Roberto Nascimento

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Capitão Roberto Nascimento)
Ir para: navegação, pesquisa
Roberto Nascimento
Cap nascimento.jpg

Wagner Moura como Nascimento em Tropa de Elite
Sexo Masculino
Espécie Humano
Actividade(s) (em Tropa de Elite)
Capitão

(em Tropa de Elite 2)
Tenente-Coronel
Subsecretário de segurança
Afiliações BOPE
Família Rosane (ex-mulher)
Rafael (filho)
Criado por José Padilha
Rodrigo Pimentel
Bráulio Mantovani
Primeira aparição Tropa de Elite (2007)
Última aparição Tropa de Elite 2 (2010)
Interpretado por Wagner Moura
Projecto Cinema  · Portal Cinema

Roberto Nascimento (também conhecido como Capitão Nascimento ou Coronel Nascimento) é um personagem fictício da cinesérie Tropa de Elite. Interpretado pelo ator Wagner Moura, foi elaborado pelo diretor José Padilha e pelos roteiristas Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani. A criação de Nascimento também contou com a colaboração dos preparadores de elenco Fátima Toledo e Paulo Storani.

Índice

[editar] Histórico

[editar] Gênese

Muito se especula sobre quem se baseia Roberto Nascimento. Apesar da imprensa apontar o roteirista e ex-membro do BOPE, Rodrigo Pimentel como inspiração do personagem[1][2], a tese mais aceita é que Nascimento foi criado a partir de fragmentos de perfis de várias pessoas colhidos durante o processo de elaboração do filme[3]. O próprio Pimentel já afirmou em entrevistas: "Eu não sou o capitão Nascimento"[4].

Existe, entretanto, um personagem real que serviu de ponto de partida para a trama do primeiro Tropa de Elite: O ex-comandante do BOPE Ronaldo Pinto. O ex-caveira que em meados dos anos 90 havia completado quatro anos de comando, estava cansado do Batalhão e procurava um substituto. Para o cargo elegeu Rodrigo Pimentel que na época estava lotado em um Batalhão Policial no município de Resende no Rio de Janeiro. Os policiais haviam se conhecido anos antes durante o Curso de Operações Especiais, na época realizado em São Paulo[3].

A postura e muitos dos bordões de Roberto Nascimento são creditados ao consultor/preparador de elenco e ex-membro do BOPE Paulo Storani. Na época da produção do primeiro filme Storani estava redigindo uma dissertação de mestrado em antropologia para a Universidade Federal Fluminense (UFF) sobre "o rito de passagem" (mais conhecido por Curso de Operações Especiais) do BOPE[3].

Do período de preparação com o ex-polícial, o ator Wagner Moura pegou o hábito de chamar os outros de "senhor" e dizer "padrão" quando algo está bom. A postura de levantar o rosto ao falar para mostrar liderança também foi adquirida observando Storani[3].

Roberto Nascimento herdou do roteirista Rodrigo Pimentel a veia "irônica", o "humor negro com requintes de crueldade" e o "gosto por discursos com tons moralistas". No período em que estava lotado no BOPE Pimentel gostava de passar sermão aos usuários de drogas da classe média dizendo que eles é quem estavam financiando o tráfico[3].

[editar] Preparação

Para a preparação dos atores de Tropa de Elite foi contratada Fátima Toledo[5]. O elenco foi submetido a situações de pressão por meio de exercícios físicos e psicológicos com o objetivo de arrancar as emoções necessárias para atuação no filme. Para tanto, Fátima utiliza várias técnicas que vão da bioenergética ao cundalini[5]. A preparação, chamada de "O Método", é conhecida pelas dores que impõe aos atores que muitas vezes reagem com "choro, vômito ou até brigas nos ensaios"[5].

A preparação de Fátima foi montada sob o programa treinamento de Paulo Storani que simulava o Curso de Operações Especiais, muito semelhante ao mostrado no filme[3]. O ex-caveira já havia coordenado o 9º Curso de Operações Especiais em 1996[4]. A preparação de Storani, seguiu os preceitos da "etnodramaturgia" elaborado pelo diretor teatral Richard Schechner e pelo antropólogo Victor Turner nas décadas de 60 e 70.

A "etnodramaturgia" consiste em fazer com que os atores não apenas estudassem o "Rito de Passagem" mas o vivenciassem na prática [6]. O treinamento tinha como objetivo fazer o elenco desenvolver atitudes semelhantes às dos policiais. Os atores "cantavam hinos da polícia, chegaram a comer no chão e eram submetidos a sanções disciplinares quando erravam" [4]. Para ajudar no processo Storani convidou outros três ex-membros do Bope para auxilia-lo[6].

A preparação durou duas semanas e foi dividida em duas etapas. Na primeira os atores aprenderam sobre conceitos básicos das operações policiais desde aspectos comportamentais e hierárquicos até como se movimentar e segurar uma arma de fogo[6]. O período incluiu também punições físicas e psicológicas que eram dividas em três tipos de advertências: verbal, física (com flexões, etc) e o chamado tanque tático no qual os atores, caso não reagissem às duas primeiras, eram obrigados a mergulhar em água gelada e depois tinham que retornar ao treinamento, molhados e com frio. Nem Wagner Moura escapou das punições[3].

O treinamento do elenco foi tão rígido quanto o curso real como explicou Pimental: "Levamos os atores a um nível de exaustão muito parecido com o que os policiais têm no curso de operações especiais"[4]. Os instrutores não "aliviaram" o treinamento para nenhum dos atores. “Nós dizíamos que quem não agüentasse podia sair do filme. Foi um tratamento muito rigoroso, que incluiu até, na fase final, um processo de retorno à realidade dos atores” explicou o preparador ao Ego Notícias[4].

Em um momento de estresse Moura reagiu com fúria as provocações do preparador que gritava "Você vai desistir! Pede para sair! Você não vai conseguir ser um ator em ‘Tropa de Elite’!"[7] . O ator não "demonstrava a agressividade necessária ao seu personagem"[7] o que levou Storani a provocá-lo. O ator partiu para cima de Storani e quebrou o nariz do ex-caveira: "Ele foi tão rápido que eu só consegui livrar meu rosto e deixei meu nariz de frente”, disse Storani ao jornal Extra"[7]. A segunda etapa do treinamento consistiu no treinamento de liderança. Storani mostrou a Moura como trabalhar a postura de voz e de liderança.[6]

[editar] Posição de protagonista

O roteiro original de Tropa de Elite previa o personagem André Mathias (interpretado por André Ramiro) como protagonista[3][8] . A história narrava como um policial honesto e idealista transformava-se em um policial truculento e torturador.

Porém, a primeira montagem acabou não agradando os produtores, pois o filme só começava a ficar interessante após 50 minutos, quando as intervenções do Capitão Nascimento ficavam mais frequentes[3]. A interpretação de Moura "roubava todas as cenas" segundo o montador Daniel Rezende: "A performance era tão incrivel que mexemos na estrutura do filme para fazer do Nascimento o personagem principal [8].

A primeira tentativa de salvar o filme foi a substituição da narração em off, de Mathias para Nascimento, mas ainda mantendo o roteiro original. A sugestão partiu de Carolina Kotscho, esposa do roteirista Bráulio Mantovani[3]. Entretanto, o resultado ainda não era satisfatório.

A mudança de protagonista só ocorreu efetivamente após várias discussões entre os produtores. Partiu de Daniel Rezende a frase que acabou na boca de Nascimento e serviu de justificativa para a mudança: "Na verdade, eu precisava da inteligência de um e do coração do outro. Se eu pudesse ter juntado os dois, a minha história não teria sido tão difícil"[3].

[editar] Biografia fictícia

Info Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo (spoilers).

[editar] Tropa de Elite

Em 1997, Capitão Roberto Nascimento chefiava a Equipe Alfa do BOPE[9]. Estava há 11 anos a serviço da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e apresentava sinais de estresse.

A situação foi agravada com eminente nascimento do primeiro filho, fruto do casamento com Rosane (interpretada por Maria Ribeiro). Nas operações realizadas em favelas, o caveira subia o morro em pânico e questionava as ordens do comando do BOPE. O casamento começa a entrar em um ciclo de discussões e brigas cada vez mais violentas. Nascimento começa a ficar mais ausente em seu próprio lar.

Na tentativa de salvar "sua familia", Nascimento começa a procurar um substituto. Inicialmente vê o aspirante Neto Gouveia (interpretado por Caio Junqueira) como um forte candidato, mas o temperamento irascível do oficial logo põe em dúvida a escolha. O capitão do BOPE decide seguir o conselho da esposa de manter Neto no comando da equipe Alfa, mesmo desconfiando que a decisão poderia ser um erro. Neto acaba sofrendo uma emboscada de traficantes que inicialmente havia sido encomendada para André Mathias (interpretado por André Ramiro). Após a morte de Neto, Nascimento adota Mathias como efetivo sucessor[9].

[editar] Tropa de Elite 2

O plano para salvar a familia não da certo e o casamento acaba. Nascimento retorna ao comando do BOPE onde permanece durante muitos anos chegando a patente de Tenente Coronel. Mantém-se como chefe dos caveiras até uma operação mal-sucedida em Bangu I. Servindo como bode expiatório é afastado do comando, mas graças a popularidade alcançada pela ação fracassada, Nascimento "cai para cima" e é convidado a integrar o serviço de inteligência da Policia do Rio de Janeiro, o que lhe dá poderes inéditos. O caveira passa a investir pesado contra o tráfico de drogas. Nascimento amplia o poder do BOPE, transformado-o em "Uma máquina de guerra".

O novo cargo também dá uma visão inédita à Nascimento que passa a compreender as relações entre o crime organizado e os políticos. Segundo o ator Wagner Moura, em entrevista a revista Rolling Stone 94, o ex-caveira começa a perceber que "talvez tenha se dedicado a vida inteira a uma causa diferente da qual ele achava que defendia. O cara acha que está servindo ao povo, mas está servindo ao Estado, o que são coisas bem diferentes".[10].

Enquanto suas forças são totalmente concentradas no trabalho da Secretaria de Segurança Pública, Nascimento tenta se aproximar do filho, com quem manteve pouco contato após o fim do casamento.

Info Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo (spoilers).

[editar] Controvérsias

Roberto Nascimento foi originalmente criado para criticar ações violentas da polícia, como explicou José Padilha a Revista Alfa: "Em Tropa de Elite, por exemplo, a exposição do Capitão Nascimento é claramente crítica. O personagem serve para mostrar os defeitos de uma polícia que tortura e mata. O filme mostra também a inviabilidade da vida de Nascimento. Ele nem sequer consegue manter sua família coesa"[8].

Entretanto o personagem acabou se tornando o "maior fenomeno pop do cinema nacional dos nossos tempos"[10], sendo apontado por parte da imprensa como "herói"[11]. A acunha foi mais de uma vez refutada pelo diretor do filme: "É importante distinguir a diferença entre herói e ícone pop. E o Nascimento não é um herói. Por exemplo: o Dom Corleone. É um personagem carismático, de apelo popular, embora seja um mafioso assassino. Em outras culturas há milhões de ícones pops violentos e com a moral torta. É um fenômeno esporádico que acontece no cinema" [12]."Ele (Nascimento) tortura inocentes e mata pessoas que deveria prender. Não tem as virtudes morais que o senso comum exige de um herói"[11].

Bráulio Mantovani, roteirista dos dois longas corrobora a opinião de Padilha: "No primeiro Tropa, o que mais me surpreendeu nisso foi que uma parcela tão grande da população tenha visto o Nascimento como um herói. Para mim, nunca foi. Ele é um anti-herói, um personagem interessantíssimo."[13] "Fomos muito criticados no Tropa 1, como se nosso pensamento fosse idêntico ao do Capitão Nascimento. E, ora, não se pode confundir autor e personagem. Eu acho que a tortura não é a maneira mais eficiente de fazer investigação policial, mas o Nascimento sim. Há obras em que personagens têm mais características de vilão do que de um herói, e nem por isso deixam de ser interessantes. Macbeth e Ricardo III são dois exemplos disso"[14].

Wagner Moura expressa a mesma opinião quanto a acunha de herói: “Os brasileiros começaram a ter o Capitão Nascimento como um herói nacional e isso é chocante para mim, porque ele não é, de maneira nenhuma, um herói. Ele mata, tortura[15].

A Revista Bravo, Padilha afirmou que o Capitão Nascimento do imaginário popular - o cara destemido, que enfrenta qualquer operação sem resquício de dúvida - não corresponde ao personagem. Ele é um homem em conflito que sobe a favela com "síndrome do pânico"[8]. Para Moura, Nascimento é um "típico personagem de tragédia grega"[16], "alguém que anda muito rápido e de uma forma trágica"[17] e "que caminha inexoravelmente para um destino trágico"[18].

Sobre o sucesso do filme e do personagem, Padilha afirmou estranhar a reação positiva do público as ações "olho por olho, dente por dente". Wagner Moura também declarou-se surpreso com a popularidade do personagem, uma vez que este representa valores considerados negativos por seu intérprete. "Impossível que pessoas na Finlândia ou na Suécia vissem policiais como heróis, policiais que torturam e matam". [19].

[editar] Influencia cultural

A popularidade do personagem é comprovada por sua menção em diversas mídias:

Referências

  1. "Verdadeiro" capitão Nascimento diz que é mais feliz longe do Bope
  2. Castro, Daniel. Criador do capitão Nascimento será comentarista da Globo. R7. Página visitada em 10 de outubro de 2010.
  3. a b c d e f g h i j k REVISTA BRAVO 158: O Nascimento do Capitão, Outubro de 2010
  4. a b c d e - EGO Notícias: Rodrigo Pimentel, roteirista de 'Tropa de Elite', revela bastidores do filme - acessado em 02 de março de 2011
  5. a b c Revista Veja 2035: "Descontrola, descontrola!" Cineastas contratam Fátima Toledo para arrancar do elenco, não importa como, as emoções necessárias - acessado em 4 de fevereiro de 2011]
  6. a b c d Site de Paulo Storani - acessado em 18 de fevereiro de 2011
  7. a b c Ego Notícias: Wagner Moura quebra nariz de capitão da PM - acessado em 02 de março de 2011
  8. a b c d REVISTA ALFA 02: "O chefe da tropa", outubro de 2010"
  9. a b Tropa de Elite. José Padilha. Local: Rio de Janeiro(BR). Zazen Produções. Universal Pictures. 2007 DVD
  10. a b Rolling Stone 94: "Coragem sob fogo", outubro de 2010.
  11. a b Revista Veja 2190: "Enfim, um herói do lado certo", 10 de novembro de 2010
  12. Gazeta de Maringá: Diretor de "Tropa de Elite 2" compara Capitão Nascimento a 007 e Dom Corleone visitado em 20 de dezembro de 2010
  13. R7: "Capitão Nascimento nunca foi herói", diz roteirista - acessado em 21 de dezembro de 2010
  14. ESTADÃO: O homem que deu voz ao capitão nascimento - acessado em 20 de dezembro de 2010
  15. CinePop: Equipe de Tropa de Elite 2 chega a Berlim com status de grandes estrelas - acessado em 11 de fevereiro de 2011
  16. MSN Entretenimento: "Nascimento é personagem típico de tragédia grega", define Wagner Moura - acessado em 14 de fevereiro de 2011
  17. Correio da Manha: "Novo filme tem mais esperança” - acessado em 14 de fevereiro de 2011
  18. Clic RBS: Palavras de coronel - Wagner Moura está de volta na pele do policial Nascimento - acessado em 14 de fevereiro de 2011
  19. O NYTimes vê Tropa de Elite
  20. Luciano Huck tem Rolex roubado em sinal no Itaim.
  21. [1]
Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Roberto Nascimento
Ferramentas pessoais
Espaços nominais
Variantes
Ações
Navegação
Colaboração
Imprimir/exportar
Ferramentas