Honestino Guimarães

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Honestino Guimarães
Mosaico de Honestino Guimarães em placa de homenagem na Universidade de Brasília.
Nome completo Honestino Monteiro Guimarães
Nascimento 28 de março de 1947
Itaberaí, (GO)
Morte 10 de outubro de 1973 (26 anos)
Ocupação Líder estudantil

Honestino Monteiro Guimarães (Itaberaí - Goiás, 28 de março de 1947c. 10 de outubro de 1973) foi um líder estudantil brasileiro.

O presidente da organização estudantil FEUB e estudante de Geologia foi casado duas vezes, e preso o dobro dessa quantidade. Em sua quarta "visita" ao xadrez, no ano de 1973, nunca mais retornou. Seu atestado de óbito só foi entregue a família em 1996, vinte e três anos depois. E ainda assim, incompleto: na certidão não constava a causa da morte.

Honestino, mais uma vítima dos anos de chumbo e da repressão violenta por parte dos militares, morreu sem saber como ou o por quê. Após muitas tentativas legais que sua família recorreu, o militante foi oficialmente anistiado apenas em 20 de setembro de 2013, assim como a reformulação de seu atestado de óbito, que agora traja a causa legítima: atos de violência que sofreu quando estava sob custódia do Estado Brasileiro"

É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Trajetória[editar | editar código-fonte]

O filho de Benedito Monteiro Guimarães e Maria Rosa Leite Monteiro nasceu na tranquila cidade de Itaberaí, em Goiás, mas treze anos depois, em 1960, mudou-se com sua família para Brasília - capital então em construção. Honestino estudou no Centro de Ensino Médio Elefante Branco e no Centro Integrado de Ensino Médio, escola pública de Brasília que, ironicamente, era conhecido por "Elefante Vermelho" devido ao grande engajamento político por parte dos professores e alunos que a instituição possuía.

As principais bandeiras que o movimento estudantil secundarista do Distrito Federal levantavam eram a favor das melhorias nas escolas públicas, contra o aumento da passagem do transporte público e por mais democracia no país - que ainda se assumira por democrático. Honestino iniciou sua militância no movimento secundarista em 1963, após a repressão brutal por parte da polícia - que chegou a ferir um estudante à bala - em uma das manifestações que pediam a diminuição no valor do transporte. Filiou-se à Ação Popular, organização clandestina originada de movimentos sociais católicos.

Em 1964, durante o Golpe de Estado no Brasil em 1964, Honestino estava cursando o terceiro ano do Centro Integrado de Ensino Médio de Brasília e já atuava como militante, porém não possuía tanta visibilidade. No ano seguinte (1965) prestou vestibular para o curso de Geologia na Universidade de Brasília - UnB, passando em primeiro lugar. Era mais conhecido por sua genialidade e notas altas do que por sua voz política.

Porém, já na universidade, Honestino Guimarães foi eleito para o Diretório Acadêmico de Geologia. Em 1967, enfrenta sua primeira prisão, acusado de participar de pichações que hostilizavam o governo de Costa e Silva. É liberto mas, ainda no mesmo ano, volta novamente para a prisão, dessa vez denunciado como participante de um "suposto" movimento guerrilheiro em Itauçu, Goiás.

Mesmo estando atrás das grades, foi eleito presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (FEUB). Em agosto de 1968 seu pai representou-o por procuração para que ele pudesse casar-se com Isaura Botelho, militante estudantil. Ainda em agosto de 1968 forças do exército e polícia política invadiram a UnB, uma das faculdades mais perseguidas durante a ditadura, para cumprir mandados de prisão contra Honestino e mais sete lideranças estudantis. Honestino foi arrancado da sede da FEUB e ficou preso até novembro. Em 26 de setembro de 1968, como punição por ter liderado a expulsão de um falso professor da UnB, foi desligado da universidade.

Em dezembro de 1968, com o Ato Institucional Número Cinco, saiu de Brasília e passou a viver, desde o início de 1969, como clandestino em São Paulo com Isaura. Em 1970 nasceu a filha do casal, Juliana. Quando o presidente da UNE Jean Marc von der Weid foi preso, Honestino assumiu a presidência interina da entidade. Permaneceu como interino até 1971 e, durante o congresso da UNE realizado ainda naquele ano, na Baixada Fluminense (RJ), foi eleito presidente.

Em fins de 1971, separado de Isaura, transferiu-se para o Rio de Janeiro onde continuou vivendo clandestinamente com sua nova companheira. Continuou coordenando atividades estudantis, desempenhando as tarefas de sua organização política e lutando contra o regime militar. O que não sabia é que estava tendo os seus passos acompanhados atentamente por órgãos de vigilância da capital federal, que pretendiam capturá-lo na primeira oportunidade. E foi no Rio de Janeiro, quando pelo CENIMAR, em 10 de outubro de 1973, conseguiu prende-lo, após cinco anos de clandestinidade, com a acusação de apoio à um novo movimento de resistência armada recém-surgido no sul do pará. Desde então, nunca mais foi visto.

Desaparecimento[editar | editar código-fonte]

Supõe-se que pode ter sido transferido para o Pelotão de Investigações Criminais de Brasília, onde sua mãe foi autorizada a visitá-lo no Natal, mas no dia da visita, Maria Rosa foi informada que ele não estava encarcerado ali. Sua mãe, que procurou ajuda de advogados do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, encontrou apoio na OAB, CNBB e na maçonaria, mas nem seu filho nem outros desaparecidos políticos foram encontrados. Uma estudante cujo nome era Aparecida Schoenacker foi presa em São Paulo, no mês de janeiro do ano seguinte, disse ter ouvido de um investigador que Honestino estava morto.

Seu desaparecimento foi denunciado pelos presos políticos de São Paulo em documento datado de 1976. Antes de sua última prisão, Honestino escreveu o seu Mandado de Segurança popular, em que dizia aos companheiros: "a minha situação é de uma vida na clandestinidade forçada... sofri vários processos, alguns já julgados. (Eles mostram) com clareza o particular ódio e a tenaz perseguição da qual sou objeto... Por diversas vezes fui ameaçado de morte".

Em 1992, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro assumiu as investigações referentes ao desaparecimento de Honestino, porém sem nenhum resultado conclusivo. Quatro anos depois, em 1996, a família recebeu o primeiro atestado de óbito que não dizia a causa da morte e, apenas em 2013, depois de instaurada a Comissão da Verdade no país, a declaração verdadeira veio a tona, justificando a morte de Honestino como consequência dos atos de violência que sofrera por parte dos militares. Seu irmão Norton, também já falecido, gostava de lembrar que o termo "desaparecimento" encobre quatro crimes do Estado brasileiro: sequestro, tortura, execução extra-judicial e olcutação do corpo.

Legado[editar | editar código-fonte]

Placa em homenagem a Honestino Guimarães na Universidade de Brasília.

Em 12 de março de 1996 teve seu óbito oficialmente reconhecido, sendo laureado pela UnB no ano seguinte com o Mérito Universitário.

Em sua homenagem, a principal organização estudantil da Universidade de Brasília se chama Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães. Também em sua homenagem, o Grêmio Estudantil do Centro de Ensino Médio Elefante Branco, onde estudou, e o centro acadêmico do curso de Geologia da Universidade Federal do Ceará levam seu nome.

Além disso, em 2013 logo após ser declarado oficialmente um anistiado político, a UnB prestou uma solenidade em sua homenagem, como forma de pedido de desculpas a todos os outros estudantes desaparecidos, além da família.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Link de mortos e desaparecidos da ditadura.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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