Fundo de Quintal

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Fundo de Quintal
Fundo de Quintal em 2013
Informação geral
Origem Rio de Janeiro (RJ)
País  Brasil
Gênero(s) Samba (pagode)
Período em atividade 1978-presente
Afiliação(ões) Beth Carvalho
Página oficial grupofundodequintal.com.br
Integrantes Ademir Batera
Bira Presidente
Ronaldinho do Banjo
Sereno
Ubirany
Mário Sérgio
Ex-integrantes Almir Guineto
Arlindo Cruz
Cléber Augusto
Jorge Aragão
Neocy
Sombrinha
Flavinho Silva
Walter 7 Cordas
Delcio Luiz

Fundo de Quintal é um grupo de samba formado no Brasil no final da década de 1970. Surgido a partir do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, da cidade do Rio de Janeiro, o grupo tornou-se uma referência original no sub-gênero pagode.[1] [2]

Composto principalmente por sambistas da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, o Fundo de Quintal se caracterizou por usar instrumentos - até então pouco comuns em rodas de samba - como o banjo, o tantã, o repique de mão e o repique-de-anel.[1] [2] O grupo inicialmente era composto pelos sambistas Almir Guineto, Bira Presidente, Jorge Aragão, Neoci, Sereno, Sombrinha e Ubirany. Mais tarde, Arlindo Cruz e Walter Sete Cordas integraram o conjunto musical. Atualmente o grupo é composto por Ademir Batera, Ronaldinho, Sereno, Mário Sérigio, Bira Presidente e Ubirany.

Tendo como "madrinha" a cantora Beth Carvalho, o grupo gravou vários álbuns, alguns deles discos de Ouro e Platina.[2] Alguns de seus maiores sucessos são " "A Batucada dos Nossos Tantãs", "E Eu Não Fui Convidado", "Boca Sem Dente", "Ô, Irene", "O Show Tem Que Continuar", "Do Fundo do Nosso Quintal", "Só pra Contrariar", "Miudinho", "Bebeto Loteria", "Não Vai na Conversa Dela", ""Vai Lá Vai Lá"", "Parabéns pra Você", "Andei, Andei", "Malandro Sou Eu", "Tô Que Tô", entre outros.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos: Cacique de Ramos[editar | editar código-fonte]

O Fundo de Quintal surgiu no dia 20 de janeiro no final da década de 1970 dentro do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, em Ramos, subúrbio da região da Leopoldina, na cidade do Rio de Janeiro.[1] A primeira formação do conjunto de samba tinha Almir Guineto, Bira Presidente, Jorge Aragão, Neoci (filho do célebre compositor João da Baiana), Sereno, Sombrinha e Ubirany. Eles se reuniam sempre às quartas-feiras para fazer um som que começou a atrair a atenção de gente importante do mundo do samba. O grupo tocava músicas de grandes sambistas e composições próprias, inovando na maneira de falar do cotidiano e sempre com um ritmo diferente, através da utilização de instrumentos até então incomuns nas rodas de samba, como o banjo com braço de cavaquinho (criado por Guineto), o tantã (criado por Sereno), o repique-de-mão (criado por Ubirany) e o repique-de-anel. Desta forma, foram considerados um dos criadores de um estilo que, posteriormente, influenciou praticamente todas as bandas de pagode, sub-gênero dentro do samba que surgia naquela época.[1]

Em 1978, Beth Carvalho convidou o componentes do Fundo de Quintal para participar de seu disco "Pé no Chão", produzido por Rildo Hora, que mais tarde viria a produzir vários trabalhos do grupo. Em 1980, a gravadora RGE lançou o primeiro disco do grupo, "Samba é No Fundo de Quintal", trabalho que foi bem aceito pela crítica musical da época.[1]

Saem Almir, Jorge e Neocy; entram Arlindo e Walter[editar | editar código-fonte]

Em 1981, deixaram o Fundo de Quintal Almir Guineto, Jorge Aragão (que seguiram suas carreiras solo) e Neocy, que mais tarde viria a falecer. Entretanto, o conjunto ganhou dois novos integrantes: Arlindo Cruz e Walter Sete Cordas. Naquele mesmo ano, foi lançado o segundo álbum do grupo, "Samba é No Fundo de Quintal - Volume 2", que foi puxado pelo sucesso de "Bebeto Loteria" (de Gelcy do Cavaco e Pedrinho da Flor), além de "Você Quer Voltar" (Pedrinho da Flor e Gelcy do Cavaco), "Sou Flamengo, Cacique e Mangueira" (Luiz Carlos), "Prazer da Serrinha" (Hélio dos Santos e Rubens da Silva), "Zé da Ralé" (Almir Baixinho e Diogo) e "Gamação Danada" (Almir e Neguinho da Beija-Flor).[1]

"Nos Pagodes da Vida" foi o terceiro disco lançado do Fundo de Quintal, no qual se destacaram os sucessos "Caciqueando" (Noca da Portela), "Encrespou o Mar, Clementina" (Walmir Lima e Roque Ferreira), "Enredo do Meu Samba" (Dona Ivone Lara e Jorge Aragão) e "Te Gosto" (Mauro Diniz e Adilson Victor). No ano seguinte, foi lançado o LP "Seja Sambista Também", que teve como grande sucesso, além da faixa-título, "Castelo de Cera" (de Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho. Outras músicas que se destacaram foram "Cabeça Fria" (Sereno), "Cantei pra Distrair" (Tio Hélio), "Toda Minha Verdade" (Wilson Moreira) e "Canto Maior" (Arlindo Cruz, Sombrinha e Dedé da Portela). Em 1985, foi lançado "Divina Luz", quinto LP do grupo, no qual foram incluídas "Minha alegria" (Luiz Grande), "Chega de Padecer" (Mijinha), "Parabéns pra Você" (Mauro Diniz, Sereno e Ratinho) e o sucesso "Eu Não Fui Convidado" (Zé Luiz e Nei Lopes).Em 1986 é lançado o disco " O Mapa da Mina " com os estrondosos sucessos de "Seleção de Pagodes" e " Só pra Contrariar " ( Sombrinha , Arlindo Cruz e Almir Guineto ". Em 1987, foi lançado o álbum "Do Fundo do Nosso Quintal", que contou com as participações especiais de Beth Carvalho, na faixa "Pra Que Viver Assim" (Sombrinha e Adilson Victor), e Martinho da Vila, nas faixas "Mama Lala" (cantiga popular de Angola) e "Clube Marítimo Africano" (dos angolanos Felipe Mukenga e Felipe Zau).[1]

Mais sucessos e primeiro LP ao vivo[editar | editar código-fonte]

Bastante conhecido no mercado musical, o grupo obteve mais sucesso com o LP "Ciranda do Povo", de 1989, entre eles: "Miudinho, Meu Bem, Miudinho" (Franco e Arlindo Cruz), "Não Valeu" (Franco, Arlindo Cruz e Marquinhos PQD), "Coração Andorinha" (Beto Sem Braço e Luiz Carlos da Vila) e "Folha de zinco" (Jurandir da Mangueira e Ratinho).[1] No ano seguinte, foi lançado "Ao Vivo", primeiro trabalho gravado em concerto. Já contando com o mais novo integrante, o paulstano Mario Sergio passa a fazer parte como vocalista do grupo e em 1991 lançam o álbum "É Aí Que Quebra A Rocha", que trouxe como sucessos "Pagodeando" (Sereno e Noca da Portela), "Quantos Morros Já Subi" (Arlindo Cruz e Mário Sergio e Pedrinho da Flor) e "Aquela Dama" (Arlindo Cruz e Jorge David e Acyr Marques, Canto Pra Vela Guarda(Mario Sergio, Carica e Luizinho, Menina da Colina(Mario Sergio e Luisinho To Blow). Com o lançamento do LP "A Batucada dos Nossos Tantãs", em 1993, o grupo obteve êxito com a faixa-título (Adilson Gavião, Sereno e Robson Guimarães), "Um Lindo Sonho" (Arlindo Cruz e Mário Sergio) e "Coisas Do Passado" (Cleber Augusto e Djalma Falcão). No ano seguinte, foi lançado "Carta Musicada", que teve como principais sucessos "Vai Lá Vai Lá" (Moisés Santiago, Alexandre Silva e André Rocha), "O Nó Da Gravata"(Márcia Martins e Carlos Colla) e "Nos Quintais do Mundo" (Luizinho e Mário Sergio).

Retrospectiva[editar | editar código-fonte]

Em "Palco Iluminado", de 1995, o grupo fez um disco de retrospectiva da carreira e regravou vários de seus sucessos e algumas inéditas como "Juras" (Noca da Portela, Darcy de Paulo e Toninho Nascimento), "Mistura de Pele" (Sereno), "Amor dos Deuses" (Ronaldinho do Banjo e Mário Sérgio), "Por Todos os Santos" (Nélson Rufino e Carlinhos Santana) e a faixa que batiza o álbum (Cléber Augusto e Djalma Falcão). No ano seguinte, foi lançado o LP "Ondas Do Partido", com destaque para as faixas "Vem Sambar, Vem Sambar", "Felicidade Pede Bis" e "Testemunhas Do Amor". Em 1997 foi lançado o álbum "Livre Pra Sonhar" e, um ano depois, "Fundo de Quintal e Convidados", do qual se destacam "Nem Lá Nem Ca", "Merece Respeito" e "Amor Dos Deuses". Em 1999, foi a vez do lançamento de "Chega Pra Sambar".[1]

No ano 2000, a gravadora BMG lançou pelo o álbum ao vivo "Simplicidade", no qual o grupo interpretou vários de seus sucessos. Naquele mesmo ano, a gravadora RGE relançou em Compact Disc todos os álbuns editados em LP anteriormente. Em 2001, pela gravadora BMG e com produção de Rildo Hora, o grupo lançou o disco "Papo de Samba", o 21º da carreira. Neste álbum, foram incluídas músicas de participantes do grupo, como "Numa Casa Véia" (Mário Sérghio, Sereno e Ronaldinho do Banjo), assim como outras de compositores importantes, como Monarco e Mauro Diniz em "Peregrinação". No ano seguinte, o grupo gravou ao vivo na quadra do bloco carnavalesco Cacique de Ramos o álbum "Fundo de Quintal - Cacique de Ramos", que contou com a com várias participações especiais, entre elas do ex-integrantes do grupo Almir Guineto, Sombrinha, Arlindo Cruz e Jorge Aragão, além dos sambistas e amigos Zeca Pagodinho e Beth Carvalho. Naquele mesmo ano, o Fundo de Quintal participou das gravações do CD e DVD "Jorge Aragão Ao Vivo Convida".[1]

Presente[editar | editar código-fonte]

Em 2003, ao lado de Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e Dudu Nobre, o Fundo de Quintal foi uma das atrações especiais do "Festival Fábrica do Samba", apresentado no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Ainda naquele ano, foi lançado o álbum "Festa pra comunidade" e o violonista Cléber Augusto afastou-se do grupo para seguir carreira solo. A nova formação do Fundo de Quintal era composta por Ademir Batera (bateria), Flavinho (cavaquinho e voz), Ronaldinho (cavaquinho, banjo e voz), Sereno (voz e tan-tan), Bira Presidente (pandeiro e voz) e Ubirany (voz, repique e caixinha).[1]

Ao final de 2008, Mário Sérgio deixou o grupo para seguir carreira solo,mas em 2013 Mário Sérgio retorna ao grupo, aonde irão gravar um DVD comemorando 35 anos de grupo.[3]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns[editar | editar código-fonte]

  • 1980 - Samba é No Fundo de Quintal - Vol.1
  • 1981 - Samba é No Fundo de Quintal - Vol.2
  • 1983 - Nos Pagodes da Vida
  • 1984 - Seja Sambista Também
  • 1985 - Divina Luz
  • 1986 - O Mapa da Mina
  • 1987 - Do Nosso Fundo de Quintal
  • 1988 - O Show tem Que Continuar
  • 1989 - Ciranda do Povo
  • 1990 - Ao Vivo
  • 1991 - É Aí Que Quebra a Rocha
  • 1993 - A Batucada dos Nossos Tantãs
  • 1994 - Carta Musicada
  • 1995 - Palco Iluminado
  • 1996 - Nas Ondas do Partido
  • 1997 - Livre Pra Sonhar
  • 1998 - Fundo de Quintal e Convidados
  • 1999 - Chega Pra Sambar
  • 2000 - Nosso Grito
  • 2000 - Simplicidade - Ao Vivo
  • 2001 - Papo de Samba
  • 2002 - Ao Vivo no Cacique de Ramos
  • 2003 - Festa Pra Comunidade
  • 2004 - Ao Vivo Convida
  • 2005 - Samba Quente
  • 2006 - Pela Hora
  • 2008 - O quintal do Samba'
  • 2008 - Samba de Todos os Tempos
  • 2009 - Vou Festejar
  • 2011 - Nossa Verdade

Referências e notas[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g h i j k Fundo de Quintal - Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
  2. a b c d Fundo de Quintal - Cliquemusic
  3. Mário Sérgio sai do Fundo de Quintal, sem brigas. No seu lugar entrou Flavinho Silva, que integrava o Grupo 100%.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]