Erik Jansson

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Erik Jansson (Oviken, 15 de novembro de 1845Suécia, 28 de fevereiro de 1931) foi um missionário sueco que fundou o trabalho batista independente no Brasil em 1912, em Guarani das Missões, RS.

Viagem para o Brasil[editar | editar código-fonte]

Ele dizia desde criança que queria ser um missionário. Porém, tinha a convicção que deveria ir para a China. Colonos suecos que viviam na região de Ijuí, RS, haviam escrito uma carta que foi publicada num jornal sueco solicitando um pastor. A carta e, segundo o próprio Jansson a voz de Deus, o convenceram a vir para o Brasil. Assim se tornou o primeiro missionário da então Missão de Örebro (Örebromissionen), hoje denominada InterAct para o Brasil.

Em maio de 1912, Erik Jansson iniciou a viagem. Seguiu até Hamburgo, na Alemanha e, de lá, para Santos, levando um mês de viagem de navio. No dia 8 de junho chegou ao porto de Santos de onde embarcou para Rio Grande e Porto Alegre, onde chegou em 15 de junho. Sem dinheiro para prosseguir até Guarani das Missões, permaneceu por dois meses e meio em Porto Alegre, na casa de um missionário batista dos Estados Unidos, o reverendo Albert L. Dunstan. Nesse período, manteve contato, por correspondência, com os colonos em Guarani das Missões.

No dia 3 de setembro chegou enfim a Ijuí. A chegada de Erik Jansson ao seu destino, a casa de Anders Gustaf Andersson em Guarani das Missões, autor da carta que deu origem à sua chamada para o Brasil, se deu no dia 12 de setembro de 1912. Ali, Jansson foi muito bem recebido. Muitos esperavam ajuda da Suécia, mas tinham perdido a esperança de que alguém viesse de tão longe para aquele lugar.

Início do trabalho[editar | editar código-fonte]

Em Guarani das Missões os colonos ainda viviam na fase pioneira. Em 1911 a enchente do rio Uruguai tinha destruído a maior parte do que havia sido plantado e muitos tiveram de recomeçar o trabalho. Os emigrantes suecos, que tinham deixado a terra natal praticamente sem recursos próprios, agora dependiam novamente dos empréstimos governamentais para estabelecerem uma lavoura que pudesse lhes sustentar.

Jansson começou o trabalho quase que imediatamente. Ele havia chegado a Guarani das Missões no dia 12 de setembro e no dia 15, realizou o primeiro culto na casa dos Andersson. O objetivo era dar aos suecos uma base cristã para a vida. O missionário se tornou a força aglutinadora que a comunidade em Guarani das Missões precisava. Ele não apenas realizava cultos, mas também promoveu festas e comemorações. No Natal de 1912 a data foi comemorada pela primeira vez em comunidade e a bandeira sueca foi hasteada pela primeira vez naquela colônia. Relatos da época mostram que o sentimento de comunidade e até de valor humano foi restabelecido com a chegada do pastor. Que sua presença era bem quista prova o presente que recebeu dos colonos no primeiro Natal: um cavalo de montaria.

Os colonos suecos tinham sua origem religiosa na Igreja Luterana. A chegada do missionário Jansson foi bem recebida e muitos o viam como um pastor de almas e recorriam a ele nas necessidades. Mas Erik Jansson queria mais do que isto. Ele era pastor batista e entendia que o batismo deve ser precedido da em Jesus Cristo. Por isso pregava a necessidade de arrependimento e batismo nas águas. A resistência dos colonos era grande e o resultado demorou a aparecer. Em 17 de janeiro de 1914, no entanto, Jansson realizou o primeiro batismo em Guarani. Os novos convertidos eram Oscar e Emma Beckman. Um mês depois, outro batismo: Johanna Persson.

A chegada de Anna Malm[editar | editar código-fonte]

No dia 12 de junho chegou da Suécia Anna Malm, noiva de Erik Jansson, juntamente com outro missionário sueco Carl Svensson.

A chegada de Anna foi providencial. Além da formação teológica no seminário em Örebro ela também era enfermeira e parteira. Foi de grande valia no trabalho e não eram poucas as crianças que vieram à luz sob seus cuidados entre os colonos de Guarani das Missões e Ijuí. Anna e Erik se casaram no dia 26 de junho em festa ao ar livre, apenas 14 dias após a chegada da noiva.

A fundação da Igreja Batista em Guarani das Missões e Ijuí[editar | editar código-fonte]

Ainda em Guarani das Missões, no dia 6 de setembro de 1914, Anna e Erik Jansson, o casal Beckman e a senhora Persson fundaram a primeira Igreja Batista naquela vila. O casal Anders Gustav e Blenda Andersson, aqueles que escreveram à Tribuna Sueca para pedir um missionário, tinham sido membros da Igreja Batista em Estocolmo, onde haviam sido batizados, e só puderam ser aceitos como membros da nova igreja após a chegada de carta de transferência da Suécia.

Em Ijuí a Igreja Batista foi constituída no dia 3 de janeiro de 1915. Os primeiros membros eram Olof e Anna Kihlström, Per Johan e Maria Hammarström, Karolina, Anna Kristina e Hilda Persson e Carl Svensson, o pastor. Nos primeiros cinco anos de atividades da igreja naquela cidade, 53 pessoas foram batizadas e professaram a batista, a maioria suecos, mas também alguns poloneses, alemães e brasileiros.

O pastor Erik Jansson começou a trabalhar entre os suecos, mas em breve estendeu o trabalho também aos brasileiros e alemães. Durante os primeiros anos, de 1912 a 1923, o trabalho dependia, quase inteiramente, do sustento da Junta Missionária de Örebro. Várias igrejas foram fundadas no interior do estado neste período: Guarani das Missões, Ijuí, Timbaúva, Santo Cristo, Ramada e Pederneiras.

Em 1919, foi constituída a Convenção Batista Rio-Grandense para organizar as igrejas que iam sendo fundadas. Em 1921 foi realizada a primeira Escola Bíblica com o objetivo de preparar obreiros nacionais.

A expansão do trabalho[editar | editar código-fonte]

Num segundo período, de 1924 a 1938 começou o trabalho no litoral, e alguma das igrejas que se tornaram grandes e fortes, tiveram sua fundação deste tempo: Porto Alegre, Rio Grande e Pelotas. Ainda nesse tempo, porém, o trabalho dependia economicamente do auxílio do exterior.

Como resultado do trabalho entre colonos russos, foram iniciados, em 1929, dois trabalhos na Argentina, na cidade de Oberá. Um dos pioneiros deste trabalho foi um imigrante sueco de nome Oscar Skyttberg que havia chegado ao Brasil em 1891 e se transferiu para a Argentina em 1922.

Uma estatística publicada no Luz nas Trevas no ano de 1937, após 25 anos de trabalho, mostrou que neste ano havia dez igrejas espalhadas pelo Rio Grande do Sul e duas na Argentina que integravam a Convenção Batista Rio-Grandense. O total de membros, em 1937, era de 1.682.

Nos dias 21-24 de fevereiro de 1952, a Convenção Batista Rio Grandense realizou sua assembleia na cidade de Ijui, comemorando 40 anos de missões no Brasil. Após um intenso debate foi fundada a Convenção das Igrejas Evangélicas Batistas Independentes do Brasil (CIBI) no dia 22 de fevereiro. Foi eleito como primeiro presidente um de seus idealizadores, pastor Pedro Falcão. Para a primeira diretoria foram eleitos também o pastor Noé V. da Silva (secretário) e Erik Jansson (tesoureiro).

O retorno à Suécia[editar | editar código-fonte]

Erik Jansson permaneceu no Brasil até maio de 1953, quando, aos 68 anos retornou ao seu país natal ao lado da esposa Anna. As filhas Svea Regina e Ruth casaram com Arne Jonsson e Torsten Sjöstedt, respectivamente, e retornaram ao Brasil, com os maridos, como missionárias também pela missão de Örebro.

Não confundir com outro Erik Jansson, líder do pietismo na Suécia que emigrou para os Estados Unidos em 1846.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]