Axel Honneth

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Axel Honneth em Jena, 2008.

Axel Honneth (Essen, 1949) é um filósofo e sociólogo alemão. Desde 2001, é diretor do Institut für Sozialforschung (Instituto para Pesquisa Social) da Universidade de Frankfurt (oficialmente, Johann Wolfgang Goethe-Universität Frankfurt am Main, em português: Universidade Johann Wolfgang Goethe de Frankfurt), instituição na qual surgiu a chamada Escola de Frankfurt. Também é professor de Filosofia Social na mesma universidade, desde 1996.

No campo da filosofia social e prática, o nome de Axel Honneth está ligado ao projeto de relançamento da tradição da teoria crítica da Escola de Frankfurt, através de uma teoria do reconhecimento recíproco, cujo programa está contido em seu livro Kampf um Anerkennung. Zur moralischen Grammatik sozialer Konflikte, de 1992, publicado no Brasil como Luta por reconhecimento - A Gramática Moral dos Conflitos Sociais, em 2003. Publicou também em português Sofrimento de indeterminação: Uma reatualização da filosofia do direito de Hegel, em 2007.

Vida acadêmica[editar | editar código-fonte]

Nascido em Essen, estudou filosofia e sociologia em Bonn e Bochum. Prosseguiu sua carreira acadêmica na Universidade Livre de Berlim e no Instituto Max Planck de Munique, sob a orientação de Jürgen Habermas. Ensinou na Universidade Livre de Berlim e na New School for Social Research, em Nova York, antes de se tranferir para a Universidade de Frankfurt, em 1996.

Honneth foi assistente de Habermas - o filósofo frankfurtiano da "segunda geração" - entre 1984 e 1990, e é a figura mais destacada do que pode ser chamada a "terceira geração" da Escola de Frankfurt.

Entre seus principais trabalhos, estão Kritik der Macht. Reflexionsstufen einer kritischen Gesellschaftstheorie (Crítica do poder. Estágios de reflexão de uma teoria social crítica) e o já citado Luta por reconhecimento.

O trabalho de Honneth concentra-se em Filosofia Social, Política e Moral, especialmente nas relações de poder, reconhecimento e respeito.

Um dos seus temas centrais é a importância das relações intersubjetivas de reconhecimento, para o entendimento das relações sociais. Coloca a falta de reconhecimento na base dos conflitos interpessoais e sociais. Neste sentido, é herdeiro da tradição habermasiana, mas sua concepção de intersubjetividade é construída com mais profundidade, em Luta por Reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais, que remonta também a Hegel e George Herbert Mead.

Em seu livro The Critique of Power: Reflective Stages in a Critical Social Theory, Honneth busca apresentar as limitações dos modelos teóricos com os quais a teoria crítica trabalhou até sua versão mais recente - que à época, era a teoria da ação comunicativa, de Habermas. Refere-se também às limitações de modelos teóricos ligados à crítica ao Iluminismo - relacionados com a crítica de Horkheimer e Adorno na Dialética do esclarecimento - como o de Michel Foucault.

Honneth defende que falhas internas aos modelos de Horkheimer, Adorno, Foucault e Habermas foram responsáveis por aquilo que chama de "déficit sociológico da teoria crítica". Esses quatro autores, em suas tentativas de explicar a forma de integração das sociedades modernas - nas quais a ordem de dominação capitalista prevalece - chegaram, segundo Honneth, às mesmas dificuldades no domínio do social, que não fora devidamente teorizado por nenhuma das versões finais das teorias. Ou seja, apesar de proporem paradigmas teóricos explicativos da integração social, a atividade cotidiana ficava de lado, em favor de uma teorização mais profunda acerca da dominação. Com isso, a própria teoria crítica se colocava problemas que não poderia resolver. Daí a necessidade, colocada por Honneth, de uma atualização que se pautasse pela solução deste déficit sociológico por meio de uma teoria da integração cujo centro ativo fosse a atividade cotidiana.

A construção deste modelo é o tema de seu livro mais importante: Kampf um Anerkennung (Luta por Reconhecimento), no qual o conceito de reconhecimento é derivado principalmente do trabalhos de filosofia social do jovem Hegel, complementados pela psicologia social de Mead, pela ética comunicativa de Habermas e pela teoria da "relação de objeto" de Winnicott. Este conceito apresenta a idéia de que expectativas normativas morais conformam a auto-percepção dos indivíduos, e, na medida em que estas expectativas são desrespeitadas, tornam-se combustível de conflitos pelo reconhecimento de suas qualidades - o que, em sua opinião, torna o conceito de auto-percepção mais amplo do que a idéia de identidade, uma vez que esta é uma das qualidades pelas quais o sujeito pode se reconhecer positivamente.

Honneth e a filósofa feminista Nancy Fraser participaram da coletânea Recognition or Redistribution? A political-philosofical exchange[1] e ambos assinam a introdução do livro, conquanto Fraser tenha divergências em relação a Honneth, criticando a prioridade que este atribui às categorias éticas, como o reconhecimento, em detrimento de categorias político-sociais, como a redistribuição.

O recente trabalho de Honneth, Reification: A Recognition-Theoretical View reformula um conceito chave do marxismo ocidental em termos de relações intersubjetivas de reconhecimento e poder. Para Honneth, todas as formas de reificação se devem mais a patologias no âmbito da intersubjectividade, do que ao caráter estrutural dos sistemas sociais, como o capitalismo, tal como defendem Karl Marx e György Lukács.

Principais obras[editar | editar código-fonte]

(em inglês)

  • Social Action and Human Nature, com Hans Joas (Cambridge University Press, 1988).
  • The Critique of Power: Reflective Stages in a Critical Social Theory (MIT Press, 1993).
  • The Fragmented World of the Social: Essays in Social and Political Philosophy (SUNY Press, 1995).
  • The Struggle for Recognition: The Moral Grammar of Social Conflicts (Polity Press, 1996).
  • Recognition or Redistribution?, com a filósofa feminista Nancy Fraser (2003).
  • Redistribution or Recognition?: A Political-Philosophical Exchange, co-authored with Nancy Fraser (Verso, 2003).
  • Reification: A Recognition-Theoretical View (Oxford University Press, 2007).
  • Disrespect: The Normative Foundations of Critical Theory (Polity Press, 2007).

(em português)

  • Luta por reconhecimento: A gramática moral dos conflitos sociais. Trad. Luiz Repa. São Paulo: Ed. 34, 2003 (Kampf um Anerkennung, (1992).
  • Sofrimento de indeterminação: Uma reatualização da filosofia do direito de Hegel. Trad. Rúrion Melo. São Paulo: Ed. esfera Pública, 2007.
  • Sobre o autor em português - Rúrion Melo (org.). A teoria crítica de Axel Honneth: Reconhecimento, liberdade e justiça. São Paulo: Saraiva, 2013.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

(em português)

(em inglês)

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