Basic (filme)

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Basic
Básico (PT)
Violação de Conduta (BR)
Pôster promocional
 Estados Unidos  Alemanha
2003 • cor • 98 min 
Direção John McTiernan
Produção Mike Medavoy
Michael Tadross
Dror Soref
James Vanderbilt
Roteiro James Vanderbilt
Elenco John Travolta
Samuel L. Jackson
Connie Nielsen
Tim Daly
Giovanni Ribisi
Roselyn Sanchez
Taye Diggs
Harry Connick, Jr.
Brian Van Holt
Cristián de la Fuente
Dash Mihok
Gênero Mistério
Suspense
Idioma Inglês
Música Klaus Badelt
Cinematografia Steve Mason
Edição George Folsey Jr.
Estúdio Phoenix Pictures
Intermedia Films
Distribuição Columbia Pictures
Lançamento Estados Unidos 28 de março de 2003
Portugal 22 de agosto de 2003
Alemanha 11 de setembro de 2003
Brasil 10 de outubro de 2003
Orçamento US$50 milhões[1]
Receita US$42,792,561[2]
Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

Basic (br: Violação de Condutapt: Básico) é um filme dos Estados Unidos da América e da Alemanha de 2003, dos gêneros mistério e suspense, dirigido por John McTiernan e escrito por James Vanderbilt, estrelado por John Travolta, Connie Nielsen e Samuel L. Jackson.

Este é o último filme de McTiernan até a data.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Durante um treinamento no Panamá, um grupo do exército desaparece. Paralelamente, existe a iminência de um grande furacão.

Na polícia, um investigador interroga os dois únicos sobreviventes e chegará a conclusão de que o grupo estava envolvido em atividades criminosas.

Tempestade. Um helicóptero sobrevoa uma densa e escura floresta da América Central. O sádico e autoritário sargento West (Samuel L. Jackson, cuja voz já se fizera reconhecível em off desde o início da cena) dita as regras da "brincadeira" para os soldados que se preparam para descer por uma corda e se embrenhar pela floresta. É de se pensar: John McTiernan retornou ao cenário do primeiroO Predador. Uma elipse, entretanto, transporta o filme para um ponto em que já foi consumada uma série de fatos enigmáticos, incluindo a morte de quase todo o time que desceu do helicóptero. Do treinamento que terminou em matança, apenas dois sobreviventes, duas testemunhas mudas, que não querem ou não conseguem colaborar. Entra em ação Tom Hardy (John Travolta), ex-oficial do exército que carrega má fama (alcoolismo, acusação de corrupção) e atualmente pertence à divisão de narcóticos. Cabe a ele que, apesar da reputação controversa, tem habilidade como interrogador, e a Julia Osborne (Connie Nielsen), uma jovem recruta bastante aplicada, a condução da investigação.


Através dos depoimentos, o filme tentará restituir aquela elipse, aquele elo perdido entre a descida dos soldados e a cena em que um já atira contra o outro. Uma questão primordialmente cinematográfica. O filme não voltará à selva senão por intermédio de depoimentos das testemunhas, ou seja, de versões, de meias-verdades, de tudo aquilo que uma narrativa precisa para se preencher de reviravoltas e redirecionamentos. Onde a opção do roteiro por um tema sério (ética e conduta militar, narcotráfico, política internacional – ação do exército norte-americano nos arredores do canal do Panamá) ameaça trazer alguma mensagem forte, pouco a pouco se vê que o objetivo principal é a encenação de um jogo. Da mesma forma que a cada testemunha cabe uma verdade, ao filme pertence a liberdade de mostrar o que bem entende – ou não mostrar. Se há uma denúncia emViolação de Conduta, ela está menos na ação dos militares que no discurso (podendo este ser expandido a toda uma imagem vendida por um país em guerra contra o resto do mundo – e aqui McTiernan estaria sendo aquele auteurpolitizado de que uns falam seriamente e outros debocham), um discurso que posteriormente pode ser elaborado em cima dessa ação. Aquela elipse, aquele ponto nevrálgico em que ocorreram as mortes, estará nas mãos do articulador do discurso, que ali depositará sua versão: mortes acidentais, mortes propositais, briga por dinheiro ou por drogas, rivalidades pessoais.


Violação de Conduta é um filme mais de diálogo que de ação. Mas são diálogos contundentes, com frases de efeito, com trocas de gestos e olhares que podem a qualquer momento mudar o rumo da narrativa (tal como em Duro de Matar 3, outro filme de McTiernan com Samuel L. Jackson no elenco). Câmera e atores movidos por um desejo do diretor de encadear artifícios retóricos e resolvê-los no próprio pôr-se-em-cena. A retórica dos personagens e a da câmera se confundem, jogam no mesmo lado. Todo e qualquer diálogo em Violação de Conduta é uma questão de cinema a ser resolvida com precisos lances de mise-en-scène. Suas imagens são peças de artesanato, feitas com o cuidado e a precisão de quem já domina o ofício. Tom Hardy conversa com Julia Osborne, e há no mínimo três tonalidades de cor dividindo o quadro: uma luz vermelha sobre os rostos, uma amarela no canto esquerdo, uma azul passando por entre as venezianas, além de flashes dos faróis de carros e aviões que circulam na base militar onde a maior parte do filme se passa. Com discrição e maestria, McTiernan fez um filme-recreação. São as charadas e o gosto pela celebração (acrescida de uma saborosa pitada de desconstrução) da própria "lógica interna" do filme de aventura que movem Violação de Conduta. É o John McTiernan de O Último Grande Herói, obra-prima injustiçada, que está aqui de volta, em menor grau de metalinguagem, obviamente, mas com o mesmo interesse declarado pelos jogos de cena e de narrativa. 


O filme de roteiro engenhoso representa uma parcela considerável do cinema de ação contemporâneo. Não à toa os trapaceiros estão em alta: Nove RainhasOnze Homens e um SegredoO AssaltoLance de SorteConfidence. Um personagem que ludibria o outro, um filme que ludibria o espectador. Também não falta a esses filmes uma linguagem visual ágil e estilizada. Os roteiros filmados por McTiernan já possuíam gráficos oscilatórios, cheios de traições e truques, desde Duro de Matar. Em Violação de Conduta, contudo, a busca pela grande surpresa final, a grande revelação, está pormenorizada: McTiernan não aposta nessa verdade que cintila no fim do túnel. Seu filme não leva tão a sério o ponto de chegada, a resolução do enlace narrativo, mas antes valoriza o processo, a tensão entre os pólos de farsa e honestidade, confiança e desconfiança (como fazem também os outros, mas há de se admitir que neles o desfecho não só é crucial como chega, por vezes, a querer "validar" o filme). Ele faz agora o que sempre fez: assume o velho jogo, mas repensando as regras e os métodos.


A oposição "básica" endereçada ao par central do filme (Travolta/Nielsen) está no cerne das questões levantadas por McTiernan. De um lado a busca pela verdade por meios claros, a pureza de princípios da personagem de Nielsen. De outro o disfarce, a malandragem de Travolta à frente do "grupo dos oito". E entre os dois se desenvolve um embate de condutas que naturalmente se transforma em jogo de sedução: ao pensar suas próprias formas (de narrativa, de imagem, de encenação), McTiernan alcança um local de atrito (reconstituição de fatos versus elogio da mentira, limpidez versus saturação, desvendamento versus ocultação) que logo se desdobra em convite à cumplicidade (do que a cena-resumo é a piscadela de Tom Hardy para uma Julia Osborne ainda perplexa após descobrir que ele, West e outros mais estavam apenas disfarçados para desvendar uma operação ilegal no alto escalão dos oficiais).


Muitas das imagens de Violação de Conduta são confusas e saturadas (de cores, de signos). Imagens de difícil legibilidade que, ou se contrapõem à vontade do roteiro de querer ser entendido, ou justamente corroboram uma idéia de não-verdade, de retalhos de contos que não querem promover uma leitura definitiva (e o cinema seria mais um desses contos). Como a cena de uma festa popular no final do filme confirma, trata-se de um desfile carnavalesco: cores, ritmos, flertes, fantasias, máscaras, mescla de luxo e grotesco (a cena de um soldado morrendo envenenado, após vomitar sangue). A operação de treinamento fracassada que compõe a base do roteiro de Violação de Conduta metonimiza o cinema de John McTiernan: é da simulação, da ambigüidade e do caos que ele retira a força expressiva da qual tem saído grandes filmes já há algum tempo. 

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

Os produtores de Basic queriam que Catherine Keener e Benicio Del Toro interpretassem, respectivamente, os personagens de John Travolta e Samuel L. Jackson inicialmente. Atores Andy Garcia, Barry Pepper e Joshua Jackson chegaram a ser sondados para atuar em Basic. No contrato de John Travolta para atuar em Basic constava uma cláusula que obrigava a produção a disponibilizar para ele 8 camisas da grife Armani por dia de filmagem. O roteirista James Vanderbilt recebeu US$ 400 mil pelos direitos da história.[3] Cada vez que alguém conta a história, ela é contada de forma diferente. É uma referência ao filme Rashomon, de 1950, onde cada pessoa dá um versão diferente dos mesmos acontecimentos. Para dar a Roselyn Sanchez a postura correta, o diretor John McTiernan fez ela vestir um saco de areia em frente a barriga e ao mesmo tempo mandou-a imaginar-se como uma vedete de shows em Las Vegas.

Recepção[editar | editar código-fonte]

O filme arrecadou $26,793,311 nos EUA.[2] As críticas foram principalmente negativo. O filme recebeu uma classificação de 21% "frescos" (positivo) comentários dos críticos agregados por Rotten Tomatoes.[4] A maioria dos comentários criticam o filme. Roger Ebert deu-lhe uma estrela de quatro e escreveu que "não era um filme que poderia ser entendido", e que "Se eu fosse vê-la de novo e de novo, eu poderia ser capaz de extrair uma lógica subjacente a partir dele, mas o problema é que, quando um filme não é digno de ser visto duas vezes, era melhor obter o trabalho feito na primeira vez".[5] Leonard Maltin's Movie Guide deu duas estrelas de quatro e escreveu que o filme" continua a adicionar camadas de confusão, de modo que torna-se menos interessante como ele vai junto! O "twist" final parece negar toda a história, como uma piada de histórias da carochinha".[6]

Referências

  1. Movie Basic The Numbers. Página visitada em 21 August 2011.
  2. a b Basic (2003) Box Office Mojo. Página visitada em 21 August 2011.
  3. Basic no AdoroCinema
  4. Basic Rotten Tomatoes
  5. Basic rogerebert.com
  6. Leonard Maltin's 2008 Movie Guide, New York: Signet, 2007, ISBN 978-0-451-22186-5, p. 90

Ligações externas[editar | editar código-fonte]