Violante Beatriz de Baviera

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Violante Beatriz
Grã-princesa da Toscana
Violante of Bavaria.jpg
Retrato de Violante Beatriz
Reinado 16891713
Cônjuge Fernando de Médici, Grão-príncipe da Toscana
Dinastia Wittelsbach (por nascimento)
Médici (por casamento)
Nascimento 23 de janeiro de 1673
  Munique, Eleitorado da Baviera
Morte 30 de maio de 1731 (58 anos)
  Florença, Grão-ducado da Toscana
Pai Fernando Maria, Eleitor da Baviera
Mãe Henriqueta Adelaide de Saboia

Violante Beatriz de Baviera (em alemão: Violante Beatrix von Bayern, em italiano: Violate Beatrice di Baviera), Munique, 23 de janeiro de 1673Florença, 30 de maio de 1731) foi uma princesa bávara por nascimento, e Grã-Princesa da Toscana pelo seu casamento com Fernando (III) de Médici, Grão-Príncipe da Toscana,

Foi também Governadora de Siena de 1717 até à sua morte .

Biografia[editar | editar código-fonte]

Violante Beatriz era a filha mais nova de Fernando Maria, Eleitor da Baviera e da sua mulher Henriqueta Adelaide de Saboia. Em 1689, casou com o herdeiro da coroa Grã-ducal da Toscana, o Grão-Príncipe Fernando de Médici [1] Violante Beatriz amava-o mas o afeto não era recíproco, achando muito feia e muito maçadora[2] [3]. O seu cunhado, João Gastão de Médici, tinha uma grande amizade por ela, amizade que durou até à morte de Violante Beatriz[4].

O Grão-príncipe Fernando (III) faleceu de Sífilis em 1713, deixando a sua viúva sem filhos e sem qualquer função na corte Toscana.[5]

Entretanto, ao ficar viúva do Eleitor-Palatino, a princesa Ana Maria Luísa de Médici, filha do Grão-duque reinante Cosme III de Médici e, por isso, cunhada de Violante Beatriz, regressa à sua Toscana natal pelo que a Grã-princesa viúva planeava, também ela, regressar à corte de seu irmão, em Munique. Contudo, João Gastão convenceu-a a ficar, e Cosme III nomeou-a Governadora de Siena, onde passou a residir[6].

Infância e casamento[editar | editar código-fonte]

Violante Beatriz era a filha mais nova de Fernando Maria, Eleitor da Baviera, e da sua nulher Henriqueta Adelaide de Saboia, e nasceu em Munique, capital do estado do seu pai. Entre os seus irmãos estavam Maria Ana Vitória, Delfina de França, Maximiliano II Emanuel, Eleitor da Baviera e José Clemente, Arcebispo-Eleitor de Colónia.

Em 1688, Cosme III de Médici, Grão-Duque da Toscana, equacionou que Violante Beatriz seria uma noiva de prestígio para o seu filho e herdeiro, o Grão-príncipe Fernando; a Baviera era um dos mais poderosos estados do Sacro Império Romano-Germânico[7] Como o pai de Cosme III, Fernando II de Médici, envolvera o Eleitor Fernando Maria numa arriscada operação financeira que lhe custara 450,000 ungheri em ouro, as relações entre Munique e Florença tinham azedado[7].

Para conseguir a mão de Violante Beatriz para o filho Cosme foi obrigado a reembolsar essa quantia a Maximiliano II Emanuel, o filho de Fernando Maria[8]. Ultrapassado este obstáculo, o contratio de casamento foi assinado em 24 de maio de 1688, concedendo a Violante Beatrice um dote de 400.000 thalers em dinheiro e o mesmo montante em jóias[8]. O casamento realizou-se primeiro por procuracão Munique em 21 de novembro de 1688 e presencialmente a 9 de janeiro de 1689[9]. A boda teve lugar no Palácio Medici Riccardi, em Florença. A nova Grã-princesa ficou imediatamente enamorada pelo noivo, apesar dele a detestar[10]. Cosme III não encontrava qualquer defeito na sua nova nora afirmando "Nunca conheci, nem sequer acho que o mundo possa produzir, algo tão perfeito" [11].

Grã-Princesa[editar | editar código-fonte]

A young man wears gold-laced, black armour with a waist-length, black peri-wig.
O Grão-Príncipe Fernando (III), marido de Violante Beatriz, por Niccolò Cassana, 1687

O casal Grão-principesco manteve-se sem geração após seis anos de casamento o que perturbava o Grão-duque. Consequentemente, e para mortificação de Grã-princesa, encomendou três dias de observância religiosa para remediar a falta de descendência, em abril de 1694[12]. Quaisquer esperanças de herdeiro foram completamente destruídas quando Fernando contraíu, em 1696, Sífilis durante o Carnaval de Veneza, doença com que viria a sucumbir dezassete anos mais tarde[13]. Entretanto, a Grã-princesa ficou sob um estado de melancolia, situação que não passou a despercebida ao seu cunhado, João Gastão de Médici, na altura o segundo filho do Grão-duque que, como resultado, criou grande amizade pela princesa[4].

Violante Beatriz raramente aludia aos suas dores emocionais durante as conversas mantidas mas, numa altura precisa e na presença das suas damas de companhia, referiu-se ao amante de Fernando, Cecchino de Castris,um castrato veneziano, como sendo a origem da sua desgraça[4].

Em 1702, a Grã-princesa viu-se envolvida numa questão protocolar entre a Toscana e Espanha. O Grão-duque enviou um agente à corte de Filipe V de Espanha com o objetivo de obter licença para que o Grão-príncipe e a Grã-princesa usassem o tratamento de Alteza Real na correspondência com Espanha[14][15]. Filipe V deferiu o pedido mas apenas para a sua tia, Violante Beatriz.

Os reis Filipe V de Espanha e Frederico IV da Dinamarca visitaram Violante Beatriz em 1703 e em 1709, respetivamente. O primeiro ignorou os outros membros da família Grã-ducal Toscana dignando-se, apenas a falar com ela. O segundo, por seu lado, foi levado à presença de Violante e chegou ao ponto de se recusar a abandonar a sala enquanto Violante mudava de roupa[16].

Após grande sofrimento, o Grão-príncipe veio a falecer de sifilis em 31 de outubro de 1713, despoletando uma crise sucessória e deixando a sua viúva sem geração e, por isso, sem qualquer função.[17]. A viúva ficou tão perturbada que foi sangrada pelos médicos para a acalmarem. Cosme III deu-lhe um conjunto de safiras azuis como sinal de luto[18]. Violante Beatriz considerou a possibilidade de voltar para a sua pátria quando tomou conhecimento do regresso da sua cunhada, Ana Maria Luísa de Médici, Eleitora-viúva Palatina, nascida princesa da Toscana; as duas não se davam bem. Por outro lado, Violante Beatriz perderia a sua posição de Primeira Dama da Toscana. Para evitar quaisquer futuros arrufos relativamente a precedência, Cosme III nomeou Violante Beatriz Governador de Siena, cujas funções a manteriam afastada da corte Toscana, e dar-lhe-ia posse da Villa di Lappeggi, que se tornou, nas palavras do historiador Harold Acton, "a sort of literary academy"[19] [20][21]. Aqui ela recebeu poetas, como Lucchesi, Ghivanizzi e Morandi.[21]. Apesar da questão de precedência ter sido ultrapassada, a Eleitora viúva em diferentes ocasiões desrespeitou a cunhada, pelo que Violante Beatriz passou a recusar comparecer em público com a cunhada[22].

Governadora de Siena e visita a Roma[editar | editar código-fonte]

An elderly peri-wigged man is resplendent in gold, ermine-fringed coronation robes.
João Gastão de Médici Grão-duque da Toscana, cunhado de Violante, por Franz Ferdinand Richter, 1737

O Governador entrou nos seus domínios em abril de 1717, estabelecendo residência no centro da cidade. O ato mais memorável de Violante Beatriz como Governador foi a reorganização dos Contrade[23] de Siena cujos nomes, número e fronteiras ela defeniu e que permaneceram até à atualidade[24] O Grão-duque Cosme III morreu em 31 de outubro de 1723; João Gastão ascendeu ao trono. Imediatamente chamou Violante Beatriz a Florença e baniu a irmã para a Villa La Quiete[25].

Como Governador, ela formalmente definiu, em 1729, as fronteiras, nomes e o número das Contrade [26] [24]. Durante o reinado do Grão-Duque João Gastão de Médici, o Governador era responsável pelas audiências formais na corte [27].

Violante Beatriz passou a dominar a corte enquanto João Gastão lhe entregava os seus deveres públicos, escolhendo (literalmente) passar a maior parte do seu tempo na cama[25]. The religiosidade melancólica de Cosme III deu lugar a um período de rejuvenescimento: Violante Beatriz instituiu a moda francesa na corte, compelindo os eclesiásticos miraculosos a afastarem-se e protegendo diversos poetas sieneses, como Perfetti e Ballati[28][29][30]. Violante Beatriz levou Perfetti a Roma em 1725 e alojou-se no Palazzo Madama. Durante a sua estadia nos Estados Papais, ela encontrou-se com o Papa Bento XIII, que a achou tão agradável que lhe atribuiu a Rosa de Ouro, um sinal do grande apreço Papal[31].

Após o seu regresso de Roma, Violante Beatriz e a cunhada, a Eleitora-viúva Ana Maria Luísa decidiram intervir no sentido de melhorar a imagem pública do Grão-duque João Gastão, tentando afastá-lo dos Ruspanti, o seu séquito de seguidores, organizando banquetes para os quais convidava os mais distintos membros da sociedade toscana[32]. Mas o comportamento do Grão-duque, vomitando, arrotando e contade anedotas impróprias, fazia com que os convidados fossem literalmente forçados a sair[32].

A cunhada foi mais bem sucedida, planeando aparições públicas como a do dia de S. João Batista, em 1729. Contudo, durante a cerimónia, o Grão-duque ficou tão intoxicado que teve que ser arrastado numa liteira de volta para o Palácio Pitti [33]. Mas de nada valeu esses eventos uma vez que o Grão-duque passou os últimos oito anos da sua vida na cama, entretido pelos Ruspanti.

Morte[editar | editar código-fonte]

Apenas cinco meses antes da chegada das tropas que defendiam os direitos do sucessor espanhol de João Gastão, Violante Beatriz, princesa da Baviera e Grã-princesa da Toscana, Governador de Siena, morre[34]. Durante a sua procissão fúnebre, o carro fúnebre fez uma breve paragem em frente do Palácio Pitti, o que perturbou o Grão-duque. Este ordenou que o cortejo avançasse com palavras descritas por um contenporâneo como "impróprias até para a mais baixa das meratrizes, quanto mais para alguem nascido em tão alto nível principesco "[35]. Os resto mortais de Violante Beatriz foram sepultados no Convento de Santa Teresa, em Florença; o seu coração foi colocado no caixão do seu marido na Basílica de São Lourenço, em Florença, a necrópole dos Médici[17][36].

Quando em 1857 o seu sarcófago foi redescoberto, tinha o selo de Napoleão I, que o mandara mudar do Convento de São Lourenço [36] Em 26 de fevereiro de 1858, regressou ao convento, transportada no carro fúnebre real.[36]

Ascendência[editar | editar código-fonte]

Títulos, tratamentos, honras e armas[editar | editar código-fonte]

Títulos e tratamentos[editar | editar código-fonte]

Honras[editar | editar código-fonte]

Armas[editar | editar código-fonte]

Armas de Violante Beatriz como Grã- Princesa da Toscana

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Strathern, p 397
  2. Young, p 467
  3. Acton, p 208
  4. a b c Acton, p 198
  5. Hale, p 188.
  6. Acton, pp. 265–267
  7. a b Acton, p 163.
  8. a b Acton, p 170
  9. Acton, p 171
  10. Young, pp. 466–467
  11. Acton, p 172
  12. Acton, p 197
  13. Strathern, p 396
  14. Em 5 de fevereiro de 1691 Cosme III teria adquirido a dignidade Alteza Real por diploma do imperador Leopold I
  15. a b Acton, p 233
  16. Acton, p 249
  17. a b Young, p 479
  18. Acton, p 256.
  19. (em português: uma espécie de academia literária
  20. Young, p 480
  21. a b Acton, p 264
  22. Acton, p 266.
  23. divisões administrativas
  24. a b Parsons, p 48
  25. a b Acton p 280
  26. divisões administrativas Sienesas
  27. Acton, p 280
  28. Angesi, p 445
  29. Napier, p 568
  30. Young, p 489
  31. Young, p 488
  32. a b Acton, pp. 288–289
  33. Strathern, p 407
  34. Acton, pp. 293–294.
  35. Acton, p 294
  36. a b c Young, p 491

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Acton, Harold (1980). The Last Medici. London: Macmillan. ISBN 0-333-29315-0.
  • Angesi, M.G. (2005).The Contest for Knowledge: Debates Over Women's Learning in Eighteenth-century Italy. Chicago: Chicago University Press. ISBN 0-226-01055-4.
  • Hale, J.R. (1977). Florence and the Medici. London: Orion. ISBN 1-84212-456-0.
  • Napier, Edward Henry (1846). Florentine History: from the Earliest Authentic Records to the Accession of Ferdinand the Third: Volume V. London: Moxon.
  • Parsons, Gerald (2004). Siena, Civil Religion and the Sienese. Farnham: Ashgate. ISBN 0-7546-1516-2.
  • Strathern, Paul (2003). The Medici: Godfathers of the Renaissance. London: Vintage. ISBN 978-0-09-952297-3.
  • Young, G.F. (1920). The Medici: Volume II. London: John Murray.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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