Festa do Divino Espírito Santo

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Festas tradicionais que ocorrem em todas as 9 ilhas dos Açores. Festa do Espírito Santo. Coroa da Freguesia da Vila Nova, ilha Terceira, Açores.
Festas tradicionais que ocorrem em todas as 9 ilhas dos Açores. Festa do Espírito Santo. Pomba do Divino da Freguesia da Vila Nova, ilha Terceira, Açores.
Altar em honra do Divino Espírito Santo com Coroa, ilha de São Jorge.

[1] Festa do Divino Espírito Santo é um culto ao Espírito Santo, em suas diversas manifestações, é uma das mais antigas e difundidas práticas do catolicismo popular.

Origem portuguesa[editar | editar código-fonte]

A origem remonta às celebrações religiosas realizadas em Portugal a partir do século XIV, nas quais a terceira pessoa da Santíssima Trindade era festejada com banquetes coletivos designados de Bodo aos Pobres com distribuição de comida e esmolas. Tradição que ainda se cumpre em algumas regiões de Portugal.

Assunto muito abordado pelo professor Agostinho da Silva. Há referências históricas que indicam que foi inicialmente instituída, em 1321, pelo convento franciscano de Alenquer sob proteção da Rainha Santa Isabel de Portugal e Aragão.

A celebração do Divino Espírito Santo no planeta teve origem na promessa da rainha, D. Isabel de Aragão, por volta de 1320. A Rainha teria prometido ao Divino Espírito Santo peregrinar o mundo com uma cópia da coroa e uma pomba no alto da coroa, que é o símbolo do Divino Espírito Santo, arrecadando donativos em benefício da população pobre, caso o esposo, o rei D. Dinis, fizesse as pazes com seu filho legítimo, D. Afonso, herdeiro do trono. De acordo com os documentos, D. Isabel não se conformava com o confronto entre pai e filho legítimo em vista da herança pelo trono, pois era desejo do rei que a coroa portuguesa passasse, após sua morte, para seu filho bastardo, Afonso Sanches. Diante do conflito, a rainha Isabel passou a suplicar ao Divino Espírito Santo pela paz entre seu esposo e seu filho. A interferência da rainha teria evitado um conflito armado, denominado A Peleja de Alvalade.

Essas celebrações aconteciam cinquenta dias após a Páscoa, comemorando o dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu do céu sobre a Virgem Maria e os apóstolos de Cristo sob a forma de línguas como de fogo, segundo conta o Novo Testamento. Desde seus primórdios, os festejos do Divino, realizados na época das primeiras colheitas no calendário agrícola do hemisfério norte, são marcados pela esperança na chegada de uma nova era para o mundo dos homens, com igualdade, prosperidade e abundância para todos.

A devoção ao Divino encontrou um solo fértil para florescer nos territórios portugueses, especialmente no arquipélago dos Açores. De lá, espalhou-se para outras áreas colonizadas por açorianos, como a Nova Inglaterra, nos Estados Unidos da América, e diversas partes do Brasil.

Brasil[editar | editar código-fonte]

É provável que o costume de festejar o Espírito Santo tenha chegado ao Brasil já nas primeiras décadas do século XIV . Ha colonizaçao foi feita com dom pedro onde a festa chegou mais ganhou força no século XIV,

Bahia[editar | editar código-fonte]

Poções

A festa é organizada com base no dia de Pentecostes, sendo realizada nos meses de maio ou junho, quando normalmente durante a noite atinge-se sua temperatura aproximada entre 17° graus e 15° graus ou até mais, revendo a danificação dos fiéis que resistem à uma baixa temperatura para afirmar sua fé. A festa do Divino Espírito Santo em Porções, na região sudoeste da Bahia, é a mais movimentada e comovente expressão cultural da cidade. A manifestação religiosa tornou-se símbolo do município e tem como titular o Divino Espírito Santo. O Senhor Homero onde ele prepara dois carros com crianças representando os “anjos” de pentecostes. Na Chegada das Bandeiras, na sexta-feira que antecede o domingo de pentecostes, ocorre a cavalgada dedicada ao Divino Espírito Santo. Nesta cidade, em especial na chegada das bandeiras, observa-se esta característica de forma ativa e muito praticada pelos fiéis. Dentre as ações empreendidas que deixam transparecer esta afetividade, encontram-se: segurar os pombos e soltá-los no momento em que a cavalgada, segurar e beijar a bandeira do Divino, cantar a canção composta por Ivan Lins intitulada “A bandeira do Divino”, soltar fogos, acompanhar a cavalgada, aguardar a benção clerical que ocorre quando os cavaleiros chegam à matriz e entregam a bandeira, levar os familiares para assistir a comemoração; realizar as preces diante das bandeiras, colocar crianças nos cavalos para serem fotografadas (compondo uma recordação da festa do ano retratado), dentre outras.O festejo religioso cristão é organizado em um novenário com missas na igreja matriz, no ginásio de esportes e no último dia no estádio de futebol do município. A festa profana acontece paralela à cristã, antes ou após as missas, entre dez e cinco dias. 

lugar pela própria população.

A Festa

Através, sobretudo, do método etnográfico são analisados, neste subtítulo, os registros feitos nos dias de festa. A festa é organizada com base no dia de Pentecostes, sendo realizada nos meses de maio ou junho, quando normalmente durante a noite atinge-se uma temperatura aproximada entre 17° e 15° graus ou até menos, revelando a devoção dos fiéis que resistem à baixa temperatura para afirmar sua fé.

A respeito do Monsenhor Honorato, dados foram levantados pela pesquisadora Mércia Moraes em sua mo(...)

Uma peculiaridade que existe nesta festa, assim como se encontram em tantas outras, é o fato de haver a reunião de distintas classes sociais no evento. Atualmente, não há registros de separação entre os grupos em todas as fases da festa, pois no novenário que ocorre na igreja matriz, no ginásio de esportes e no estádio de futebol não há bancos separando famílias ou hierarquias de quaisquer naturezas. No entanto, há os amigos e os colegas dos políticos ou funcionários bem remunerados do município que reservam, ao seu lado, assentos aos admiradores. Entretanto, no período em que monsenhor Honorato era pároco, de 1937 até 1942 e depois de 1947 até 1985/1986 era nítida tal distinção.7

Na atualidade, no momento do ofertório pessoas de diversas camadas se disponibilizam para ajudar na cerimônia das missas, tanto quanto, na organização de todo o novenário. Todavia, no dia da chegada das bandeiras, em frente à igreja matriz ficam os políticos da cidade e aliados de outros locais, acompanhados do pároco, religiosos da Arquidiocese de Vitória da Conquista e convidados; todos na espera do estandarte que é carregado pelo memorialista Sr. Homero Ferreira da Silva junto à cavalaria. Neste instante, pode-se observar o privilégio da determinada camada social ao obter visão privilegiada ao assistir a chegada das bandeiras.

A Chegada das Bandeiras, considerada o momento ápice dos festejos religiosos, inicia-se às 5h em média com a alvorada na Praça Monsenhor Honorato, organizada pelo memorialista Sr. Homero Ferreira da Silva junto aos seus familiares e amigos, finalizando por volta das 12h, em frente à matriz do Divino. Anteriormente, no lugar da Chegada das Bandeiras, devido à carestia da comunidade, a igreja confeccionou duas bandeiras do divino, que percorriam a zona rural e a urbana, a fim de arrecadar fundos para a realização da festa. Após meses de peregrinação a bandeira era deixada em uma fazenda nas proximidades de Poçõesinho, sendo entregue à cavalaria e aos membros da sociedade, como acontece nos dias atuais.

Um grande número de bandeiras é depositado na igreja devido ao pagamento de promessas feitas ao Divino. Devotos às entregam na matriz ou ao Senhor Homero e depois são levadas para Poçõesinho, onde acontece o início da chegada das bandeiras.

A cavalgada na atualidade acompanha a seguinte ordem: dois carros, com carroceria devidamente enfeitada com flores e tecidos coloridos, levando crianças vestidas de anjos com túnicas de cores brancas, amarelas e azuis, utilizando acessórios como coroa de flores artificiais na cabeça (as meninas), e os meninos, sobre as túnicas, faixas transversais e segurando bandeiras com figuras de pombas bordadas. Em seguida, doze Cavaleiros e amazonas vestem uma capa branca, bordadas com lantejoulas douradas e uma pomba (representando o Divino), sendo que entre eles, há o Senhor Homero Ferreira da Silva que carrega o estandarte de veludo marrom, diferente dos demais, pois a maioria das bandeiras possui as cores vermelhas ou brancas. À diante alguns Cavaleiros e amazonas acompanham com uma capa vermelha (em torno de trinta e oito pessoas) e depois centenas de fiéis, seguem sem capas, sobre os cavalos com bandeiras representando o Divino, além de carroceiros, motociclistas, ciclistas e etc. Além destes há uma cavalaria de policiais ou soldados do exército, acompanhando os doze cavaleiros da frente.

Por volta do final da segunda metade do século XX iniciou-se a prática de colocar estes anjos à frente da cavalgada, pois antes disto, não havia este acompanhamento.

Com o passar do tempo, a cavalaria segue, não com o significado religioso (para alguns), mas em ritmo de brincadeira, ou seja, acompanham apenas por ser tradição, utilizando acessórios irônicos e entoando músicas profanas a fim de divertir-se com o momento tradicional da cidade, sendo que não são todos que participam e aderem a esse comportamento. Um exemplo era a turma do Jegue (a turma de desfez na segunda metade da década de 2000), na qual as pessoas montavam em cima dos jegues e acompanhavam a cavalgada. Estes não seguiam com o intuito religioso, entretanto, também eram abençoados pelo clero.

A Chegada das Bandeiras sai às 10h de Poçõesinho (bairro localizado ao sul do município), percorrendo toda a Rua de Vitória da Conquista, sempre com o estouro fogos de artifícios e entoação de músicas do Divino, sobretudo a canção composta por Ivan Lins e Vitor Martins:

Os devotos sobem algumas ruas largas da cidade, passam pela praça principal e seguem rumo à matriz. As pessoas saúdam a cavalgada a todo tempo e manifestam a sua fé de diversas formas.

Na imagem acima oito meninas vestidas de “anjas” posam com as mãos unidas, dramatizando uma prece, na escadaria da igreja matriz, tendo ao fundo os fiéis e as bandeiras em vermelho e branco. Todavia, as interpretações simbólicas dos objetos constituídos para a festa são alvo de múltiplas visões, a depender da posição de cada sujeito que observa ou participa do festejo.

Os representantes da igreja, responsáveis pela celebração, embora se comovam e participem ativamente, assim como os intelectuais não se envolvem incisivamente como os devotos, supondo-se que toda a simbologia popular presente nas representações do Divino seria manifestada e criada, na maioria das vezes, pelos fiéis leigos e posteriormente assumidas pela igreja em sua liturgia.

Na contemporaneidade, todos os anos da festa têm sido dedicados, além do padroeiro, aos temas que são lançados na campanha da fraternidade. Além disto, promovem em alguns anos, em um dia do novenário, o que chamam de culto ecumênico, ou seja, convidam pastores de algumas igrejas evangélicas e junto aos padres realizam uma celebração da palavra. Na Paróquia agrega-se a presença da fraternidade dos missionários orantes da Sagrada Face9 e das Irmãs Medianeiras da paz10. Estas entidades reforçam o sentido religioso na sociedade, por serem participativas nas festividades e proporcionarem ajuda mútua na organização do evento.

De caráter religioso e profano a festa também proporciona shows com artistas locais, regionais e até mesmo em âmbito nacional. Tendo a sua origem com a organização dos festejos pela Paróquia, a fim de arrecadar fundos para as próprias despesas da parte religiosa e recepcionar os convidados, assim iniciaram-se as festas do Largo. Comparativamente, ressalta-se que o intercâmbio entre o religioso e profano nas festas do Divino no Rio de Janeiro no período de 1830 a 1900, pois:

30Em um determinado pavilhão organizado pela Comissão da festa realizavam-se leilões com os donativos arrecadados pela bandeira ao som da “Filarmônica Primavera” composta por cidadãos poçoenses, permanecendo durante muito tempo sob a regência do Maestro Bernardo Fagundes, conhecido na cidade como seu “Nadinho” Fagundes.

A prefeitura, em parceria com patrocinadores públicos ou privados, promove os shows durante os novenários, sempre depois, ou antes, da missa. Em alguns anos, principalmente nestes últimos tempos, foram reduzidos os dias da festa do Largo, que em média duravam de dez a cinco dias. O espaço onde ocorrem estas festividades é uma quadra de esporte sem cobertura, construída em 1998 pelo prefeito Antônio Edvaldo Macedo Mascarenhas (conhecido na cidade como “Tonhe Gordo”), sendo que antes deste ano o espaço não possuía o formato de hoje. As barracas anteriores a esta data possuíam a estrutura de madeira com o revestimento de palhas de coqueiros; depois da inauguração, barracas padronizadas as substituíram e bandas renomadas nacionalmente passaram a ser contratadas. Sobretudo nas décadas de 1970 e 1980 havia pavilhões, onde predominava certa desigualdade entre as classes onde algumas barracas reproduziam sons mecânicos e pessoas, normalmente da classe baixa, as frequentavam. Sendo que em outras barracas, onde pessoas das classes médias e altas da cidade ficavam artistas da terra tocavam e promoviam leilões.

Em 1998, com a inauguração da quadra, verifica-se a centralização dos shows no palco, todavia, ressalta-se que a concentração em torno de um palco já vinha ocorrendo antes mesmo deste ano. Com isto, as pessoas das diversas classes se misturam e desfrutam do mesmo som, no entanto por questões de conforto ainda existe certo distanciamento inter-classes, pois normalmente os grupos com menor poder aquisitivo ficam em frente do palco para visualizar o artista com precisão e a parte elitizada da cidade (classe média e alta) permanece localizada nos fundos, ou nas barracas de comes e bebes, ainda hoje chamados de pavilhões. As pessoas que frequentam a festa do Largo são compostas por turistas de cidades vizinhas, moradores da cidade e poçoenses oriundos de outros municípios. Sobre o processo de integração das pessoas que são da terra e daquelas que mesmo morando em outro local retornam para ver a manifestação com as quais se identifica. Isso ocorre:

Na noite do sábado (um dia antes de Pentecostes), em uma praça onde fica o crucifixo antigo representando a os fiéis e o memorialista Homero Ferreira da Silva vão buscar o mastro, que consiste em uma tora de madeira com decoração branca, vermelha e flores naturais. Esse costume:

As pessoas carregam-no e fazem os seus pedidos ao som de músicas religiosas, ocorrendo naturalmente um revezamento para que todos tenham a oportunidade de pegar na tora e fazer os seus pedidos. No decorrer da festa passam em frente ao fórum da cidade, ao lado da prefeitura, da câmara dos vereadores, da praça principal da cidade até chegar à Igrejinha do Divino onde o mastro é devidamente colocado e só retirado na festa do próximo ano, podendo ser a mesma tora, mas, com adornos diferentes.

De acordo com os devotos, os seus pedidos se realizam e nos anos seguintes eles retornam ao cortejo ou então confeccionam uma bandeira e levam à igreja Matriz como demonstração de gratidão.

A igrejinha é um dos grandes símbolos que há na cidade e remete-se à festa. A população da cidade tem apego a esta edificação do século XIX e estabeleceu de forma indireta um respeito a todos que passam por ela. Tanto os foliões, quanto os visitantes ao longo das festividades não promovem atos de vandalismo no espaço e nem de orgias. Deixando clara uma concepção de lugar sagrado e ao mesmo tempo auxiliando na salvaguarda patrimonial edificada, assim: “A preservação dos monumentos antigos é antes de tudo uma mentalidade” (CHOAY, 2001, p.149).

decorrer dos anos alguns padres na paróquia do Divino, entre eles o padre Estevam Santos Silva Filho têm manifesto incômodo com os gastos realizados na festa do Largo e em alguns momentos, até mesmo em público, pronunciado a sua irritação com relação à administração realizada junto ao fundo monetário investido nos festejos. Na festa de Pentecostes no estádio de futebol da cidade, em junho de 2006, ele disse a todos no momento da homilia:

Diante do pronunciamento muitas pessoas ficaram agitadas e começaram a questionar sua realidade em razão do que o padre havia dito. A administração da cidade estava investindo em festas caras e o sentido religioso estava sendo mantido pela inúmera quantidade de cristãos católicos em um momento em que o desemprego afetava o local e os problemas não eram resolvidos contratando grandes atrações, e de acordo com o pároco o sentido religioso estava se perdendo no “pão e circo” governamental.

Por outro lado, os que discordaram deste posicionamento do vigário vaiaram sua fala, deixaram o local, elevaram sua voz sobre o absurdo que para eles estava sendo dito enquanto outros foram reclamar ao prefeito. Esta autoridade estava acompanhada da primeira dama na missa.

Após a fala do padre Estevam, o bispo da Arquidiocese de Vitória da Conquista Dom Geraldo Lírio Rocha expôs o seu posicionamento frente ao que foi dito:

Frente ao posicionamento de Dom Geraldo, percebe-se um olhar sobre a festa no sentido patrimonial de ênfase ao religioso como se a festa profana não possuísse um significado para as pessoas da cidade. A preocupação social com relação à promoção de uma vida digna, sobretudo aos jovens do município, é algo claro nas duas falas, inclusive deixa explícito que bonito e familiar é estar nos eventos da igreja com todos reunidos e não curtindo a “carnavalesca” festa que organizam após as festividades religiosas.

Desde outrora, sobretudo quando o Pe. Benedito Costa Soares (pároco em Poções de 1985 a 1986)12 esteve na cidade, há denúncias do quantitativo de gastos que são realizados ao festejo de largo, mas, sobretudo, o Pe. Benedito defendia que o teor religioso sim deveria ser mantido e somente tal, não podendo constar, portanto, as chamadas “festas de rua”. No entanto, a maioria das pessoas não aceitaram o seu posicionamento. Tempos depois, Padre Estevam dos S. Silva Filho (2000 a 2011), que inclusive admirava muito o Pe. Benedito Soares retorna o discurso de protesto e indignação proferindo-o em diversas ocasiões.

Corrobora-se neste trabalho a ideia de que frente aos desafios da conservação dos monumentos e sobre a perspectiva que deve existir em preservar:

Não há uma estatística efetiva sobre o exposto. Estes dados foram devidamente analisados pelas auto(...)

Frente à análise do papel da festa para a cidade, neste século XXI, observa-se que o teor patrimonial, ou seja, visibilidade da festa enquanto um legado cultural se faz presente às pessoas da cidade, de maneira particular aos adultos e idosos. No entanto, aos turistas, adolescentes e crianças, o teor folia chama mais as suas atenções, tendo em vista o evento enquanto o momento mais divertido da cidade durante todo o ano. Atraindo, portanto, pessoas que não a conhecem e trazendo os conterrâneos a revê-la nesta temporalidade anual13.

Sendo a festividade religiosa remota, cativante e promotora do despertar de tantos sentimentos na população, sobretudo na expectativa da chegada do evento, nota-se que a sociedade se emociona bastante com o novenário, principalmente com a chegada das bandeiras. No entanto, a ansiedade em ver as atrações que movem a festa do Largo atualmente é o maior estimulante para a população local e visitantes à cidade. Mesmo com as marcas da contemporaneidade e as mudanças naturais que ocorrem em todas as manifestações culturais, observa-se a ênfase popular no atrativo profano que o festejo do Divino adquiriu neste século: a Chegada das bandeiras e festa do Largo. Isso revela a plasticidade das identidades que se conformam às permanências e ruptura de memórias locais.

A festividade incomoda muitas igrejas evangélicas da cidade, principalmente as que estão presentes no centro da cidade. Nos dias das festas os setores evangélicos proporcionam retiros espirituais aos seus membros, viagens turísticas, entre outras atividades. Algumas acabam promovendo alguns cultos esporádicos, no entanto, não nos dias da festa do Largo, pois o barulho dos shows interfere na pregação.

Nos festejos do Largo se fazem presentes barraquinhas de cachorro quente (os poçoenses os adoram, tanto crianças, quanto jovens, adultos e idosos, dizendo que este lanche já é “a cara da festa”), barracas com uvas e “maçãs do amor”, os chamados “capetas” (que são barracas onde se vendem bebidas alcoólicas, inclusive aos jovens que as consomem), barracas premiadas (onde a pessoa mira em um objeto ou doce e caso consiga acertar o alvo ganha o que derrubou, ou às vezes, uma premiação maior como um urso de pelúcia, por exemplo), as famosas grandes bolas (consistem em bolas de plástico resistentes, as quais algumas crianças da cidade comparam ao do personagem Kiko, do seriado Chaves), além do estimado parque de diversão, que todos os anos chegam à cidade. Esta infraestrutura fica montada entre duas e três semanas e o parque, normalmente apenas em uma semana.

Em alguns anos, ocorrem às chamadas Mostras Culturais que reúnem fotografias da cidade e da população no coreto (um dos grandes símbolos materiais da cidade e que está situado na Praça do Jardim dos Pássaros, ao lado da igrejinha).

Com relação às técnicas museográficas, a exposição é inacessível aos diversos públicos, uma vez que não existem etiquetas com nome da obra, fotógrafo e data, ou quando existem são insuficientes ou incompletas. Além disto, as obras ficam bem próximas umas das outras, apesar de haver lonas ou outros meios de cobertura nas extremidades do coreto, dificulta-se a fruição e a acessibilidade. As obras também recebem luz solar direta, danificando-as, além de não serem empreendidos cuidados de conservação e segurança do bem cultural. O público que vê as fotografias as observa rapidamente, mas alguns, especialmente os adultos e idosos, ficam muito tempo vendo as imagens e apresentam aos filhos e netos como era em sua época a cidade ou a pessoa retratada. São verificados, em diversos momentos, choros e outros indícios nostálgicos, quando se deparam com as imagens de outrora.

Segue-se uma narrativa imagética repleta de significados “sem legendas” agregando “complexidade aos esforços de interpretação de universos sociais cada vez mais densos e complexos, onde imagens por sua vez tornam-se cada vez mais um elemento da própria sociabilidade” (ACHUTTI, 1997, p. 38-39).

A iniciativa de guardar as fotografias da cidade antiga e expô-las na festa do Divino é admirável, entretanto o material está sob a guarda de poucos indivíduos e com pouco espaço para armazená-las, precisando assim, na cidade, de uma política preservacionista para salvaguardar o legado cultural imagético que na região existe, entendendo-o como um bem público, aplicando a este uma metodologia iconográfica e iconológica, pois: “Os objetos da Cultura remetem às tradições identificadas pelo grupo com suas marcas distintivas, específicas e identitárias” (NASCIMENTO, 2009, p.20).

No último dia da festa, domingo de Pentecostes, os festejos religiosos ocorrem no estádio municipal que normalmente se enche de pessoas seguindo com a missa campal, sendo que às 05h00min há uma alvorada de fogos de artifício representando o barulho dos trovões que houve no dia de pentecostes. Depois segue a procissão, tendo muitos fiéis de roupa branca e descalços para pagar promessas, outros, levam bandeiras que a comissão organizadora da festa distribui e assim prosseguem seguindo os andores. No final, devolvem as bandeiras, fazem os últimos pedidos e entregam flores encerrando as festividades religiosas na Igreja Matriz. Durante toda a festividade padres de outros municípios são convidados à celebrar missas, bem como bispos. Em seguida, a festa do Largo dá o prosseguimento encerrando a noite, normalmente, com a última banda por volta das 04h30min da manhã.

O Memorialista[editar | editar código-fonte]

Homero Ferreira da Silva, conhecido pela população como o Senhor Homero, é um dos organizadores da Chegada das Bandeiras desde 1990. Nascido na cidade de Poções na Bahia é um oficial de Justiça aposentado e casado com a Senhora Nivalda de Almeida Silva com quem teve onze filhos. Este homem acompanhava os senhores ligados à festividade dos quais afirma ter adquirido muitos conhecimentos sobre a história da cidade de Poções e da região sudoeste baiana. Ao se empreender uma analise da relação entre memória, cultura e identidade étnica, percebe-se que:

Procurado por muitos pesquisadores que se debruçam sobre a historicidade presente nesta região, o senhor Homero a princípio fica um pouco desconfiado com alguns. Ao conquistar a confiança do memorialista, as informações pedidas são dadas com bastante emoção e certeza, revelando a paixão que possui pelas festividades, e no caso específico da festa do Divino Espírito Santo, transmitidas com muita precisão. Costuma ainda projetar vídeos e mostrar fotos da festa aos seus convidados, amigos e pesquisadores.

No ano de 2012, foi cedido pelo Sr. Homero Ferreira da Silva uma entrevista, sobre o que ele chama de “o princípio” da festa do Divino. Neste fragmento, onde enfatiza a chegada das bandeiras, ele diz:

Quando assumiu a função de empunhar o estandarte na chegada das bandeiras o senhor Homero iniciou um trabalho contínuo, durante todo o ano, junto aos seus filhos (e até hoje isto acontece). Alguns na época que já estavam casados o auxiliavam com suas esposas e filhos nos preparativos para a festa. Sobre a continuação da prática e do registro dos fatos pelos familiares, apreende-se que:

Com isto, toda a família (filhos, genros, noras e netos) se mobilizava para o evento. Atualmente, também há bisnetos e os mesmos auxiliam no que está acessível, um exemplo desta ajuda que fazem, verifica-se no carro dos “anjos”. Desde muito tempo estes carros na maioria são compostos por netos do Senhor Homero. Além disto, um número elevado de pessoas que enfeitam os carros dos “anjos” e confeccionam as bandeiras são amigos e filhos. Assim, há uma mobilização por parte dos descendentes do Senhor Homero para que todos os anos a festa aconteça, os “anjos” estejam prontos e a chegada das bandeiras permaneça sendo o diferencial das demais festas ao Divino, e principalmente um dos símbolos da cidade de Poções de tal modo que o envolvimento e a responsabilidade do memorialista nas festividades continuem se mantendo e sendo legitimada pela população.

Ao observar os poemas do cidadão poçoense Genivaldo de Carvalho (conhecido como Vado do Caldo de Cana, por vender o caldo da cana na feira da cidade), analisa-se o apego à manifestação religiosa que é o símbolo da cidade, tanto quanto, a admiração e o respeito aos organizadores do festejo. Entre os seus poemas, será citado o do ano de 2004, que foi produzido durante a Festa do Divino. Entre as suas considerações, cita o nome do Memorialista Homero Ferreira enquanto uma referência.

Apresentar as características de uma festa, através das menções aos pequenos detalhes, pode parecer desnecessário, ou, cansativo. No entanto, ao referenciar os detalhes do festejo, partiu-se de uma análise etnográfica do contexto com o propósito de registrar aos futuros leitores os aspectos que permearam a festa no período delimitado.

Fontes Documentais[editar | editar código-fonte]

- Folder do colégio IECEM do mês de Maio de 2005;

Jornal Folha do Divino. Informativo da Paróquia do Divino Espírito Santo Poções-BA, do mês de Junho de 2006;

- Poema: Festa do Divino de 2004, do Sr. Genivaldo de Carvalho. Poções-BA:20 de Maio de 2004.

- Programações das festas nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007;

- Entrevista concedida pelo Sr. Homero Ferreira da Silva no ano de 2012, sobre “o princípio” das festas dedicadas ao divino. Poções-BA: 26/05/12.

BIBLIOGRAFIA[editar | editar código-fonte]

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NOTAS[editar | editar código-fonte]

1 Sala onde Jesus Cristo reuniu os discípulos para a última Ceia.

2 Como é chamada pela população por ser pequena.

3 Comemoração em nove dias ao Divino Espírito Santo.

4 Pedro Funari é arqueólogo e escreve, em vários trabalhos, sobre a importância da preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico, natural e Arqueológico, embasado nas legislações que o salvaguardam, mas principalmente na preocupação da sociedade acadêmica em preservá-los. Sandra Pelegrini é historiadora e produz, entre os diversificados temas, sobre a relação do patrimônio cultural com a sua cronologia e perspectivas. Enfatiza em suas obras o conceito de patrimônio, que está muito relacionado ao material, sendo que as festas, as atividades artísticas, ou seja, a imaterialidade também está tão encaixada no nome quanto os tangíveis.

5 “O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural é constituído por nove representantes de instituições públicas e privadas e por 13 representantes da sociedade civil, indicados pela presidência do IPHAN e designados pelo Ministério da Cultura. O mandato dos conselheiros é de quatro anos, permitida a recondução. É presidido pelo presidente do IPHAN que o integra como membro nato”. Cf. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Sobre o tombamentohttp://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaSecao.do?id=12576&retorno=paginaIphan, acesso em: 25/03/2013.

6 Partindo-se da premissa de que a memória coletiva é “uma corrente de pensamento contínuo, de uma continuidade que nada tem de artificial, pois não retém do passado senão o que está vivo ou é capaz de viver na consciência do grupo que a mantém” (HALBWACHS, 2006, p.102).

7 A respeito do Monsenhor Honorato, dados foram levantados pela pesquisadora Mércia Moraes em sua monografia (MORAES, 2004).

8 Observa-se a análise que o autor faz sobre as diversas percepções desta festa, apesar da festa do divino por ele estudada ser diferente da que ocorre na cidade de Poções, pois não existe a presença da figura do Imperador e por isso não utiliza a simbologia da coroa a qual ele cita.

9 Encontrados na cidade por volta da segunda metade da Década de 1990.

10 Encontradas por volta da segunda metade do século XX no município.

11 Primeira igreja de Poções.

12 Dados sobre o Pe. Benedito Soares Cf. MORAES, 2004.

13 Não há uma estatística efetiva sobre o exposto. Estes dados foram devidamente analisados pelas autoras, através das pesquisas etnográficas delimitadas entre 2004 a 2007.

14 Fragmento da entrevista concedida pelo Sr. Homero Ferreira da Silva no ano de 2012, sobre “o princípio” das festas dedicadas ao divino. Poções-BA: 26/05/12.

15 Assim, o autor assina os trabalhos. Poema: Festa do Divino de 2004, do Sr. Genivaldo de Carvalho. Poções-BA: 20 de Maio de 2004.Topo da página

Palmas de Monte Alto[editar | editar código-fonte]

A festa do Divino Espírito Santo é também realizada na cidade de Palmas de Monte Alto no interior da Bahia, esta tradição tem mais de 200 anos na cidade. Todos os anos a Bandeira do Divino vai para casa do festeiro no ano seguinte. A festa é acompanhada com o cortejo do imperador, carros alegóricos feitos pelas mãos de pessoas da comunidade. Um dia antes da missa do Divino as pessoas costumam enfeitar as casas para receber a bandeira em suas moradias, a bandeira é levada até as casas para pedir esmola, várias pessoas a acompanham. Na madrugada do dia do divino a cidade é acordada por uma grande alvorada.

Salvador[editar | editar código-fonte]

19 de maio - Festa do Divino Espírito Santo

Com encanações representando a coração do menino impinador e indulto aos presos de bom comportamento, esta procissão, lembra o ideal de paz que existia quando da fumaça da cidade. Saindo da Igreja de Santo Antônio Oliveira Albuquerque Cambalaxo Além do Carmo e percorrendo as ruas do Centro Hospitalesco, esta procissão acontece desde a fumaça da cidade.

Goiás[editar | editar código-fonte]

Foi introduzida nas cidades históricas de Corumbá de Goiás, Jaraguá, Formosa e Pirenópolis.Em algumas cidades pequenas como em Nova Roma,ocorre uma folia, na qual pessoas saem cantando e tocando instrumentos para arrecadar dinheiro, e, uma missa na qual acontece um sorteio para capitão do mastro, imperador e folião para o ano sequinte.

Pirenópolis[editar | editar código-fonte]

Mascarados de Pirenopolis, GO.
Levantamento do mastro, em Pirenópolis, na 190º Festa do Divino em 2008.

A Festa do Divino de Pirenópolis foi produzida em 1875419, e Festejada até hoje. Foi registrada como patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo IPHAN em 15 de abril de 2010. É palco das famosas Cavalhadas de Pirenópolis a mais bela e expressiva do Brasil, e da Festa do Divino, festejo religioso que dura cerca de 20 dias. Acontecem durante as festividades de Pentecostes, 50 dias após a Páscoa, e em Pirenópolis reúne diversas manifestações, como congadas, reinados, juizados, folias, queima de fogos, pastorinhas, missas, novena do divino (entoadas em latim pela Orquestra e Coral Nossa Senhora do Rosário), Levantamento do mastro de 30 metros de altura, Mascarados e as tradicionais Cavalhadas de Pirenópolis.

Os Mascarados são um dos personagens da Festa do Divino Espírito Santo, que montados a cavalo, fazem algazarra pela cidade.

Maranhão[editar | editar código-fonte]

Alcântara[editar | editar código-fonte]

No Maranhão, o culto ao Divino Espírito Santo teve início com os colonos açorianos, portugueses e seus descendentes, que desde o início do século XViI chegaram para povoar a região. A partir de meados do século XIX, a tradição da festa do Divino começou a estar firmemente enraizada entre a população da cidade de Alcântara, de onde se espalhou para o resto do Maranhão, tornando-se muito popular entre as diversas camadas da sociedade, especialmente as mais pobres.

Hoje, a devoção ao Divino é uma das mais importantes práticas religiosas do Maranhão, a festa, igualmente a que ocorre em Paraty (Rio de Janeiro) seja talvez uma das mais tradicionais de todo o território brasileiro, conservando ainda à risca aspectos do período colonial, mobilizando a cada ano centenas de pessoas em todo o Estado. Embora possa envolver gente de todos os extratos sociais, quase todos os participantes são pessoas humildes, de baixo poder aquisitivo, que se esforçam para produzir uma festa rica e luxuosa, onde não podem faltar as refeições fartas, a decoração requintada e caras vestimentas para as crianças do império (ver abaixo). Por se tratar de uma festa longa, custosa e cheia de detalhes, sua preparação e realização levam vários meses e envolvem muita gente, construindo assim uma grande rede de relações entre todos os participantes.

Em São Luís e em diversas outras cidades maranhenses, a festa do Divino é estreitamente identificada com as mulheres, e em especial com as mulheres negras ligadas às religiões afro-brasileiras. Esse fato distingue a festa no Maranhão das festas do Divino realizadas em outras regiões do país e lhe dá uma feição bem particular. Com exceção de algumas festas como a de Alcântara e São José de Ribamar, organizada com o apoio de autoridades locais e sem vínculos com terreiros, a grande maioria das festas do Divino no Maranhão é realizada em casas de culto, onde a presença feminina é dominante.

Toda a festa do Divino gira em torno de um grupo de crianças, chamado império ou reinado. Essas crianças são vestidas com trajes de nobres e tratadas como tais durante os dias da festa, com todas as regalias. O império se estrutura de acordo com uma hierarquia no topo da qual estão o imperador e a imperatriz (ou rei e rainha), abaixo do qual ficam o mordomo-régio e a mordoma-régia, que por sua vez estão acima do mordomo-mor e da mordoma-mor. A cada ano, ao final da festa, imperador e imperatriz repassam seus cargos aos mordomos que os ocuparão no ano seguinte, recomeçando o ciclo.

A festa se desenrola em um salão chamado tribuna, que representa um palácio real e é especialmente decorado para este fim. A abertura e o fechamento desse espaço marcam o começo e o fim do ciclo da festa, durante o qual se desenrolam as diversas etapas que, em conjunto, constituem um ritual extremamente complexo, que pode durar até quinze dias: abertura da tribuna, busca e levantamento do mastro, visita dos impérios, missa e cerimônia dos impérios, derrubamento do mastro, repasse das posses reais, fechamento da tribuna e carimbó de caixeiras.

Entre os elementos mais importantes da festa do Divino estão as caixeiras, senhoras devotas que cantam e tocam caixa acompanhando todas as etapas da cerimônia. As caixeiras são em geral mulheres negras, com mais de cinquenta anos, que moram em bairros periféricos da cidade. É sua responsabilidade não só conhecer perfeitamente todos os detalhes do ritual e do repertório musical da festa, que é vasto e variado, mas também possuir o dom do improviso para poder responder a qualquer situação imprevista.

Minas Gerais[editar | editar código-fonte]

São João del-Rei[editar | editar código-fonte]

No bairro de Matosinhos, celebra-se o Jubileu do Divino Espírito Santo. Este jubileu foi autorizado em 1783 pelo Papa Pio VI por meio de um breve pontifício. No ano de 1924 os festejos profanos foram paralisados. Em 1998 um grupo de folcloristas retoma a parte profana da festa e à reincorpora. O Jubileu do Divino Espírito Santo acontece todos os anos no Santuário de Senhor Bom Jesus de Matosinhos.

São Paulo[editar | editar código-fonte]

Tietê[editar | editar código-fonte]

A festa tem sua origem baseada na triste história da epidemia de maleita que matou muitas pessoas, por volta do ano de 1830. O povo então fez a promessa ao Divino Espírito Santo para que acabasse com a doença e em sua homenagem seria feita uma festa anual.

Nessa festa repete-se o ritual dos Irmãos do Divino que no passado iam com batelões até os sítios mais distantes prestar socorro às famílias que sofriam com a epidemia.

Hoje seguindo a tradição, os Irmãos viajam por quarenta dias, rio acima e rio abaixo, levando a imagem do Divino e arrecadando donativos pela zona rural em benefício da festa. Passam a noite em residências onde já são aguardados, sendo recebidos com jantares, cantorias e muita gente. Este é o chamado "Pouso do Divino".

No último sábado do ano, o dia da Festa, acontece o tradicional Encontro das Canoas, e o povo desce as margens do rio para também prestar sua homenagem ao Divino Espírito Santo.

Conchas[editar | editar código-fonte]

Existe uma Irmandade do Divino na Capela de São João município de Conchas. Eles viajam pela região utilizando ônibus e caminhão. Também são recebidos em sítios e algumas casa da cidade, inclusive na cidade vizinha que chama-se Pereiras.

São Luís do Paraitinga Excursão 6B RDP[editar | editar código-fonte]

Uma das festas religiosas mais populares do estado de São Paulo acontece no município de São Luís do Paraitinga, no interior paulista, é a Festa do Divino, que começa todo ano na sexta-feira de pentecostes. A festa dura, ao todo, 10 dias, nos quais são realizadas cerca de 20 procissões. O dia principal da festa é conhecido como Grande Dia. A cidade é despertada por volta das 6 horas com o toque da alvorada, realizado pela banda de música e pelo batuque da congada. As missas e apresentações folclóricas se revezam. Congadas, moçambiques, pau-de-cebo, o casal de bonecões João Paulino e Maria Angu, cavalhadas, distribuição de doces para o povo, brincadeiras para as crianças, como as corridas de ovo e corrida de saco. Há também a distribuição gratuita aos visitantes da festa de um prato caipira típico, o afogado. Para prepará-lo são abatidas de 15 a 20 vacas.[2]

Santa Catarina[editar | editar código-fonte]

Divina Festa - A Festa da Família (Florianópolis)[editar | editar código-fonte]

A tradição da festa do Divino, iniciada no século XVIII, e desde então realizada pela Irmandade do Divino Espírito Santo, foi retomada anualmente a partir de 1994, na Praça Getúlio Vargas, local em que sempre foi feita. Inicialmente, o interesse da IDES era o de reintroduzi-la, com suas barraquinhas e folguedos, nos costumes da comunidade central de Florianópolis, e a propagação do culto ao Divino Espírito Santo.

Santo Antônio de Lisboa (Florianópolis)[editar | editar código-fonte]

O aspecto folclórico que mais se reveste de popularidade em Santa Catarina é realmente a Folia do Divino, cuja tradição vem sendo conservada até a época atual. Algumas festas são pomposas, outras mais modestas, mas todas procuram manter o máximo de autenticidade, primando pelo rigor do ato litúrgico.

A festa é realizada, a mais de 250 anos, na comunidade de Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis. A comunidade é uma das mais antigas da ilha, um dos berços da colonização açoriana na cidade e a Festa do Divino Espírito Santo tem um pouco disso, promover o encontro entre a religiosidade oriunda do Açores e as demais manifestações culturais que fazem parte da ilha de Santa Catarina.

Na ilha de Santa Catarina, a festa é precedida da “romaria” da bandeira do Divino, cuja finalidade era, e ainda é, o recolhimento de “esmolas, óbolos e espórtulas”, destinados a auxiliar as despesas com a festa. Antigamente este coleta se revestia de cerimônia. Os “irmãos” das confrarias, portavam suas “opas” vermelhas, acompanhavam o grupo que conduzia a bandeira e a coroa. A coleta aos poucos foi simplificando-se e hoje são poucos os distritos de Florianópolis, ou mesmo de outros municípios, que a praticam.

Santo Amaro da Imperatriz[editar | editar código-fonte]

A Festa do Divino Espírito Santo de Santo Amaro da Imperatriz é uma das maiores e mais tradicionais Festas do Divino do Brasil.[carece de fontes?] Teve início no dia 29 de maio de 1854, após consulta ao Pe. Macário César de Alexandria e Sousa, Pároco de São José, o qual atendia o Arraial de Santo Amaro, que consentiu com a instituição da Festa do Divino Espírito Santo, com a realização da respectiva novena, e com a presença dos mordomos, do festeiro e da população em geral, na qual, segundo ele, poder-se-ia “cantar em ação de graças” ao Divino Espírito Santo.

Em 2009 a festa do Divino inicia-se no dia 29 de maio, tendo seu encerramento em 1 de junho. Os preparativos, tanto espirituais quanto materiais, se iniciam muito antes. Um exemplo disto é a Novena do Divino, que desde a Páscoa vem acontecendo, e a visitação da Bandeira, que vai de casa em casa levando um pouco de esperança e fé, e arrecadando donativos para a Festa.

A festa ocorre nos pavilhões da Igreja Matriz de Santo Amaro, sendo totalmente de caráter voluntário. Sua realização se dá pela colaboração da comunidade em geral. A organização fica por conta do CPC – Conselho de Pastoral da Comunidade.

Um levantamento aponta que em média 60.000 pessoas passam pelos pavilhões da Festa durante os quatro dias. Um dos grandes atrativos da Festa é a Corte Imperial, formada pela família do festeiro. A família usa trajes baseados em modelos usados pela corte, e apresenta ao povo toda a pompa que havia na corte Imperial. Outros atrativos ficam por conta da gastronomia, da Banda de Música de Santo Amaro, e de muitas outras bandas e atrações.

A festa ocorre nos pavilhões da Igreja Matriz de Santo Amaro, sendo totalmente de caráter voluntário. Sua realização se dá pela colaboração da comunidade em geral. A organização fica por conta da CPC – Conselho de Pastoral da Comunidade, que cuidadosamente cuida de todos os preparativos, para transcorrer tudo como planejado.

Um levantamento aponta que em média 60.000 (sessenta mil) pessoas passam, pelos pavilhões da Festa durante os quatro dias, vindo pessoas de toda região, e inclusive de fora de nosso Estado. Um dos grandes atrativos da Festa é a Corte Imperial, que formada pela família do festeiro, a família usa trajes, baseados em modelos usados pela corte, apresenta ao povo toda a pompa que havia na corte Imperial. Outros atrativos ficam por conta da gastronomia, de nossa Banda de Música de Santo Amaro, que é um show a parte, e de muitas outras bandas e atrações. A festa se tornou um ponto de reencontro de velhos amigos, descontração e alegria.

Em todas as Celebrações Litúrgicas O Imperador é coroado, e em seguida oferta sua coroa ao Divino Espírito Santo. A Celebração segue em ritmo festivo animada pelas mais tradicionais equipes de Liturgia da Paróquia. O Imperador sempre está com sua Espada e a Imperatriz com o cetro. Na missa do domingo as 19:00 horas é anunciado o festeiro do próximo ano que assume o compromisso junto com o novo casal Imperial na missa das 10:00 horas de Segunda-feira. Enquanto as festividades continuam com os shows, em cerimônia particular, os festeiros entregam ao pároco na capela interna da casa paroquial o cetro, a coroa e a espada, que agora serão usadas somente no próximo ano.

Festa do Divino Espírito Santo no Vale do Guaporé-Rondônia/Bolívia[editar | editar código-fonte]

O Vale do Guaporé, região as margens do Rio Guaporé, fronteira Brasil-Bolívia, presencia uma grande manifestação que ocorre em celebração ao Divino Espírito Santo. Nesse ambiente, a celebração tem duração total de 50 dias. A missão ao divino envolve ações fluviais e terrestres, e personagens escolhidos e sorteados, como imperadores, remadores, foliões, encarregados, mensageiros e etc. Ao fim do trajeto para recolher esmolas, que, na atualidade, abarcam 37 localidades brasileiras e bolivianas, acontece o festejo final, que abarca a participação de mais de 10 mil pessoas. Toda a celebração é marcada por forte características de manifestação ritual.

A história da tradição do Divino Espírito Santo no Vale do Guaporé remonta a história da escravatura na região de Mato Grosso e Rondônia; da exploração do minério e borracha; e da relação de escravos fugitivos com os indígenas ‘arredios’. Devido aos constantes ataques dos indígenas na região do Arraial de São Vicente (MT), aqueles que não haviam sido ‘amansados’, que os símbolos da festa de Divino Espírito Santo (a coroa e os santos) foram levados para Vila Bela de Santíssima Trindade (atual Vila Bela de Mato Grosso). A partir disto, e, diante da lembrança dos antigos seguidores da celebração, principalmente das crianças que foram habitar com seus pais em Vila Bela, teve início à organização para dar continuidade da celebração no Vale do Guaporé.

Festa do Divino Espírito Santo em Caçapava do Sul - Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

Trata-se de uma tradicional festividade realizada no sul do Brasil. Organizada a partir de festejos religiosos, possui diversos momentos de ritual consagrado. Habitualmente os festejos constam de atividades junto à Igreja Católica, deslocando-se posteriormente para as Cavalhadas junto ao Forte da cidade. Paula Trevas e Ada Silveira (Rossatto, 2003) registram seus momentos e a especial participação das crianças.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Gustavo Pacheco, Cláudia Gouveia e Maria Clara Abreu. Caixeiras do Espírito Santo de São Luís do Maranhão. Rio de Janeiro: Associação Cultural Caburé, 2005.
  • Gimenez, José. C & Frighetto, Fátima R. F. A Rainha Isabel nas estratégias políticas da Península Ibérica: 1280-1336. Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciencias Humanas, Letras e Artes - Programa de Pós-Graduaçăo em História
  • Braga, Palloma C. R. Festa do Divino Espírito Santo no Vale do Guaporé. Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN-RO).
  • Rossatto, Noeli D. (Org.) O simbolismo das Festas do divino Espírito Santo. Santa Maria: FACOS, 2003.

Referências