Mikola Skripnik

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Микола Олексійович Скрипник
Mikola Oleksiovitch Skripnik
Микола Олексійович Скрипник
Mikola Oleksiovitch Skripnik
Primeiro-ministro RSS da Ucrânia
Período de governo desde 4 de março de 1918
até 18 de abril de 1918
Antecessor(a) Evgenia Bosch
Sucessor(a) nenhum
Comissário Popular do Trabalho
Período de governo desde 4 de março de 1918
até 18 de abril de 1918
Antecessor(a) cargo criado
Sucessor(a) cargo abolido
Comissário Popular do Interior
Período de governo desde 1921
até 1922
Comissário Popular de Educação
Período de governo desde 1927
até 1937
Vida
Nascimento 25 de janeiro de 1872
Oblast de Ekaterinoslav
Morte 7 de julho de 1933 (61 anos)
Kharkiv
Nacionalidade ucraniano
Dados pessoais
Alma mater Instituto Tecnológico Estatal de Petrogrado

Mikola Oleksiovitch Skripnik (em ucraniano: Микола Олексійович Скрипник) (13 de janeiro (jul.) de 1872 - 7 de julho de 1933) foi um bolchevique e independentista ucraniano, responsável pelo esforço de ucranização da Ucrânia soviética.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Skripnik nasceu em Iasinuvata (Oblast de Ekaterinoslav), na família de um trabalhador ferroviário. Estudou na escola elementar de Barvinkove, depois nas escolas secundárias de Izium e Kursk e finalmente no Instituto Tecnológico Estatal de Petrogrado. Durante a sua época nesse centro, foi arrestado nas cargas políticas de 1901, o que o levou a aderir plenamente às posições revolucionárias. Isso levou-o a ser expulso do Instituto em várias ocasiões, sendo arrestado quinze vezes e exiliado em sete ocasiões. Em total, foi condenado a 34 anos de prisão e inclusive a pena de morte, porém, conseguiu sempre fugir. Em 1914 fez parte do conselho editor do jornal Pravda.

Após a Revolução de fevereiro de 1917, Skripnik regressou de um dos seus exílios a Petrogrado, onde foi eleito secretário do Conselho Central de Comités Operários; e durante a Revolução de Outubro, participou como membro do Milrevkom do Soviete de Petrogrado.

Independentista ucraniano[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 1917, Skripnik foi eleito in absentia para fazer parte do Secretariado Popular da Ucrânia (o primeiro governo soviético ucraniano), e em março de 1918, Lenin colocou-o à cabeça do próprio Secretariado. Desde essa posição, Skripnik nucleou uma fação em Kiev denominada "os independentistas", sensíveis à questão nacional ucraniana e que defendiam a criação de um partido bolchevique separado do russo. Esse grupo opunha-se aos membros da fação maioritária de Ekaterinoslav, que preferiam uma força integrada no POSDR russo, conforme à doutrina internacionalista de Lenin.

Skripnik liderou a posição independentista durante a conferência de Taganrog em abril de 1918, quando se aprovou a criação do Partido Comunista (bolchevique) Ucraniano (PCbU). Porém, em julho, num congresso dos bolcheviques ucranianos em Moscovo decidiu-se a rescisão daquela resolução e o partido ucraniano passou a ser considerado como uma seção do POSDR.

Skripnik trabalhou também para a Tcheka durante o inverno de 1918-19. Depois, regressou a Ucrânia como Comissário do Povo de Inspeção Operária-Camponesa, entre 1920 e 1921; como Comissário de Interior entre 1921 e 1922 e como Comissário de Justiça entre 1922 e 1927.

Porém, ele nunca abandonou os seus postulados independentistas e, em 1922, durante os debates sobre a criação da União Soviética, propus novamente um estrutura de repúblicas nacionais independentes e denunciou a proposta do novo secretário geral, Iosif Stalin, de as absorver num único estado, a RSFS da Rússia. A composição final da União Soviética, acordada em janeiro de 1924, terminou com uma muito reduzida autonomia política para as repúblicas. Tendo sido derrotados, Skripnik e outros independentistas derivaram a sua luta face à cultura.

Ucranização[editar | editar código-fonte]

Em 1927, Skripnik foi nomeado Comissário de Educação da RSS da Ucrânia. Desde esse cargo, convenceu o PCbU de lançar uma política de "ucranização" que encorajasse o desenvolvimento da literatura e da cultura ucranianas. Como resultado dessa política, a língua ucraniana foi institucionalizada nas escolas e na sociedade, e a produção literária atingiu altos níveis. Ademais, devido a que a política soviética de coletivização e industrialização produziu um importante êxodo das áreas rurais às cidades, o ucraniano passou de ser considerado como um dialeto camponês para tornar-se um dos idiomas principais da sociedade. Ainda, Skripnik organizou a Conferência Ortográfica internacional, celebrada em Kharkiv em 1927 envolvendo especialistas da área soviética e da Galitzia ucraniana, então parte da Segunda República Polonesa. Nessa conferência foi acordada o alfabeto ucraniano que foi aceite em toda a Ucrânia. A ortografia de Kharkiv, também conhecida como Skripnikivka, foi oficialmente adotada em 1928.

Embora Skripnik defendesse uma república autónoma para a Ucrânia e levasse para a frente uma forte política de ucranização, as suas motivações tinham a ver com a ideia de que a via cultural era a melhor para espalhar a ideologia comunista. Portanto, não tinham a ver com o que ele considerou "desviações nacionalistas" como as do escritor Mikola Khvilovi, as do borotbista Oleksandr Shumski ou as de Mikhailo Volobuev, que criticava a política económica soviética por considerar que fazia a Ucrânia dependente da Rússia.

Desde fevereiro de 1933, Skripnik ingressou no Politburo do PCbU e serviu no Comité Executivo que organizou a Internacional Comunista, sendo ademais a cabeça da delegação ucraniana.

Expurgo[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1933, Stalin enviou Pavel Postishev à Ucrânia como delegado plenipotenciário para dirigir uma violenta campanha anti-ucranização, para reforçar a coletivização agrária que envolveu a confiscação de grão que contribuiu à carestia conhecida como Holodomor, e para levar para a frente um expurgo no PCbU que antecipou o Grande Expurgo de 1937. Nesse processo, Skripnik foi removido do Comissariado de Educação. Em junho, ele e as suas "nefastas" políticas foram publicamente desacreditadas e os seus seguidores foram condenados como "elementos nacionalistas contrarrevolucionários". Perante essa retaliação, Skripnik suicidou-se.

Durante o resto da década de 1930, a ucranização desenvolvida por Skripnik foi revertida. A reforma ortográfica conhecida como Skripnikivka foi abolida e a nova ortografia passou a ser muito mais próxima da russa. Decretou-se o estudo obrigatório da língua russa e a publicação de jornais em ucraniano foi limitada.

Skripnik foi reabilitado postumamente, em 1990.

Referências[editar | editar código-fonte]