Pogrom de Sumgait

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O Pogrom de Sumgait foi um dos acontecimentos que antecedeu a Guerra de Nagorno-Karabakh entre arménios e azeris.

A 22 de Fevereiro de 1988 nas proximidades da vila de Askeran (em Nagorno-Karabakh, na estrada que liga Agdam a Stepanakert), um confronto entre membros destes grupos terminou em violentos incidentes que deixaram cerca de 50 arménios feridos. Durante os combates, um polícia local, supostamente arménio, alvejou mortalmente dois jovens azeris. Dias depois, a 27 do mesmo mês, enquanto falava na televisão central de Baku, o delegado do ministério público soviético Alexander Katusev mencionou a nacionalidade dos feridos.

Sumgait (Sumqayit) localiza-se a cerca de 30 quilómetros a noroeste da capital do Azerbaijão Baku, junto ao Mar Cáspio.

A confrontação de Askeran foi o prelúdio para os pogroms de Sumgait, onde os ânimos, já exaltados pelas notícias acerca da crise em Karabakh, se exaltaram ainda mais numa série de protestos iniciados a 27 de Fevereiro. Falando em comício, refugiados azeris da vila arménia de Ghapan acusaram os arménios de "assassínios e atrocidades incluindo o rapto de mulheres a quem cortaram os seios".[1] Posteriormente provou-se que estas alegações eram falsas e que muitos dos oradores eram afinal agentes provocadores.[2] Poucas horas depois da intervenção, iniciou-se um pogrom dirigido contra os residentes arménios na cidade de Sumgait, situada a 25 quilómetros a norte de Baku, onde residia uma comunidade estimada em 2000 refugiados azeris provenientes da Arménia.[3] O resultado do pogrom foi a morte de 32 pessoas, de acordo com as estatísticas soviéticas oficiais. Os arménios foram espancados, violados e assassinados nas ruas e apartamentos em que viviam durante três dias de violência que só terminaram quando as forças armadas da União Soviética entraram na cidade e sufocaram o pogrom a 1 de Março.[4]

A forma como os arménios foram assassinados provocou grande indignação aos seus compatriotas, que consideraram que o pogrom tinha sido avalizado pelas autoridades soviéticas, tendo em vista a intimidação dos membros do movimento de Nagorno-Karabakh. A violência tornou a aumentar depois dos acontecimentos de Sumgait, até que Gorbachev decidiu finalmente intervir enviando para a Arménia tropas do Ministério do Interior em Setembro de 1988. Em Outubro do ano seguinte, estimavam-se em mais de 100 as pessoas assassinadas desde que a ideia da unificação tinha nascido em Fevereiro de 1988.[5] Todos estes eventos foram esquecidos temporariamente, depois de um grande sismo, conhecido como Terremoto de Spitak, ter assolado as cidades de Leninakan (agora Gyumri) e Spitak a 7 de Dezembro de 1989, provocando a morte a mais de 25.000 pessoas.[6]

As tentativas de Gorbachev para estabilizar a região revelaram-se infrutíferas, já que se depararam com a intransigência de ambos os lados. Os arménios não se conformaram com a promessa do governo central de destinar 400 milhões de rublos para revitalizar a língua arménia, criando livros escolares e um canal de televisão para Karabakh, enquanto os azeris não estavam dispostos a ceder qualquer território à Armenia. Além do mais, os onze membros que compunham o recém-formado Comité de Karabakh (onde se contava o futuro presidente da Arménia Levon Ter-Petrosian) foram detidos por ordem do Kremlin durante o caos que seguiu a terramoto. Estas acções polarizaram as relações entre Moscovo e os arménios, visto estes últimos terem perdido a sua fé em Gorbachev, condenando-o ainda mais pelo seu mau manuseamento da ajuda às vítimas do terramoto e a sua postura de não comprometimento para com o Nagorno-Karabakh.[7]

Referências

  1. Kaufman, Stuart. Modern Hatreds: The Symbolic Politics of Ethnic War. New York: Cornell Studies in Security Affairs, 2001. 49–66 pp. ISBN 0-8014-8736-6
  2. Kulish, O. e Melikov, D. Социалистическая индустрия (Indústria Socialista). 27 de Março de 1988. Acedido a 30 de Março de 2008
  3. Rabo, Annika; Utas, Bo. The Role of the State in West Asia. [S.l.]: Swedish Research Institute in Istanbul, 2005. 169 pp. ISBN 9186884131
  4. Shahmuratian, Samvel. The Sumgait Tragedy: Pogroms Against Armenians in Soviet Azerbaijan. New York: Zoryan Institute, 1990. ISBN 0892414901
  5. Hofheinz, Paul. "On the Edge of Civil War", TIME, 23 de outubro de 1989. Página visitada em 2006-03-13.
  6. Em 1988 o estado das relações entre os arménios e os azeris era tão preocupante que quando o sismo ocorreu muitos dos residentes de Leninakan pensavam que tinha ocorrido uma explosão espoletada pelos azeris. Existem também diversos relados de celebrações do acontecimento no Azerbaijão, comemorando a ocorrência do sismo devido aos danos trazidos à Arménia: op. cit. em Melkonian. My Brother's Road, p. 163.
  7. Chorbajian, Levon. The Making of Nagorno-Karabagh: From Secession to Republic. New York: Palgrave MacMillan, 2001. 161, 213 pp. ISBN 0333773403

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