Alcione (cantora)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Alcione
Informação geral
Nome completo Alcione Dias Nazareth
Também conhecido(a) como Alcione ou 'Marrom'
Nascimento 21 de novembro de 1947 (66 anos)
Origem São Luís, Maranhão
País  Brasil
Gênero(s) MPB, samba, pagode, balada romântica[1]
Instrumento(s) Vocal, trompete
Período em atividade Cantora
Gravadora(s) Indie Records
Afiliação(ões) Alexandre Pires
Beth Carvalho
Jorge Aragão
Martinho da Vila
Clara Nunes
Zeca Pagodinho
Página oficial AlcioneAMarrom.com.br

Alcione Dias Nazareth (São Luís, 21 de novembro de 1947) é uma cantora, instrumentista e compositora brasileira.

No ano de 2003, a cantora foi agraciada com Grammy Latino na categoria de melhor Álbum de samba. Recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio de Melhor Cantora Popular, além de receber o Prêmio TIM de Música como melhor Cantora de Samba. Participou do CD "Duetos", de Neguinho da Beija-Flor, disco no qual interpretou, com o anfitrião, a música "Recomeço". Foi homenageada pela Escola de Samba Unidos da Ponte do grupo especial do Rio de Janeiro, com o enredo Marrom da Cor do Samba. Lançou o disco Brasil de Oliveira da Silva do Samba, no qual consta Tô Com Saudade (Augusto César e Carlos Colla), FlaXFlu (Arlindo Cruz e Franco), Asas de Carcará (Gerude e Augusto Tampinha) e Onde o Rio é Mais Baiano, com participação do compositor, Caetano Veloso.

Ao longo de sua carreira, foi premiada com 21 discos de ouro, cinco de platina e um duplo de platina. Em sua galeria de troféus - com cerca de 350 peças - possui títulos e honrarias que poucos artistas conseguiram obter ao longo de suas carreiras, tais como: Ordem do Rio Branco (a mais alta comenda do Brasil), a Medalha Pedro Ernesto (concedida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), a Medalha do Mérito Timbira (a maior comenda concedida pelo estado do Maranhão), foi escolhida como embaixadora do turismo do estado do Rio de Janeiro e do estado do Maranhão. E a emoção maior de apresentar-se para 500 mil pessoas em São Luis do Maranhão, quando foi convidada pela paróquia da Ilha de São Luis para saudar o João Paulo II com canções como João de Deus, feita especialmente para a visita do Papa ao Brasil.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Alcione Dias Nazareth nasceu em São Luís do Maranhão no dia 21 de novembro de 1947. O nome de batismo foi ideia do pai, inspirado na personagem Alcíone, a protagonista do romance espírita Renúncia, psicografado por Chico Xavier. Ela é quarta dos nove irmãos: Wilson, João Carlos, Ubiratan, Alcione, Ribamar, Jofel, Ivone, Maria Helena e Solange. Alcione tem mais nove meio-irmãos que seu pai teve com outras mulheres. Sua mãe chegou a amamentar algumas dessas crianças, tamanha generosidade e perdão que teve com as traições do marido, já que as crianças não tinham culpa[2] .

Desde pequena, graças ao pai policial e integrante da banda de sua corporação, João Carlos Dias Nazareth, inserida no meio musical maranhense, Alcione fez sua primeira apresentação já aos doze anos. O pai foi mestre da banda da Polícia Militar do Maranhão e professor de música. Além disso, foi compositor e eterno apaixonado pelo bumba-meu-boi, folguedo típico da capital maranhense. Foi ele quem lhe ensinou, ainda cedo, a tocar diversos instrumentos de sopro, como o trompete e clarinete que começou a praticar aos nove anos.

Com essa idade, tocava e cantava em festas de amigos e familiares, e na Queimação de Palhinha da festa do Divino Espírito Santo. Sua mãe, Filipa Teles Rodrigues, entretanto, guardava o desejo de que a filha aprendesse a tocar acordeão ou piano. Não queria que Alcione aprendesse a tocar instrumentos de sopro temendo que a filha ficasse tuberculosa, crendice comum à época.

Sua primeira apresentação profissional foi aos 12 anos, na Orquestra Jazz Guarani, regida por seu pai. Certa noite, o crooner da orquestra ficou rouco, sendo substituído pela menina. Na ocasião, cantou com sucesso a canção Pombinha Branca e o fado Ai, Mouraria.

Alcione sempre conta que seu pai era bom homem e incentivava as filhas a serem independentes desde muito cedo, a nunca obedecerem homem nenhum, além de lhes ensinar valores morais rígidos.[3]

Aos 18 anos de idade formou-se como professora primária na Escola de Curso Normal. Lecionou por dois anos, quando foi demitida aos 20 anos, por ensinar a seus alunos como se tocava trompete, que seu pai lhe ensinou quando pequena, querendo passar o aprendizado que recebeu, mas isso não agradou a direção da escola, que na época era muito rígida[4] .

Após a demissão, continuou a dedicar-se à música, e dessa vez de forma mais intensa e exclusiva. Conseguiu uma vaga em um sorteio e apresentou-se na TV do Maranhão. Gostaram de sua voz e sua música, e assim ficou fixa na TV, apresentando-se lá nos anos 1960 até meados dos anos 1970 e além de cantar na TV, também cantava em bares e boates em várias cidades do Maranhão. Querendo alcançar rumos maiores, Alcione mudou-se para o Rio de Janeiro em 1976.

Não conhecia nada no Rio e quem lhe ajudou a se estabelecer foi seu amigo, o cantor Everardo. Com ajuda dele também, Alcione começou cantando na noite, onde Everardo lhe apresentou as boates e bares da cidade. Ensaiava no Little Club, boate situada no conhecido Beco das Garrafas, reduto histórico do nascimento da bossa nova, em Copacabana. Cantou também em boates como Barroco, Bacarat, Holiday e Bolero.

Começou a se inscrever em programas de calouros, e foi sendo chamada para se apresentar. Destacou-se ao vencer as duas primeiras eliminatórias do programa A Grande Chance, de Flávio Cavalcanti. Nessa mesma época, conheceu a famosa TV Excelsior. Se inscreveu e conseguiu fazer um teste de voz, e passou com boa colocação. Assinou o primeiro contrato profissional com essa TV, apresentando-se no programa Sendas do Sucesso. Seu sucesso foi imediato e instantâneo.

Depois de seis meses na emissora, realizou turnê por quatro meses pela América Latina, sendo a primeira vez que saiu do Brasil. Após ter feito excursão também por países da América do Sul, recebeu proposta de turnê na Itália, e assim morou na Europa por dois anos. Voltou ao Brasil em 1972 e três anos depois ganhou o primeiro disco de ouro através do primeiro LP, A voz do samba (1975). "Não Deixe O Samba Morrer" quando começou a ser executada nas rádios do país, permaneceu 22 semanas em primeiro lugar nas paradas de sucesso. Em 2007 Alcione interpretou a cantora americana Lady Brown, na minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, na Rede Globo.[5]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Alcione nunca se casou oficialmente, apenas teve muitos namorados. Diz que viveu romances intensos e inesquecíveis na época que morou na Itália, tendo tido diversos amantes por lá. Ao voltar para o Brasil, conta quer se apaixonou por um italiano chamado Gino. Morou com ele durante 13 anos. Após a separação, conheceu um francês, e em pouco tempo de namoro, foram morar juntos e viveram por mais de 10 anos. Após o término da relação, namorou um brasileiro, com quem viveu por mais de 15 anos. Até hoje conta ser amiga de seus ex-maridos e ex-namorados. Mantém uma relação de amizade especial com Gino, a quem considera seu amigo pessoal até hoje. Revela que não quer mais dividir a mesma casa com um namorado e diz que até os dias atuais ainda namora e sai com os homens que lhe despertam interesse[6] .

Por trabalhar demais e estar sempre viajando por diversos países, isto contribuiu para seus namoros e casamentos não terem dado certo, e também por isso adiou por muitos anos a maternidade. Ao decidir ter um filho, teve uma das maiores decepções da sua vida: Não poderia ser mãe. Sua idade já estava avançada para ter um filho, pois tinha mais de 40 anos, e mesmo se quisesse ter tido filhos antes não poderia, por ter problemas uterinos e ovarianos de nascimento, que não a deixariam engravidar, fato que ela não sabia, pois nunca tinha feito exames específicos para saber sobre sua fertilidade ou se tinha algum problemas do aparelho reprodutor. Até tentou tratamentos laboratoriais, como inseminação, além de operações espirituais, mas não obteve êxito em nenhuma tentativa[7] .

Outra decepção que teve em sua vida foi a notícia de que estava com séria doença na garganta e nas cordas vocais, e que só teria mais 1 ano para poder cantar. Ela não permitiu que seus maiores sonhos, a música e o canto, fossem tirados de sua vida. Para isso, se operou espiritualmente em um centro kardecista com Dr. Fritz, uma entidade espiritual. Seguiu o ritual e ficou calada por três dias, após a cirurgia. Por milagre, que até os médicos ficaram surpresos, Alcione se curou e poderia cantar sem restrições, como sempre fez[8] .

Conta que não bebe mais e nunca fumou, e que foi criada no catolicismo, mas diz que desde a cura de sua garganta se tornou kardecista. Agradece a Deus pelo dom de cantar, já que nunca fez aula de canto e segundo os maiores críticos do mundo, sua voz é perfeita para a música.[9]

Prêmios e homenagens[editar | editar código-fonte]

Considerada um dos orgulhos do Maranhão, a cantora Alcione recebeu várias homenagens não apenas na sua terra natal como em diversas partes do Brasil. Apenas para citar as mais importantes, veja: Alcione virou nome de um importante teatro, localizado no centro histórico de São Luís, sua terra natal; em 2003 foi inaugurado, também em São Luís, o Elevado Alcione Nazareth, um importante viaduto que liga os bairros Ipase e Vila Palmeira. No Rio de Janeiro, foi tema de samba-enredo em 1994 da escola de samba Unidos da Ponte, com o enredo Marrom da cor do samba, embora a cantora se declare amante da escola de samba GRES Mangueira. Foi homenageada pela Escola de Samba Unidos da Ponte do grupo especial do Rio de Janeiro, com o enredo Marrom da Cor do Samba. Lançou o disco Brasil de Oliveira da Silva do Samba, no qual consta 'Tô Com Saudade. Na sua terra natal foi homenageada pela Escola de Samba Turma do Quinto em São Luís.

Em 2009, Alcione foi homenageada pela Escola de Samba Juventude Imperial em Juiz de Fora, Minas Gerais. Vários prêmios importantes da MPB fazem parte de sua coleção. Além dos Prêmios Sharp de Música, dos quais ela possui nove dos onze anos em que existiu, a artista é detentora de um sem número de prêmios: Prêmio Caras, Globo de Ouro (da TV Globo), Rádio Globo, o Antena de Ouro, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como: O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Alcione recebeu diversos prêmios ao longo da carreira, dos quais vários discos de ouro e platina.Uma prova disso, desde de o início do Prêmio Tim de Música que ela sempre é eleita como a melhor cantora de samba, fazendo parte também do ABC da Música composto por: A: Alcione, B: Beth Carvalho e C: Clara Nunes.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Universal Music / Philips[editar | editar código-fonte]

Sony BMG / RCA[editar | editar código-fonte]

Universal Music / Polygram[editar | editar código-fonte]

  • Valeu - Uma Homenagem à Nova Geração do Samba (1997) (Ouro)
  • Celebração (1998) (Ouro)
  • Claridade (1999) (Ouro)
  • Nos Bares da Vida (2000) - ao vivo (Platina)
  • A Paixão tem Memória (2001) (Ouro)

Indie Records[editar | editar código-fonte]

  • Ao Vivo (2002) (Platina)
  • Ao Vivo 2 (2003) (Platina)
  • Alcione - Duetos(2004)
  • Faz Uma Loucura por Mim (2004) (Platina)
  • Faz Uma Loucura por Mim - Ao Vivo (2005)
  • Alcione e Amigos (2005)
  • Uma Nova Paixão (2005) (Ouro)
  • Uma Nova Paixão - Ao Vivo (2006) (Ouro)
  • Coleções - Grandes Sucessos de Alcione (2007)
  • De Tudo Que eu Gosto (2007)
  • Raridades (2008)
  • Acesa (2009)

Televisão[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Alcione


Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.