Altamira do Paraná

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Município de Altamira do Paraná
Bandeira desconhecida
Brasão de Altamira do Paraná
Bandeira desconhecida Brasão
Hino
Fundação 27 de abril de 1982
Gentílico altamirense
Prefeito(a) José Amaro Bitencourt Filho
(2009–2012)
Localização
Localização de Altamira do Paraná
Localização de Altamira do Paraná no Paraná
Altamira do Paraná está localizado em: Brasil
Altamira do Paraná
Localização de Altamira do Paraná no Brasil
24° 47' 52" S 52° 42' 46" O24° 47' 52" S 52° 42' 46" O
Unidade federativa  Paraná
Mesorregião Centro Ocidental Paranaense IBGE/2008 [1]
Microrregião Goioerê IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Campina da Lagoa, Nova Cantu, Laranjal, Guaraniaçu
Distância até a capital 550 km
Características geográficas
Área 388,634 km² [2]
População 4 306 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 11,08 hab./km²
Altitude 575 m
Clima Subtropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,677 médio PNUD/2000 [4]
PIB R$ 36 189,947 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 8 824,66 IBGE/2008[5]
Página oficial

Altamira do Paraná é um município brasileiro do estado do Paraná. Sua população estimada em 2005 era de 6.725 habitantes. Em 1941, iniciaram-se os movimentos migratórios na região onde se situa o Município de Altamira do Paraná. Mas, é somente em 1962 que a Companhia de Colonização e Desenvolvimento Rural - CODAL coloniza a área da sede propriamente dita, com a demarcação dos lotes dentro do perímetro urbano, cujo traçado ainda é o predominante. Município com características econômicas baseada na agropecuária destacando-se a pecuária de corte e leite e, principalmente, a cultura do algodão entre outras. Criado através da Lei Estadual n°7.571, de 27 de abril de 1982, e instalado em 1 de fevereiro de 1983, foi desmembrado de Palmital. Hoje o Município passa por muitas dificuldades devido a falta de empregos e serviços públicos.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Altamira do Paraná recebeu esse nome em homenagem do proprietário da companhia de colonização à cidade paraense de Altamira, pelo especialista e fã em geografia do município supracitado. A etimologia para o vocábulo Altamira faz o historiador Guérios saber da existência de duas variações idiomáticas do étimo: em português vem de "alta" e "mira" e no germânico vem de "Altmir", de "alt" que significa velho, esperto e "mir" que significa esplêndido, brilhante (Antenor Nascentes).

História[editar | editar código-fonte]

A história do fluxo de pessoas em Altamira do Paraná é muito antiga. O primeiro grupo de moradores, formado por desbravadores valentes e conhecedores da geografia, da fauna e da flora da região, que eram dispostos a enfrentar o desconhecido e se aventurar no sertão, viviam espalhados em grandes áreas de terras.[6]

A mais importante fonte de renda é o extrativismo vegetal, em primeiro lugar da erva-mate, e em segundo lugar da madeira, que tinham em grande quantidade nas enormes florestas da região.[6]

Mais tarde surgiu uma povoação,[6] que no começo dos anos 1940 já se progredia significativamente.

Desde 1943, depois que Pitanga foi transformado em município emancipado de Guarapuava, a aglomeração urbana ganha uma nova sede administrativa, fazendo parte do território do município recém-criado.[6]

O nome Altamira foi dado por um dos líderes da Companhia de Colonização e Desenvolvimento (CODAL), no ano de 1962, sendo que naquela época começou a verdadeira colonização. A CODAL, transformando a localidade numa futura cidade, fez a medição e a divisão do sítio em diferentes lotes e os comercializou, da mesma forma que a zona rural, fazendo com que a comunidade se desenvolvesse acentuadamente.[6]

No dia 20 de novembro de 1963, o povoado de Altamira virou um Distrito Administrativo, através da Lei Estadual nº 4.784, fazendo parte do recém emancipado município de Palmital.[6]

José Luiz Guimarães (Zeca Mineiro), chega em Altamira com sua família em 26/12/1969. Sendo primo do pioneiro Joaquim de Oliveira(Caquito), estabelece-se vindo de Maringá. Possuía uma pequena propriedade na Estrada do Macaco, onde foi produtor de hortelã e outras lavouras. Eram tempos difíceis, não havia luz elétrica e nem água encanada. Os acessos a Altamira eram via Campina da Lagoa e Nova Cantú (passavam por balças no Rio Cantú). Também via Palmital, embora este acesso era menos usado, por causa da distancia, apesar de ser Distrito Administrativo de Palmital. Por causa das balças, quando chovia muito, os rios enchiam e impedia a passagem de veículos. Com isso, havia escassez de gêneros industrializados. Em 1974, Zeca Mineiro compra um gerador de energia e com seu filho Nadir Antônio, então com 14 anos, instalam um "sistema de geração e distribuição" de energia, atendendo diversas casas. Toda a "rede de distribuição" era construida por Nadir, bem como sua manutenção. Por muitas vezes Nadir Antonio precisou sair de sua sala de aula no Colégio Dr. Alirio de Jesus Dipp e correr para consertar a rede, uma vez que esta era composta de postes de madeira e por muitas vezes foram arrebentadas por caminhões transportando alambiques de hortelã. A energia era ligada das 18:00 as 22:00 horas de segunda a sexta e das 18 a 0:00 aos sábados e domingos. Neste tempo também o Sr. José Marques (Zé do Hotel), também possuía um gerador com o mesmo sistema. Zeca Mineiro, residiu em Altamira do Paraná até o dia 10/06/1975, mudando-se para Campo Mourão Pr, onde faleceu aos 68 anos, no dia 12/11/1989. Seu primo Caquito, um dos pioneiros, faleceu em 2008, após muitos anos de residencia, trabalho e dedicação à Altamira do Paraná. O episódio da instalação pioneira de energia elétrica em Altamira do Paraná, fez com que Nadir Antonio, tomasse gosto pela "coisa" e até os dias de hoje (2013) o mesmo segue elaborando projetos elétricos para eletrificação rural, comercial, residencia e iluminação publica para as cidades da região de Campo Mourão ou outra qualquer do território paranaense.

A sua transformação em município emancipado de Palmital ocorreria no dia 27 de abril de 1982, pela Lei Estadual nº 7.571, aprovada pelo governador Ney Aminthas de Barros Braga. O município foi instalado solenemente no dia 1º de fevereiro de 1983.[6]

Em 15 de junho de 1983, através da Lei Estadual nº 7.601, Altamira mudou de nome para Altamira do Paraná, porque já existia um município no Pará com o mesmo nome.[6]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.
  6. a b c d e f g h Altamira do Paraná Rede de Turismo Regional. Visitado em 29 de junho de 2010.
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INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES - Por José Carlos Murakami:

A minha família chegou em Altamira do Paraná no mês de Abril de 1962 e fomos direto para o final da ESTRADA DA BOTA, uma região de alta floresta e muita úmida, chovia semanas seguidas e fazia muito frio. Éramos em 4 pessoas, Meu tio João Murakami,Minha Tia Eiko Murakami, eu José Carlos Murakami com 12 anos e meu irmão mais novo Antonio Murakami com 11 anos. Nós viemos de Marabá Paulista - SP onde lá um japonês havia adquirido um sitio em Altamira e meu tio o arrendou. Não tínhamos casa e muito menos um barraco, meu tio montou uma cabana com um velha lona e folhas de palmitos que tinha muito na região, ficamos acampados exatamente na beira de uma estrada que estava sendo aberta por um trator, bem na bifurcação da estrada da bota, seguindo reto ia para o bico da bota e a direita para o calcanhar da bota que o desenho que o Rio Piquiri faz, olhando-se no mapa e era para este lado que ficava o tal sitio que meu tio havia arredando e tinha 15 alqueires e o desejo era desbravar tudo e plantar arroz e feijão. O tal sitio ficava há uns 3 quilômetros desta bifurcação no sentido a direita da referida estrada e numa baixada beirando um pequeno riacho de água limpíssima e que nós bebíamos, o Rio Piquiri ficava do lado esquerdo. Não sei dizer se foi aventura ou loucura do meu tio, só sei dizer que passamos muita fome e frio no primeiro ano nesta região e para comprar qualquer coisa tínhamos que andar aproximadamente 12 quilômetros até a cidade como era chamada Altamira.

Chegamos naquela floresta muito animados com tanta riqueza e a terra era muito fértil, a propaganda da tal CODAL dizia: "Plante em cima das pedras que produzirá arros, feijão e milho a vontade". Era verdade, mas como plantar? Chovia meses sem parar. No primeiro ano conseguimos plantar aproximadamente um hectare e assim fomos avançando e realmente colhemos alguma coisa e a maior parte se perdeu com a chuva. Na realidade nos que não conhecíamos o clima da região. Outro problema era o medo de bichos, local era totalmente selvagem e tinha bicho do mato de toda espécia, como porco do mato, anta, veado e a famosa onça pintada, ela vinha todas as noites no nosso acampamento e por muitas vezes quando amanhecia víamos os rastros das patas dele na estrada ao lado do rancho. Assim se foi anos após anos e nos tornamos um dos maiores produtores de arroz do tipo bico preto e amarelão e feijão mulatinho naquele local. No mesmo ano e nos anos seguintes outros loucos desbravadores como o José Paraíba, um lutador solitário que tinha seu sitio vizinho de nós, chegou o Sr. Lino Português com sua família, seu sitio ficava bem perto da bifurcação da estrada da bota.

No ano seguinte construímos uma rancho de pau a pique no tal sitio e começamos a desbravar o mato para plantar arroz, feijão e milho. Logo descobrimos que a nossa sobrevivência ali estava no rio e começamos a pescar para comer e vender. Meu tio derrubou uma grande árvore de TIMBURI que havia no sitio e fizemos uma canoa. Foi a primeira canoa que se tem conhecimento naquela na época, foi um feito que correu noticias na região. Vinham pescadores e caçadores de longa para pescar e caçar com nós e eu Zé Carlo muito jovem, com 14 a 15 anos fiquei conhecido como o melhor atirador de Anta daquela região. Também ficamos conhecidos com os maiores pescadores da região de Surubim e Pintado daquela região. Peixe não faltava, sempre tínhamos alguns Surubins e Pintados enormes e vivos amarados no rio para vender. Era com estas vendas que comprávamos sal, açúcar, café etc. Começamos a criar porcos e coisa tomou grande proporção a ponto de semente eu e meu irmão ter 70 cabeças de porco, foi quando começamos a ver alguma fartura em casa. Nossa diversão era pescaria e caçadas. Geralmente eu era o piloto da canoa que gente alugava para caçadores de Veado e Anta que vinham de Guaraniaçu, Pitanga e região. Numa destas caçadas de Anta os cachorros de uma tal de Nerso, um paranaense respeitado e caçador Anta famosos e que sempre vinha caçar na nossa região e que morava em Guaraniaçu, foi quando os seus cachorros acuaram um onça pintada, ela subiu numa árvore. Eu estava no rio esperando Anta cair no rio e ouvi vário tiros e os cachorros calaram. Ao ser atingida por um tiro de Carabina, a Onça caiu sobre os cachorros e matou dois cachorros degolados..Voltei para casa e estava lá morta uma enorme Onça Pintada, tinha uns 2 metros de comprimento e pesava uns 80 quilos. O tal Nerso caçador tirou o couro dela e levou, o restante jogamos no rio perque nem cachorro come a carne da pintada. Em 1968 eu e meu irmão largamos tudo e viemos para São Paulo, aqui estudei, me formei engenheiro, trabalhei em algumas empresas, casei e tenho uma grade família e hoje sou empresário e fabricamos máquinas e equipamentos industriais. Meu tio ficou lá e depois de alguns anos soube que o mataram a pauladas na beira do Rio Piquiri. Também soube que ele se casou ou se juntou e teve filhos / filhas que eu não tenho noticias, e gostaria muito de saber deles. O que posso dizer é que tenho uma longa historia para contar sobre Altamira do Paraná, na época somente Altamira, lamento muito em nunca mais mais podido voltar lá. Quem sabe um dia..

José Carlos Murakami - Contato: murakami@wheelabras.com.br Fone: 11. 99176 4069