Francisco Julião

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Francisco Julião Arruda de Paula (Bom Jardim, 16 de fevereiro de 1915Cuernavaca, 10 de julho de 1999) foi um advogado, político e escritor brasileiro.

Nasceu no Engenho Boa Esperança, no agreste pernambucano. Advogado formado em 1939, em Recife, foi líder em 1955 das Ligas Camponesas (organizações cujo objetivo era lutar pela distribuição de terras e os direitos para os camponeses), no Engenho Galileia.

Vida política[editar | editar código-fonte]

Julião foi deputado estadual em duas legislaturas. Eleito deputado federal por Pernambuco em 1962, foi cassado e preso em 1964.

Ao ser liberado em 1965, foi incentivado a se exilar. Viajou para o México, onde permaneceu até ser anistiado em 1979. Aliado de Leonel Brizola, filiou-se ao PDT e tentou ser novamente deputado federal em 1986, quando foi derrotado.

Um erro histórico[editar | editar código-fonte]

Segundo alguns, Julião foi fundador das Ligas Camponesas. Porém, segundo seu próprio relato, de 1940 a 1955, foi na verdade advogado dos camponeses. Segundo suas próprias palavras:[1]

"Não fundei a Liga - ela foi fundada por um grupo de camponeses que a levou a mim para que desse ajuda. A primeira Liga foi a da Galiléia, fundada a 1 de janeiro de 1955 e que se chamava Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco. Foi um grupo de camponeses com uma certa experiência política, que já tinha militado em partidos, de uma certa cabeça, que fundou o negócio, mas faltava um advogado e eu era conhecido na região. Foi uma comissão à minha casa, me apresentou os estatutos e disse: 'existe uma associação e queríamos que você aceitasse ser o nosso advogado'. Aceitei imediatamente. Por isso o negócio veio bater na minha mão. Coincidiu que eu acabara de ser eleito deputado estadual pelo Partido Socialista e na tribuna política me tornei importante como defensor dos camponeses."


Durante esses quinze anos, Julião peregrinou pelos canaviais da Zona da Mata de Pernambuco, conquistando a confiança dos camponeses como advogado. Tinha feito uma escolha. Não queria defender os poderosos.

Transformado em líder das Ligas Camponesas, Julião foi considerado um "santo" entre os sem-terra. Aos olhos de quem os combatia era chamado de agitador, incendiário, comunista. Julião agradecia o título de "agitador", dizendo que o sempre fora, "mas dentro da lei". Afinal de contas "até remédio você precisa agitar antes de usar…[2] Comunista, segundo ele próprio, nunca foi. Tinha divergências com os comunistas e não se considerava marxista, mas "chardinista". Seguia Teilhard de Chardin, o teólogo avançado da Igreja. O que pouca gente sabe é que Julião é um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro, ao lado de Otávio Mangabeira.

Memórias[editar | editar código-fonte]

Em 1988, após as eleições, viajou para o México a fim de escrever suas memórias. Em 1991 retornou ao Brasil. Em 1997 viajou novamente para o México, onde veio a falecer em conseqüência de um infarto.

Obras literárias[editar | editar código-fonte]

  • Cachaça (1951).
  • Irmão Juazeiro (1961).
  • O que São as Ligas Camponesas (1962).
  • Até Quarta, Isabela (1965).
  • Cambão: La Cara Oculta de Brasil (1968).
  • Escuta, Camponês

Julião traduziu, com Miguel Arraes, quando ambos estavam na prisão, Le viol de foules par la propagande politique, do russo Sergei Tchakhotine..[3]

Referências

  1. Biografia
  2. Francisco Julião. Um depoimento para a História: o homem que agitou os canaviais, 1983
  3. TCHAKHOTINE, Serge. A mistificação das massas pela propaganda política. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1967. 609 p.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]