Cabelo loiro

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Percentagem de pessoas de cabelos loiros em diferentes regiões da Europa, de acordo com o antropologista da universidade de Laval, Peter Frost. Quanto mais clara for a cor, maior é a porcentagem de pessoas loiras naquela região.

Loiro ou louro (do latim laurus) é uma cor dos cabelos humanos que oscila entre o amarelo e o castanho-claro, caracterizada por baixos níveis de pigmentos escuros eumelanina e altos níveis de feomelanina.[1]

Do castanho-claro ao loiro claríssimo, os vários graus de loiro são encontrados naturalmente em menos de 2% da população adulta de todo o mundo[2] .

Outros termos para pessoas louras são laurícomos e lauricápilos (do latim, laurus, o louro, comma, cabeleira e capilum, cabelo), flavícomos (flavius, amarelo), fulvícomos (fulvius, cor-de-fogo) e blondícomos (blundus).

Origens[editar | editar código-fonte]

Cabelos louros ocorrem naturalmente em humanos de todas as etnias, mas em um grau tão pequeno que é difícil de ser notado na maior parte das populações. Em certas populações da Europa, a ocorrência de cabelos loiros é mais freqüente. É uma das características de alguns fenótipos nos indivíduos brancos caucasianos.

Baseado em recentes estudos genéticos, é provável que humanos com cabelos louros tornaram-se mais numerosos na Europa cerca de onze mil anos atrás, durante a última Idade do Gelo.[3] [4]

Distribuição pelo mundo[editar | editar código-fonte]

Cabelos loiros podem ser encontrados em todas as parte da Europa, principalmente nas populações do Norte da Europa, da Europa Central e Oriental. Em menor medida também é encontrado em populações berberes do norte de África[5] , e na Ásia, principalmente entre os pachtuns e os nuristanis[6] . Além da Europa, os descendentes de europeus que se espalharam pelo mundo também podem apresentar cabelos claros, notadamente nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália, Nova Zelândia e outros países de colonização anglo-saxã.

Portugal[editar | editar código-fonte]

Percentagem de cabelos loiros em Portugal continental.

Os portugueses são uma população de base mediterrânica e, portanto, a ocorrência de cabelos loiros é menos expressiva, tendo a maioria da população cabelo castanho escuro a castanho claro. No entanto, há uma ocorrência relativamente expressiva de cabelos louros entre os nativos do norte de Portugal. Com efeito, nas regiões de Minho, Trás os Montes, Douro Litoral e Beira Alta, devido a uma maior influência celta e germânica, há a ocorrência de cabelos claros maior que no resto do País. A maior concentração nacional ocorre na Póvoa de Varzim, no litoral norte, onde atinge 14.3 a 15.1% da população.[7] [8]

De acordo com Carleton Coon, autor do livro de antropologia europeia "As Raças da Europa", cerca de 25% dos portugueses são loiros em criança, sendo apenas 10% da população portuguesa loira quando atinge a idade de 20 anos.

Brasil[editar | editar código-fonte]

A modelo Ana Hickmann é um exemplo de loura brasileira

O principal componente europeu dentro da população brasileira é o português, que ocasionalmente possui cabelos loiros. Por esse fator e, também, pelo alto grau de miscigenação, no Brasil os cabelos loiros são pouco comuns, porém é notável a sua existência.

A maior concentração de louros no Brasil ocorre principalmente na Serra Gaúcha, no vale do Rio dos Sinos (Rio Grande do Sul) e no Vale do Itajaí (Santa Catarina), devido à forte presença de descendentes de imigrantes alemães. Cabelos loiros também são encontrados entre brasileiros de ascendência italiana e russa, localizados em todo o Sul e Sudeste do Brasil. Cabelos loiros também são encontrados nas populações da ascendência estadunidense em algumas cidades do interior de São Paulo e na Região Nordeste devido à ascendência holandesa. Há também a significativa presença em comunidades de origem polaca e ucraniana, sobretudo no Paraná, além de uma minoria de origem espanhola ou portuguesa com cabelos claros, sobretudo aqueles de ascendência galaico-portuguesa.

Há também zonas isoladas em que a população de cabelos naturalmente louros atinge níveis estatisticamente altos. Um exemplo paradigmático são os gangarras do Bandeira, grupo de agricultores pobres do agreste de Pernambuco, mais precisamente nos municípios de Santa Cruz do Capibaribe e Brejo da Madre de Deus, cujas origens parecem remeter à presença holandesa da época colonial[9] [10] [11] .


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. O aspecto dos cabelos
  2. Race - Dr. C. George Boeree
  3. Os Arianos
  4. Blond Hair Was A Way To Catch Scarce Males?, The Times, March 6, 2006 (em inglês).
  5. SNPA. (Chapter XI, section 13) Eastern Barbary, Algeria and Tunisia (em inglês). Visitado em 13 de março 2013.
  6. Gray, John. (1977). The World of Hair, A Scientific Companion, Macmillan Press Limited
  7. Tamagnini Eusebio: "A Pigmentacao dos Portugueses". Coimbra: Universidade de Coimbra. Instituto de Antropologia Portuguesa, 1936. Contribuicoes para o Estudo da Antropologia Portuguesa. Vol. VI, no. 2, 1936 pp. 121–197.
  8. Mendes Correa: American Journal of Physical Anthropology, Vol 2, 1919.
  9. História de um povo em busca de suas raízes - Diário de Pernambuco
  10. Drama dos moradores do Bandeira é pano-de-fundo de documentário
  11. Falta de estudo aumenta estigma - Diário de Pernambuco, 7 de março de 2005
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