Scyllarus arctus

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Como ler uma caixa taxonómicaScyllarus arctus
bruxinha, cavaco-anão
Scyllarus arctus 2 by Line1.jpg

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante  [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Subfilo: Crustacea
Classe: Malacostraca
Ordem: Decapoda
Família: Scyllaridae
Género: Scyllarus
Espécie: S. arctus
Nome binomial
Scyllarus arctus
(Linnaeus, 1758[2]
Sinónimos
  • Arctus arctus De Haan, 1849
  • Arctus crenulatus Bouvier, 1905
  • Arctus ursus Dana, 1852
  • Astacus arctus Pennant, 1777
  • Cancer Arctus Linnaeus, 1758
  • Cancer (Astacus) ursus minor Herbst, 1793
  • Chrysoma mediterraneum Risso, 1827
  • Nisto asper Sarato, 1885
  • Phyllosoma mediterraneum Hope, 1851
  • Phyllosoma sarniense Lukis, 1835
  • Phyllosoma parthenopaeum Costa, 1840
  • Scyllarus tridentatus Leach, 1814
  • Scyllarus cicada Risso, 1816
  • Scyllarus (Arctus) crenulatus Bouvier, 1915
  • Yalomus depressus Rafinesque MS in Holthuis, 1985

Scyllarus arctus (Linnaeus, 1758), conhecido pelos nomes comuns de bruxa, bruxinha, ferreirinha, cigarra-do-mar, santiago ou cavaco-anão (nos Açores), é um crustáceo da família Scyllaridae, aparentado com as lagostas, comum no Mediterrâneo e no leste do Atlântico Norte,[2] incluindo as costas europeias e norte-africana, desde a Grã-Bretanha[3] até à Mauritânia, e os arquipélagos da Macaronésia.[4] Apresenta grandes semelhanças com o cavaco (Scyllarides latus) com o qual é por vezes confundido.

Descrição[editar | editar código-fonte]

S. arctus atinge até 16 cm de comprimento (excluindo as antenas), apesar de serem mais comuns os espécimes com 5–10 cm de comprimento.

Tem carapaça de cor castanho-avermelhada, com zonas desprovidas de pêlos e com a orla recortada por pequenas incisões. Apresenta marcas vermelho-vivo na parte dorsal do abdómen e uma mancha castanho-escura, de bordos indefinidos, no centro de cada somito abdominal, com coloração mais acentuada na zona posterior do corpo. Os pereiópodes apresentam um anel azul escuro em torno de cada segmento.[5] Tem antenas aplanadas com incisões bem marcadas.

S. arctus tem um dos mais pequenos genomas conhecidos na ordem Decapoda, com menos de um terço dos genes do género próximo Scyllarides.[6]

Pode ser distinguido de Scyllarus pygmaeus, uma espécie estritamente aparentada com a qual vive simpatricamente, principalmente pelo maior tamanho, mas também pela forma do tubérculo na última esternite torácica, que é achatada no S. arctus, mas cónica em S. pygmaeus.[7]

A distinção em relação ao cavaco (Scyllarides latus) faz-se essencialmente pelo tamanho, já que este chega a atingir até 45 cm de comprimento total (raramente visto com mais de 30 cm), mas além disso apresenta caracteres distintivos como a carapaça completamente coberta por pêlos rígidos, que lhe conferem um carácter áspero ao tacto, e cor acastanha ou castanho-amarelada com traços de púrpura nas margens do corpo carapaça, patas e antenas.

Distribuição[editar | editar código-fonte]

As populações de S. arctus distribuem-se pelo Mediterrâneo, e pela parte nordeste do Oceano Atlântico, desde os Açores,[4] Madeira e Canárias à costa norte-africana, estendendo-se para norte até ao Canal da Mancha.[5] A espécie é rara a norte do Golfo da Biscaia, embora diversos espécimes tenham sido capturados nas ilhas Britânicas. S. arctus é mais raro em águas britânicas que a lula Architeuthis dux.[8] Até à década de 1960, S. arctus era considerada como sendo a única espécie de Scyllarus no Mediterrâneo, mas foi então descoberto que uma espécie menos conhecida, o Scyllarus pygmaeus também está presente na maior parte daquele mar.[7]

Ecologia[editar | editar código-fonte]

S. arctus é susceptível à infecção pelo vírus causador do white spot syndrome[9] e é predado por um conjunto vasto de espécies de peixes demersais.[10]

O habitat típico da espécie são fundos entre os 4–50 m de profundidade, sobre substratos rochosos ou lodosos, especialmente em comunidades dominadas por mantos de Posidonia oceanica.

A espécie é alvo de uma pequena pescaria, mas a sua raridade e pequeno tamanho faz dela uma captura cara e comercialmente pouco atractiva.[5]

Sinonímia[editar | editar código-fonte]

São por vezes também designados por bruxa algumas espécies que também habitam as grutas e fendas subaquáticas da zona costeira portuguesa, nomeadamente algumas espécies do género Galathea (Galathea strigosa e Galathea squamifera são as mais comuns), que apresentam pinças semelhantes às dos lagostins.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Lista Vermelha da IUCN (em inglês)[1] .
  2. a b «Scyllarus arctus – small European locust lobster». SeaLifeBase. 7 de novembro de 2008 
  3. John Edward Gray (1850). «Part IV. Crustacea». List of the specimens of British animals in the collection of the British Museum (PDF). [S.l.]: British Museum 
  4. a b «Scyllarus arctus (Linnaeus, 1758)». Azorean Biodiversity Portal. Universidade dos Açores 
  5. a b c Lipke Holthuis (1990). «Scyllarus arctus». Marine Lobsters of the World. [S.l.]: FAO Fisheries Series 
  6. A. M. Deiana, A. Cau, E. Coluccia, R. Cannas, A. Milia, S. Salvadori & A. Libertini (1999). «Genome size and AT-DNA content in thirteen species of Decapoda». In: F. R. Schram & J. C. von Vaupel Klein. Crustaceans and the Biodiversity Crisis: Proceedings of the Fourth International Crustacean Congress, 1998 (PDF). [S.l.]: Elsevier. pp. 981–985. ISBN 90-04-11387-8 
  7. a b C. Lewinsohn (1974). «The occurrence of Scyllarus pygmaeus (Bate) in the eastern Mediterranean (Deacpoda, Scyllaridae)». Crustaceana. 27 (1): 43–46. doi:10.1163/156854074X00217 
  8. Doug Henderson (21 de dezembro de 2001). «Slipper lobster (Scyllarus arctus. British Marine Wildlife News 
  9. V. Corbel, Z. Zuprizal, C. Shi, Huang, Sumartono, J.-M. Arcier & J.-R. Bonami (2001). «Experimental infection of European crustaceans with white spot syndrome virus (WSSV)». Journal of Fish Diseases. 24 (7): 377–382. doi:10.1046/j.1365-2761.2001.00302.x 
  10. Alberto Serrano, Francisco Velasco, Ignacio Olaso & Francisco Saacutenchez (2003). «Macrobenthic crustaceans in the diet of demersal fish in the Bay of Biscay in relation to abundance in the environment». Sarsia. 88 (1): 36–48. doi:10.1080/00364820308469 

Referências[editar | editar código-fonte]

  • D. T. G. Quigley, K. Flannery, D. Herdson, R. Lord & J. M. C. Holmes (2010). «Slipper lobster (Scyllarus arctus (L.)) (Crustacea: Decapoda) from Irish, U.K. and Channel Island waters». Irish Naturalists' Journal. 31: 33–39 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]