Tratado sobre a Moeda

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Um Tratado sobre a Moeda
Autor(es) John Maynard Keynes
Idioma inglês
Género Economia
ISBN 978-0-404-15000-6

Um Tratado sobre a Moeda (A Treatise on Money) é uma obra sobre economia do economista inglês John Maynard Keynes. Neste Tratado, Keynes estabeleceu uma distinção entre poupança e investimento, argumentando que quando a poupança excede o investimento ocorrerá recessão. Assim, Keynes justificou que durante uma depressão a melhor política seria promover despesa e desencorajar a poupança.[1]

Resumo da obra[editar | editar código-fonte]

No Tratado, Keynes estabeleceu uma distinção entre poupança e investimento, argumentando que, quando a poupança excedia o investimento, ocorreria uma recessão. Assim, Keynes argumentou que, durante uma depressão, o melhor tipo de medidas seria promover a despesa e desencorajar a poupança.[2] Keynes clarificou de forma notável a sua Teoria da Moeda numa polémica acerada com outros economistas famosos da época, como Friedrich Hayek e Dennis Robertson.[3] Quem queira conhecer a Teoria da Moeda de Keynes tem um bom ponto de partida lendo a réplica de Keynes a D. H. Robertson. Keynes referiu-se a esta réplica nos seguintes termos: "na minha réplica ao Sr. D. Robertson, publicada no Economic Journal de setembro de 1931, procurei reformular de forma mais clara qual é minha própria teoria."[4]

No Tratado, Keynes não concorda que as expansões e depressões económicas acontecem apenas por causa de variáveis aleatórias extrínsecas, como "manchas solares". Pelo contrário, ele acredita que os acontecimentos económicos emergem quando existem discrepâncias entre as poupanças e os investimentos. De acordo com Keynes, uma verdadeira medida da prosperidade de um país não é através de um valor físico, como ouro ou prata, mas através do rendimento nacional. Para ele, a característica mais importante do rendimento nacional é o consumo.[5]

No Tratado, Keynes explicou como podem acontecer as recessões, mas não as depressões profundas. A teoria do baloiço (Seesaw mechanism) da economia clássica estabelecia que um excesso de poupança produzirá uma taxa de juro mais baixa que causaria o aumento do consumo. Keynes teve que descobrir qual o factor que fazia a economia recuar. Ele conseguiu abordar isso mais tarde em A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda.

Na sua Teoria Geral, Keynes argumentou contra a teoria do baloiço e disse que a economia era mais como um elevador que pode parar em qualquer piso. Isso ocorre porque, uma vez a economia atingindo o fundo, os indivíduos não têm excesso de rendimento para poupar. Sem poupança não há investimento, pelo que a economia não pode salvar-se por si própria. Sem poupança, não há pressão para baixar as taxas de juro, não havendo incentivo para as empresas investirem. Na sua teoria sobre a moeda, ele afirma que o investimento é uma "roda motriz independente para a economia", e que quando não ocorre novo investimento, a economia começará a vacilar.[6]

Introdução da terminologia da liquidez[editar | editar código-fonte]

John Hicks afirmou que o Um Tratado sobre a Moeda foi a primeira publicação de economia a utilizar o termo liquidez, porque não tinha sido capaz de encontrar esse termo em obras anteriores.[7]

Debate com Hayek[editar | editar código-fonte]

Keynes e Hayek debateram a teoria da moeda do primeiro. Mas Keynes sentiu que estavam a divergir na terminologia e publicou uma resposta às críticas do austríaco, escrevendo: "O Dr. Hayek não entendeu correctamente o carácter das minhas conclusões. Ele pensa que a minha proposição central é algo diferente da que é na realidade"; "É essencial para esta teoria negar essas proposições que o Dr. Hayek me atribui".

Na perspectiva de Keynes, o cerne do desacordo entre eles, dizia respeito a questões laterais e diferenças semânticas na definição, levando-o a concluir que Hayek estava à procura de erros pequenos ou sem importância: "Enquanto um problema desta grande magnitude não for esclarecido entre nós, qual a vantagem de discutir uma terminologia "irritante", que não incomodaria o Dr. Hayek se ele não estivesse, por essas outras excelentes razões, à procura de problemas? O Dr. Hayek esqueceu, ou pelo menos não discute, o ponto crítico no qual os nossos argumentos divergem. Tendo passado ao lado disto, mas descobrindo que foi levado por caminhos estranhos e desagradáveis, ele tenta impedir de ser arrastado para quaisquer outros, apresentando as lombas do caminho como montanhas."[8]:148

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Treatise on Money and the General Theory of Employment, Interest and Money 1927 to 1939». maynardkeynes.org 
  2. maynardkeynes.org (ed.). «Treatise on Money and the General Theory of Employment, Interest and Money 1927 to 1939» 
  3. Keynes, J. M., "The Pure Theory of Money. Uma resposta ao Dr. Hayek". Economica n. 34 (1931): 387-397.
  4. Keynes, J. M.. “[mr. Keynes' Theory of Money]: A Rejoinder”. The Economic Journal 41.163 (1931): 412–423.
  5. Erturk, Korkut A., "Why Keynes' A Treatise On Money Might Have Greater Relevance Today Than His General Theory?." Middle East Technical University Studies In Development 35.1 (2008): 101-120. EconLit., 3 Abril de 2016.
  6. Erturk, Korkut A., "'Asset Prices, Liquidity Preference, And The Business Cycle'." (2002): EconLit. 3 de Abril de 2016.
  7. Hicks, John (1986). A Market Theory of Money. [S.l.: s.n.] p. 61 
  8. Hayek, F.A. The Collected Works of F. A. Hayek - volume 9 "Against Keynes and Cambridge, Essays, Correspondence", editado por Bruce Caldwell, Routledge, 1995, ISBN 0-415-03521-X.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]