Teoria da ferradura

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A teoria da ferradura aponta que a extrema-esquerda (far left) e a extrema-direita (far right) estão mais próximas entre si do que para o centro político.

Em ciência política, a chamada “teoria da ferradura” argumenta que a extrema-esquerda e a extrema-direita, ao contrário de serem extremos opostos de um espectro político linear e contínuo, de fato acabam se aproximando, da mesma forma que o fim de uma ferradura. Esta teoria é atribuída ao escritor francês Jean-Pierre Faye.[1] Proponentes da teoria demonstram uma série de similaridades entre a extrema-esquerda e a extrema-direita, incluindo governos autoritários ou totalitaristas.

A teoria da ferradura diverge-se do convencional espectro linear esquerda e direita, assim como de outros espectros políticos multidimensionais.

Origens[editar | editar código-fonte]

O primeiro uso do termo na ciência política parece ter sido usado por Jean-Pierre Faye, em seu livro de 2002, Le Siècle des idéologies. Outros atribuem a teoria a Seymour Martin Lipset, Daniel Bell ou a “escola pluralista”. A teoria as vezes têm sido denominada como “Les extrêmes se touchent” (“Os extremos se tocam”).[carece de fontes?]

Uso moderno[editar | editar código-fonte]

O uso da teoria da ferradura nos dias atuais têm sido usado, alegadamente, para hostilizar judeus, através de práticas antissemitas, seja pela extrema-esquerda ou extrema-direita, como visto em atos de 2006.[2]

Em 2008, Josef Joffe, um distinto comentarista conservador do Hoover Institution,[3] escreveu um ensaio, dizendo:

A globalização sobreviveria a sua própria perspectiva sombria? As assustadoras revoltas contra a globalização que precederam à crise de 2008, junto ao populismo, começaram a mostrar suas garras em meados da década. Os dois episódios mais dramáticos aconteceram na Alemanha e Áustria, onde o isolacionismo, protecionismo e redistribuição foram promovidos por partidos populistas. Na Alemanha, foi o populismo de extrema-esquerda ("Die Linke"); na Áustria foi um punhado de partidos de extrema-direita que abocanharam quase 30% das cadeiras nas eleições de 2008. A extrema-esquerda e a extrema-direita, juntos, mais uma vez, reforçam a teoria da “ferradura” na ciência política moderna; o ferro está se encurvando, os dois extremos quase se tocam.[4]
— Josef Joffe

Críticas[editar | editar código-fonte]

A teoria da ferradura tem sido alvo de críticas de ambos os espectros políticos, em especial daqueles que evitam qualquer similaridade com posições conflituosas, justamente por suas dissonâncias, mas também por aqueles que enxergam a teoria como uma simplificação ideológica, a qual ignoraria diferenças fundamentais nos dois campos políticos.

Simon Choat, um editor sênior em teoria política na Kingston University, crítica a teoria da ferradura a partir de uma perspectiva de esquerda. Ele argumenta que a teoria apenas tem alguma sustentação por análises políticas vagas, no sentido de que tanto a esquerda quanto a direita tem similaridades pela oposição ao “status quo” das democracias liberais, entretanto tem razões bastante diferentes para chegarem a essa conclusão. Choat argumenta a questão da globalização como um exemplo. Tanto a extrema-esquerda e direita atacam o neoliberalismo e as elites, contudo discordam entre si sobre quem é essa elite, e outras razões conflitantes para atacar o ‘establishment’:

No que tange a esquerda sobre a questão da globalização, ela está preocupada com o fim do capitalismo agressivo e a solução da inequalidade econômica e política, e suas nefastas consequências. A solução é, portanto, interferir no capital e/ou permitir livre acesso da população, libertando-a da mesma maneira que é permitido a circulação de capital, bens e serviços. A esquerda quer uma globalização alternativa. Já para a direita, o problema com a globalização é o surgimento de um suposto bloco mundial que hegemonizaria todas as culturas e comunidades com políticas de inclusão socialistas – a solução seria proteger o capital nacional e outras medidas mais complexas quanto a imigração de indivíduos.[5]
— Simon Choat

Choat também argumenta que, embora os preponentes da teoria consigam apontar supostos exemplos de “coalizão” involuntária entre fascistas e comunistas, aqueles da extrema-esquerda geralmente se opõem a acensão de regimes fascistas, seja em que país aconteça. Ao invés disso, ele argumenta, foram os centristas que apoiaram os regimes fascistas quando era necessário escolher entre estes ou regimes socialistas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Encel, Frédéric; Thual, François (6 de março de 2003). «United States-Israel: A friendship that needs to be dysmitified». Le Figaro. Consultado em 21 de abril de 2018. Cópia arquivada em 3 de agosto de 2007 
  2. Fleischer, Tzvi (31 de outubro de 2006). «The Political Horshoeshoe again». Australia/Israel Review. Consultado em 21 de abril de 2018. Cópia arquivada em 16 de maio de 2011 
  3. «Josef Joffe Distinguished Visiting Fellow». Hoover Institute. Consultado em 21 de abril de 2018 
  4. Joffe, Josef (22 de dezembro de 2008). «New Year´s Essay 2009». Roland Berger. Consultado em 21 de abril de 2018. Cópia arquivada em 3 de fevereiro de 2009 
  5. Choat, Simon (12 de março de 2017). «Horseshoe theory is nonsense, the far right and the far left have little in common». The Conversation. Consultado em 21 de abril de 2018