Tradição Alexandrina

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Origem e História[editar | editar código-fonte]

A Tradição Alexandrina da Witchcraft tem as suas origens naquilo que hoje se chama Tradição Gardneriana, a qual se chamava na sua génese simplesmente "Witchcraft" ou “A Velha Religião” e nos seus praticantes, “the Wica”. Gerald Gardner refere-se a "Craft of the Wicca" ou o "Oficio dos Wica" clarificando o significado da palavra "Wica" nos praticantes da religião, em vez da religião em si ser denominada de "Wica" (Gerald GardnerThe Meaning of Witchcraft). O nome “Alexandrina” é uma referência directa ao seu ‘fundador’, Alex Sanders.

Alex Sanders foi iniciado na Wicca Garneriana a 9 de Março de 1963 por Medea. Mais tarde ficou conhecido por ser o “Rei das Bruxas”, titulo que lhe foi atribuído por líderes de alguns dos seus Covens no final dos anos 60. Segundo Maxine Sanders, ele era membro de pelo menos dois Covens antes de casar com Maxine e de fundar o Coven de Manchester e mais tarde o Coven de Londres do qual muitos Alexandrinos descendem e no qual muitos Gardnerianos obtiveram o seu treino na Craft.

Alex era um um homem especial e magico. Dizem, quem o conheceu e conviveu com ele, que tinha um magnetismo contagiante, era muito delicado e educado e com um sentido de humor extremo, ao ponto de ser por vezes ser mal entendido. Foi este magnetismo e extrema facilidade em lidar com a imprensa da altura o que causou grande desconforto a alguns Anciãos da Wicca mais conservadores. No entanto Alex era conhecido por ser um excelente curandeiro, um médium extraordinário e um poderoso bruxo e mago.

As suas incursões nos média valeram-lhe a publicação da sua biografia romantizada sob o título de King of the Witches da autora June Johns e mais tarde à publicação da clássica ‘Biografia de um Coven’, What Witches Do, de Stewart Farrar. Os Sanders tornaram-se bastante conhecidos no Reino Unido durante os anos 60 e 70 e são responsáveis por terem revelado e trazido a Craft a público de forma única. Um excerto de um texto de Maxine Sanders descreve de forma exemplar todo este processo:

“Apesar do interesse extremo dos paparazzi, as muitas e sinceras Iniciações feitas no nosso Coven, durante e desde esse período, vieram criar lugar para uma linhagem da Witchcraft que desde então se espalhou por todo o mundo.”

Após ter sido iniciado na Tradição Gardneriana, Alex começou a desenvolver a sua prática da Craft e mais tarde, primeiro em Manchester e posteriormente em Londres juntamente com Maxine Sanders, desenvolve o que se veio a chamar de Tradição Alexandrina da Witchcraft.[1]

O termo “Alexandrina”, segundo Maxine Sanders, a qual esteve presente durante a conversa, foi atribuído por Stewart Farrar aquando da escrita do seu livro What Witches Do em 1970. No entanto, uma entrevista com Sanders feita por Stewart Farrar em 1969, Alex clarifica um pouco mais esta questão. Alex é citado dizendo: “aqueles [feiticeiros(as)] que não querem publicidade, têm a tendência de se referir aos meus(minhas) Bruxos(as) como ‘Alexandrinos’.” Os primeiros iniciados de Sanders referem-se a si próprios simplesmente como “Witches” (Feiticeiros ou Bruxos). O nome da linhagem de Sanders começou pela primeira vez a ser aplicado apenas no princípio dos anos 70. A Tradição Alexandrina é extremamente bem documentada tanto em termos de material de treino como em historial de linhagens legitimas (até Alex e Maxine).[2]

Ao contrário daquilo que normalmente se pensa, nem todos os Alexandrinos trabalham Magia Cerimonial, Cabala, ou Magia dos Anjos. Alguns praticam-nas, outros não. Alex Sanders encontrava-se sempre num processo evolutivo das suas próprias práticas mágicas passando novos conhecimentos e técnicas aos seus iniciados. O resultado deste processo está na existência de muitas linhagens diferentes que descendem de Alex Sanders, cada uma com as suas particularidades mas partilhando do mesmo Corpo de Conhecimento Tradicional da Tradição que mantém uma base solida comum a todas as praticas Alexandrinas. Alguns Alexandrinos estão fortemente orientados no sentido da Magia Cerimonial enquanto outros estão mais orientados para a Magia Popular. Tudo depende não só da linhagem e origem de cada um, como também das opções individuais e de cada Coven.

O ensino e treino na bruxaria Alexandrina é um ex libris da Tradição, com cada nova geração adicionando mais conhecimento à geração precedente contribuindo para a constituição de Sacerdotes e Feiticeiros(as) detentores de novos e efectivos conhecimentos. Esta diversidade proporciona uma tradição dinâmica, com os pés bem assentes na Wicca Tradicional mas de olhos no futuro. Outra das muitas confusões à cerca da Tradição Alexandrina prende-se com facto da publicação que Alex Sanders e o casal Farrar fizeram dos conhecimentos integrais da tradição, bem como o Livro das Sombras Alexandrino na sua totalidade. Qualquer um que leia os livros tanto de Alex Sanders como dos Farrar verificarão que isto é absolutamente falso, mesmo até pelas declarações dos próprios autores nas suas obras.

Os conhecimentos e procedimentos da Tradição, são passados de forma oral e escrita, através de treino rigoroso em Coven reconhecido e estes não existem de forma pública.

Alex Sanders fez a sua passagem para Além do Véu na Noite de Beltane em 30 de Abril de 1988 depois de ter sofrido e convalescido de cancro do pulmão.

CRENÇAS[editar | editar código-fonte]

Tradicionalmente o Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina presta homenagem aos Antigos Deuses da Europa - a Deusa da Lua e no seu Consorte, o Deus Cornudo. O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina almeja uma ligação e entendimento pessoal com a Divindade e com os Ancestrais, mas também com com os ritmos e marés da natureza e de forma ultima, os ritmos interiores do Cosmos.

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina acredita no poder da magia e no uso de técnicas tradicionais e inovadoras para atingir os seus objectivos.

O PAPEL DO CORPO SACERDOTAL[editar | editar código-fonte]

A Wicca Alexandrina é muito diferente de outras religiões pois não tem intermediários. Cada iniciado da Tradição é um Sacerdote ou Sacerdotisa dos Deuses por direito. O objectivo da prática, é uma evolução espiritual efectiva, na experiência dos mistérios inseridos nas práticas de Coven. O Corpo Sacerdotal não tem obrigação nenhuma para com a "comunidade" pagã ou outra qualquer. O trabalho feito será sempre de cariz privado e em Coven. Não quer com isto dizer que os membros do Corpo Sacerdotal não se envolvam de forma discreta em actividades comunitárias no sentido geral.

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina da Witchcraft raramente trabalha em público ou fazendo rituais de forma pública.

ORGANIZAÇÃO DE GRUPOS[editar | editar código-fonte]

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina está organizada em Covens. Em algumas ocasiões trabalham skyclad (em nudez ritual) enquanto noutras se usam túnicas cerimoniais. Independentemente da preferência do Coven, alguns ritos são feitos obrigatoriamente skyclad por todos os Covens Alexandrinos reconhecidos.

Para se tornar um iniciado(a) da Tradição Alexandrina, tem de se ser iniciado (passar pelos ritos de Iniciação da Tradição, tal como foram passados por Alex e Maxine Sanders) por um Sumo Sacerdote ou Sacerdotisa Alexandrina devidamente preparados e autorizados numa iniciação cruzada em género. Os ritos de iniciação tradicionais deverão ser usados sem omissões, tal como foram passados, desde o Coven Alexandrino original. A “Auto-iniciação” não é possível na Wicca Alexandrina.

Na Tradição Alexandrina, o primeiro grau é a Iniciação nos Mistérios, o segundo grau, a Penetração nos Mistérios e o terceiro a Celebração dos dois primeiros.[2]

Na Tradição Alexandrina da Wicca os graus são atribuídos de forma diferente; o primeiro grau é o grau que faz do neófito um Sacerdote ou Sacerdotisa. Na Tradição Alexandrina, o Segundo e Terceiro graus são dados tradicionalmente ao mesmo tempo, na mesma cerimónia e não separados, como noutras Tradições por exemplo a Tradição Gardneriana. A distancia entre o Primeiro Grau e o Segundo/Terceiro varia de indivíduo para indivíduo mas na generalidade leva o mínimo de 2 a 3 anos. Um Sacerdote ou Sacerdotisa de terceiro grau é completamente autónomo na tradição, no entanto, autonomia não significa falta de discernimento ou sensatez.

Ao contrário da Tradição Gardneriana, na Tradição Alexandrina um primeiro grau pode iniciar outrem no primeiro grau apenas e só se estiver um terceiro grau presente no rito de Iniciação.

Alem disto, muitas linhagens optam por ter no seu sistema um grau de neófito ou dedicante, permitindo a um individuo válido participar em certos ritos antes de se dedicar aos Deuses de forma definitiva.

No entanto, esta forma não é tradicional e portanto não é considerada tradicional Alexandrina. Alex e Maxine nunca tiveram, promoveram, ensinaram ou exerceram este estagio preliminar ou antecedente. As iniciações no 1* grau eram feitas de imediato, depois da devida avaliação do candidato.

Outra particularidade é o facto de que iniciações não são oferecidas - são pedidas. Em vários textos, inclusive livros, artigos e outros, escritos por iniciados da Tradição, consta a insinuação de que a iniciação é ou lhes foi oferecida, o que de facto nunca aconteceu, nem é nem nunca foi considerado uma pratica na tradição. Um neófito, se quer e deseja ser iniciado na Tradição, tem de pedir para ser iniciado.[2]

A SUMO SACERDOTISA E O SUMO SACERDOTE[editar | editar código-fonte]

Tradicionalmente a palavra de um Sumo Sacerdote ou Sumo Sacerdotisa é ouvida dentro do Coven pelos outros membros, em especial se estes forem experientes na sua Arte.

Tradicionalmente o Sumo Sacerdote co-lidera em cooperação e apoiando a Sumo Sacerdotisa.

A Linhagem Iniciática é verificada em cruzamento de géneros (feminino, masculino, feminino, etc) até Alex Sanders e as suas Sumo Sacerdotisas, tais como Maxine Sanders. As informações sobre a linhagem não estão sujeitas a juramento de segredo na nossa Tradição, mas também não são do domínio público, e a maior parte das vezes é considerado um assunto pessoal e privado, cabendo apenas ao Iniciado as revelar conforme a ocasião.

Pouco tempo depois da Iniciação, cada candidato começa a copiar o Livro das Sombras, à mão, pelo manuscrito do seu Iniciador. É da responsabilidade de cada Iniciador, passar a Tradição, tanto oral como escrita, tal como lhe foi passada, sem quaisquer omissões.

O Livro das Sombras Alexandrino, bem como o treino base e a tradição oral contém conhecimentos comuns a todas as linhagens. A essência do Livro das Sombras e os ritos de iniciação são a chave para todos os Alexandrinos legítimos, pois constituem o conhecimento comum que une a Tradição.[2]

Contrariamente ao que se possa pensar, um indivíduo não pode comprar um Livro das Sombras Alexandrino, nem fazer o seu download através da Internet. Embora estes “livros” existam, são apenas compilações de informações/documentos já publicados e a intenção da sua existência apenas se justifica na perspectiva de constituir um conjunto de documentos, similares em estilo, ao Livro das Sombras que podem ser utilizados, apenas como referência, pelo estudante sério da tradição. Estes documentos são, no entanto, totalmente diferentes do Livro das Sombras utilizado pelos Iniciados.

A única forma de obter um Livro das Sombras Alexandrino será através da Iniciação legitima na Tradição.

A natureza e prática exacta dos Covens Alexandrinos poderá variar de linhagem para linhagem e de Coven para Coven mas com certos limites. O treino/ensino foi sempre fortemente implementado na nossa Tradição vindo logo a seguir, em prioridade, ao serviço aos Deuses.[2]

Na Tradição Alexandrina não se fazem re-iniciações; o Poder pode ser passado mais do que uma vez. Assim, um iniciado de 3* grau pode receber o Poder de outrem de linhagem diferente e optar por carregar essa mesma linhagem a partir desse momento.

Nos círculos Alexandrinos existem testes. Estes são pedidos aqueles que pretendem tomar os graus mais elevados (2* e 3*). Estes terão de dar prova de proficiência em pelo menos 1 acto de magia bem sucedido e 2 actos de cura com resultados evidentes e que se provem efectivos e duradouros. Sem estas provas, não se inicia ninguém no 2* e 3* graus na Tradição Alexandrina.[2]

FESTIVAIS[editar | editar código-fonte]

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina festeja os oito Sabbats da Roda do Ano. Também nos reunimos tradicionalmente para celebrar os Esbats nas Luas Cheias realizando trabalhos, ensinando e celebrando a Deusa.

Ao contrário do que se pensa, O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina não trabalha os Ciclos do Rei Carvalho e do Rei Azevinho, tal como é descrito pelos Farrar no seu livro Oito Sabbats para Bruxas (Eight Sabbats for Witches). Embora alguns Covens e até alguns Feiticeiros(as) possam optar por trabalhar esses ritos, os Ciclos dos Reis Carvalho/Azevinho, NÃO fazem parte da Tradição Alexandrina. Os próprios Farrar o clarificam no seu livro, mas no entanto a confusão ainda persiste.

NORMAS DE CONDUTA[editar | editar código-fonte]

Para ser Iniciado na Wicca Alexandrina como Sacerdote ou Sacerdotisa, deve-se em primeiro lugar ser digno(a) de iniciação. São os membros do Coven que decidem a presença deste estatuto no individuo, através de um ritual chamado "Obter o Consentimento da Deusa". A sinceridade, o carácter, a maturidade, as escolhas espirituais, nível de compromisso, sentido ético e personalidade do candidato(a) são sempre considerados além deste ritual.

O caminho do Sacerdócio não serve para aqueles que o procuram apenas pelo ‘estatuto’ ou simplesmente por ser uma experiência “radical”. O caminho Iniciático não serve também aqueles que são mental, espiritual e emocionalmente desequilibrados.

É regra da Wicca Tradicional que nunca se cobra dinheiro por Iniciações e/ou treino/ensino da Tradição. Na Tradição Alexandrina alguns Covens partilham despesas básicas.

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina tem a obrigação de manter a privacidade de outros iniciados. Como tal, revelar o nome e identidade de outro Sacerdote ou Sacerdotisa sem o seu consentimento é evitado a todo o custo.

A linha de conduta da Ética da Tradição Alexandrina é a Rede Wiccan “Faz o que quiseres, mas não prejudiques a ninguém”. Ao contrário do que se pensa, esta ‘máxima’ apenas refere que toda a actividade que não prejudique ninguém é permissiva. Sem prejuízo a ninguém é um ideal nobre, mas não é de maneira nenhuma para ser tomado literalmente. É literalmente impossível que um individuo possa viver a sua vida sem prejudicar ou causar prejuízo a nada ou ninguém. No entanto somos totalmente responsáveis pelas escolhas que fazemos. Uma das formas de interpretar a Rede é seguir o nosso mais alto ideal (a Verdadeira Vontade) o que implica a escolha do caminho que cause menos prejuízo. Á medida que se cresce na compreensão dos mistérios dos ciclos e marés da vida, o Iniciado começa a tomar consciência da sua ligação intrínseca a todos os seres do planeta. O conceito de “Verdadeira Vontade” começa então a tomar o caminho no sentido do bem supremo na forma que se ache ser a mais apropriada. Este e o verdadeiro sentido da frase “Faz o que quiseres, mas não prejudiques a ninguém”.

FORMAS DE CULTO[editar | editar código-fonte]

A Tradição Alexandrina é uma Tradição de Mistérios sujeita a ajuramentação de votos, e como tal, muitos dos pormenores de como e porquê se trabalha da forma como trabalha na Tradição Alexandrina, são secretos – não por serem segredo, mas por serem Sagrados. Este secretismo entre Iniciados da Wicca de Tradição Britânica tem vindo a ser alvo de detractores, implicando nas suas alegações que na certa se existe segredo é porque aquilo que fazemos não é lícito ou bom, ou então, que mantêm o secretismo com o propósito de enaltecer o ego (“temos algo que vocês não sabem o que é, e por isso somos melhores que vós“). Posto de forma simples, nenhuma destas alegações é verdadeira. Na Tradição Alexandrina, e tudo o que a constitui, é sagrado, privado e nalguns casos, poderá causar efeitos secundários indesejados se utilizado por indivíduos que não sejam ensinados/treinados nas técnicas Alexandrinas de magia. Os Alexandrinos mantêm a privacidade dessa sacralidade através do segredo. O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina não se proclama detentor dos segredos do Universo. Aliás, a maior parte dos “segredos” teriam pouco ou nenhum interesse para aqueles que não são Iniciados na Wicca.[2]

Será suficiente dizer apenas que os ensinamentos da Tradição concentram-se no desenvolvimento do relacionamento pessoal com a Divindade, e uma consciência e sincronia com os Ciclos da Natureza, através de Rituais e técnicas magicas.

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina utiliza técnicas tradicionais da WTB (Wicca de Tradição Britânica) no sentido de obter mestria e desenvolver as capacidades como Sacerdotes e Sacerdotisas de Templo. Métodos experimentais são também utilizados, pois a Tradição Alexandrina disponibiliza uma sólida base sobre a qual o Corpo Sacerdotal possa construir novos e renovados métodos de magia.

Site em Português sobre a Tradição Alexandrina da Witchcraft: http://www.wiccaalexandrina.com

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  1. di Fiosa, Jimahl. Uma Moeda para o Barqueiro - a Morte e a Vida de Alex Sanders, Rei das Bruxas. USA: Logios Projects, 2014.
  2. a b c d e f g Griffith, Karagan. Pelo Calice e Pela Lamina. USA: Logios Projects, 2016.