Flávio Eugénio

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Flávio Eugénio
(Flavius Eugenius)
Imperador romano
Siliqua Eugenius- trier RIC 0106d.jpg
Síliqua com efígie de Flávio Eugênio
Governo
Reinado 22 de agosto de 3926 de setembro de 394
Antecessor Valentiniano II, 371 - 15 de maio de 392
Vida
Nascimento  ? de 345
Morte 6 de setembro de 394

Flávio Eugénio (em latim: Flavius Eugenius, nascido a cerca de 345 d.C. e falecido a 6 de setembro de 394) foi um usurpador do Império Romano do Ocidente (392-394) que se opôs contra o imperador Teodósio I, dito de O Grande (em latim Flavius Theodosius; Hispânia, 11 de janeiro de 347 - Milão, 17 de janeiro de 395). Eugénio foi proclamado Augusto do Oriente após a morte do imperador Valentiniano II (371 - 15 de maio de 392) (desconhece tais circunstâncias). Representou o último avivamento da tradição pagã contra o cristianismo, que teria prevalecido como a fé impreterível do estado.

Vida[editar | editar código-fonte]

Dele temos poucas informações, exceto aquando a sua nomeação para desempenhar o cargo de scrinorum magister. Pelo que consta, ele havia sido também professor de gramática latina e de retórica. O limitado conhecimento sobre a vida deste imperador advém maioritariamente das evidências da história do Império Romano e, evidentemente, o momento em que Eugênio sobe ao poder.

Ascensão ao Poder[editar | editar código-fonte]

Numa colocação próxima à do Flávio Arbogasto (? - 6 de setembro de 394), que ocupava o cargo de magister militum, general franco do Império Romano do Ocidente, Eugénio solicita o seu reconhecimento por parte de Teodósio, mandando uma delegação, que foi, por ele, recusada. Seguidamente, em 393, foi para Roma onde aplicou no regimento, apesar de cristão, uma política de tolerância para com os pagãos que, sob a orientação de Nicômaco Flaviano, teria retomado o poder.

Após a morte de Valentiniano II, o general Arbogasto, que havia sido provavelmente o responsável pelo assassinato ou suicídio involuntário de Valentiniano, elegeu Eugénio ao poder a 22 de agosto de 392. A eleição de Eugénio presenteou significativas vantagens. Para além de ser romano, o que torna mais conveniente a sua eleição, Eugénio seria mais persuasivo do que Flávio Arbogasto, que para o Senado romano Eugénio estaria mais mais propenso ao seu apoio do que a Arbogasto.

Política administrativa, militar e religiosa[editar | editar código-fonte]

Após a sua eleição a Imperador, Eugénio modificou a administração imperial. Quando Teodósio deixou a metade ocidental do Império a Valentiniano II, ele colocou os seus próprios homens nos mais altos cargos públicos, mantendo assim, um forte controle sobre todo o império. Eugénio substituiu os administradores antes efetivos, por outros mais gestores de investimentos para ele mais leais, principalmente na classe senatorial. Nicômaco Flaviano, o ancião, converteu-se perfeito pretoriano de Itália, e o seu filho Nicômaco Flaviano o jovem, recebeu o título de Perfeito de Roma, enquanto que o novo praefectus annonae foi Numério Proiectus.[1]

Eugénio foi nominalmente cristão, e, por conseguinte, encontrava-se relutante em aprovar um programa de ajuda imperial ao paganismo. Os seu contíguos, porém, convenceram-no a utilizar o dinheiro público para financiar os projetos pagãos, como foi exemplo a reedificação do Templo de Vénus e Roma e a restauração do Altar da Vitória na sede do Senado. Esta política religiosa originou atritos com Teodósio I assim como com o poderoso e influente bispo da Arquidiocese de Milão, Ambrósio de Milão.[2]

Com a renovação das antigas alianças com os alamanos e francos, Flávio Eugénio foi bem sucedido no campo militar. Argobasto, um franco que comandava também soldados alamanos e francos nas suas fileiras, marchou para a fronteira do Reno, onde impressionou e pacificou as tribos germânicas com o seu numeroso exercito fazendo-as render à admiração.

Queda de Eugénio[editar | editar código-fonte]

Quando foi eleito imperador, Eugénio teria enviado embaixadores para a corte de Teodósio, solicitando o reconhecimento da sua eleição. Contudo, Teodósio depois de os receber, deu início a um exército, recrutando soldados com o propósito de derrotar Flávio Eugénio.

Teodósio foi desde Constantinopla seguido pelo seu exército, e derrotou Arbogasto e Eugénio na Batalha do rio Frígido travada a 6 de setembro de 394 nas proximidades do Rio Soča (em italiano, rio Isonzo), na atual Eslovênia. A sangrenta e extenuante batalha teve a duração de dois dias, tendo sido marcada pelos inusitados astronómicos e meteorológicos, no entanto Teodósio triunfou sobre Eugénio que foi capturado e decapitado cuja cabeça foi exibida ao público, Arbogasto que cometeu suicídio logo após a derrota e Nicômaco Flaviano morto em combate.

Consequências[editar | editar código-fonte]

O reinado de Eugénio marcou o final de uma era e o início de outra. No ano seguinte Teodósio I morre e o império é dividido definitivamente pelos seus dois filhos, Flávio Honório (9 de setembro de 38415 de agosto de 423) e Flávio Arcádio (377/378 - 1 de maio de 408). O Império Romano nunca mais se reunificou e a metade o império ocidental caiu. Eugénio representou a última oportunidade que os pagãos poderiam aproveitar sendo que a classe senatorial opôs-se contra a a cristianização do império. A Batalha do rio Frígido foi o epítome de uma tendência ascendente quanto à utilização de tropas bárbaras, especialmente no oeste, o que levou ao enfraquecimento do próprio império. Em 410 os visigodos saquearam a própria Roma.[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. The Imperatoribus Romanis (em inglês) (1998). Página visitada em 14 de julho de 2013.
  2. Flavius Eugenius. youngflemishhellenist.wordpress.com (4 de setembro de 2011). Página visitada em 14 de julho de 2013.
  3. The Navigatio of Flavius Eugenius (em inglês). wattpad.com. Página visitada em 14 de julho de 2013.