Parábola do Rico Insensato

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A Parábola do Rico Insensato, Rembrandt, 1627.

A Parábola do Rico Insensato é uma parábola contada por Jesus no Novo Testamento. Encontrada em Lucas 12:13-21, a parábola reflete a loucura de ligar demasiada importância à riqueza. Uma versão abreviada da parábola também aparece no Evangelho Gnóstico de Tomé (no capítulo 63).[1]

Narrativa[editar | editar código-fonte]

A parábola é introduzida por um membro da audiência que tenta conseguir a ajuda de Jesus em uma disputa financeira da família:[2]

E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.

Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós? E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lucas 12:13-15).

Jesus então responde com a parábola:

E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga” Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus” (Lucas 12:16-21).

Interpretação[editar | editar código-fonte]

O rico fazendeiro desta parábola é retratado de forma negativa, como um exemplo da ganância. Ao substituir seu celeiro existente, ele evita usar terras agrícolas para fins de armazenamento, maximizando assim o seu rendimento, bem como permitindo-lhe para esperar um aumento de preços antes de vender. Agostinho de Hipona comenta que o fazendeiro estava "planejando preencher sua alma com um banquete excessivo e desnecessário e estava, orgulhosamente, desconsiderando todas as barrigas vazias dos pobres. Ele não percebeu que a barriga dos pobres eram depósitos muito mais seguros que seus celeiros.[3]

São Basílio de Cesareia destaca que as riquezas são um dom de Deus distribuído de maneira desigual, para que alguns se convertam pela paciência e humildade, enquanto outros ganhem tesouros no céus distribuindo seus bens. A riqueza, em si, não é um mal. O pecado está na avareza, em querer guardar tudo para si e seus familiares, julgando que isto é necessário para ter uma vida agradável. O ávaro esquece que está apenas administrando bens que Deus concedeu para sua edificação.

A conversa com o fazendeiro consigo mesmo é, no evangelho de Lucas, negativa e auto-centrada: os pronomes de primeira pessoa ocorrem 11 vezes. Arland J. Hultgren julga que a parábola "fornece um exemplo do que não devemos ser. A pessoa cuja identidade está ligada à sua propriedade, status e (ou) realizações - e é dirigido por adquiri-los - pode facilmente terminar ignorando o chamado de Deus e a necessidade do próximo".[4]

A insensatez do fazendeiro reside especialmente no fato de que a riqueza não garante o futuro: o Dia do Juízo Final chega mais cedo do que se espera.[5]

Representações[editar | editar código-fonte]

Esta parábola tem sido retratada por vários artistas, incluindo Rembrandt, Jan Luyken, James Tissot, e David Teniers, o Moço.

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Referências

  1. Gospel of Thomas: Lamb translation and Patterson/Meyer translation.
  2. Joel B. Green, The Gospel of Luke, Eerdmans, 1997, ISBN 0802823157, pp. 487-491.
  3. Arthur A. Just, Luke, InterVarsity Press, 2003, ISBN 0830814884, p. 208.
  4. Arland J. Hultgren, The Parables of Jesus: A Commentary, Eerdmans, 2002, ISBN 080286077X, pp. 104-109.
  5. John Clifford Purdy, Parables at Work, Westminster John Knox Press, 1986, ISBN 0664246400, pp. 41-43.

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