João Severiano da Fonseca

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João Severiano da Fonseca
Vida
Nascimento 27 de maio de 1836
Morte 7 de novembro de 1897 (61 anos)

João Severiano da Fonseca (Cidade de Alagoas, 27 de maio de 1836Cidade do Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1897) foi um militar, médico, professor, escritor, historiador e diplomata brasileiro, tendo chegado à patente de general-de-brigada.[1] [2] Participou da Campanha da Tríplice Aliança e foi o sétimo Diretor de Saúde do Exército Brasileiro. É o patrono do Serviço de Saúde do Exército.

Família[editar | editar código-fonte]

João Severiano da Fonseca nasceu a 27 de maio de 1836, na Cidade de Alagoas, hoje chamada Marechal Deodoro, filho do tenente-coronel Manuel Mendes da Fonseca e de Rosa Maria Paulina da Fonseca. O casal teve duas filhas e oito filhos, sendo que todos os homens seguiram a carreira militar.

Entre os irmãos, destacaram-se Manuel Deodoro da Fonseca, generalíssimo, proclamador da República e primeiro presidente do Brasil; marechal Hermes Ernesto da Fonseca, que governou a Bahia e o Mato Grosso; e marechal-de-campo Severiano Martins da Fonseca, primeiro e único barão de Alagoas. Outros três irmãos, major Eduardo Emiliano, capitão Hypolito e alferes Afonso Aurélio, faleceram em combate, nas batalhas de Itororó (1868), Curupaiti (1866) e Curuzu (1866), respectivamente. O oitavo irmão, Pedro Paulino, foi precocemente reformado, como incapaz, no posto de tenente, sendo nomeado coronel honorário.[3] João Severiano também era tio de Hermes Rodrigues da Fonseca, futuro presidente brasileiro.

Ao contrário dos irmãos, João Severiano não seguiu prontamente a carreira das armas, matriculando-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 1858, recebeu o grau de doutor.

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Em 29 de janeiro de 1862, João Severiano ingressou no Corpo de Saúde do exército brasileiro, no posto de segundo-tenente, como cirurgião. Dois anos mais tarde, iniciou seus serviços na Campanha do Uruguai, seguindo para a Campanha da Tríplice Aliança, na qual combateu até 1870. Nesse período, foi repetidamente merecedor de elogios e condecorações pelo zelo, competência e senso humanitário que exercia suas funções, o que lhe valeu a promoção a capitão, a designação a servir no então Hospital Militar da Guarnição da Corte e a comenda de oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, tornando-se o único oficial do Corpo de Saúde a receber tal condecoração.

Em 1887, atuou como médico na Comissão de Limites com a Bolívia em Corumbá, regressando após três anos para ser reintegrado ao Hospital da Guarnição da Corte. Por uma determinação do ministro da Guerra, que não mais permitia a direção dos hospitais militares por oficiais leigos (não médicos), João Severiano, já como tenente-coronel, assumiu interinamente a direção do hospital na transição do Brasil Imperial para o Brasil República (e do Hospital da Guarnição da Corte para o Hospital Central do Exército).[4]

Militar mais antigo do Corpo de Saúde à época, foi, logo depois, promovido a coronel e nomeado inspetor do Pessoal do Serviço Sanitário, sendo efetivado no posto de general-de-brigada, como inspetor geral do Serviço de Saúde a 4 de outubro de 1890.

Ainda em 1890, passou a fazer parte do Conselho Supremo Militar de Justiça. Serviu, ainda, no Hospital Militar de Andaraí e chefiou a enfermaria da Escola Militar da Praia Vermelha, além de ter sido professor da cadeira de Ciências Físicas e Naturais do Imperial Colégio Militar.

É interessante notar que João Severiano foi desligado do Exército oito dias após assinar o Manifesto dos treze generais, que contestava a legitimidade do governo de Floriano Peixoto. Teoricamente, entretanto, o licenciamento deu-se devido a sua eleição a senador. Ao término do mandato, em 4 de novembro de 1893, ele foi reintegrado ao Exército ainda no cargo de inspetor geral do Serviço Sanitário, o qual ocupou até seu falecimento, em 7 de novembro de 1897, na cidade do Rio de Janeiro.

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

Em 1880, tornou-se o primeiro militar a integrar a Academia Imperial de Medicina e, no mesmo ano, entrou para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Durante sua estadia em Corumbá, pela Comissão de Limites com a Bolívia, escreveu o livro Viagem ao Redor do Brasil. A obra é um diário do autor, com importantes descrições a respeito do Mato Grosso e de tribos indígenas.

Também frequentou diversas outras agremiações literárias e científicas, como o Institut de France, o Instituto Farmacêutico do Rio de Janeiro, o Instituto Arqueológico Alagoano, o Ateneu de Lima, o Instituto Médico Brasileiro e sociedades de geografia do Rio de Janeiro, de Lisboa e de Madri.

Honrarias[editar | editar código-fonte]

  • Oficial da Ordem Imperial do Cruzeiro (1870): recebida pela sua memorável participação na Campanha da Tríplice Aliança.
  • Patrono do Serviço de Saúde do Exército Brasileiro (1940): sua escolha foi homologada em decreto de 13 de março de 1962.
  • Patrono da cadeira número 27 da Academia Brasileira de Medicina Militar

Referências

  1. ABREU, Marcelo Echart de. O Serviço de Saúde do Exército Brasileiro. Revista de Medicina Militar 2001; 29:1284-1286
  2. Biografias dos Patronos do Exército Brasileiro.
  3. Biografia do Marechal Deodoro da Fonseca - Coleção Grandes Personagens da Nossa História (Editora Abril Cultural)
  4. Histórico do Hospital Central do Exército.
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