Adolpho Milman

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Adolpho Milman, mais conhecido como Russo (Império Russo/Afeganistão, 26 de julho de 1915 - Rio de Janeiro, 11 de agosto de 1980), foi um futebolista afegão naturalizado brasileiro.

Nasceu numa província russa, que hoje é o Afeganistão, sendo ele de etnia russa. Quando ainda era bebê, sua família veio para o Brasil, com ele tendo cerca de um ano de idade nessa época.

Inicialmente estabeleceram-se no Rio Grande do Sul, na cidade de Pelotas, onde começou a sua carreia no Pelotas.

Russo é um dos grandes artilheiros da história do Fluminense Football Club, tendo feito 154 gols em 249 jogos, entre 1933 e 1944, sendo um dos destaques do famoso "Fla-Flu da Lagoa", na final do Campeonato Carioca de 1941, tendo conquistado quatro campeonatos cariocas, um Torneio Aberto e um Torneio Municipal pelo Tricolor.

Ainda em 2006, era o segundo maior artilheiro do Fluminense em Fla-Flus com 13 gols, perdendo neste quesito apenas para Hércules, autor de 15 gols nas décadas de 30 e 40 do Século XX.

Russo era tido como jogador de rara inteligência, tendo, entre seus fãs, ninguém menos do que seu companheiro de clube, Tim, que quando se tornou treinador, foi um dos maiores estrategistas da história do futebol brasileiro, mestre de toda uma geração de técnicos.

Sofreu uma grave contusão em 1938, não tendo disputado nenhuma partida pelo Tricolor neste ano, tendo ido para Paris, a fim de se recuperar e onde chegou a jogar por um pequeno clube, o Cerele, retornando para o Fluminense em 1940, a tempo de se sagrar campeão carioca, e conseguindo recuperar a antiga forma.

No Campeonato Carioca de 1941, fez parte do ataque que fez 106 gols, um feito jamais igualado neste torneio, tendo como compaheiros o argentino Rongo, Romeu Pellicciari, Tim e Hércules.

Contava Tim que, no dia do Clássico Vovô de 4 de setembro de 1943, no Estádio de Laranjeiras, o então técnico do Fluminense, o uruguaio Ondino Viera, no momento da distribuição de camisas e tarefas aos jogadores, pediu a Russo que marcasse o jogador Santamaría, um argentino que jogava no Botafogo, o que Russo recusou, devolvendo a camisa ao técnico. Interpelado por Ondino Viera, Russo explicou que sua posição em campo e suas características não lhe permitiriam executar bem a função, recomendando que o treinador escalasse Carlos Brant, que era volante e ainda sabia atacar. Vencido pelo argumento de Russo, Ondino preferiu deixá-lo entrar em campo e jogar como acreditava que seria o melhor para ele e para o tricolor. Resultado: o Fluminense ganhou do Botafogo por 5 a 3 e Russo marcou três gols. [1] [2]

Russo jogou ainda na Seleção Brasileira e na Seleção Carioca.

Em 1949 foi técnico do America Football Club, conquistando o Torneio Início do Campeonato Carioca deste ano,[3] assim como foi técnico interino do Fluminense durante o Torneio Rio-São Paulo de 1955, com uma derrota para o Santos no Estádio da Vila Belmiro por 2 a 1 e uma vitória no Fla-Flu por 3 a 1.[4]

Foi supervisor da Seleção Brasileira até 1970, tendo sido demitido com o técnico João Saldanha, de quem era amigo.[5]

Ao terminar sua exitosa carreira, manteve-se vinculado ao Fluminense, tendo-lhe prestado vários serviços relevantes.[6]

Naturalizado brasileiro, veio a a falecer neste país em 1980.

Em 2006, teve lançada uma biografia escrita pelo jornalista paranaense Carlos Alberto Pessôa, intitulada "O Sábio de Chuteiras", pela editora Travessa dos Editores.

Referências

  1. Site negopessoa
  2. [Blog Jornalheiros História do Clássico Vovô]
  3. [Livro Hei de torcer até morrer, de José Rezende (2006)]
  4. [Site Estatísticas do Fluminense - Técnicos]
  5. Site Direto da Redação, Disponível em 6 de outubro de 2013]
  6. [Livro O Sábio de Chuteiras, por Carlos Alberto Pessôa, Ed. Travessa dos Editores (2006)]