direto ou indireto.

O professor atendeu os/aos alunos. (O professor os atendeu)

b) Se o complemento for coisa: transitivo direto. Modernamente já é aceito o complemento direto para coisa.

Quem vai atender o/ao telefone?

Chamar[editar | editar código-fonte]

a) Quando significa convocar, fazer vir: transitivo direto.

Ela chamou minha atenção.

b) Quando tem o significado de invocar, pedir auxílio ou atenção: transitivo indireto.

Ele chamava por seus poderes.

c) Com o sentido de apelidar ele pode ou não necessitar de preposição: transitivo direto ou transitivo indireto.

Chamaram-no medroso.

Chamaram-no de medroso.

Chegar/ir[editar | editar código-fonte]

Estes e outros verbos de movimento são tradicionalmente regidos pela preposição a.

Vou ao dentista.
Cheguei a Belo Horizonte.

Em português brasileiro vernáculo, esse uso é raro. É extremamente comum que tais verbos sejam regidos pelas preposições para e em. Estes usos são diferentes da norma-padrão, porém, pesquisas mostram que eles provêm de usos que já existiam desde o latim antigo, e é possível encontrar esse tipo de utilização em textos escritos até mesmo antes da colonização do Brasil por Portugal.

Comunicar[editar | editar código-fonte]

Eu COMUNICO ALGO A ALGUÉM pois neste caso a ênfase cai sobre a coisa em detrimento da pessoa

Comunicamos ao proprietário a nossa decisão.

Cientificar[editar | editar código-fonte]

Eu CIENTIFICO ALGUÉM DE ALGO pois neste caso a ênfase cai sobre a pessoa em detrimento da coisa

Cientifiquei o réu da sentença.

Implicar[editar | editar código-fonte]

a) com o sentido de não estar de acordo, discordar de: transitivo indireto

A irmã todo dia vive implicando com seu irmão mais novo.

b) com o sentido de acarretar, ter como consequência, originar, pressupor: transitivo direto

Dirigir sem carteira implica multa.

c) com o sentido de envolver: transitivo direto e indireto

Ele se implicou em tráfico de influência.

Morar/residir[editar | editar código-fonte]

Normalmente vêm introduzidos pela preposição em.

-Ele mora em Guarapirópolis dos alferes.

-Maria reside em Santa Catarina.

Namorar[editar | editar código-fonte]

Não se usa "com" como preposição.

Beatriz namora Ricardo.
Joana namora Antônio. (em vez de: Joana namora com Antônio)
Symbol comment vote.svg A grafia António é aceita em Portugal, assim como o feminino Antónia (a forma Antônia é usada no português brasileiro)

Obedecer/desobedecer[editar | editar código-fonte]

Exigem a preposição a.

As crianças obedeceram aos pais.
O aluno desobedeceu ao professor.

Obs.: Mesmo sendo verbo transitivo indireto, ele pode ser usado na voz passiva.

Responder[editar | editar código-fonte]

É transitivo direto quando a resposta é direta.

Ele respondeu que iria à reunião.

É transitivo indireto quando a resposta é indireta.

Ele respondeu ao questionário (ou respondeu ao seu tio).

É transitivo direto e indireto quando a resposta é dupla.

Ele respondeu sim ao referendo pela Paz.

É transitivo indireto com a preposição por no sentido de ser responsabilizado ou submetido a um processo.

Respondi por meus crimes.

É intransitivo no sentido de ser respondão ou grosseiro.

Seja educado e não responda!

Simpatizar/antipatizar[editar | editar código-fonte]

Exigem a preposição com.

Simpatizo com Lúcio.

Ver[editar | editar código-fonte]

O verbo ver é transitivo direto, por isso não necessita de preposição.

Ele veria muitos filmes em cartazes.
Vi um documentário interessante.

Visar[editar | editar código-fonte]

a) no sentido de mirar, apontar: transitivo direto

Ele visou o alvo.

b) no sentido de pôr o visto: transitivo direto

Visei o documento.

c) no sentido de pretender, ter em vista: transitivo indireto. Modernamente já se aceita o complemento direto

Visarei ao/o lucro.

Visando à construção de novas sedes, precisamos de mais informações.

Suceder[editar | editar código-fonte]

a) No sentido de substituir; vir depois: transitivo indireto.

Os atuais supermercados sucederam aos antigos armazéns.

b) no sentido de ocorrer: intransitivo

Uma catástrofe sucedeu no México.
Nesse caso, é defectivo unipessoal, sendo conjugado na terceira pessoa do singular e do plural.

Ensinar[editar | editar código-fonte]

a) no sentido de educar: intransitivo.

O professor ensina bem.

b) no sentido de castigar, adestrar, educar: transitivo direto.

A experiência ensina os professores.

c) É verbo transitivo direto e indireto, admitindo objeto direto de coisa e indireto de pessoa.

Os professores ensinam os alunos a decorar.

Proceder[editar | editar código-fonte]

a) No sentido de iniciar; executar: transitivo indireto.

O delegado irá proceder à investigação.

b) no sentido de originar-se; ter fundamento; agir: intransitivo

Seu argumento não procede.
Sua família procede de Portugal.
Procedeu mal com sua irmã.

Precisar[editar | editar código-fonte]

a) No sentido de ser necessitado: intransitivo.

É pedinte porque precisa.

b) No sentido de marcar com precisão; calcular: transitivo direto.

O piloto precisou o lugar do pouso.
A auditoria precisará a quantia roubada.

c) no sentido de necessitar; carecer: transitivo indireto.

O cliente precisa de dinheiro para pagar a dívida.

Pagar / agradecer / perdoar[editar | editar código-fonte]

a) Coisa: transitivo direto

Paguei a fatura. / Perdoei o crime. / Agradeci o favor.

b) Pessoa: transitivo indireto

Paguei ao bancário. / Perdoei ao criminoso. / Agradeci a seu irmão.

c) Dois objetos: transitivo direto e indireto

Paguei a fatura ao bancário. / Perdoei o crime ao criminoso. / Agradeci o favor a seu irmão.

Consistir[editar | editar código-fonte]

É transitivo indireto, exigindo a preposição em.

Hipérbole é uma figura de linguagem que consiste em exagerar uma ideia com finalidade expressiva.

Reparar[editar | editar código-fonte]

a) No sentido de consertar, retificar: transitivo direto

O técnico reparou meu computador para ser usado.

b) No sentido de observar, notar: transitivo indireto

Repare na bagunça no quarto, preciso arrumar onde eu durmo.

Constar[editar | editar código-fonte]

a) No sentido de estar registrado, listado: transitivo indireto com preposição em ou de

Consta no VOLP a palavra clienta como feminino de cliente.

b) No sentido de ser composto: transitivo indireto com preposição de

Estes argumentos constam de premissas e proposições.

Desfrutar / Usufruir / Compartilhar[editar | editar código-fonte]

São transitivos diretos, apesar de serem muito usados como indiretos

Persuadir[editar | editar código-fonte]

a) No sentido de instigar; induzir a acreditar: transitivo direto e indireto.

Persuadi Flávia e Felipe das verdades divinas.
Persuadiu seus fumantes a deixar de fumar e beber.
"Persuadi o João e a Maria mas não me deram ouvidos ."

Faltar / Bastar / Restar[editar | editar código-fonte]

Podem ser transitivos indiretos ou intransitivos.

Muitos alunos faltaram hoje.

Basta uma explicação ao professor.

Resta a vocês contarem toda a verdade.

Pisar[editar | editar código-fonte]

Pode ser transitivo direto ou intransitivo. Quando for intransitivo, exigirá a preposição em, iniciando adjunto adverbial de lugar.

Pisei a grama para entrar em casa.

Não pise no tapete!

Prevenir[editar | editar código-fonte]

a) No sentido de evitar dano: transitivo direto

A precaução previne acontecimentos inesperados.

b) No sentido de avisar com antecedência: transitivo direto e indireto

Prevenimos os funcionários de que não haveria dinheiro nos caixas eletrônicos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikilivros
O wikilivro Português tem uma página sobre Regência verbal

Referências[editar | editar código-fonte]