União Estadual dos Estudantes de São Paulo

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União Estadual dos Estudantes
de São Paulo
(UEE-SP)
Fundação 1949 (70 anos)
Sede São Paulo, SP (Sede)
Filiação UNE
Presidente Nayara Souza
Sítio oficial ueesp.org.br

Em São Paulo, os estudantes universitários estão organizados, há mais de 60 anos, pela União Estadual dos Estudantes (UEE-SP), um dos movimentos de juventude mais antigos do país, ao lado da União Nacional dos Estudantes (UNE). Já foram presidentes da UEE-SP personagens da vida nacional como ex-governador de São Paulo José Serra e o ex-deputado e ministro José Dirceu.

É muito difícil encontrar, na história de São Paulo ou do Brasil, algum episódio importante ou decisivo que não tenha a participação dos estudantes, mobilizados nas ruas, nas escolas, universidades e, atualmente, também na internet e nas redes sociais. O movimento estudantil são os estudantes em movimento, reivindicando os direitos da juventude e um futuro melhor para todos.

Fundação[editar | editar código-fonte]

A primeira universidade do estado foi criada em 1827, a Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Desde aquele século, os estudantes universitários paulistas já se mobilizavam em favor de causas locais ou nacionais. Foram os acadêmicos de direito, por exemplo, que se lançaram na luta pela abolição da escravatura e pela República no Brasil. O Centro acadêmico da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (Centro Acadêmico XI de Agosto) é considerado o primeiro e um dos mais importantes do país.

Durante as revoluções da década de 1930, na era Getúlio Vargas, os estudantes paulistas tiveram forte participação no movimento constitucionalista. O surgimento de novas entidades de juventude por todo o Brasil levou à criação, em 1937, da União Nacional dos Estudantes. Já a União Estadual dos Estudantes de São Paulo foi criada em 1949, em meio à grande luta dos estudantes na defesa da soberania nacional, a campanha “O petróleo é nosso”, que levou à criação da Petrobras e teve, com um dos seus principais líderes, o fundador e primeiro presidente da UEE-SP, Rogê Ferreira.

Ditadura militar[editar | editar código-fonte]

Publicação da UEE-SPem 1979

Nos anos 1950, os estudantes paulistas ganharam força, realizaram greves, protestos, reivindicaram melhorias no ensino e na qualidade de vida da população. Porém, nos anos 1960, o movimento estudantil enfrentaria seu maior desafio, com a chegada da ditadura militar ao Brasil, perseguição, tortura e morte de centenas de estudantes.

Em 1965, a UEE-SP foi posta na ilegalidade pela ditadura. Porém, a entidade não se intimidou, realizou manifestações contra o corte de verbas para a educação, contra o Acordo MEC-USAlD, firmado entre o governo brasileiro e o norte-americano para

americanizar as universidades do país e promoveu a campanha “O Brasil não exportará seu futuro”, contra a entrega de recursos naturais a estrangeiros.

Para driblar a repressão, o movimento estudantil paulista inovou nas formas de manifestação, realizava comícios relâmpagos, de surpresa, e ocupações nas universidades. Ainda assim, a perseguição era cruel, resultando em mortes de estudantes paulistas como José Guimarães, baleado no episódio conhecido como conflito da rua Maria Antônia, e Alexandre Vannucchi Leme, que tornou-se um símbolo de resistência e luta pela democracia para os jovens de São Paulo.

A reconstrução do movimento estudantil paulista começou em 1976, com a fundação do DCE-Livre da USP — Alexandre Vannucchi Leme. Já a reconstrução da UEE-SP aconteceu em 1977. Durante a década de 1980, com o enfraquecimento do regime, os jovens de São Paulo voltaram às ruas. “Diretas Já!” foi a frase que unificou todo o Brasil no ano de 1984. Os estudantes paulistas tiveram participação ativa nessa campanha desde as primeiras manifestações, que levaram ao retorno da democracia no país.

Caras pintadas[editar | editar código-fonte]

Em 1989, a primeira eleição presidencial desde 1964 levou milhões de brasileiros às urnas, com a vitória de Fernando Collor de Mello. No entanto, o caráter neoliberal e entreguista do seu governo, aliado a denúncias de corrupção mobilizaram os estudantes de caras pintadas na campanha “Fora Collor”, em 1992, que levou ao impeachment. As manifestações de 11 de agosto, em São Paulo, reuniram mais de 30 mil estudantes na Avenida Paulista, próximo ao Masp, que se tornaria o ponto de referência do movimento estudantil. Poucos dias depois, em 25 de agosto, as manifestações em São Paulo já reuniam mais de 300 mil estudantes.

Durante os anos 90, os estudantes paulistas lutaram contra as medidas do governo Fernando Henrique Cardoso, como a privatização das universidades e o Provão. Na campanha contra os abusos do ensino privado, a UEE-SP chegou a lançar um "Disque-Mensalidade" para receber denúncias contra as irregularidades cometidas pelas instituições contra os estudantes.

A eleição do presidente Lula, em 2002, reabriu os canais de diálogo entre estudantes e o governo federal, colocando novos desafios para o movimento estudantil e também para a UEE-SP. Na pauta estava a discussão sobre a Reforma Universitária, e os debates acerca das políticas de democratização do acesso à universidade, como o Prouni e a Reserva de Vagas. Para isso, a UEE-SP realizou uma Caravana por mais de 30 cidades.

UEE-SP hoje[editar | editar código-fonte]

Atualmente, já na segunda década do século XXI, o movimento estudantil paulista continua renovado, buscando a democratização da universidade e a ampliação das formas de participação dos jovens. Entre as principais bandeiras da UEE-SP. Na atualidade estão a luta por assistência estudantil para os estudantes das universidades privadas, regulamentação do ensino privado, a democratização das universidades públicas e o avanço no incentivo a permanência dos alunos, sendo assim, um programa de "retaguarda" ao ProUni, que completou 10 anos em 2014, com mais de 12 milhões de inscritos e 400 mil formados.

Em 2011, o 10º Congresso da UEE-SP reuniu mais de 900 estudantes de diversas instituições de ensino superior do estado na Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) para eleger a nova diretoria da entidade.

O congresso contou com uma vasta programação de debates e palestras, que abordaram assuntos relevantes para a juventude paulista, como as pautas sobre o PNE, o Pré-sal, a reforma política, a regulamentação do ensino privado e a criação de mais vagas para o ensino público paulista.

A plenária final elegeu o estudante da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Alexandre 'Cherno' Silva, para ser o novo presidente da entidade e Katu Silva, estudante de direito da Universidade São Judas Tadeu para ocupar a vice-presidência.

No mesmo ano, na luta por uma educação de qualidade a UEE-SP esteve presente no histórico #OCUPEBRASÍLIA, movimento que mobilizou centenas de estudantes a ocuparem a Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Com o objetivo de pressionar as autoridades na aprovação das pautas do movimento estudantil, as entidades conquistaram em 6 de dezembro de 2011, por unanimidade na Comissão de Educação do Senado do PLS 138/11, a aprovação do projeto de lei que destina às áreas de educação e de ciência e tecnologia metade dos recursos do Fundo Social do Pré-sal.

A gestão 2013/2015, que se iniciou no dia 16/06/13, foi presidida pela estudante de economia da PUC-SP, Carina Vitral, e tem como vice-presidente Guilherme Bianco, estudante de Ciências Sociais da Unesp Araraquara.

Nesse primeiro ano a entidade passou pelas Jornadas de Junho, intenso período de manifestações nas ruas, compondo diversas manifestações e comemorou e compôs o movimento para a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê 10% do PIB ,destinados para a educação.

Além disso, construiu importantes movimentos na USP, para a democratização, e das FATEC's, para aprovação do plano de carreira do professores e funcionários e aprimoramento da estrutura dos campus.

No início de 2015, foi conquistado o Passe Livre Estudantil para estudantes de baixa renda, cotistas, bolsistas do ProUni e que participam do Fies em São Paulo. Esse foi uma das principais bandeiras de luta da entidade, que agora está em mobilização pela ampliação do benefício, para que ele seja irrestrito e ilimitado - sem limite de viagens.

Em junho/2015, no seu 12o Congresso realizado em Campinas, interior de São Paulo, foi eleita a nova presidenta da UEE-SP. A estudante de farmácia da PUC Campinas, Flavia Stefanny que vai digirir a entidade pelos próximos 2 anos. Flavia, era diretora de universidades particulares da UEE e foi eleita com 66% dos votos pela chapa 6. Também pela primeira vez na história, a presidência é transferida de uma mulher para outra. O cargo foi ocupado por Carina Vitral durante os dois últimos anos, que assumiu no mesmo mês a presidência da UNE.

Em Julho/2017, no seu 40° Congresso, no qual foi alterado sua numeração congressual, unificando a linha histórica entre a sua fundação e sua refundação no fim da ditadura militar, conferindo a entidade o reconhecimento dos seus 68 anos de história. Neste congresso a estudante da FATEC(Faculdade de Tecnologia do estado de São Paulo) Nayara Souza foi eleita para presidir a entidade pelos próximos dois anos pela chapa "A unidade é a bandeira da esperança". Nayara será a terceira mulher seguida a presidir a entidade.

Ver também[editar | editar código-fonte]