Paul Kruger

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Paul Kruger.

Stephanus Johannes Paul Kruger (Bulhoek, 10 de outubro de 1825Clarens, Vaud, 14 de julho de 1904), também conhecido como Oom Paul (em africâner "Tio Paul") foi presidente da República Sul-Africana (também conhecida como República de Transvaal) e líder da resistência bôer contra o domínio britânico na África do Sul. De acordo com uma lenda, ele recebeu o apelido de Mamelodi'a Tshwane (Tswana signica "assobiador do rio Apies") pelos habitantes de Tshwane por sua habilidade de assobiar e imitar o som dos pássaros.

Vida[editar | editar código-fonte]

Kruger nasceu em uma família originária da Prússia em Bulhoek, Colónia do Cabo na África do Sul, na fazenda de seu avô no distrito de Steynsburg, e cresceu na fazenda Vaalbank. Kruger só recebeu uma educação formal por três meses. Seu pai, Casper Kruger, se uniu a Hendrik Potgieter no Grande Trek (Great Trek) (um agrupamento de migrantes africâners que se destinava ao interior do continente) quando o grupo foi fundado em 1836.

Os colonizadores atravessaram o rio Vaal em 1838, e se estabeleceram na região conhecida hoje como Potchefstroom. O pai de Kruger, então, decidiu se estabelecer definitivamente no distrito conhecido como Rustenburg. Aos dezesseis anos de idade, Paul foi incumbido de escolher uma fazenda para ele na base da cadeia de montanhas de Magaliesberg, onde se estabeleceu em 1841.

No ano seguinte, ele se casou com Maria du Plessis, e o jovem casal acompanhou o pai de Kruger quando este se mudou temporariamente para Transvaal Oriental. Após o retorno da família a Rustenburg, du Plessis e seu recém-nascido filho morreram, provavelmente de malária. Ele então se casou com Gezina du Plessis, que se tornou sua companhia constante e confidente até a sua morte em 1901.

Muitas famílias sul-africanas tradicionais e antigas são descendentes de Eva Krotoa, uma Khoisan que teve filhos com um colono holandês, e cujos filhos se integraram à comunidade colonial estabelecida pelos Países Baixos: Paul Kruger é um dos descendentes de Eva Krotoa. Dentre os descendentes de Eva Krotoa, encontram-se também outros líderes sul-africanos famosos, tais como: o presidente F. W. de Klerk e o primeiro ministro da África do Sul Jan Smuts.1

Liderança[editar | editar código-fonte]

Kruger tinha uma facilidade em liderar, logo se tornou Comandante-Geral da República Sul-Africana. Foi escolhido como membro da comissão de Volksraad, o parlamento republicano que escreveria a constituição. As pessoas começaram a notá-lo, principalmente quando Kruger acabou com os desentendimentos entre o líder de Transvaal, Stephanus Schoeman, e MW Pretorius.

Em 1873, Kruger deixou o Comando-Geral, e por um tempo deixou o poder de lado voltando para a sua fazenda, Boekenhoutfontein. Apesar disso, em 1874 ele foi eleito para o Conselho Executivo e logo após se tornou Vice-presidente do Transvaal.

Seguindo a anexação de Transvaal pelos britânicos em 1877, Kruger se tornou líder do movimento de resistência. No mesmo ano, ele visitou o Reino Unido pela primeira vez como deputado.

Na Primeira Guerra dos Bôeres, também conhecida como "Guerra de Independência", iniciada em 1880, Paul desempenhou um papel fundamental quando — após serem derrotados na decisiva batalha de Majuba em 1881 — os britânicos tiveram de negociar, o que levou a restauração da independência de Transvaal.

Em 30 de outubro de 1880, aos 55 anos de idade, Kruger foi eleito Presidente de Transvaal. Um de seus primeiros atos foi a revisão da Convenção de Pretória em 1881, acordo entre bôeres e britânicos que finalizava a Primeira Guerra dos Bôeres. Por conta disso, foi novamente ao Reino Unido em 1883 para negociar com o Lorde Derby. Kruger e sua comitiva também visitou outros países europeus, onde foi recebido com triunfo, como Alemanha, Bélgica, Países Baixos, França e Espanha. Na Alemanha, Kruger compareceu a um banquete real onde foi apresentado ao Imperador Guilherme I, e teve uma audiência com Bismarck.

Em Transvaal, as coisas mudaram rapidamente após a descoberta de ouro no Witwatersrand. A descoberta atiçou as disputas entre os estrangeiros com os bôeres (donos das terras) causando a queda da República. Acredita-se que Kruger previu o que estaria por vir, pois declarou que ao invés de se aproveitarem da descoberta, eles deveriam chorar já que isso "afundaria nossa terra num mar de sangue".

No fim de 1895, o desastre da Patrulha Jameson se tornou evidente; Jameson foi forçado a se render, foi levado a Pretória entregado às tropas britânicas.

Em 1898, Kruger foi eleito Presidente pela quarta e última vez.

Exílio[editar | editar código-fonte]

Em 11 de outubro de 1899, a Segunda Guerra dos Bôeres estourou. Em 7 de maio do ano seguinte, Kruger participou da última sessão no Volksraad e deixou Pretória em 29 de maio. Por diversas semanas ele tanto se escondeu em uma casa em Waterval Onder quanto em um vagão em uma estrada de ferro em Machadodorp na até então Transvaal Oriental, atual Mpumalanga. Em outubro, ele deixou a Africa do Sul no navio de guerra De Gelderland, que foi mandado pela rainha holandesa Guilhermina. Sua esposa, doente, não pôde viajar permancendo no país, onde morreu em 20 de julho de 1901.

Kruger foi para Marselha e ficou por um tempo nos Países Baixos, antes de se mudar para Clarens, Suíça, onde morreu em 14 de julho de 1904. Seu corpo foi enterrado em 16 de dezembro de 1904 no cemitério de Church Street em Pretória.

Legado[editar | editar código-fonte]

Sua ex-residência em Pretória é agora o Museu Kruger House.

O Parque Nacional Kruger tem esse nome em sua homenagem também como a moeda Krugerrand que leva o seu busto em uma de suas faces.

Referências

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