Badakhshan

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Badakhshan (em dari e persa: بدخشان; em tajique: Бадахшон) é uma região histórica da Ásia Central, que abrange parte do nordeste do Afeganistão e do sudeste do Tajiquistão.

Map of Badakhshan, divided between Tajikistan in the north and Afghanistan in the south

A região afegã do Badakhshan é denominada de vilaiete (ou província) de Badakhshan; localizada na parte oriental do país, contém o chamado Corredor de Wakhan. A maior parte do Badakhshan se encontra dentro da Província Autônoma de Gorno-Badakhshan, no sudeste do Tajiquistão. A música de Badakhshan é uma parte importante da herança cultural da região.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Os povos do Badakhshan formam uma comunidade etnolingüística e religiosa distinta. Etnicamente são tajiques, que descendem dos povos iranianos que povoaram a região por volta de 1000 a.C.. No Afeganistão o idioma prevalecente é o dari, variante do persa, além de outros idiomas pertencentes ao ramo oriental das línguas iranianas; já no Tajiquistão fala-se o pamir. A lingua franca em toda a região é o dari/persa. A principal religião é o islamismo sunita, entre a maioria os habitantes do Badakhshan afegão, enquanto os falantes de pamir do Badakhshan tajique e da parte leste do Badakhshan afegão são em sua maioria muçulmanos ismaelitas. Os povos desta região têm uma rica herança cultural, manifestada através da preservação de suas antigas formas de música, poesia e dança, que se perderam em outras partes da Ásia Central. Os badakhshanis consideram-se, orgulhosamente, tajiques, ainda que vivam além das fronteiras daquele país (no Afeganistão).

História[editar | editar código-fonte]

O Badakhshan tem uma longa história, que pode ser divida em dois períodos principais:

História antiga[editar | editar código-fonte]

A região foi um importante centro de comércio durante a Antigüidade. O lápis-lazúli era exportado do Badakhshan para o Oriente Médio e Europa desde a segunda metade do quarto milênio a.C., através da Rota da Seda. Teve um papel significativo geo-econômico no comércio de produtos como a seda e outras mercadorias valorizadas tanto no Ocidente quanto no Oriente.

De acordo com Marco Polo, Badashan era uma província onde os rubis Balas podiam ser encontrados sob a montanha de Syghinan.

História moderna[editar | editar código-fonte]

As fronteiras da região foram decididas pelo acordo anglo-russo de 1873, que reconheceu expressamente o "Badakhshan, juntamente com o seu distrito dependente de Wakhan" como "pertencendo totalmente ao emir de Cabul", e limitou-o à margem esquerda ou sul do rio Amu Darya (também chamado de Oxus) e, a oeste, por uma linha imaginária que cruza as planícies do Turquestão ao sul, da junção dos rios Kundus e Amu Darya até o rio Tashkurghan, e depois se dirige para o sudeste, cruzando Kunduz, até que se enconta com o Hindu Kush - que por sua vez delimita a fronteira sul, até o Passo de Khawak, saindo de Badakhshan até o vale de Panjshir.

Sabe-se que os nuristanis (antigos Kaffir) ocupavam o Hindu Kush até o leste do Khawak, porém até onde chegavam ao norte da principal linha divisória não se pode afirmar com certeza. As fronteiras sul do Badakhshan tornavam-se definidas novamente no Passo de Dorah, que liga Zebak e Ishkashim (Ishkoshim em tajique) no "cotovelo" formado pelo Amu Darya no vale de Lutku, que leva até Chitral. De Dorah em direção ao leste o Hindu Kush torna-se novamente a fronteira, até que ele se junta com as cadeias montanhosas de Muztagh e Sarikol ranges, que isolam a China da Rússia e da Índia. Contornando a cabeça do Tagdumbash Pamir, a fronteira finalmente se junta às montanhas do Pamir e toma a direção oeste, seguindo o curso do Amu Darya até a junção daquele rio com Khanabad (Kunduz).

Enquanto a fronteira norte seguida o curso do Amu Darya, sob as encostas norte do Hindu Kush, ela era separada apenas pela extensão destas encostas - cerca de 15 quilômetros - da fronteira sul. Assim, Badakhshan se estende como um braço na direção leste, rumo ao Pamir - adquirindo uma forma de garrafa, estreito em seu pescoço, representado pelas encostas norte do Hindu Kush, e expandindo-se para o leste, como se fosse o corpo da garrafa, à medida que o território alcança os Pamires grande e pequeno.

Antes do estabelecimento das fronteiras em 1873, os pequenos Estados de Rushan e Shugnan[1] chegavam à margem esquerda do Amu Darya, e a província de Darwaz, por outro lado, se estendia à margem direita. Posteriormente, no entanto, a extensão rumo ao Darwaz foi trocada pelo Pamir russo, a oeste, e o rio tornou-se a fronteira entre o território russo e afegão; as fronteiras políticas deixaram de ser coincidentes com os limites geográficos.

As principais subdivisões provinciais de Badakhshan, com a exceção de Rushan e Shugnan, eram: a oeste Rustak, Kataghan, Ghori, Narin e Anderab; ao norte Darwaz, Ragh e Shiwa; a leste Charan, Ishkashim, Zebak and Wakhan; e, no centro, Faizabad, Farkhar, Minjan e Kishm. Existiam ainda outras, porém pouco se conhece sobre elas.

Em 1895 o rio Panj foi definido como parte da fronteira entre o Badakhshan afegão e o território russo. Dentro da União Soviética, a parte que pertencia anteriormente à Rússia, foi organizado como o oblast (província) autônomo de Gorno-Badakhshan, dentro da República Socialista Soviética Tajique, e, com a independência tajique em 1994, passou a ser a Província Autônoma de Kohistan-Badakhshan.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A configuração dos distritos montanhosos, maior parte dos distritos do sul de Badakhshan e dos morros e vales ao norte, do Nuristão (antigo Cafiristão), é análoga à do resto do Hindu Kush, a oeste. O próprio Hindu Kush representa a extremidade sul de um grande planalto central, que se divide em longas cadeiras rumo ao sul, nas profundezas das quais estão os vales do Nuristão, quase que isolados uns dos outros pelos picos nevados e de altitudes elevadas que os separam. Ao norte o planalto gradualmente se transforma numa encosta que desce rumo ao Amu Darya, passando de uma altitude de cerca de 4.500 metros a cerca de 1.200, na região de Faizabad, no centro de Badakhsan, e chegando até mesmo a 100 metros, em Kunduz, no Kataghan, onde se iniciam as planícies que margeiam o Amu Darya.

O rio Kokcha atravessa o Badakhshan do sudeste ao noroeste e, juntamente cm o Kunduz, recebe toda a água das encostas norte do Hindu Kush a oeste do Passo de Dorah. Algumas de suas nascentes estão próximas a Zebak, na grande curva que o Amu Darya faz rumo ao norte, isolando toda a área montanhosa que fica dentro da curva do resto do Badakhshan. Seu principal afluente é o Minjan, descrito pelo explorador britânico George Scott Robertson, que é um rio de volume d'água considerável ao aproximar-se do Hindu Kush, sob o Dorab. Como o Kunduz, também recebe as águas das encostas nortes do Hindu Kush através de seus profundos vales laterais, mais ou menos paralelos à crista da cordilheira, e que se estende para oeste em direção ao Passo de Khawak. Do Amu Darya (aprox. 300 metros de altitude) até Faizabad (1.200 m) e Zebak (2.600 m), o curso do Kokcha oferece uma estrada elevada por todo o Badakhshan; entre Zebak e Ishkashim, na curva do Amu Darya, existe apenas um passo a quase 3.000 metros de altitude; e seguindo-se de Ishkashim pelo Pamir encontra-se a continuaçãode o que deve ter sido uma das rotas comerciais mais utilizadas do continente asiático, ligando o Turquestão afegão com Kashgar e a China. Ao norte de Kokcha, dentro da curva do Amu Darya, se localiza o distrito montanhoso de Darwaz, cuja fisiografia se assemelha mais ao Pamir que ao Hindu Kush.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), publicação em domínio público.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Os nomes oficiais, no Tajiquistão, são, desde 1994, Rushon e Shugnon.