Françoise Giroud

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Françoise Giroud, 1998.

Françoise Giroud, nascida Lea France Gourdji, (Lausanne, 21 de Setembro de 191619 de Janeiro de 2003) foi uma jornalista, escritora e mulher política francesa. Seu pseudônimo [1] de Françoise « Giroud », é um anagrama de Gourdji, inventado por Maurice Diamant-Berger, quando ela foi trabalhar numa estação de rádio em torno de 1938. Seu pseudônimo foi oficializado por um decreto publicado no Jornal oficial da República francesa’’[2] . Vice-presidente do Partido radical socialista e da União para a democracia francesa (UDF), ela foi duas vezes secretária do Estado e uma personalidade de primeira ordem na imprensa francesa[3] .

Biografia[editar | editar código-fonte]

Lea France Gourdji é a filha de Salih Gourdji[4] , diretor da Agence télégraphique ottomane em Constantinopla, e de Elda Farragi, todos dois « israelitas do império otomano »[5] .

Lea France Gourdji começou a trabalhar aos 14 anos de idade,mas deixou a escola. Após um diploma de dactilografia obtido na escola Remington, ela encontrou um emprego numa livraria do boulevard Raspail, em Paris, em maio de 1931[6] .

O cinema e os primeiros passos como jornalista[editar | editar código-fonte]

Graças às relações de amizade de sua família com Marc Allégret, este apresentou Françoise Giroud ao escritor André Gide, que empregou-a como secretária durante algum tempo. Ela começou então uma nova carreira cinematográfica em Paris. Desde 1935, o nome de “France Gourdji” aparece no filme Baccara de Yves Mirande. Em seguida, tornou-se a primeira mulher francesa autora do cenário de um filme, o do diretor Marc Allégret (do qual ela ficou apaixonada embora ele tivesse uma relação com André Gide[7] ) e de Jean Renoir, do qual tornou-se a assistente de direção a partir de 1937, depois de Jacques Becker, com quem escreveu cenários em parceria, desta vez assinando o nome Françoise Giroud; essas diferentes profissões levaram-na a descobrir seu talento de escritora.

O jornalismo[editar | editar código-fonte]

Logo após a guerra, ela foi contratada por Hélène Lazareff como diretora da redação e criação dda a revista Elle, na época uma publicação moderna e feminista. Ela foi sua diretora de 1945 a 1953 .Françoise Giroud também colaborou ao mesmo tempo com os jornais France Dimanche, l'Intransigeant e France-Soir, escrevendo artigos biográficos. Suas convicções afirmaram-se, elas se revelaram através de seus posicionamentos contra a guerra da Argélia, quando ela fundou a revista L'Express, em 1953, com seu amante Jean-Jacques Servan-Schreiber.Seu apartamento foi então alvo de um atentado por carga explosiva em (1962).Mas ela continou dirigindo esta revista até 1974, como diretora da redação, em seguida da publicação, enfim como presidente do grupo Express-Union, entre 1970 e 1974.

Além de sua carreira jornalística, Françoise Giroud publica vários ensaios, como "La Nouvelle Vague, portrait de la jeunesse" en 1958, inventando esta expressão que serviu para qualificar, ulteriormente, o estilo dos novos cineastas vindos dos Cahiers du cinéma.

A política[editar | editar código-fonte]

Apesar de ser filiada ao Partido radical, cujo programa prometia a modernização social, Françoise Giroud apoiou François Mitterrand nas eleições presidenciais de 1974. O candidato Valéry Giscard d'Estaing foi eleito mas ele nomeou-a, mesmo assim, Secretária no gabinete do Primeiro ministro, encarregada da "Condição feminina". Ela exerceu este cargo entre julho de 1974 e agosto de 1976, período durante o qual lançou o programa "cento e uma medidas" em favor das mulheres (instituição de direitos relativos às mulheres, luta contra as discriminações, abertura das profissões ditas masculinas, etc). Em seguida, ela foi nomeada como "Secretária da Cultura" até março de 1977, tornando efetivas as decisões tomadas antes de sua nomeação como a lei sobre a arquitetura de 31 de janeiro de 1977 e a criação das Direções regionais das Atividades culturais( DRAC).

Candidata às Élections municipales françaises (Eleições municipais francesas) de 1977 em Paris, a pedido de Valéry Giscard d'Estaing e de Michel d'Ornano, ela foi o centro de um escândalo: o senador Maurice Bayrou, Compagnon de la Libération (Companheiro da Liberação), deu queixa no tribunal por uso ilegal da Médaille de la Résistance (Medalha da Resistência)[8] . Djenane, irmã de Françoise, que criou e animou um dos primeiros movimentos de resistência em Clermont-Ferrand desde 1941, recebeu esta medalha após haver sido internada no campo de Ravensbrück. Segundo Christine Ockrent e Laure Adler , uma carta recebida pela mãe delas, provaria que a medalha havia sido atribuida às duas irmãs mas que Françoise, que tinha se juntado ao movimento em 1944, não tinha ido buscar a medalha [9]  · [10] .Este escândalo teve por consequência a retirada de sua candidatura às eleições parisienses e aofato de que ela não foi nomeada mais uma vez para o mesmo cargo no novo governo de Raymond Barre. Sua boa fé findou sendo reconhecida e o procurador da República arquivou o processo em 1979[11] .

Françoise Giroud abandona a política em 1979 e, inspirando-se na sua experiência política, ela escreveu La Comédie du pouvoir (A Comédia do poder), em seguida Le Bon Plaisir (O Bom Prazer) em (1983), livro que foi adaptado para o cinema. Este último livro, publicado pelas edições Mazarine, conta a história de um Presidente da República que dissimula a existência duma criança adulterina [12] . Portanto ela ignorava a existência da criança escondida de François Mitterrand[13] .

Associada a um grupo de intelectuais franceses, entre os quais Bernard-Henri Lévy, Jacques Attali, Philippe Mahrer, Marek Halter, Alfred Kastler este Prêmio Nobel de física , Guy Sorman e Robert Sebbag, bem como a médicos, jornalistas e escritores, ela funda em 1979 a Associação Ação Contra Fome (ACF).

Ela era membro do comité de honra da “Associação pelo direito de morrer de maneira digna” (ADMD)[14] .

Retorno à escritura[editar | editar código-fonte]

Quando ela saiu do governo , L'Express acabara de ser vendido a James Goldsmith, e Raymond Aron, editorialista da revista, se opõe à sua reintegração[15] . Ela assina crônicas no Journal du Dimanche (JDD) , mas foi licenciada por haver criticado Paris Match que traía o segredo de François Mitterrand e Mazarine Pingeot. Em 1983, Jean Daniel lhe propôs o cargo de editorialista no Nouvel Observateur, revista na qual ela escreveu durante vinte anos crônicas de televisão. Ela produziu igualmente vária emissões de televisão e publicou ensaios, biografias e romances que tiveram bom sucesso. Ela foi então convidada para membro do júri do prêmio Femina em 1992. Ela também fez parte do comitê de patrocínio da Coordenação francesa para a Década da cultura da paz e da não-violência.

Em 16 de janeiro de 2003, ao sair da estréia de uma representação na Opéra-Comique, já enfraquecida por uma primeira queda na semana precedente, ela escorrega na grande escadaria e cai batendo com a cabeça no chão[16] . No dia seguinte , ela trabalha a tarde inteira com Albina du Boisrouvray na redação dum livro de entrevistas . Ao cair a noite , ela entra em coma,sendo transportada ao Hospital americano de Paris, onde morre em 19 de janeiro sem ter recobrado a consciência. Ela foi incinerada em 22 de janeiro no crematório do Père-Lachaise. Conforme sua vontade, sua filha Caroline Eliacheff dispersou suas cinzas numa roseira [17] .

Vida privada[editar | editar código-fonte]

Françoise Giroud foi mãe de duas crianças. Um menino : Alain-Pierre Danis, nascido em Nice em 1941[18] , morto em 197 num acidente de ski em Tignes[19] , filho escondido d'Elie Nahmias, judeu praticante. E uma menina : Caroline Eliacheff nascida em Boulogne em 1947 de seu casamento com Anatole Eliacheff, produtor de cinema.

Relação com o judaísmo[editar | editar código-fonte]

Negando durante a vida inteira seu judaísmo (obedecendo à vontade de sua mãe), bem que ela fosse católica segundo as circunstâncias e ateia por convicção, Françoise Giroud só revelou sua origem ao seu neto Nicolas, o futuro rabino Aaron Eliacheff,na primavera de 1988. [20] .

Ela se explicou sobre este assunto num romance póstumo, Les Taches du léopard, Fayard, 2003. [21] .

Condecorações[editar | editar código-fonte]

Obras[editar | editar código-fonte]

Publicações[editar | editar código-fonte]

  • Françoise Giroud vous présente le Tout-Paris, coll. L'Air du temps, Gallimard, 1952. Préface de Marcel Achard
  • Nouveaux Portraits Première édition : Gallimard, 1953. Deuxième édition : Gallimard, coll. « L'Air du temps » numéro35, 1954, 287 p. BNF|321706525
  • La Nouvelle Vague, portraits de la jeunesse, coll. L'Air du temps, Gallimard, 1958
  • « L'Aventurier du journalisme » in Entretiens, Roger Vailland, éditions Subervie, 1970
  • Si je mens, Stock, 1972
  • Une Poignée d'eau, Robert Laffont, 1973
  • La Comédie du Pouvoir, Fayard, 1977
  • Ce que je crois, Grasset, 1978
  • Une femme honorable, Fayard, 1981 ; biographie de Marie Curie[22]
  • Le Bon Plaisir, éditions Mazarine, 1983
  • Christian Dior, Éditions du Regard, 360 pages,1987, 500 illustrations ISBN 2-903370-32-X
  • Ecoutez-moi: Paris-Berlin, aller-retour avec Günter Grass, Maren Sell, 1988
  • Alma Mahler, ou l'art d'être aimée, Robert Laffont, 1988
  • Leçons particulières, Fayard, 1990
  • Jenny Marx ou la Femme du diable, Robert Laffont, 1992, prix Gabrielle d'Estrées
  • Le Journal d'une Parisienne, Le Seuil, 1994
  • Mon très cher amour, Grasset, 1994
  • Les Hommes et les femmes', avec Bernard-Henri Lévy, Orban, 1994
  • Cœur de tigre, Plon-Fayard, 1995
  • Cosima la sublime, Plon-Fayard, 1996
  • Chienne d'année : 1995, Journal d'une Parisienne vol. 2 , Le Seuil, 1996
  • Gais-z-et contents: 1996, Journal dune Parisienne vol 3, Le Seuil, 1997
  • Arthur ou le bonheur de vivre, Fayard, 1997
  • Deux et deux font trois, Grasset, 1998
  • Les Françaises, de la Gauloise à la pilule, Fayard, 1999
  • La Rumeur du monde, journal 1997 et 1998 , Fayard 1999
  • C’est arrivé hier. Journal 1999, Fayard, 2000
  • Histoires (presque) vraies Fayard, 2000
  • Profession journaliste, conversation avec Martine de Rabaudy, Hachette Littératures, 2001
  • On ne peut pas être heureux tout le temps, Fayard, 2001
  • Lou, histoire d'une femme libre, Fayard, 2002
  • Demain déjà, journal 2002-2003, Fayard 2003
  • Les Taches du léopard, Fayard, 2003
  • Histoire d'une femme libre, Gallimard, 2013

Textos de canções[editar | editar código-fonte]

A partir das músicas de Loulou Gasté:

  • Le Petit Chaperon Rouge, criada por Lisette Jambel, (1944)
  • Un par un vont les Indiens, interpretada por Lisette Jambel, Josette Daydé, les Sœurs Étienne, (1944)
  • Quand Betty fait Boop (palavras escritas com a colaboração de Louis Gasté para o filme Le Roi des resquilleurs), criação de Josette Daydé (1945)
  • Ce n'était pas original, interpretada por Jacqueline François (1945)

A partir de uma música de Georges van Parys, 1944 :

  • Il avait le charme slave, interpretada por Andrex

Françoise Giroud também compôs canções para Danielle Darrieux e Tino Rossi

  • Cinema
    • 1932 : Fanny de Marc Allégret
    • 1937 : La Grande Illusion de Jean Renoir
    • 1942 : Promesse à l'inconnue
    • 1943 : Le Secret de Madame Clapain
    • 1945 : L'Ange qu'on m'a donné
    • 1945 : Marie la Misère
    • 1946 : Au petit bonheur
    • 1947 : Fantômas de Jean Sacha
    • 1947 : Antoine et Antoinette
    • 1949 : Ce siècle a cinquante ans
    • 1949 : Dernier Amour
    • 1950 : La Belle que voilà
    • 1951 : Les Petites Cardinal
    • 1952 : L'Amour, Madame
    • 1952 : Une fille sur la route
    • 1953 : Julietta
    • 1959 : La Loi (La Legge)
    • 1985 : Le 4ème pouvoir
    • 1991 : Marie Curie, une femme honorable

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Christine Ockrent, Françoise Giroud, une ambition française, Fayard, 2003
  • Laure Adler, Françoise, Grasset, 2011
  • Alix de Saint-André, Garde tes larmes pour plus tard, Gallimard, 2013

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Christine Ockrent, Françoise Giroud, uma ambição francesa, Fayard, 2003, p. 62.
  2. Fiche des ministres sur le site culture.gouv.fr.
  3. http://fr.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7oise_Giroud
  4. Françoise Giroud conta no seu livro Leçons particulières (Fayard, 2003) como seu pai, refugiado político em Paris por haver recusado de colocar sua agência à disposição dos alemães, funda na capital francesa um jornal político, La Turquie nouvelle (A Turquia nova) en 1908.
  5. Doan Bui et Isabelle Monnin, Ils sont devenus français (Eles se tornaram franceses), J.-C. Lattès, 2010, pp. 107 et suiv.
  6. Françoise Giroud: Leçons particulières, Edição Fayard,1990, página 35, ISBN 2-213-02598-8
  7. « Françoise Giroud jornalista amorosa », entrevista de Laure Adler em Paris Match, 9 janvier 2011.
  8. Jacqueline Remy, « Le roman d'une Parisienne » (O romance de uma Parisiense, L'Express, 23 de naeiro de 2003.
  9. Christine Ockrent, "Françoise Giroud, uma ambição francesa" , Fayard, 2003, page ?.
  10. Laure Adler, Françoise, Grasset, 2011. Laure Adler, entrevistada por Laurent Ruquier, durante a emissão ‘’On n'est pas couché’’ de 15 de janeiro dr 2011.
  11. Jacqueline Remy, « Le roman d'une Parisienne » (O romance de uma Parisiense), L'Express, 23 janvier 2003.
  12. http://www.lefigaro.fr/politique/2011/05/28/01002-20110528ARTFIG00004-dsk-pourquoi-ils-n-ont-rien-dit.php«DSK : "porque eles não disseram nada", Le Figaro, 27 de maio de 2011.
  13. Alix de Saint-André, “Guarde tuas lágrimas para mais tarde , Gallimard 2013, pp. 58-59.
  14. Página « Comité de honra », no site da ADMD.
  15. Segundo ela-mesma, no seu discurso de recepção da gravata de comendador da Légion d’honneur ; sobre o nouvelobs.com.
  16. Laure Adler, Françoise, pp. 484-485.
  17. Alix de Saint-André, “Guarde tuas lágrimas para mais tarde, p. 21.
  18. Grávida durante a guerra, ela tentou em vão se fazer abortar e deu à luz a este menino que foi adotado por Pierre Danis.
  19. Alix de Saint-André, “Guarde tuas lágrimas para mais tarde , p. 268-269.
  20. Alix de Saint-André, “Guarde tuas lágrimas para mais tarde ,Gallimard, 2013, páginas 263- 264.
  21. Minha mãe , Françoise Giroud Le Journal du Dimanche.
  22. Téléfilm qui en a été tiré.


Ver também[editar | editar código-fonte]

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