Benedict Anderson

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Benedict Anderson (Kunming, China, 26 de Agosto de 1936) é um cientista político estadunidense, professor emérito na Universidade Cornell e irmão do historiador marxista Perry Anderson.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Descendente de irlandeses e de ingleses, mudou-se ainda criança para a Califórnia, já adulto foi para a Inglaterra e formou-se na Universidade de Cambridge. Registrou-se no programa de estudos sobre a Indonésia da Universidade Cornell, foi para Jacarta e para Tailândia. Atualmente é professor de estudos internacionais em Cornell e sua principal obra é Imagined communities, publicada pela primeira vez em inglês no ano de 1983 e já traduzida para 21 idiomas. Sua última tradução brasileira (de Denise Bottman) é de 2008, sob o nome Comunidades imaginadas: reflexões sobre a origem e difusão do nacionalismo.

Comunidades imaginadas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Comunidades imaginadas

No desenvolver de suas teorias, a noção que Anderson observa da "nacionalidade" vem, nos anos recentes, transformando-se uma força principal em muitos aspectos do pensamento moderno. Tanto o desenvolvimento das Nações Unidas, dos conflitos existentes e gerados pelas "subnações", do fim das dinastias européias e asiáticas em proveito de uma unificação estatal e linguística são evidências de que o nacionalismo é, certamente, reconhecido como uma moral hegemônica no mundo político moderno. Contudo, apesar da influência que o nacionalismo teve na sociedade moderna, Anderson acredita que suas origens conceituais são inadequadamente explicadas. Sua finalidade em escrever Comunidades Imaginadas é, então, fornecer um fundo histórico para o emergente nacionalismo e seu desenvolvimento, evolução, e recepção. A grande contribuição desta obra está em discutir o surgimento do nacionalismo não enquanto resultado da transformação histórica Européia, mas sim enquanto contribuição original dos países colonizados e asiáticos, rompendo assim com as interpretações "europocêntricas" no estudos das nações.

Nacionalismo[editar | editar código-fonte]

Anderson define a nação como “(...) uma comunidade política imaginada - e imaginada como sendo intrinsecamente limitada e, ao mesmo tempo, soberana” (2008, p. 32) Para ele, a nação seria:

  • Imaginada porque seus membros nunca conhecerão todos os demais; na mente de cada indivíduo reside uma imagem da comunidade da qual participam. Ou seja, ainda que os limites de uma nação não existam empiricamente, seus indivíduos são capazes de criar e imaginar tais fronteiras, criando e imaginando seus membros.
  • Limitada porque a nação é limitada em suas fronteiras por outros territórios; Anderson critica a possibilidade de uma nação abranger toda humanidade, pois seria inviável para a consolidação de um sentimento nacionalista abarcar toda humanidade - uma vez que a nação é um critério de distinção entre grupos e comunidades.
  • Soberana porque o surgimento do nacionalismo, segundo Anderson, está relacionado ao declínio dos sistemas tradicionais de governabilidade (monarquia, na Europa, ou administração colonial na Ásia e Américas) e à construção de uma nacionalidade baseada na identificação étnica, racial e/ou cultural. Esta identificação possuiria um projeto comunitário de união baseada nas diferenças de um povo para o outro A soberania nacional, deste modo, é um símbolo da liberdade frente às estruturas de dominação antigas - gerando novas estruturas de dominação, como a administração estatal, a divisão intelectual do trabalho (administradores, burocratas, professores universitários, etc.), o capitalismo editorial e o surgimento de práticas de controle estatal (censo para a população, mapas para o território e museus para a cultura legítima).
  • Comunidade porque uma nação é concebida enquanto estrutura horizontal na sociedade. Ou seja: é possível membros de diferentes classes sociais, em diferentes posições sociais, ocuparem um mesmo âmbito nacional e estarem vinculados por um projeto em comum.

Capitalismo Editorial[editar | editar código-fonte]

Conceito apresentado por Anderson que visa investigar as relações entre o surgimento dos livros em línguas seculares e dos jornais ao surgimento do nacionalismo. Conceitualmente, o capitalismo editorial constitui-se na junção das possibilidades do capitalismo à tecnologia de imprensa, criando de modo incisivo uma homogeneidade na diversidade de línguas humanas. Essa homogeneidade é um indício de fronteiras linguísticas e cognitivas que viriam a consolidar-se enquanto alicerces para o surgimento da nação moderna.

Raízes Culturais[editar | editar código-fonte]

Anderson assume as seguintes bases históricas para a concepção da nação imaginada:

  1. Negação da existência de um texto sagrado que seja assumido como “a verdade”. Mudanças na religião propiciaram a crença de que o nacionalismo era uma solução secular para a questão da continuidade que era respondida, anteriormente, pela . O declínio da dominação da religião levou ainda ao declínio das linguagens sagradas. O crescimento das linguagens seculares no século XVI diminuiu a importância do latim como a única linguagem sagrada possível para s escrituras. Como conseqüência, as comunidades mais antigas perderam a confiança na sacralização de um determinado idioma (ver capitalismo editorial).
  2. Fim da crença de que as sociedades eram naturalmente organizadas ao redor de um monarca central, legitimado por um poder divino (fim dos domínios dinásticos).
  3. O desenvolvimento de uma idéia de que os fatos, ainda que ocorridos em locais diferentes, podem ligar as pessoas que neles estão envolvidas, criando assim uma consciência de compartilhamento temporal na medida em que tudo co-existe.

Origens da Consciência Nacional[editar | editar código-fonte]

Assim como os acontecimentos históricos permitiram a consciência do nacionalismo, a imprensa-capitalista facilitou tal processo, ampliando o mercado de livros e criando uma infinidade de campos de comunicação. Este fato que permitiu a consciência da existência de outros povos, linguagens, etc.

Estados Crioulos e Nacionalismo[editar | editar código-fonte]

Anderson define “Estados-crioulos” (as colônias do “Novo Mundo”) como comunidades que foram formadas e guiadas por pessoas que compartilhavam o idioma local mas que ao mesmo tempo tinha ascendência aqueles contra os quais lutavam pela independência. Ele afirma ainda que esses “Estado-crioulos” foram um dos primeiros a desenvolver uma noção de nacionalidade, antes de que isso florescesse na Europa. Citando exemplos nas Américas do Norte e do Sul, Anderson dá várias possíveis explicações: o comando severo da Espanha gerou muitos conflitos na chamada América Espanhola. Outra razão seria a popularidades dos jornais, que reportavam tanto notícias no “Novo Mundo” quanto do “Velho”. Assim, a contraposição entre “nós” e “eles” teria fomentado a referida consciência nacional.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Java in a Time of Revolution: Occupation and Resistance, 1944-1946. Ithaca, N.Y.: Cornell University Press, 1972. ISBN 0-8014-0687-0
  • Imagined Communities: Reflections on the Origin and Spread of Nationalism. rev. ed. ed. London: Verso, 1991. ISBN 0-86091-329-5
  • (1985) In the Mirror: Literature and Politics in Siam in the American Era. Bangkok: Editions Duang Kamol.
  • Language and Power: Exploring Political Cultures in Indonesia. Ithaca, N.Y.: Cornell University Press, 1990. ISBN 0-8014-2354-6
  • The Spectre of Comparisons: Nationalism, Southeast Asia, and the World. London: Verso, 1998. ISBN 1-85984-813-3
  • Under Three Flags: Anarchism and the Anti-colonial Imagination. London: Verso, 2005. ISBN 1-84467-037-6
  • Comunidades imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. ISBN 978-85-359-118-6

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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