Recitativo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Recitativo é um gênero musical no qual é permitido ao Cantor usar o Tempo da fala e não o da música. O trecho musical é cantado normalmente por um solista, utilizando-se de uma linha melódica sem acompanhamento, ou com leve acompanhamento responsivo durante as pausas do cantor, e fica a meio termo entre o canto e a fala. O termo Recitativo, do Italiano, já indica que o que se canta é mais "recitado" do que cantado.1

História e características[editar | editar código-fonte]

O Recitativo foi bem desenvolvido no Século XVII; nas obras da Era Barroca como: a Paixão, as cantatas e madrigais; e ainda permaneceu, até mais tarde, nas óperas da Era clássica e Era Romântica. O primeiro uso de recitativo em Ópera foi precedido por monodias da Camerata Fiorentina (em italiano), em que Vincenzo Galilei (1520-1591), cantor e compositor que tocava o alaúde, pai do astrônomo, Galileo Galilei, teve um papel importante.2 O pai, Galilei, influenciado pelas escritas dos gregos antigos e querendo recriar a antiga maneira de contar histórias e drama, se tornou um pioneiro3 quando usava uma linha melódica para contar histórias, acompanhado de acordes simples da harpa ou alaúde.4
Na Era barroca os recitativos eram freqüentemente ensaiados nos bastidores pelo diretor de palco, enquanto os cantores freqüentemente traziam a sua própria "bagagem" de árias favoritas que podia ser de outro compositor (algumas das árias de concerto de Mozart caem dentro deste grupo). Esta divisão de trabalho perdurou em algumas das obras mais famosas de Rossini (1792-1868): os recitativos para Il barbiere di Siviglia e La Cenerentola foram compostas por assistentes.
Um dos primeiros compositores a usar o Recitativo foi o Italiano, Claudio Monteverdi (1567-1643), em 1624, usando em sua Cantata: Combattimento di Tancredi e Clorinda. Bach usou o Recitativo em todas as "quase-400"s cantatas que escreveu. Geralmente escrito sem barras de compasso (e, portanto, sem um Tempo ou andamento especificamente definido. O recitativo é a narrativa articulada e, em geral, rápida e breve, como os personagens normalmente "conversam" na obra executada.

Se um personagem pede a um servo que traga o jantar, por exemplo, na maior parte das vezes o compositor não escreve música muito elaborada para a frase, escreve um recitativo. Cair simplesmente na linguagem falada quebra a atmosfera musical da ópera, por isso a maior parte dos compositores evitam fazê-lo, especialmente na ópera italiana.

Na ópera alemã mais frequentemente trechos falados se alternam com trechos cantados, por isso este tipo de ópera é muitas vezes chamado de Singspiel. Mozart é um exemplo marcante de um compositor que escreveu tanto óperas em italiano quanto óperas em alemão. Quando ele compunha em italiano, Mozart seguia as convenções da ópera italiana, e recheava suas óperas de recitativos; quando ele compunha em alemão, ele seguia as convenções da ópera alemã, e é por isso que nas poucas óperas que ele compôs em alemão, como A Flauta Mágica e O Rapto no Serralho, trechos falados (que Mozart procura fazer o mais curtos possíveis) se alternam com trechos cantados.

Nas óperas de Handel, Cimarosa, Gluck, Mozart, Rossini, e outros compositores, os recitativos são geralmente acompanhados ao cravo. A partir de meados do séc. XIX, contudo, os compositores o utilizaram cada vez menos. Wagner aboliu o recitativo quase completamente de suas óperas, procurando criar um todo sinfônico-vocal ininterrupto e mais homogêneo.

Embora o termo recitativo, em geral, se refira à música vocal, há recitativos puramente instrumentais. Encontramos exemplos em Bach, Beethoven, Chopin, e vários outros compositores.

Existem, a princípio, duas formas de recitativo: o recitativo secco e o recitativo accompagnato.

Recitativo secco[editar | editar código-fonte]

O recitativo secco é a forma de recitativo na qual o acompanhamento instrumental é reduzido ao mínimo. É composto apenas pelo baixo contínuo : cravo ou órgão e violoncelo, com mais freqüência. Em princípio, nenhum outro instrumento intervém. Para exemplificar, na Paixão segundo São Mateus de Bach, o Evangelista canta o seu texto sob a forma de recitativo secco.

Recitativo accompagnato ou stromentato[editar | editar código-fonte]

O recitativo accompagnato (ou acompanhado ou stromentato) é a forma de recitativo na qual a orquestra intervém, seja para pontuar o texto do solista através de alguma frase que possa se assemelhar a « comentários » musicais ou para reforçar os acordes tocados pelo cravo, como um « tapete » sonoro.

No exemplo da Paixão segundo São Mateus supramencionada, as intervenções de Jesus são sob a forma de recitativo accompagnato.
O recitativo accompagnato deve ser, normalmente, diferenciado do arioso, pois este último está a meio caminho da ária (mas sem possuir as restrições formais) e do accompagnato (mas sem possuir liberdade rítmica). Estes dois termos, entretanto, são, freqüentemente, confundidos.


Ver Também[editar | editar código-fonte]

  • Sadie, Stanley (editor). "The Grove Concise Dictionary of Music". Macmillan Press Ltd., London.1994.
  • Palisca, Claude. The Florentine Camerata. New Haven, Connecticut: Yale University Press, 1989.


Referências